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27 de junho de 2026

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Soja avança em MT, mas depende da chuva e da estratégia do produtor

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Em Mato Grosso, o plantio da soja começa sob alerta máximo: o produtor olha mais para o céu do que para o solo. Com custos altos, margens apertadas e estimativa de produtividade menor, cada decisão do produtor é um teste de paciência e estratégia para garantir a safra.

Até o dia 3 de outubro, por exemplo, o estado contava com 15% dos 13 milhões de hectares destinados para a soja nesta temporada 2025/26 semeados, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Apesar da semeadura estar à frente do observado no mesmo período da safra passada, ainda há caminho a ser percorrido diante das chuvas irregulares.

Na propriedade do agricultor Jorge Piccinin, a engrenagem do plantio começa a girar – mas de forma cautelosa. As primeiras chuvas animaram o produtor, que tenta aproveitar cada milímetro de umidade para não perder o ritmo da safra. Nesta temporada, o agricultor pretende cultivar 5,3 mil hectares de soja.

“Estamos soltando, não pode errar. Tem que plantar para nascer. A gente tem uma palhada boa, então com essa umidade nasce. Vamos plantar e aguardar a próxima chuva. Tem que colher bem, se não colher bem não paga a conta”, frisou o agricultor.

Na fazenda vizinha a de Piccinin, a família Fritsch pretende cultivar três mil hectares de soja nesta temporada. Segundo o agricultor, Murilo de Gasperi Fritsch, com 20% da área plantada os trabalhos chegaram a ser parados, visto o acumulado de chuvas ainda ser abaixo do esperado. Ele explica à reportagem do Canal Rural Mato Grosso que a semeadura caminha conforme as previsões climáticas, o que inclui a temperatura.

“O custo da lavoura está em torno de 50, 55 sacas por hectare. Então tem que fazer as coisas com cautela. Não adianta arriscar de plantar uma área e chegar a ter um replantio lá na frente, porque em um replante praticamente o teu lucro se perdeu tudo”, disse Murilo.

Foto: PEdro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Solo ainda pede mais umidade

Na Grande Primavera do Leste, região no sudeste de Mato Grosso que reúne 11 municípios e deve cultivar 1,6 milhão de hectares de soja nesta safra, a atenção também é redobrada. Com o solo ainda pedindo mais umidade, o produtor segura o avanço das máquinas e monitora o céu, à espera de uma chuva mais regular para seguir com segurança no plantio.

“Quem plantou está esperando umidade nos próximos dias com essas chuvas extemporâneas aí. A região inteira não teve uma chuva equilibrada ainda para soltar realmente o plantio da região”, relatou Carlos Donim, gerente do Sindicato Rural de Primavera do Leste.

O Fábio Busanello é um deles. Até meados do dia 3 de outubro, ele havia conseguido cultivar cerca de 25% dos 4,8 mil hectares previstos para a safra 2025/26. Com altos custos e o solo ainda pedindo chuva, o produtor semeia com cautela e olho no céu.

“Deu chuva, plantamos e parou. Agora estamos aguardando as próximas chuvas. O custo agregado ao plantio está muito alto, vem se somando nos últimos anos pós pandemia, questão de juros. Tudo isso se somando vem deixando a agricultura cada vez mais curta para erros”, comentou.

Ritmo lento traz benefícios para as revendas

Conforme o tesoureiro do Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários (Cearpa), Marcelo Cunha, na região de Primavera do Leste o início do plantio da soja ocorre de fato entre os dias 5 e 10 de outubro, o que para o setor industrial e da revenda acaba sendo um “benefício”, uma vez que o mercado ganha um tempo para organizar as entregas e ajustar a logística.

“Como choveu um pouquinho mais cedo, no dia 15 de setembro começando já a ter chuvas, no dia 20, nem todos estavam preparados. Esse prazo [ritmo mais lento] foi bom para ajustar esses entravesinhos que estavam tendo com os insumos”.

A produção estimada para a temporada 2025/26 é de 47 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, cerca de 7% abaixo do ciclo anterior.

“Não é ano para fazer floreios. Não é ano para gastar excessivamente. Acredito que o produtor vai trabalhar sim para manter aquela média do ano passado, fechando os custos e garantindo margens sobre a produção. É um ano desafiador”, alertou o gerente do Sindicato Rural de Primavera do Leste.


