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18 de maio de 2026

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O paradoxo da economia e a força do prato feito

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A economia brasileira vive um momento curioso e desafiador. De um lado, o país carrega problemas estruturais sérios, com dívida pública ultrapassando 75% do PIB, juros altos e gastos governamentais que continuam crescendo acima da arrecadação. De outro, o Brasil apresenta crescimento econômico superior ao esperado, desemprego no menor nível histórico e consumo firme de alimentos.

O economista Ricardo Amorim definiu isso como um verdadeiro paradoxo. “O Brasil vive um paradoxo: problemas fiscais sérios e, ainda assim, crescimento econômico acima das previsões.”

Esse contraste ajuda a explicar por que a cesta básica e os alimentos essenciais seguem com volume de vendas em alta, mesmo num contexto de desequilíbrio fiscal e crédito caro.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o consumo nos lares subiu 2,67% em 2025 (até setembro), em valores reais deflacionados, e ficou 2,79% acima do mesmo período de 2024. O IBGE mostra que o varejo total cresceu 1,6% no acumulado do ano e atingiu, em fevereiro, o maior patamar da série histórica. Dentro desse grupo, o segmento de “hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” foi um dos que mais contribuíram, com avanço de 1,1% em agosto.

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Outro indicador importante, da NIQ (antiga NielsenIQ), confirma a resiliência: em 2023, a cesta de alimentos e bebidas cresceu 7,4% em volume, superando a média de todas as categorias, que foi de 1,9%.

Mesmo em meses de oscilação, como agosto de 2025, quando os dados de PDV mostraram uma queda de 4,4% em volume, mas aumento de 2,5% em receita, o comportamento do consumidor reforça uma tendência estrutural: a prioridade continua sendo o alimento.

A razão é simples e poderosa: emprego e renda real. Hoje, há 23 milhões de brasileiros a mais empregados do que há quatro anos, e a massa salarial, ajustada pela inflação, aumentou cerca de R$ 80 bilhões. Esse dinheiro adicional, distribuído mensalmente, sustenta o consumo de itens essenciais como feijão, arroz, óleo, farinha, açúcar, pães e biscoitos, garantindo movimento ao comércio, à indústria e ao campo.

Mesmo com a taxa Selic ainda alta e o crédito para bens duráveis em retração, a renda corrente permite que o consumidor mantenha o básico no carrinho e, em muitos casos, até melhore a qualidade dos produtos adquiridos. É o fenômeno da “substituição positiva”: trocam-se supérfluos e lazer por comida de verdade, mais nutritiva e com origem conhecida.

O agronegócio brasileiro, mesmo enfrentando desafios de custo e logística, vive um dos seus ciclos mais produtivos da história, com safra recorde de grãos estimada em +17%. Essa abundância ajuda a manter os preços dos alimentos relativamente estáveis, mesmo com o aumento da demanda, e fortalece a economia rural. O agro é, mais uma vez, a âncora que sustenta o consumo interno e evita desequilíbrios mais severos.

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Além disso, o Brasil se beneficia de um ambiente externo peculiar. As tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, conflitos comerciais entre Estados Unidos e China e instabilidade em países emergentes, fazem com que fluxos de capital busquem refúgio em economias mais previsíveis, como a brasileira. Isso ajuda a atrair investimento direto, ampliar a geração de empregos e reforçar o círculo virtuoso do consumo.

Por outro lado, há um alerta importante: esse ciclo não é infinito. Se o cenário global se deteriorar, ou se o país continuar postergando os ajustes nas contas públicas, o capital pode migrar e o consumo perder fôlego. O desafio está em transformar essa fase de bonança aparente em crescimento sustentável, com produtividade, eficiência fiscal e valorização dos setores que realmente alimentam e empregam o país.

Enquanto isso, o prato feito brasileiro, composto por arroz, feijão, proteína e salada, segue sendo torpedeado pelo marketing dos ultraprocessados. O crescimento dos problemas de saúde mostra que é preciso reagir.

A comida de verdade é mais que uma questão nutricional: é uma força econômica e cultural que conecta campo e cidade, produtor e consumidor. É ela que dá condições físicas e até mesmo psíquicas à nossa população para suportar o estresse de um mundo polarizado que busca nos manipular política e economicamente.

Por isso, movimentos como o Viva Feijão, liderado pelo Ibrafe, ganham importância. Eles mostram que o futuro da alimentação e da economia pode e deve passar por uma agricultura mais consciente, regenerativa e valorizada. O feijão, alimento acessível, saudável e de forte identidade nacional, está no centro dessa transformação. Em tempos de incerteza fiscal e política, é o alimento de verdade que dá estabilidade ao país.

