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Senado pode votar ampliação do seguro agrícola para incluir pecuária e outras atividades

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar, nos próximos dias, o projeto que amplia o seguro agrícola e passa a abranger outras atividades do campo, como pecuária, aquicultura, pesca e silvicultura. Com a mudança, o programa passará a se chamar Seguro Rural, refletindo seu novo escopo de cobertura.
O relator da proposta, senador Jayme Campos (União-MT), explica que o texto também busca harmonizar normas sobre o funcionamento do seguro, estabelecer critérios de governança para o fundo que sustenta o programa e impedir o contingenciamento unilateral de recursos por parte do governo federal.
“Se o governo quiser contingenciar parte dos recursos, a decisão passará a ser da Comissão de Orçamento, dentro do diálogo natural do processo orçamentário”, afirmou o parlamentar.
O projeto também restabelece a isenção tributária irrestrita para as operações de Seguro Rural, reforçando o objetivo de ampliar a adesão dos produtores e garantir maior estabilidade financeira diante de eventos climáticos e sanitários adversos.
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Primeiro centro de excelência em tecnologia rural deve ser concluído ainda em 2026

O Sistema Faesp/Senar e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estão construindo no município de São Roque, interior do estado de São Paulo, um dos maiores centros de excelência em tecnologia rural do Brasil.
A previsão é que o espaço — o primeiro do tipo do Senar no país e com cerca de nove mil metros de área construída — fique pronto ainda em 2026 e tenha 24 cursos, com capacidade para receber até cinco mil alunos a cada ano.
O foco será na aplicação de inteligência artificial, conectividade e soluções tecnológicas avançadas para capacitar profissionais do setor e produtores rurais para lidar com as transformações digitais no campo.
O superintendente do Senar-SP, Fábio Carrion, ressalta que o centro está sendo concebido para ter uma vocação em bioinsumos e turismo rural combinados com big data, inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).
“Essas tecnologias já existem, são necessárias e podem atender não exclusivamente o grande produtor, assim como o pequeno produtor. A gente vai trazer com isso uma contribuição bem forte, fazendo com que o pequeno, o médio e o grande produtor tenham um ganho de produtividade, ganhem escala em suas produções, consequentemente melhorando para muitas outras pessoas com geração de emprego e outros aspectos”, diz.
Já o gerente de Tecnologia e Inovação do Senar-SP, Alexandre Capelli, conta que a ideia da construção do centro veio por meio dos sindicatos rurais do estado, que apontaram as suas necessidades. De acordo com ele, as soluções serão individualizadas, ou seja, aplicáveis em diferentes regiões produtoras do estado. “A gente procura colocar os programas de informação profissional de acordo com cada cluster econômico local”, ressalta.
A ideia é que o centro de excelência em tecnologia rural não impacte apenas o estado de São Paulo, mas ganhe contornos nacionais por meio da sinergia com as ações do Instituto CNA, entidade sem fins lucrativos focada no desenvolvimento socioeconômico e técnico do agronegócio brasileiro.
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Feijão carioca encerrou fevereiro em patamar recorde, mostra indicador Cepea/CNA

