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21 de setembro de 2026

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Estiagem, replantio e alerta de La Niña tiram o sono de sojicultores em Mato Grosso

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A irregularidade das chuvas em Mato Grosso tem causado prejuízos aos produtores de soja. Enquanto alguns ainda aguardam a umidade ideal para entrar com as máquinas, outros já observam a necessidade de replantio devido ao corte das águas. A situação se agrava no estado e gera alerta por ser um ano de La Niña, fenômeno que pode provocar excesso de chuvas durante a colheita e, consequentemente, causar mais transtornos e perdas.

Nas lavouras de Marcelândia são visíveis as falhas de estande. Diego Bertuol, produtor no município e diretor da Aprosoja Mato Grosso, comenta que após o início do plantio em setembro chegou a registrar 15 dias sem chuva.

Em sua propriedade no município 1,2 mil hectares de soja devem ser cultivados nesta safra 2025/26. Segundo ele, pouco mais de 20% da área já foi cultivada.

“Começamos a jogar com 12 plantas por metro e hoje na contagem está entre 6 a 8 plantas por metro. Então temos uma perda aí de 40% na plantabilidade, que com certeza vai dar um resultado negativo lá em janeiro quando começar a colheita. Vamos ter que esperar. Aguardar para ver se vale a pena o replantio ou não.”

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Replantio elevam custos e pode atrasar o milho

A avaliação sobre a situação em relação ao replantio é necessária, destaca Diego, visto os custos de produção da temporada estarem altos. “Sabemos que tem um custo aí que não baixa de 10 sacas por hectare o replantio. O produtor tem que repensar e ver se vale a pena o replantio”, diz ao Patrulheiro Agro desta semana.

Outro fator que pesa na decisão quanto a levar novamente as sementes para as áreas já plantadas é a janela de semeadura do milho, considerada “bem curta”.

“Para o milho ideal bem plantado, o produtor agora que ficou esses 15 dias sem chuva o plano é acelerar o plantio [da soja], colocar todo o operacional plantando 24 horas para conseguir ficar na janela ideal do milho. Áreas novas de um ano, dois anos, cinco anos são todas áreas que os produtores tiveram que colocar dinheiro em cima para fazer uma área produtiva.”

Queda na soja em áreas de algodão

De acordo com o diretor técnico do Grupo Vianorte, Marcelo Pezenti, as principais perdas observadas na soja são em áreas que até pouco tempo possuíam algodão plantado, uma vez que, ao contrário de áreas de milho, não contém palhada.

“Ali houve uma redução muito grande de estande devido à alta temperatura. Começamos a plantar no dia 20 de setembro. Tinha uma chuva boa, plantamos e pegamos uma estiagem de 10 dias. Cultivares que eram para ficar com 16 plantas, 17 plantas, ficaram com 14 plantas. Então reduziu bastante o estande e nessas áreas já estimamos em torno de 20% de perdas”, relata ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

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O Grupo Vianorte deverá cultivar 15 mil hectares de soja nesta temporada. Desta extensão, 60% da área já está semeada, enquanto 30% ainda aguarda São Pedro.

Marcelo completa que mesmo com a situação climática as plantas emergem, contudo “saem debilitadas”. Ele frisa que até mesmo o tratamento das sementes, realizado com nematicida e biológicos, são afetados pelas altas temperaturas.

“Diminui muito a eficiência, nodulação, a fixação de nitrogênio vai ser baixa. Não temos previsão certa. Pode ser que chova, pode ser que não chova. A planta está debilitada, o estande está debilitado na lavoura, então estimamos que possa ter mais perdas ainda.”

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

La Niña liga alerta para a colheita

O ano de La Niña acende um novo sinal de alerta em Marcelândia, segundo o setor produtivo: um possível excesso de chuvas na colheita já que a região costuma receber um volume de água acima da média neste período.