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O Brasil pode ter uma economia desequilibrada, mas tem algo que o mantém em movimento: a confiança do povo no prato cheio e o trabalho incansável de quem produz cada grão que o compõe. O desafio agora é transformar esse consumo em desenvolvimento com propósito, onde produzir e comer bem continuem caminhando juntos.

Afinal, como mostra a história recente, a força do Brasil começa no campo e termina no prato, de preferência, com muito feijão.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Terras agrícolas disparam em Santa Catarina com avanço da soja e do arroz

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Foto: Vlamir Brandalizze/ Arquivo pessoal

O mercado de terras agrícolas em Santa Catarina seguiu aquecido em 2025, refletindo o desempenho da agropecuária no estado. Levantamento da Epagri/Cepa aponta valorização dos imóveis rurais, principalmente nas áreas com maior aptidão produtiva e forte presença de culturas como soja e arroz.

As terras de primeira categoria, consideradas as mais produtivas, registraram os maiores valores. Em Campos Novos, no Meio-Oeste catarinense, o preço médio chegou a R$ 169 mil por hectare. Já as várzeas sistematizadas, usadas principalmente para a produção de arroz, também apareceram entre as áreas mais valorizadas. Em Turvo, no Sul do estado, o valor médio alcançou R$ 164 mil por hectare.

Na outra ponta, ficaram as áreas com restrições produtivas. As terras de segunda categoria tiveram média de R$ 38,34 mil por hectare em Lebon Régis. Já as terras de terceira categoria, marcadas por maior declividade, foram avaliadas em R$ 19,75 mil por hectare em Calmon.

O levantamento ainda mostrou que o campo nativo teve valor médio de R$ 19,91 mil por hectare em Lages. As áreas destinadas à servidão florestal ou reserva legal registraram os menores preços, chegando a R$ 10,37 mil por hectare em Otacílio Costa.

Segundo a Epagri/Cepa, as diferenças refletem as características produtivas e econômicas de cada região. Além da aptidão agrícola, fatores como pressão urbana, turismo e legislação ambiental também influenciam diretamente o valor das terras no estado.

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O estudo é realizado desde 1997 e acompanha os preços médios das terras agrícolas em diferentes municípios catarinenses. Os dados são divulgados no Observatório Agro Catarinense e servem de base para estudos técnicos, políticas públicas e referências usadas por produtores e prefeituras.

Como o levantamento é feito

A coleta das informações ocorre entre outubro e janeiro e considera apenas o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho envolve técnicos da Epagri/Cepa em todas as regiões do estado.

As informações são obtidas com imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, cartórios, associações de produtores e órgãos públicos. Para cada município e classe de terra, ao menos três fontes são consultadas.

De acordo com a analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, os dados passam por validação estatística antes da divulgação. O estudo considera preços mínimos, máximos e os valores mais praticados em cada localidade.

A Epagri/Cepa ressalta, porém, que os números têm caráter referencial e não devem ser usados como parâmetro único em negociações ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, qualidade do solo e topografia podem provocar grandes diferenças dentro do mesmo município.

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Agro forte sustenta valorização

A valorização das terras acompanha o avanço da agropecuária catarinense. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do estado cresceu, em média, 4,3% ao ano em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% na comparação com 2024. A pecuária respondeu por 58% da receita gerada no campo, enquanto os grãos vieram na sequência. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do valor produzido.

Segundo a Epagri/Cepa, o desempenho da soja ajudou a puxar os preços das terras de primeira e segunda categorias no Oeste e no Planalto Norte. Já no litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também contribuiu para a valorização.

As áreas de servidão florestal e terras de terceira categoria também registraram avanço nos preços, influenciadas pelo turismo rural e pelas regras ambientais. Nas várzeas usadas para arroz, a valorização foi impulsionada pela alta do cereal nos últimos anos e pelo modelo de arrendamento, predominante em boa parte da área cultivada no estado.

*Com informações da assessoria de imprensa

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Projeção de boa safra pressiona cotações do milho, diz Cepea

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Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Estimativas para a temporada de produção de milho, divulgadas pela Conab, projetam uma crescente nas quantidades entre os relatórios de abril e maio. Por conta disso, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apontam que compradores, que hoje tem estoques confortáveis, aguardam um recuo nas cotações para realizar as negociações.

Dados da Conab mostram que a primeira safra 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e 2% acima do relatório divulgado em abril. O aumento reflete no crescimento em área e produtividade nas regiões produtoras. O Cepea destaca que neste ano os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores já registrados, o que ja transmitiu tranquilidade aos consumidores.

Ainda segundo centro de pesquisas, vendedores do cereal seguem flexiveis nas negociações, visto o cenário de quedas de preços, armazéns cheios e safras fortes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.

Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.

A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.

As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.

Fonte: embrapa.br

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