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Japão deve abrir mercado para carne bovina do Brasil neste ano, diz Fávaro

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, voltou a afirmar que o governo mantém a expectativa de abertura do Japão para a carne bovina brasileira ainda neste ano.
“Há mais de 20 anos o Brasil pleiteia esse mercado. Tinham algumas barreiras sanitárias que foram superadas, como, por exemplo, o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal com o Brasil Livre de Febre Aftosa sem Vacinação”, disse ele a jornalistas na noite de segunda-feira (3), após participar da abertura da Conferência de Ministros da Agricultura das Américas.
Ele lembrou que autoridades japonesas fizeram uma inspeção no mês de junho e virão fazer auditoria final no mês de novembro nas plantas frigoríficas. “Acho que o protocolo fica pronto e devemos ter o anúncio, se Deus quiser, ainda este ano”, estimou.
O governo esperava que o anúncio do Japão quanto à abertura de mercado para a carne bovina pudesse ser formalizado ainda durante a COP30. Entretanto, ainda há questões a serem sanadas entre os países.
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Aplicativo GuardeÁgua terá capacitação em nove estados do Semiárido

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Solos e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) iniciam nesta terça-feira (19) uma série de oficinas sobre o aplicativo GuardeÁgua em nove estados do Semiárido. A ferramenta foi desenvolvida para identificar áreas apropriadas à construção de barragens subterrâneas, tecnologia usada para retenção de água no solo e apoio à produção agropecuária em regiões de baixa disponibilidade hídrica. A ação tem aporte financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
As primeiras capacitações ocorrerão no Rio Grande do Norte, em Santa Maria (RN), e na Paraíba, em Esperança (PB), das 8h às 17h. Também estão previstos treinamentos na Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco e Alagoas. No caso de Pernambuco e Alagoas, o material divulgado informa que ainda há data e, em Alagoas, também cidade a definir.
Lançado em dezembro de 2025, o GuardeÁgua foi desenvolvido pela Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento de Recife (UEP Recife), da Embrapa Solos, em parceria com a ASA. O aplicativo está disponível para Android e também tem versão web. Segundo a pesquisadora Maria Sonia Lopes da Silva, da Embrapa Solos, a ferramenta pode ser usada em campo mesmo sem internet, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.
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De acordo com a Embrapa, a análise considera informações de solo, relevo, clima, geologia e vegetação. A partir desses dados, o sistema classifica a área como “Apto”, “Restrito” ou “Inapto” para a implantação da barragem subterrânea. O usuário também pode baixar um relatório em PDF com a justificativa técnica do resultado.
A barragem subterrânea utiliza lona plástica de 200 micras instalada em valas com profundidade entre 1,5 metro e 6 metros, em áreas agrícolas de declive suave. A estrutura retém a água da chuva no perfil do solo, mantendo a umidade por vários meses. Isso permite cultivo por mais tempo, além de apoio à pequena irrigação e à dessedentação animal, conforme a necessidade da propriedade.
As oficinas terão parte teórica e atividades práticas em unidades de produção familiar. Além da seleção de áreas, o aplicativo reúne orientações gerais sobre manejo conservacionista do solo, uso da água, cultivos e acesso à Plataforma do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
Segundo os organizadores, a expectativa é ampliar o uso da ferramenta por técnicos e agricultores como apoio à implantação de barragens subterrâneas no Semiárido. Como a agenda desta etapa não inclui Espírito Santo e Maranhão, a cobertura do treinamento permanece restrita aos estados com metas previstas no contrato firmado no âmbito do Programa Cisternas.
Fonte: embrapa.br
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Atraso na compra de fertilizantes eleva risco para a safra de soja 2026/27