A preocupação, pontua Marcelo, é reviver os transtornos e as perdas enfrentadas com o fenômeno em safras passadas. “Já tivemos área de 40% de perdas. Eu já tive área de 80% de grão avariado, ardido em épocas de La Niña. O armazém fica lotado, tem que secar, demora muito para secar essa soja, precisa de muito caminhão, tem que buscar mais máquina para a colheita, intensificar a colheita… Tudo se soma e piora a situação.”

Diego Bertuol ressalta que o plantio acelerado da soja, assim que as chuvas se regularizarem, vai fazer com que a colheita ocorra, praticamente, toda ao mesmo tempo e pode trazer outro transtorno ao setor: a armazenagem. Atualmente, o déficit em Mato Grosso passa de 50% em relação à produção.

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“Imagina o produtor com problema de chuva e ainda com pouco armazém para colocar essa soja? Nós estamos aqui no extremo norte de Mato Grosso, então nós temos produtores aqui na minha região no município de Marcelândia que estão com 40%, 45%, 50% da área plantada e outros que estão começando hoje a plantar. Você pega de Cuiabá indo até Querência a mesma coisa.”

A situação de muitos produtores iniciando agora o plantio, salienta o diretor da Aprosoja Mato Grosso, é observada em outros municípios como Primavera do Leste, Campo Verde, Paranatinga, Gaúcha do Norte e Querência visto as “chuvas manchadas”. “Em algumas propriedades chove bem, em outras não chove. Então, o produtor está com bastante preocupação já e passou o sinal de alerta que vai ser um começo de safra com muito desafio.”


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Oferta restrita mantém alta do feijão preto, aponta Cepea/CNA

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O mercado de feijão manteve trajetória de valorização na última semana, sustentado pela oferta mais ajustada e pela firmeza dos vendedores, segundo o Indicador Cepea/CNA divulgado em Brasília (DF) no dia 21 de setembro de 2026. O movimento foi mais intenso no feijão-preto, que registrou as maiores altas do período. A produção nacional da safra 2025/2026 está estimada em 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6%, com estoques finais projetados em 98,1 mil toneladas.

No curto prazo, o boletim indica que a menor disponibilidade sustenta as cotações. Ao mesmo tempo, a cautela dos compradores limita movimentos mais intensos, especialmente no feijão-carioca.

No feijão-carioca peneira 12 e nota 9 ou superior, predominaram valorizações entre 10 e 17 de setembro. No Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, os preços avançaram 4,49%, apoiados pela firmeza dos vendedores. Na região da capital paulista, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, a R$ 342,91 no dia 16. Em Barreiras (BA), houve leve recuo de 0,16%, em um ambiente de diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e as indicações dos compradores.

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Nos lotes de feijão-carioca de qualidade intermediária, notas 8,0 e 8,5, o Noroeste de Minas Gerais registrou alta de 4,99%, com destaque para grãos de coloração mais clara. Em Sorriso (MT), os preços caíram 1,46%. Segundo o boletim, a coloração dos lotes era boa, mas os níveis de umidade elevaram a resistência dos compradores aos valores pedidos.

No feijão-preto tipo 1, as maiores valorizações da semana foram registradas com atuação mais ativa dos compradores, principalmente no Paraná. Na Metade Sul e em Curitiba (PR), incluindo os Campos Gerais, as cotações subiram 10% entre 10 e 17 de setembro. No Oeste Catarinense, a alta foi de 4,51%, favorecida pela procura por grãos de melhor qualidade e pela baixa disponibilidade. Em Itapeva (SP), os preços avançaram 4,78%, em um cenário de chegada de ofertas às indústrias e avaliação da necessidade de recomposição de estoques.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de feijão-preto caiu 38,0% na primeira safra e 42,9% na segunda safra de 2025/26, reduzindo a disponibilidade doméstica da variedade.

