Sustentabilidade
Carta-Manifesto dos Produtores de Soja para a COP30 é apresentada no Senado – MAIS SOJA

Apesar de o Brasil ser o único grande produtor de alimentos que combina alta produtividade com conservação ambiental e geração de energia renovável em larga escala, o debate global se descolou da realidade ao ignorar o papel do Brasil e de países tropicais na solução dos problemas relacionados ao clima e ao meio ambiente.
O alerta consta da Carta-Manifesto dos Produtores de Soja para a COP30, um documento com 27 páginas contendo propostas da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) para a construção de uma agenda climática tropical, soberana e produtiva. Lançada nesta quinta-feira (06.11), em Brasília, a Carta foi elaborada com as contribuições do doutor e mestre em Direito pela Universidade de Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Rio), Daniel Vargas, um dos maiores especialistas brasileiros no tema da sustentabilidade e do direito internacional.
Entre as principais propostas contidas no item Ciência Tropical e Governança do documento está a criação de um Sistema Nacional de Métricas e Padrões Tropicais, articulando Embrapa, INPE e órgãos científicos, para produzir metodologias compatíveis com os ciclos tropicais do carbono e com os sistemas integrados de produção. Em paralelo, propõe, por intermédio da presidência da COP30, a criação de Fórum Internacional de Agricultura e Clima Tropical para formular métricas e parâmetros comuns, que deem voz científica aos trópicos e sugere ainda a revisão da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, referente às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, submetendo-a ao crivo do Parlamento brasileiro.
“O Brasil responde por apenas 2,47% das emissões globais, contra 28% da China e até 15% dos EUA. As metas nacionais precisam refletir essa proporção e ser tratadas como política de Estado, não de um grupo de interesse particular”, diz a Carta. No documento, as entidades argumentam que, embora 75% do aquecimento global decorra da queima de CO2 (e que 87% deste total seja fruto da queima de combustíveis fósseis), as negociações internacionais cada vez mais miram o uso da terra em países tropicais. Os produtores apontam também que padrões unilaterais — como o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) e o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) — e certificações privadas sem mandato democrático impõem custos adicionais de 15% a 20%, distorcem a concorrência e enfraquecem a cooperação, surgindo, assim, “uma ameaça de neocolonialismo ambiental que transfere o ônus da transição verde aos trópicos”, diz trecho da Carta.
“O Brasil, sede da COP30, tem a responsabilidade de liderar uma virada no debate global. De um lado, resistir à distorção global e cobrar a responsabilidade histórica de países e setores mais poluentes. De outro lado, substituir a velha lógica punitiva e antiprodutiva dos países temperados por uma agenda tropical soberana, que trate o verde como ativo, o clima como vetor de desenvolvimento e a soberania como condição de legitimidade. Precisamos mostrar ao mundo a contribuição do agro brasileiro”, revela a Carta.
A Carta-Manifesto aponta diretrizes para uma agenda tropical: Verde como Valor; Clima como Desenvolvimento; Soberania como Caminho. Verde como Valor: Incorporar as áreas preservadas nas fazendas (reservas legais, APPs, vegetação nativa), que prestam serviços ambientais fundamentais como sequestro de carbono, regulação hídrica, polinização e estabilidade climática, como ativos ambientais à economia do país, por meio de pagamentos por serviços ambientais (PSA), mercados de carbono tropicais e crédito verde. Clima como Desenvolvimento: Nos trópicos, o maior risco ambiental não é a soja, a vaca ou o milho — é a pobreza.
O clima deve ser tratado como agenda de desenvolvimento, capaz de gerar investimento, renda e inclusão. Cada real investido em agricultura sustentável retorna em segurança alimentar, energia limpa e estabilidade social. Soberania como caminho: Nenhuma política climática é legítima sem soberania democrática e científica. O Brasil deve definir suas próprias metas e metodologias, respeitando o Congresso Nacional, o Código Florestal e a Constituição Federal. O país não pode ser mero executor de regras externas, mas cocriador de padrões globais ajustados à realidade tropical. Autonomia científica, previsibilidade regulatória e estabilidade jurídica são os pilares de uma política climática que gera confiança e atrai capital produtivo. Estabelece também quatro Eixos Estratégicos e Propostas dos Produtores de Soja: Segurança Alimentar; Segurança Energética; Ciência Tropical e Governança; e Produtivismo Verde. Segurança Alimentar: O alimento é o ativo geopolítico do século XXI.
O mundo ainda tem 735 milhões de pessoas com fome, e a produção global precisará crescer substancialmente até 2050. A FAO estima que o Brasil poderá responder por até 40% da expansão da oferta mundial de alimentos nas próximas décadas. Com em torno de 100 milhões de hectares de pastagens em algum grau de degradação, o país tem o maior potencial de expansão sustentável do planeta. A meta nacional de recuperar 40 milhões de hectares até 2035 pode elevar a produção agrícola em pelo menos 25%, gerar dezenas de milhares de novos empregos diretos e mitigar 400 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Segurança Energética: Graças à integração entre produção de alimentos e geração renovável, o agro já responde por 32% da energia nacional, somando etanol de cana e milho, biodiesel de soja, biogás e energia solar distribuída—e quase 90% da eletricidade brasileira é renovável. Essa sinergia entre “comida e energia” é uma das maiores vantagens competitivas do Brasil: reduz emissões, gera renda local e fortalece a soberania energética.
Com políticas coordenadas, o país pode dobrar a geração renovável rural até 2035, substituindo diesel e eletricidade fóssil por fontes limpas e descentralizadas. Ciência Tropical e Governança: O Brasil deve criar um Sistema Nacional de Métricas e Padrões Tropicais, articulando Embrapa, INPE, e órgãos científicos, para produzir metodologias compatíveis com os ciclos tropicais do carbono e com os sistemas integrados de produção, propor a criação de Fórum Internacional de Agricultura e Clima Tropical e fazer a revisão da NDC brasileira referente às metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, submetendo-a ao crivo do Parlamento. Produtivismo Verde: o Brasil deve liderar a criação de Acordos Tropicais de Comércio Sustentável e Inteligente (Smart Trade Agreements), baseados em reconhecimento mútuo de padrões e rastreabilidade digital. Substituir certificações importadas por equivalências regionais é um ato de soberania científica e econômica.
“A COP30, em Belém, é a oportunidade histórica de o Brasil liderar uma nova agenda global. O país reúne os elementos que o mundo precisa: ciência sólida, matriz energética limpa e agricultura eficiente. É capaz de provar que é possível crescer reduzindo emissões, produzir conservando e gerar prosperidade com inclusão”, destacou Daniel Vargas, que será um dos participantes do Agrizone COP 30 Grãos e Sereais, debate promovido por entidades do agro que acontecerá no dia 12 de novembro em Belém. Participarão representantes da Abramilho, a Abrapa, Aprofir BR, Aprosoja Brasil, Aprosoja MT e CNA.
Sustentabilidade
Adubação com enxofre pode contribuir para o aumento da produtividade do milho – MAIS SOJA