As entregas de fertilizantes no Brasil devem cair entre 10% e 15% em 2026, após o recorde de 49 milhões de toneladas em 2025, segundo o Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR). Em nota divulgada nesta segunda-feira (18), a entidade informou que o cenário está ligado a conflitos geopolíticos, aumento de custos e atraso nas compras feitas pelos produtores. O quadro atinge diretamente o planejamento da safra de soja 2026/27.
De acordo com o Sindiadubos-PR, apenas 50% dos fertilizantes necessários para a próxima safra de soja foram negociados até agora, abaixo da média histórica superior a 60% para este período. Segundo a entidade, a postergação das compras amplia o risco de concentração da demanda nos próximos meses.
O sindicato alerta que, se houver retomada mais forte dos pedidos entre junho e agosto, o país poderá enfrentar gargalos logísticos nos portos. A estimativa é de espera de até 60 dias para o descarregamento de navios. No mesmo período do ano passado, as filas para atracação variavam de 10 a 15 dias, conforme informou o presidente da entidade, Aluisio Schwartz.
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Na avaliação do Sindiadubos-PR, o ambiente de custos também pressiona a decisão de compra. A entidade cita a incidência de PIS/Cofins sobre insumos agrícolas, os efeitos da tabela do frete mínimo e a alta do diesel. Além disso, o sindicato aponta restrição de crédito no campo, em meio ao avanço de recuperações judiciais no setor.
Segundo Schwartz, o custo de produção da soja está entre 50 e 55 sacos por hectare, diante de uma produtividade média de 60 sacos por hectare. Esse intervalo reduz a margem operacional e, de acordo com a entidade, pode limitar o uso de fertilizantes e comprometer o potencial produtivo da safra, caso o produtor adie ou reduza a adubação.
O cenário descrito pelo Sindiadubos-PR indica que o ritmo de negociação dos fertilizantes nos próximos meses será decisivo para o abastecimento e para o custo da safra 2026/27. A entidade também menciona risco climático associado ao El Niño, com possibilidade de seca no Centro-Oeste, mas não apresentou projeção consolidada de produção para a próxima temporada.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Recursos liberados do seguro rural caem 63% ante 2024, aponta FGV Agro

O ritmo de liberação de recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) vem caindo ano a ano. Até o momento, foram aprovados apenas R$ 100 milhões para os meses de maio, agosto e novembro de 2026. O montante equivale a uma queda de 62,8% em relação ao mesmo período de 2024.
A análise é do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro e foi publicada nesta segunda-feira (18). O relatório também aponta uma discrepância frente à Lei Orçamentária Anual, que aprovou R$ 1 bilhão para o programa deste ano.
“Esse dado deve ser interpretado não apenas como uma redução contábil, mas como sinal econômico relevante para produtores, seguradoras, resseguradoras, corretores, cooperativas, agentes financeiros e prestadores de serviços técnicos vinculados ao seguro rural”, diz a nota técnica.
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Liberações que não acompanham a lei
A perda gradual de capacidade do programa de subvenção aparece na comparação das liberações aprovadas pelo governo até maio em 2024, 2025 e 2026:
- Em 2024, amparado pelas Resoluções CGSR nº 99 e 100, o PSR contou com R$ 268,8 milhões até maio.
- Já em 2025, sob a Resolução nº 105, o volume aprovado caiu para R$ 179,2 milhões destinados especificamente ao mês.
- Agora, em 2026, a Resolução nº 110 autorizou apenas R$ 100 milhões para maio, agosto e novembro.
Nesse contexto, o documento destaca que o momento da liberação dos recursos é tão importante quanto o volume autorizado pela Lei Orçamentária.
“Recursos liberados tardiamente ou de forma fragmentada perdem efetividade econômica, porque a contratação do seguro obedece às janelas de plantio, às decisões de custeio, ao calendário regional das culturas e à capacidade de planejamento do mercado segurador”, afirma a nota.
A assimetria com o Proagro
De acordo com a análise, o ‘sufoco’ do PSR contrasta fortemente com o tratamento dado a outros instrumentos de gestão de risco no país.
Enquanto o seguro privado subvencionado está sujeito a cortes, limites de empenho e liberação tardia, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) opera do outro lado da moeda fiscal. Para 2026, informações setoriais indicam orçamento do Proagro em torno de R$ 6,6 bilhões e tratamento de despesa obrigatória.
Segundo a FGV Agro, essa diferença cria uma distorção no sistema de gestão de risco agropecuário, ao limitar a expansão do seguro privado subvencionado e ampliar a dependência de mecanismos públicos de cobertura de perdas.
Instabilidade que limita expansão do seguro rural
A análise destaca que a implementação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo (Zarc NM) é um avanço técnico recente, mas perde força diante dessa instabilidade financeira entre modelos.
“A programação orçamentária do PSR até maio de 2026 acende sinal de alerta para a política brasileira de gestão de riscos agropecuários. Mantido o ritmo observado até maio, o programa poderá encerrar 2026 com um dos menores níveis recentes de execução operacional”, conclui o relatório.
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