Sustentabilidade
Previsão Climática: nos próximos meses a tendência é de redução nas precipitações no RS – MAIS SOJA

Condições meteorológicas ocorridas em setembro de 2025 no estado do Rio Grande do Sul (RS)
O mês de setembro foi mais chuvoso que agosto, bem como os prognósticos vinham prevendo para o RS. Os maiores acumulados concentraram-se no Noroeste, acima dos 280 mm. Com exceção da Zona Sul e de parte da Campanha, toda a Metade Sul teve acumulados superiores a 160 mm (Figura 1A). Ficaram com anomalias negativas de precipitação, a Zona Sul e parte das Planícies Costeiras Interna e Externa (Figura 1B). O menor volume de chuvas na Zona Sul favoreceu o avanço da semeadura do arroz na região. Para se ter uma ideia, no levantamento do dia 02 de outubro, a Zona Sul tinha quase 40% da área semeada, enquanto nenhuma das demais regiões havia ainda alcançado os 10%.

As chuvas foram frequentes em setembro, com quatro a seis eventos, dependendo da região. As temperaturas oscilaram, com mínimas ao redor dos 5°C, no início do mês, e passaram dos 30°C em alguns municípios, ao redor do 20 de setembro (Figura 2). A temperatura do ar mensal ficou dentro do padrão normal.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño – Oscilação Sul) e perspectivas
Segundo a atualização da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), de 09 de outubro de 2025, o sistema acoplado oceano-atmosfera no Oceano Pacífico equatorial refletiu as condições frias do ENOS (El Niño-Oscilação Sul), ou seja, condições de La Niña. No entanto, ao se analisar os dados, percebe-se que essa afirmação é um pouco forçada, visto que as águas mal resfriaram e ainda não se tem um mês completo com anomalias igual ou abaixo de -0,5°C. Alguns indicadores atmosféricos até tem respondido à fase fria do ENOS. No entanto, o IOS (Índice de Oscilação Sul) segue neutro. Em setembro, a anomalia mensal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 foi de -0,4°C, dentro do padrão Neutro e, na região Niño 1+2, foi de -0,2°C (Figura 3). A anomalia trimestral, referente a Jul-Ago-Set/2025, baixou para -0,3°C, também dentro da faixa de Neutralidade.

A fase Neutra do ENOS é compreendida por temperaturas entre -0,5 e +0,5°C pelo conceito da NOAA e de -0,8 a +0,8°C pelo conceito do Centro Australiano de Meteorologia. Para os australianos, esse limiar de -0,8°C precisa ser sustentado por, pelo menos, três meses, para haver um indicativo de La Niña, além de serem acompanhadas por uma resposta atmosférica consistente. O fato de a NOAA ter declarado estado de La Niña tão precocemente assim, pode estar atrelado ao índice ONI relativo (RONI), já mencionado no texto do mês passado.
O que acontece é que há ampla presença de áreas com anomalias positivas de temperatura da superfície do mar na maior parte dos oceanos globais. Esse cenário tem chamado a atenção, pois pode estar influenciando o clima do Planeta e interferindo nos prognósticos do ENOS, uma vez que tende a mascarar sinais captados pelos modelos de previsão. Isso é tão importante, que tanto o Instituto Americano de Meteorologia (NOAA), quanto o australiano (Bureau of Meteorology) mudaram a forma de calcular o índice ONI (Oceanic Niño Index). Agora eles passaram a usar o índice RONI, que é o índice ONI relativo. Isso visa remover o efeito desse aquecimento, proporcionando uma visão mais clara do status do ENOS. Segundo o Instituto Australiano de Meteorologia, se o aquecimento não for levado em conta, o El Niño pode parecer mais comum e a La Niña menos comum. O problema é que a NOAA fez uma matéria sobre esse tema ainda em 2024, mas não o tem atualizado na sua base de dados que fica disponível para os usuários. O Centro Australiano de Meteorologia já mostra os gráficos do RONI e não mais do ONI. E isso tudo acaba gerando confusão na hora de se analisar os dados e tentar fazer um prognóstico assertivo.