Embora exerça funções essenciais para o metabolismo vegetal, o enxofre (S), é um dos macronutrientes mais negligenciados na agricultura. O enxofre é essencial por compor os aminoácidos cisteína e metionina, além de integrar a coenzima A e vitaminas como tiamina e biotina, atuando no metabolismo e na respiração.
Sua deficiência reduz a síntese de proteínas e a formação de complexos clorofila-proteína, causando clorose, principalmente nas folhas mais jovens, já que o nutriente tem baixa mobilidade na planta (Paulilo; Viana; Randi, 2015). Embora varie em função do híbrido e da expectativa de produtividade, estima-se que o milho extraia, em média, cerca de 2,6 kg de S por tonelada de grãos produzida e exporte aproximadamente 1,2 kg de S por tonelada de grãos colhida, o que representa algo próximo de 46% do enxofre total acumulado na parte aérea (Duarte; Kurihara; Cantarella, 2011).
Nesse contexto, assim como ocorre com os demais nutrientes essenciais, a deficiência de enxofre pode se tornar fator limitante à produtividade do milho, sobretudo em sistemas intensivos e com elevadas expectativas de produtividade. No entanto, por nem sempre receber a mesma atenção que macronutrientes primários como N, P e K, o enxofre frequentemente deixa de ser manejado de forma preventiva, sendo sua aplicação realizada apenas de maneira corretiva, quando realizada.
Para sistemas voltados a altas produtividades, a manutenção de teores adequados de enxofre no solo, compatíveis com a demanda da cultura e com a exportação via colheita, é condição determinante para sustentar elevados tetos produtivos. Além disso, estudos demonstram que o milho responde positivamente a adubação com enxofre. Avaliando o desempenho do milho cultivado em segunda safra submetido a doses de enxofre elementar, Oliveira et al. (2024) observaram que além da produtividade do milho, características como índices SPAD de clorofila total, clorofila B, altura de plantas, são beneficiados pela adubação com S.
Nas condições do presente estudo, os resultados obtidos pelos autores demonstram que a adubação do milho com enxofre proporcionou ganho de produtividade de até 13% em relação a testemunha (sem adubação com enxofre), demonstrando de forma positiva a contribuição desse manejo para o aumento da produtividade do milho. No entanto, a relação da adubação com S e a produtividade do milho não é linear, sendo que, a produtividade máxima de grãos de milho, não foi obtida com a dose máxima avaliada (150 kg ha-1 de S elementar), e sim, com a dose estimada de 135,41 kg ha-1 S elementar (figura 1).
Figura 1. Produtividade do milho de segunda safra submetido a doses de enxofre elementar.
Vale destacar que as respostas produtivas do milho à adubação com enxofre podem variar em função da cultivar, das condições edafoclimáticas e do sistema de manejo adotado. Além disso, mesmo quando há suprimento adequado de enxofre, a limitação por outro nutriente essencial pode restringir a expressão do potencial produtivo, evidenciando a importância do equilíbrio nutricional.
Ainda assim, em ambientes com baixa disponibilidade de S, a literatura demonstra respostas consistentes da cultura ao aporte desse nutriente, reforçando que a adubação com fontes de enxofre pode constituir uma estratégia eficiente para incremento de produtividade, especialmente em sistemas intensivos e com elevada exportação de nutrientes.
Sobretudo, qualquer decisão relacionada ao manejo nutricional do milho deve estar fundamentada na análise do solo, na avaliação do estado nutricional da cultura e na expectativa de produtividade estabelecida. O ajuste das doses de fertilizantes à demanda real da planta é essencial para suprir adequadamente suas exigências, otimizar o uso de insumos e maximizar o retorno produtivo.
Confira o estudo completo desenvolvido por Oliveira e colaboradores (2024) clicando aqui!