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Plano ABC+ RS avança com expansão de tecnologias de baixa emissão no campo

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A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) apresentou, nesta sexta-feira (26), em Porto Alegre, resultados atualizados do Plano ABC+ RS durante o evento “O Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul”, promovido pela Federação da Agricultura do RS (Farsul). Os dados indicam avanço na adoção de tecnologias voltadas à adaptação às mudanças climáticas e à mitigação de gases de efeito estufa na agropecuária gaúcha.

Segundo a Seapi, o Plano ABC+ RS foi instituído pela Resolução Seapi nº 001/2023 e está alinhado ao Plano Nacional ABC+ no período 2020/2030. A estratégia reúne ações de adaptação e mitigação no setor agropecuário, com foco em resiliência, eficiência produtiva e redução de emissões.

O coordenador do plano ABC+ RS e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, afirmou que o estado conta atualmente com 10 tecnologias com resultados concretos de potencial mitigação de gases de efeito estufa. Entre elas estão o Programa de Recuperação de Pastagens Degradadas (PRPD), a expansão do Sistema de Plantio Direto de Grãos (SPDG) e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

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Na recuperação de pastagens degradadas, o Rio Grande do Sul alcançou 732 mil hectares recuperados, volume equivalente a 51% da meta prevista até 2030. Os municípios com maior expansão de PRPD são Alegrete, Santana do Livramento, Uruguaiana e Rosário do Sul.

No plantio direto de grãos, o estado registra expansão de 690 mil hectares, o que corresponde a 115,32% da meta estabelecida. Com esse desempenho, o Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição nacional na expansão da tecnologia. A adoção do SPDG já resultou em redução aproximada de 5 milhões de dióxido de carbono equivalente no estado. Entre os municípios com destaque nesse indicador estão Alegrete, São Borja, Santa Vitória do Palmar, Maçambará, Itaqui, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

Nos sistemas integrados, municípios como São Lourenço do Sul, Uruguaiana, Dom Pedrito, Santa Vitória do Palmar e São Gabriel concentram resultados que já proporcionaram mitigação de cerca de 7,94 milhões de dióxido de carbono equivalente.

Durante o evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apresentaram painéis sobre adaptação e mitigação na agropecuária gaúcha. A programação também contou com participação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema), Embrapa e representantes da Seapi, em debate sobre produção agropecuária de baixa emissão de carbono no estado.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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Ministério da Agricultura confirma anúncio do Plano Safra para 30 de junho com ausência de Lula

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Foto: Rodrigo Arnt

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou convite na tarde desta sexta-feira (26) confirmando a data de anúncio do Plano Safra 2026/27 da Agricultura Empresarial para as 10 horas da próxima terça-feira (30), como já havia antecipado o Canal Rural.

Os números do Plano Safra da Agricultura Familiar devem ser feitos no mesmo dia, à tarde. O chamamento da pasta confirma uma informação que estava sendo ventilada ao longo do dia: o presidente Lula se ausentará da cerimônia da manhã.

Na ocasião, o chefe do Executivo estará na reunião da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai. Contudo, a expectativa é que ele esteja presente no segundo anúncio. O tempo de voo entre a capital do país vizinho e Brasília é de cerca de quatro horas.

Essa é a primeira vez, desde o lançamento do programa, em 2002, que o presidente não comparece no evento. O convite acusa que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, comandará a cerimônia ao lado do ministro do Mapa, André de Paula.

De acordo com apuração do ex-presidente do Banco do Brasil e colunista do Canal Rural, Fausto Ribeiro, o Plano Safra 2026/27 deve ser de R$ 652 bilhões, avanço de cerca de 10% frente ao total disponibilizado na safra passada.

Contudo, as atenções se voltam para as condições a serem disponibilizadas, uma vez que especialistas alertam para restrições fiscais e ambientais, o que deve impactar o crédito rural.

O Canal Rural acompanhará o anúncio do Plano desde o início, em transmissão ao vivo pela TV e redes sociais. Quem for assistir a cerimônia presencialmente deve preencher este formulário.