Na atualização do início de outubro, a NOAA elevou a probabilidade de estabelecimento da La Niña para 78%, para o trimestre Out-Nov-Dez/2025 que, junto com o trimestre anterior (Set-Out-Nov) seriam os períodos máximos do fenômeno. A partir do trimestre Nov-Dez/2025 e Jan/2026, as probabilidades caem para 71% e depois para 67%. Logo, o que parece se desenhar é um evento curto, e que talvez nem seja o suficiente para formar uma La Niña fraca, a qual são necessários ao menos cinco períodos de três meses consecutivos com anomalias inferiores a -0,5°C.
O bolsão de águas subsuperficiais com anomalias negativas se mantem, desde agosto (Figura 4). Ele apresentou leve redução de área no início de outubro, com isso, não deverá haver diminuição expressiva das anomalias negativas em superfície.

Previsão de Precipitação – trimestre novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026 no RS
Para este trimestre, o consenso do IRI (International Research Institute for Climate Society) indica déficit de chuvas para quase todo o RS, principalmente a Metade Oeste, onde há 40 a 50% de probabilidade de as chuvas ficarem abaixo do padrão normal. O modelo CFSv2 (Climate Forecast System), da NOAA, prevê precipitações abaixo da NC em novembro e dezembro de 2025 e em janeiro de 2026. Por sua vez, a previsão do modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) indica precipitações dentro da NC em novembro para a Fronteira Oeste, a Campanha, a Zona Sul e boa parte da Região Central. As demais regiões têm tendência de as chuvas ficarem abaixo da NC. Já para dezembro e janeiro, a previsão aponta para chuva abaixo da NC em toda a Metade Sul (Figura 5).

Diante desse prognóstico, cresce a atenção para a possibilidade de restrição hídrica durante o ciclo das culturas de primavera-verão no RS, pois independentemente do cenário, se sob Neutralidade ou uma La Niña de fraca intensidade, sempre há risco de estiagem durante o verão.
A tendência geral e corriqueira no RS, é de que as chuvas diminuam mais significativamente a partir de novembro, devendo prosseguir por dezembro e janeiro. Há a expectativa de que chuvas um pouco mais frequentes retornem a partir de final de janeiro ou fevereiro em diante, assim como na safra passada. Lembrando que as chuvas no período do verão são irregulares (mal distribuídas) e, com isso, pode ocorrer de chover mais em alguns locais, que outros.
Nesse momento de semeadura, tanto do arroz quanto da soja, é necessário ficar atento à umidade do solo e à previsão do tempo, para não correr riscos e garantir o bom estabelecimento inicial da lavoura, ainda dentro das épocas de semeaduras recomendadas para essas duas culturas.
Diante desse cenário, ainda de incertezas, recomenda-se o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas de curto prazo (7 a 15 dias), como estratégia para melhorar a eficiência na execução das atividades agrícolas e apoiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, assim como da previsão climática, para saber o quanto o Oceano Pacífico irá resfriar e impactar nas chuvas do RS nos próximos meses.
Fonte: IRGA

Sustentabilidade
Insumos biológicos: a arma silenciosa para controlar doenças foliares em soja – MAIS SOJA

O avanço das doenças foliares tem se tornado um dos principais desafios do sojicultor brasileiro nas últimas safras. O clima tropical, associado ao aumento da intensidade dos sistemas produtivos e à evolução dos patógenos, tem ampliado a ocorrência de manchas, lesões e perda de área fotossintética em praticamente todas as regiões agrícolas do país. Nesse cenário, os insumos biológicos surgem como uma tecnologia estratégica e extremamente eficaz para proteger a lavoura, preservar a produtividade e tornar o manejo mais sustentável.