Referências:
DUARTE, A. P.; KURIHARA, C. H.; CANTARELLA, H. ADUBAÇÃO DO MILHO SAFRINHA EM CONSÓRCIO COM BRAQUIÁRIA. Embrapa Milho e Sorgo, 2011. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/982644/1/cap6.pdf >, acesso em: 03/03/2026.
OLIVEIRA, G. N. et al. ERFORMANCE OF SECOND-SEASON MAIZE SUBJECTED TO ELEMENTAL SULFUR DOSES. Nativa, 2024. Disponível em: < https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/nativa/article/view/16445?utm_source=chatgpt.com >, acesso em: 03/03/2026.
PAULILO, M. T. S.; VIANA, A. M.; RANDI, Á. M. FISIOLOGIA VEGETAL. Universidade Federal de Santa Catarina, 2015.

Sustentabilidade
PIB da agropecuária cresce 11,7% e impulsiona resultado da economia em 2025 – MAIS SOJA

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária registrou crescimento de 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em valores correntes, o valor adicionado bruto do setor somou R$ 775,3 bilhões no período, o equivalente a aproximadamente 6,1% do PIB nacional. No acumulado do ano, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, totalizando R$ 12,7 trilhões.
Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o resultado confirma o papel estratégico do setor para o país. “Mais uma vez, a agropecuária brasileira se consolida como um grande esteio da economia nacional. Mesmo diante de dificuldades pontuais, como preços de commodities achatados e o endividamento em alguns segmentos, a resiliência, a competência e a capacidade produtiva do setor têm sido determinantes para o crescimento do Brasil”, afirmou.
De acordo com o IBGE, o desempenho da agropecuária foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção e da produtividade da agricultura, com destaque para culturas que registraram expansão significativa e recordes na série histórica. A produção de milho avançou 23,6%, enquanto a soja apresentou crescimento de 14,6%. A pecuária também contribuiu positivamente para o resultado do setor.
Na comparação entre o 4º trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, o PIB nacional registrou alta de 1,8%. Nesse mesmo período, o valor adicionado da agropecuária cresceu 12,1%, refletindo o desempenho favorável da pecuária e de culturas como fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
O resultado reforça a importância do setor agropecuário para o crescimento da economia brasileira e sua contribuição para a geração de renda no país.
Fonte: MAPA
Autor:MAPA
Site: MAPA
Sustentabilidade
Arroz/BR: Colheita chega a 9,2% da área nacional – MAIS SOJA

No RS, as lavouras de arroz encontram-se em sua maioria em floração, enchimento de grãos e maturação, enquanto a colheita ainda segue lenta, alcançando 4% da área cultivada, e apresentando bom rendimento e boa qualidade dos grãos colhidos.
Em SC, a colheita avança nas principais regiões produtoras, principalmente, nas áreas do Norte e Litoral. Em algumas áreas ocorreram alto volume de precipitações, diminuindo o ritmo da colheita e a qualidade do grão a ser colhido, mas, na maioria das regiões, as condições permanecem favoráveis.
Em GO, nas áreas de tabuleiros da região Leste, o arroz foi colhido com bons rendimentos. Na região de São Miguel do Araguaia, a colheita avança de forma escalonada com boas produtividades.
No MA, o plantio de sequeirofoi finalizado e as lavouras estão em pleno desenvolvimento vegetativo, com áreas iniciando o florescimento, em boas condições. No TO, a colheita na Lagoa da Confusão tem avançado conforme a maturação. A maioria das lavouras se encontram em enchimento de grãos e maturação, enquanto, em Formoso do Araguaia, as produtividades variam em função das condições climáticas ocorridas no ciclo.
Em MT, a colheita segue avançando conforme a maturação das lavouras. A qualidade dos grãos colhidos é considerada boa. No PR, as lavouras estão em boas condições, com a maioria das áreas em enchimento de grãos e maturação. Houve avanço significativo da área colhida.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
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