O mercado segue sustentado pela oferta restrita, com maior firmeza no feijão-preto e seletividade nas negociações de feijão-carioca, em que qualidade, coloração e umidade continuam relevantes para a formação dos preços e para a liquidez dos lotes.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Agro Mato Grosso

Entenda por que os combustíveis estão mais caros em Mato Grosso

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Quem abasteceu o carro nas últimas semanas percebeu que os combustíveis ficaram mais caros em Mato Grosso. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), a alta ocorre em meio à pressão sobre diferentes etapas da cadeia de abastecimento, influenciada pelo preço do petróleo, pelos custos do etanol e por dificuldades no fornecimento de diesel.

Os principais fatores apontados pelo setor são:

  • Disparada do barril de petróleo no mercado internacional, afetando diretamente os custos na origem;
  • Encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, aliado ao aumento do preço do açúcar no mercado externo, o que pressiona os custos do etanol;
  • Aumento do percentual obrigatório de etanol na gasolina A;
  • Redução drástica das importações de óleo diesel, gerando gargalos severos no suprimento nacional.

O movimento também aparece nos dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Entre 13 e 19 de setembro, a média em Cuiabá do litro da gasolina comum chegou a R$ 6,97etanol ficou na média de R$ 4,17 na capital, enquanto o diesel S-10 pode ser encontrado por R$ 7,57.

Mas por que o preço aumenta nas bombas?

1. Alta do petróleo no mercado internacional

Segundo o sindicato, o preço do petróleo é um dos principais componentes da formação dos preços dos combustíveis. Quando as cotações internacionais sobem, os custos de aquisição e importação de derivados também podem aumentar.

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No caso do diesel, a pressão tem sido maior. Segundo dados divulgados pela ANP, o preço do produto avançou na última semana pesquisada para R$ 6,65 na média nacional.

2. Etanol mais caro pressiona a gasolina

Outro fator apontado pelo Sindipetróleo-MT é o preço do etanol. O biocombustível é utilizado na composição da gasolina vendida nos postos e, por isso, alterações no preço do etanol podem influenciar o custo da gasolina.

Desde 1º de agosto, a gasolina comercializada no país passou a ter 32% de etanol na mistura, contra 30% anteriormente. Em setembro, o governo autorizou o início dos testes para aumentar a mistura de etanol na gasolina comum, chegando a 35%

O sindicato também aponta o encerramento da safra de cana-de-açúcar no Sudeste e a valorização do açúcar no mercado externo como fatores que pressionam os custos do etanol.

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3. Diesel e dificuldades de abastecimento

O Sindipetróleo-MT afirmou ainda que houve redução nas importações de óleo diesel, provocando dificuldades no suprimento e restrições no atendimento de pedidos às distribuidoras.

🔎 O diesel é especialmente importante para Mato Grosso, onde é utilizado em larga escala no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio.

4. Quem define o preço na bomba?

preço pago pelo consumidor não é formado apenas pelo valor cobrado pelo produtor ou importador. A cadeia envolve diferentes etapas, como produção ou importação, refino, distribuição, transporte e revenda.

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O Sindipetróleo-MT apontou que os postos não são responsáveis pela formação dos preços e atuam como o último elo da cadeia, repassando os custos recebidos das distribuidoras.

5. O que diz o Sindipetróleo-MT?

Em nota divulgada nesta semana, o sindicato afirmou que os aumentos recebidos pelos postos são consequência de fatores que ocorrem antes da chegada do combustível à revenda.

A entidade também criticou cobranças direcionadas exclusivamente aos postos durante o período eleitoral e defendeu que eventuais fiscalizações sobre a formação de preços alcancem todos os elos da cadeia.

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Business

Produção de sorgo dispara no Brasil, impulsionada por etanol e exportações para a China

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Foto: Latina Seeds/Embrapa

O sorgo está deixando de ser uma cultura de menor expressão para ocupar um espaço cada vez mais relevante no agronegócio brasileiro. A combinação entre expansão da produção, abertura do mercado chinês, aumento da utilização na fabricação de etanol e maior resistência ao déficit hídrico abre novas perspectivas para o cereal no país.