Segundo Renan Quisini, Desenvolvimento Técnico de Mercado da Nitro, doenças como Mancha-Alvo, Septoriose, Cercosporiose, Antracnose e Ferrugem Asiática compõem hoje um complexo patogênico de alto impacto agronômico. Somadas, elas podem provocar perdas superiores a 90% quando não controladas adequadamente. “Essa maior agressividade é resultado direto das condições climáticas brasileiras, caracterizadas por temperaturas elevadas, alta umidade relativa do ar e disponibilidade contínua de hospedeiros. Além disso, a intensificação dos sistemas soja–milho, soja–algodão e soja–feijão, bem como a presença de plantas voluntárias durante a entressafra, aumenta o volume de inóculo e acelera o processo de contaminação das lavouras. O adensamento das plantações, muito comum em regiões como o Cerrado e o Sul, também favorece a formação de microclimas propícios ao desenvolvimento de fungos como Cercospora, Corynespora e Phakopsora, reforçando a necessidade de estratégias de manejo cada vez mais sofisticadas”, explica o especialista.
Nesse contexto, os insumos biológicos têm ganhado protagonismo por sua capacidade de proteger a área foliar e garantir a fotossíntese, mesmo sob alta pressão de doenças. Esses produtos atuam por meio de mecanismos complementares que, somados, oferecem uma proteção mais robusta à cultura. A colonização da superfície foliar impede a germinação e penetração de esporos, enquanto a produção de metabólitos antimicrobianos, como lipopeptídeos e antibióticos naturais, atua de forma direta contra os patógenos, inibindo seu crescimento ainda na fase inicial. De forma simultânea, a planta passa a ativar suas próprias rotas internas de defesa, produzindo compostos naturais que fortalecem suas estruturas e reduzem a severidade das infecções.
Embora possam auxiliar a frear o avanço de doenças já instaladas, os biológicos demonstram desempenho muito superior quando utilizados de maneira preventiva, pois precisam de tempo para colonizar o filoplano e desencadear a resposta de defesa da planta. Aplicados antes da chegada do patógeno, criam um ambiente hostil ao fungo e conferem proteção duradoura, o que se torna ainda mais valioso em cenários de instabilidade climática.
Outro ponto fundamental destacado por Quisini é o papel dos biológicos na longevidade dos fungicidas químicos. “Patógenos foliares evoluem rapidamente e o uso contínuo de moléculas sítio-específicas aumenta o risco de seleção de resistência. Como os biofungicidas atuam por múltiplos mecanismos simultâneos, torna-se extremamente difícil para o fungo desenvolver resistência a todos eles. Quando utilizados em conjunto com os químicos, o produtor consegue reduzir a pressão seletiva e manter a eficácia das moléculas por mais tempo. Enquanto o fungicida químico garante ação de choque e efeito curativo, o biológico impede o novo estabelecimento do patógeno e fortalece a resposta interna da planta. Esse equilíbrio amplia o controle e torna o manejo mais eficiente e sustentável”, destaca Renan.
A escolha de um biofungicida eficaz, porém, exige atenção. O registro no MAPA é o primeiro critério a ser observado, pois garante que o produto passou por todas as etapas regulatórias. Também é essencial verificar a comprovação de eficiência para os principais alvos foliares, as características da formulação e a compatibilidade com fungicidas, inseticidas e nutrientes aplicados à mistura. Nos últimos anos, os avanços em pesquisa permitiram selecionar microrganismos mais resilientes às variações ambientais, o que assegura desempenho consistente em regiões tão distintas quanto Mato Grosso, Paraná e Goiás.
Com a crescente pressão de doenças e a demanda por práticas mais sustentáveis, os insumos biológicos deixaram de ser apenas uma tendência e se consolidam como uma ferramenta indispensável no manejo da soja moderna. Silenciosos na ação, mas extremamente eficientes nos resultados, eles preservam a área foliar, reduzem perdas, prolongam a vida útil dos fungicidas e contribuem para a produtividade em diferentes cenários climáticos. Para Quisini, essa é uma das decisões estratégicas mais importantes para o produtor que busca manter competitividade e estabilidade produtiva. “Os biológicos elevam o patamar de controle, reforçam a saúde da planta e ajudam o agricultor brasileiro a seguir avançando com responsabilidade e eficiência”, conclui.
Sobre a Nitro
A Nitro é uma multinacional brasileira com quase 90 anos de história, com atuação nos segmentos de insumos para o agronegócio, especialidades químicas e químicos industriais. A Nitro ingressou no agro em 2019 e, em cinco anos no segmento, se consolidou como uma das três maiores empresas de nutrição e biológicos do setor. A Nitro conta com 6 unidades de produção no Brasil e 4 centros de Pesquisa e Desenvolvimento, além dos centros de distribuição, unidades internacionais e escritório administrativo em São Paulo (SP).