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Agricultura do futuro será cada vez mais digital, afirma presidente da Embrapa

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Foto: reprodução/Planeta Campo

A agricultura brasileira deve se tornar cada vez mais digital, conectada e sustentável nos próximos anos. A avaliação é da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, que destaca a inovação tecnológica como um dos principais motores para ampliar a produtividade, enfrentar as mudanças climáticas e promover a inclusão de pequenos e médios produtores rurais.

Segundo ela, a história da agricultura brasileira está diretamente ligada ao investimento em ciência. Há pouco mais de cinco décadas, o Brasil era importador de alimentos. A mudança desse cenário ocorreu com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições de clima e solo do país.

“A Embrapa teve um papel fundamental nesses últimos 50 anos para o avanço da agricultura brasileira. Nós podemos destacar aqui que há 50 anos atrás nós éramos importadores de alimentos. Começamos a trabalhar com a adaptação das tecnologias para o nosso tipo de clima e solo. Então, o que foi fundamental foi uma agricultura baseada em ciência”, destacou.

Três fases da transformação agrícola

De acordo com Silvia Massruhá, a evolução da agropecuária nacional pode ser dividida em três grandes etapas. A primeira foi marcada pela expansão da produção de grãos, especialmente da soja no Cerrado, impulsionada pelo desenvolvimento de fertilizantes e sistemas produtivos adaptados às condições brasileiras.

Na sequência, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, ganhou força a intensificação da produção com sistemas integrados, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além da incorporação de biotecnologia, nanotecnologia, automação e agricultura de precisão.

A fase mais recente é caracterizada pela agricultura de base biológica, com maior uso de bioinsumos e foco em uma produção multifuncional, capaz de atender à demanda por alimentos, fibras e energia de forma sustentável.

Ciência impulsiona produtividade

Segundo a presidente da Embrapa, os resultados dessa trajetória são expressivos. Nos últimos 50 anos, a área plantada no Brasil cresceu cerca de 140%, enquanto a produção e a produtividade de grãos aumentaram aproximadamente 580%.

Para Massruhá, esse avanço demonstra que o crescimento da agricultura brasileira ocorreu principalmente pelo aumento da eficiência produtiva e pela adoção de tecnologias desenvolvidas pela pesquisa.

Outro destaque é a contribuição da Embrapa para políticas públicas, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), utilizado para orientar o crédito e o seguro rural.

Atualmente, o sistema gera recomendações para 44 culturas em cerca de 5 mil municípios brasileiros. O trabalho envolve mais de 200 pesquisadores distribuídos em 32 unidades da Embrapa, que revisam anualmente as informações para orientar as janelas de plantio com menor risco climático.

Inclusão digital é desafio

Apesar dos avanços tecnológicos, Silvia Massruhá alerta que a transformação digital ainda precisa chegar de forma mais ampla aos pequenos e médios produtores.

“Cada vez mais novas tecnologias estão introduzidas no setor da agricultura e precisamos trazer essas novas tecnologias para o pequeno e médio produtor”, destaca Massruhá.

Segundo ela, o maior poder de investimento dos grandes produtores facilita a adoção de novas tecnologias, enquanto propriedades menores enfrentam barreiras relacionadas ao acesso, à conectividade e à capacitação.

Conectividade ainda é limitada

A presidente da Embrapa destaca que apenas cerca de 25% da área rural brasileira possui cobertura de conectividade, um dos principais entraves para a digitalização do campo.

Nesse contexto, o projeto Semear Digital busca atuar em três frentes levantamento das necessidades dos produtores, capacitação e ampliação da conectividade.

A iniciativa reúne instituições públicas, universidades, startups, provedores de internet e cooperativas para desenvolver soluções adaptadas às demandas locais. O objetivo é criar, ao longo de cinco anos, um modelo economicamente sustentável que permita aos produtores manter o acesso às tecnologias digitais.

Novos desafios para a agricultura

Além da transformação digital, Silvia Massruhá destaca que o setor agropecuário enfrenta outros grandes desafios, como a transição climática, energética e nutricional.

Entre as prioridades estão o desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao estresse hídrico, tecnologias para adaptação às mudanças climáticas, sistemas de rastreabilidade e certificação da produção e soluções que atendam à crescente demanda dos consumidores por alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

A presidente destaca que, atualmente, a Embrapa disponibiliza mais de 120 cursos gratuitos pela plataforma e-Campo, abordando desde tecnologias avançadas até práticas simples para produtores rurais.

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