Segundo Daniel Rosa, diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), a produção brasileira, que ficou em aproximadamente 6 milhões de toneladas no ano passado, saltou para cerca de 7,5 milhões de toneladas neste ano. Goiás lidera a produção, com aproximadamente 2 milhões de toneladas, seguido por Minas Gerais, com cerca de 1,4 milhão de toneladas, de acordo com dados da Abramilho.

O avanço, porém, não está restrito às regiões produtoras tradicionais. O Matopiba aparece como uma das novas fronteiras da cultura. No Maranhão, por exemplo, Rosa aponta crescimento de 110% na produção regional. “É uma cultura que a gente tem visto que tem crescido muito aqui no Brasil”, afirma.

China muda cenário das exportações

Uma das principais mudanças recentes está do lado da demanda. Historicamente direcionado principalmente à alimentação animal, o sorgo passou a conquistar outros mercados.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de 180 mil toneladas, então um recorde, com destaque para embarques destinados à África do Sul. Agora, a abertura do mercado chinês pode elevar as vendas externas a outro patamar.

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A Abramilho participou, no ano passado, de uma missão com técnicos chineses que percorreram Minas Gerais e Goiás para conhecer lavouras e unidades de beneficiamento. Posteriormente, o protocolo para a abertura daquele mercado avançou.

“A China é o principal importador de sorgo do mundo. Eles produzem lá, mas ainda dependem de sorgo internacional”, explica Rosa.

Neste ano, as exportações brasileiras já haviam ultrapassado 250 mil toneladas até o mês anterior, superando o volume de 2024.

A expectativa para setembro é ainda maior. Rosa cita projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) indicando que os embarques poderiam chegar a 1 milhão de toneladas no mês.

A nova demanda já teria provocado reflexos no mercado doméstico. Segundo o diretor da Abramilho, houve casos nesta safra em que produtores conseguiram comercializar sorgo por valores superiores aos do milho, situação que ele ressalta não ser habitual.

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“Esse ano, a gente teve a abertura do mercado da China e a entrada das usinas de etanol operando com sorgo também. Essa demanda aumentou de forma rápida e até de surpresa”, afirma.

Etanol abre nova frente para o sorgo

Além das exportações, a indústria de biocombustíveis aparece como um dos principais vetores de crescimento da demanda doméstica.

Segundo Rosa, quatro usinas já foram mapeadas operando tanto com milho quanto com sorgo. Elas estão localizadas em Balsas (MA), Luís Eduardo Magalhães (BA), Ulianópolis (PA) e Sidrolândia (MS).

Uma vantagem industrial apontada pelo dirigente é a possibilidade de adaptação das unidades de etanol de milho para processar sorgo com alterações relativamente pequenas.

“Toda usina de etanol de milho é uma potencial usina de etanol de sorgo. Os ajustes que você precisa fazer na planta industrial para operar com sorgo são pequenos”, explica.

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O processamento também gera DDG, coproduto utilizado na alimentação animal. Rosa destaca que milho e sorgo apresentam características diferentes na industrialização: segundo ele, o sorgo gera mais DDG, enquanto o milho produz mais óleo e maior volume de etanol.

Resistência à seca amplia espaço na segunda safra

No campo, uma das principais vantagens do sorgo está na maior tolerância ao estresse hídrico. A característica permite que a cultura seja utilizada em áreas e períodos nos quais o plantio do milho de segunda safra se torna mais arriscado.

“Ele aguenta estiagem, um período sem chuva, melhor do que o milho. E casa muito bem com esse nosso modelo de soja de primeira safra. Na segunda safra, onde não cabe o milho, pode entrar o sorgo”, afirma Rosa.

Isso não significa necessariamente substituir o milho. Uma das estratégias possíveis é escalonar as culturas conforme a evolução da janela de plantio.

Caso a colheita da soja atrase ou as condições meteorológicas reduzam a janela ideal para o milho, o produtor pode destinar as primeiras áreas ao cereal e utilizar o sorgo nas áreas plantadas posteriormente.

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Segundo Rosa, essa flexibilidade ganha importância diante de condições climáticas mais instáveis.