Fonte: Assessoria de Imprensa Nitro
Business
Syngenta e Provivi anunciam parceria para comercializar solução biológica para o controle da lagarta-do-cartucho

A Syngenta e a Provivi, empresas líderes em tecnologias e inovações agrícolas, anunciam um acordo de distribuição exclusiva para introduzir uma nova geração de formulação de feromônios para o controle da Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em diferentes culturas no Brasil. Essa parceria estratégica visa fornecer aos agricultores brasileiros uma ferramenta inovadora e sustentável para combater uma das pragas agrícolas mais destrutivas do mundo.
A Lagarta-do-cartucho representa uma ameaça grave e crescente à segurança alimentar global, particularmente no Brasil, onde causa perdas significativas de produtividade em culturas-chave como algodão, milho e soja. Com rápida reprodução, ampla capacidade migratória e forte adaptabilidade que leva ao rápido desenvolvimento de resistência a pesticidas convencionais, o inseto exige estratégias de manejo diversificadas. Permitir que os produtores manejem esta praga através de novos modos de ação é fundamental para uma agricultura sustentável.
A nova solução pulverizável de última geração que combina três feromônios distintos para interrupção do acasalamento da lagarta-do-cartucho. Esta formulação encapsulada de alta qualidade garante uma liberação lenta e sustentada dos defensivos, proporcionando residualidade prolongada e oferecendo uma abordagem de Manejo Integrado de Pragas (MIP) econômica para o controle da praga durante toda a safra. Ao interromper o ciclo de acasalamento da praga, o produto oferece um método direcionado e ambientalmente amigável para reduzir as populações de lagartas e proteger as culturas.
“Nossa parceria com a Provivi ressalta o compromisso da Syngenta em fornecer soluções inovadoras e sustentáveis que abordam os desafios mais prementes enfrentados pelos agricultores”, afirma Emilhano Lima, Diretor Global de Seedcare e Biológicos da Syngenta. “A Lagarta-do-cartucho é um adversário formidável, e esta nova tecnologia de feromônios será uma adição vital às estratégias de manejo integrado de pragas para os produtores brasileiros, ajudando-os a proteger sua produtividade de forma duradoura, enquanto preservam o meio ambiente”.
“A lagarta-do-cartucho segue como uma grande ameaça no Brasil, por isso os produtores precisam de ferramentas capazes de quebrar esse ciclo de resistência. Ao combinar a tecnologia avançada da Provivi com o alcance da Syngenta, conseguimos chegar a uma solução efetiva e sustentável em larga escala”, diz Corey Huck, CEO da Provivi. “Este acordo de distribuição exclusiva com a companhia no Brasil se baseia em quatro anos de introdução no mercado do nosso feromônio pulverizável, oferecendo um recurso poderosa e ecológico contra essa praga devastadora”.
O acordo de distribuição exclusiva aproveita o extenso alcance de mercado e expertise da Syngenta no Brasil com a capacidade da Provivi de produzir feromônios em larga escala e de maneira muito eficaz, garantindo que esta tecnologia inovadora possa ser efetivamente implantada para agricultores em toda a região. O registro do produto foi submetido às autoridades locais no início deste ano.
Sustentabilidade
Agro ajuda indicadores econômicos em 2025, mas cenários de incertezas desafiam produtores em 2026 – MAIS SOJA

O agro foi fundamental para a melhora de alguns indicadores econômicos no Brasil em 2025, como o PIB e a redução da inflação, mas fatores internos e externos representam riscos e vão desafiar os produtores rurais em 2026, de acordo com dados divulgados e projeções feitas, na terça (9), pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O balanço do setor agropecuário em 2025 e as perspectivas para 2026 foram apresentados em uma coletiva de imprensa, com a presença do presidente da CNA, João Martins, da diretora de Relações Internacionais, Sueme Mori, e do diretor técnico, Bruno Lucchi.