O mercado de feijão encerrou fevereiro em alta, com destaque para o feijão carioca. Os preços médios da leguminosa atingiram os maiores níveis da série histórica do indicador Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024.
O feijão preto também viu as cotações encerrarem o mês passado em aceleração, alcançando os patamares mais elevados desde janeiro de 2025.
De acordo com o indicador, na última semana do mês, entre 20 e 26 de fevereiro, a liquidez permaneceu moderada. As negociações seguiram cautelosas e concentradas na reposição do varejo, enquanto a oferta da primeira safra continuou restrita, sustentando o viés de alta.
Baixa disponibilidade do feijão carioca
A qualidade e disponibilidade de lotes de padrão superior de feijão carioca foram comprometidas pelas chuvas durante a colheita em Minas Gerais e Goiás, prejudicando, especialmente, os grãos de nota 9 ou acima.
Segundo o indicador Cepea/CNA, entre 20 e 27 de fevereiro, as altas foram generalizadas, com destaque para Curitiba, Paraná, com elevação de 9,40%, e Itapeva, com incremento de 8,18%, refletindo a maior disputa por grãos de melhor qualidade.
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Já de janeiro para fevereiro, o preço médio do carioca acumulou valorização de 29,3%. Com isso, as médias de fevereiro superaram as de maio de 2025 e estabeleceram novo recorde nominal na série.
Grãos de notas 8 e 8,5
A valorização também foi consistente nos grãos de notas 8 e 8,5, impulsionada por atributos como coloração clara e escurecimento lento. Em Itapeva, as cotações subiram mais de 9% na semana analisada.
Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso também registraram preços firmes. No entanto, o avanço recente levou parte dos compradores a atuar com maior cautela no fim do mês.
Assim, diferentemente do observado no mesmo período de 2025, quando houve recuo entre janeiro e fevereiro, em 2026 o aumento mensal próximo de 26% reforça o movimento altista iniciado em janeiro.
Feijão preto
A demanda por feijão preto esteve mais comedida, influenciada pelos estoques previamente formados, conforme o indicador. Ainda assim, a preferência por lotes mais recentes manteve as cotações firmes.
Entre 20 e 27 de fevereiro, os preços subiram 3,97% em Itapeva, 2,37% em Curitiba, 1,52% na metade sul do Paraná e 0,66% no oeste catarinense. Na média mensal, fevereiro registrou alta de 15,2%, revertendo a queda observada no mesmo período do ano passado e levando os preços aos maiores níveis desde janeiro de 2025.
“O comportamento dos preços em fevereiro reflete uma combinação clara de oferta restrita e demanda ainda ativa, especialmente para os lotes de melhor qualidade”, diz o assessor técnico da CNA Tiago Pereira.
Segundo ele, a redução da produção no Sul e os impactos climáticos sobre a colheita limitaram a disponibilidade no mercado. “Ainda que a liquidez tenha sido moderada no fim do mês, o patamar atual de preços indica um mercado ajustado, que tende a permanecer sensível ao ritmo da segunda safra e às condições climáticas nas próximas semanas”, conclui.
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Valor bruto da agropecuária deve cair 4,6% em 2026, estima CNA

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira deve atingir R$ 1,40 trilhão em 2026, queda de 4,6% em relação a 2025. A estimativa é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e considera os preços médios reais recebidos pelos produtores, corrigidos pelo IGP-DI.
O VBP corresponde ao faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, reunindo as produções agrícola e pecuária. Apesar da expectativa de aumento na produção em parte das atividades, a projeção de preços mais baixos neste ano deve reduzir a renda no campo.
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Agricultura: preços pressionam resultado
Para a agricultura, o faturamento estimado é de R$ 926,9 bilhões, retração de 4,5% frente a 2025. Segundo a CNA, com exceção do caroço de algodão, do feijão e da maçã, os demais produtos devem registrar queda nos preços médios.
A soja deve apresentar leve alta de 0,6% no VBP. A produção tende a crescer 3,79%, mas a redução de 3,0% nos preços limita o avanço da receita.
No milho, a combinação de queda de 5,3% nos preços e recuo de 1,92% na produção deve resultar em retração de 7,1% no VBP. A cana-de-açúcar também deve registrar redução de 6,5%, puxada pela queda de 7,0% nos preços, mesmo com leve alta de 0,57% na produção.
Entre as culturas com expectativa de crescimento, o destaque é o café arábica. Apesar do recuo de 3,9% nos preços, a produção deve avançar 23,29%, o que pode elevar o VBP em 18,4%.
Pecuária: recuo generalizado
Na pecuária, o faturamento estimado é de R$ 476,3 bilhões, queda de 4,7% na comparação anual.
A projeção indica retração do VBP em todos os produtos do segmento, reflexo da redução esperada nos preços. A exceção é a carne bovina, com estimativa de alta de 3,7% nos preços em 2026. Ainda assim, a queda de 5,73% na produção deve resultar em recuo de 2,3% no VBP da atividade.
Para os demais produtos, a CNA projeta crescimento da produção inferior a 3%, combinado a quedas de preços superiores a 4%. Nesse cenário, o VBP da carne de frango deve cair 1,6%, o do leite, 11,0%, o da carne suína, 1,8%, e o dos ovos, 22,8%, em ordem de relevância para o resultado da pecuária.
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