O dirigente aponta ainda que o sorgo permanece viável em determinadas regiões mesmo em março, quando o risco climático para o milho de segunda safra já é maior. Matopiba e partes de Mato Grosso do Sul estão entre as áreas consideradas com potencial de expansão.

Menor necessidade de insumos, mas produtividade também é menor

A decisão entre milho e sorgo, entretanto, exige análise econômica e agronômica. Rosa explica que o sorgo pode demandar menos fertilizantes que o milho e não é atacado pela cigarrinha-do-milho, o que elimina gastos específicos de controle da praga. Em algumas lavouras de milho, segundo ele, produtores chegam a realizar seis ou sete aplicações de inseticidas voltadas ao manejo da cigarrinha.

Por outro lado, o sorgo apresenta produtividade inferior à do milho e, historicamente, também costuma receber preço menor. Por isso, custos, rendimento esperado, preço e risco climático precisam ser colocados na balança antes da escolha.

Rosa também chama atenção para um equívoco de manejo que ainda acompanha a cultura: a ideia de que, por ser resistente, o sorgo praticamente não precisa ser adubado.

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Segundo ele, a falta de fertilização adequada pode reduzir a produtividade e ainda fazer com que a cultura utilize nutrientes disponíveis no solo, afetando a cultura seguinte.

Alimentação animal continua sendo importante mercado

A alimentação animal permanece como o principal destino doméstico do sorgo. O cereal é utilizado nas dietas de aves, suínos e bovinos e pode funcionar como alternativa parcial ao milho.

A substituição, porém, não deve ser feita automaticamente. “O milho vai ter a soja como fonte de proteína, o milho como uma fonte energética e o sorgo vai estar ali no meio. Ele tem um pouco mais de proteína, mas é menos energético. Então, o pecuarista, na hora que for fazer a ração, tem que levar isso em consideração”, explica Rosa.

A expansão do etanol pode fortalecer ainda mais essa relação entre agricultura, energia e pecuária, já que o processamento do cereal gera DDG para utilização nas dietas animais.

Brasil pode chegar a 15 milhões de toneladas

O potencial de crescimento permanece elevado. Rosa cita projeção da Embrapa de que o Brasil poderia chegar a 15 milhões de toneladas de sorgo entre 2030 e 2035, praticamente o dobro das 7,5 milhões de toneladas atuais.

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A expansão poderia ocorrer tanto pelo aumento da produtividade quanto pela incorporação de áreas que atualmente recebem apenas soja no verão e permanecem sem cultivo na segunda safra.

“Temos um potencial de área, temos um potencial de aumentar a produtividade e, o mais importante, temos um aumento da demanda com a exportação para a China e com o etanol”, afirma.

Para o diretor da Abramilho, portanto, o sorgo não deve ser tratado apenas como um substituto ou “primo pobre” do milho. A cultura começa a construir mercado próprio e a ganhar liquidez. “Eu não diria complemento, eu diria como mais uma opção”, resume Rosa.

Essa mudança também pode provocar efeitos na infraestrutura brasileira. Hoje, segundo ele, boa parte das exportações passa pelo Porto de Santos, mas a necessidade de separar o sorgo de outros grãos está estimulando a busca por rotas alternativas, como o Porto de Tubarão, no Espírito Santo.

O principal desafio será transformar o crescimento recente em uma demanda permanente. Para Rosa, o comportamento da China terá papel importante nessa trajetória.

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“Se a gente tiver uma China demandando muito sorgo do Brasil, a gente pode ver um aumento também bem expressivo aqui”, afirma.

Ao mesmo tempo, o crescimento do etanol amplia o mercado interno e dá ao produtor mais uma possibilidade para a segunda safra. Para Rosa, esse conjunto de fatores pode consolidar o cereal como uma terceira alternativa relevante ao lado das duas culturas que hoje dominam a produção brasileira de grãos.

“Ele traz mais uma cadeia produtiva importante, que se acopla a esse produtor que produzia só soja, depois passou a produzir soja e milho, e agora passa a produzir soja, milho e sorgo.”

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