Assista na íntegra a coletiva: https://www.youtube.com/watch?v=oxn_ac1BgNE
Veja abaixo alguns pontos abordados na coletiva.
Inflação e PIB – A CNA avaliou que o agro foi responsável pelos resultados positivos dos índices macroeconômicos, como a redução da inflação, que deve fechar o ano em 4,4%, e o crescimento de 1% do PIB do Agronegócio em 2026, após expansão estimada de 9,6% (R$ 3,13 trilhões) para 2025.
A entidade explica que, sem a contribuição do agro, haveria risco de novo descumprimento da meta, o que exigiria manutenção de uma política monetária mais restritiva, visto que a taxa Selic está em 15% ao ano.
Situação Fiscal – A CNA aponta que 2026 será um ano desafiador para a economia brasileira, com destaque para a necessidade de ajuste fiscal. O governo provavelmente deverá buscar equilíbrio das contas públicas por meio de medidas para ampliar a arrecadação e garantir o cumprimento das metas, o que mantem o crescimento econômico em fragilidade.
Para atingir as metas fiscais, o governo dependerá de elevação de receitas, com aumento da arrecadação (maior fiscalização da Receita Federal) e criação de novas bases arrecadatórias para tentar cumprir a meta fiscal.
Endividamento – Em outubro deste ano, o crédito rural com taxas de mercado registrou a sua maior inadimplência desde o início da série histórica, em 2011, alcançando 11,4%. No mesmo período do ano anterior, o valor era de 3,54% e em janeiro de 2023 era de 0,59%.
As principais causas para esse cenário são os recorrentes problemas climáticos nos últimos anos; a queda nos preços das commodities e alta nos custos de produção; a falta de seguro rural; bancos mais restritivos e juros maiores.
A CNA explica que a recuperação econômica do produtor rural dependerá da capacidade de articular soluções estruturais que reduzam a vulnerabilidade financeira e climática, promovendo previsibilidade, confiança e resiliência para um crescimento sustentável do agro brasileiro.
Seguro – A falta de apoio para o seguro rural em 2025 deve refletir nos resultados do próximo ciclo. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) registrou o seu pior desempenho desde 2007, cobrindo apenas 2,2 milhões de hectares, o que representa menos de 5% da área agricultável do país.
A CNA reforça que a falta de instrumentos de gestão de risco, como o seguro rural, contribui para a exposição do produtor às perdas climáticas e, consequentemente, para o aumento do endividamento no campo.
VBP – Segundo estimativas, o Valor Bruto da Produção (VBP) deve alcançar R$ 1,57 trilhão em 2026, crescimento de 5,1% em relação à 2025. O segmento agrícola deve totalizar R$ 1,04 trilhão (+6,6%), impulsionado pelo aumento da produção de grãos. Já o VBP da pecuária deve atingir 2,2%, chegando a R$ 528,09 bilhões, com a bovinocultura de corte apresentando expansão de 4,7%.
Para 2025, o VBP está estimado em R$ 1,49 trilhão, representando expansão de 11,9% em comparação a 2024. O segmento pecuário deve ter papel de destaque, com alta projetada de 14,2% (R$ 516,52 bilhões), puxada pela recuperação dos preços da bovinocultura de corte. Já o agrícola deve registrar alta de 10,8%, alcançando R$ 981,30 bilhões, sustentado pelo bom desempenho das safras de soja e milho.
Agricultura – De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as projeções para a safra 2025/2026 indicam que a produção total deve superar o volume colhido na safra anterior, podendo alcançar 354,8 milhões de toneladas, alta de 0,8%.
A área plantada com soja está projetada em cerca de 49,1 milhões de hectares e a produção em 177,6 milhões de toneladas, aumento de 3,6%. Já a previsão para o milho é de queda de 2,5% na produção de segunda safra, totalizando 110,5 milhões de toneladas. Considerando as três safras, a produção total será de 138,8 mi/ton (-1,6%).
No arroz, é esperada uma redução de área, que deve impactar no resultado da produção de 11,3 milhões de toneladas (-11,5%), reflexo do consumo estagnado que causaram quedas nos preços em 2025.
Pecuária – Os abates de bovinos no Brasil cresceram 5,6% em 2025, até o terceiro trimestre, enquanto a produção de carne bovina aumentou 3,8% no período. O destaque do abate de fêmeas no abate total (49,9%) deve reduzir a oferta de bovinos e animais para reposição de forma mais acentuada em 2026, com expectativa de alta nos preços no mercado do boi.
Diante desse cenário, a projeção é de queda de 4,5% na produção brasileira de carne bovina em 2026, na comparação anual. Com redução nos abates, menor oferta de carne e demanda firme, as expectativas são de aumento nos preços da arroba do boi gordo e animais de reposição em 2026. Por outro lado, uma possível alta no preço da carne bovina pode ampliar a competitividade das demais carnes.
Comércio exterior – Já no cenário internacional, a Confederação avalia que 2026 deve ser marcado por intensas movimentações, com os Estados Unidos mantendo uma política comercial agressiva, alinhada à estratégia de estímulo à industrialização e atração de investimentos estrangeiros.
Os acordos comerciais e as negociações conduzidas pelo governo Trump podem reconfigurar o fluxo global de produtos agropecuários. Para a CNA, se confirmados, os rearranjos geopolíticos e tarifários devem comprometer as exportações brasileiras e a competitividade do país nos principais destinos compradores.
Caso as tarifas adicionais de 40% sobre os produtos não incluídos nas listas de exceção se mantenham, o impacto para o setor pode alcançar até US$ 2,7 bilhões em termos anualizados em 2026, cerca de 22% das exportações agropecuárias brasileiras ao país. Neste ano, entre agosto e novembro, as exportações do agro para o mercado americano registraram queda de 37,85%, em relação ao mesmo período do ano passado.
Mercosul-UE – No próximo ano, o processo de ratificação do acordo Mercosul-União Europeia deve avançar após a Comissão Europeia apresentar proposta para aprovar o capítulo comercial, separadamente das partes política e de cooperação.
A CNA alerta para riscos severos na implementação do acordo com possível aplicação de salvaguardas para produtos agrícolas do Mercosul importados na UE, potencialmente minando os ganhos esperados com o acordo.
Lei Antidesmatamento – O Parlamento Europeu aprovou novo adiamento da Lei do Desmatamento Europeu (EUDR) e a legislação passará a valer apenas em 30 de dezembro de 2026 para grandes operadores e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas.
China – As investigações chinesas sobre as importações de carne bovina no país podem resultar na aplicação de salvaguardas no país, afetando as compras do produto de todos os fornecedores. O Brasil responde por cerca de 50% das importações chinesas do produto.
A incerteza do acordo com os Estados Unidos também é preocupante. Um acordo que envolva compromisso de compras de soja americana pode reduzir a participação da soja brasileira no mercado chinês.
A CNA alerta, ainda, para as diretrizes que devem orientar o 15º Plano Quinquenal do país asiático, que visafortalecer a agricultura e reduzir a dependência de produtos importados, especialmente de grãos. Nesse planejamento, o governo pretende controlar melhor seus estoques de alimentos, estabelecer regras mais rígidas para produtos considerados estratégicos e estimular alternativas ao uso do farelo de soja na produção.
Fonte: CNA
Autor:Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Site: CNA
Sustentabilidade19 horas agoChicago abre a semana com perdas na soja, avaliando vendas chinesas e aguardando USDA e Fed – MAIS SOJA
Business17 horas agoÍndice de Poder de Compra indica redução de preços em novembro, diz Mosaic
Business21 horas agoComo ficaram os preços de soja na véspera do relatório USDA?
Business19 horas agoAgropecuária puxa desempenho das exportações na 1ª semana de dezembro
Sustentabilidade23 horas agoCenário da soja 25/26 se mantém incerto com clima irregular; mercado aguarda USDA
Business21 horas agoEstiagem prolongada compromete milho e soja no RS após mais de 20 dias sem chuva
Sustentabilidade21 horas agoSem chuva, prejuízos avançam no milho e na soja no Rio Grande do Sul
Featured3 horas agoDesenvolve MT lança crédito ampliado para fortalecer economia urbana e rural
















