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13 de agosto de 2026

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No limite, contas viram o maior desafio da safra em Mato Grosso

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No coração do agro brasileiro, o produtor mato-grossense enfrenta uma das safras mais desafiadoras dos últimos anos. Com crédito escasso, juros elevados e custos que não param de crescer, o ritmo do campo desacelera. Para não parar, os agricultores reduzem investimentos e seguram o caixa em meio à incerteza. Uma safra que começa com fé — e com o agro no limite.

As plantadeiras estão prontas para entrar nas lavouras na maioria das propriedades rurais em Primavera do Leste. O que as impedem é a irregularidade das chuvas no município. “Teria que chover uns 80 milímetros”, diz o agricultor Ari José Ferrari ao Patrulheiro Agro.

Com todas as plantadeiras engatadas esperando o índice pluviométrico ideal, Ari relata ainda outro ponto preocupante: a alta temperatura. “Não dá para arriscar, não. Tem que esperar, porque o lucro é pequeno. Foi feito um pouco de contrato. Achamos que fosse subir um pouco e fazer mais [contratos], só que não subiu até agora”, pontua ele que pretende cultivar 2,4 mil hectares de soja e já comercializou 30% da produção.

Preço baixo da soja e crédito restrito

O preço baixo da saca de 60 quilos da soja, bem como do milho, é considerado outro problema preocupante para a safra 2025/26, além do clima. Quando adquiriu o maquinário mostrado na reportagem do Canal Rural Mato Grosso, Ari lembra que a soja era comercializada a R$ 160 a saca e hoje a comercializa por R$ 110. Já o milho caiu de R$ 80 para R$ 45.

“Então dá uma diferença. A nossa média é colher 60 sacas por hectare [de soja], mas não pode acontecer nada de errado. Qualquer pouco que der a menos a gente já entra no vermelho. Está bem no limite”, relata o agricultor.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Para o tesoureiro do Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários (Cearpa), Marcelo Cunha, o crédito é o “nosso maior problema” para a safra 2025/26.

“Ficou restrito. O dinheiro sumiu, vamos dizer, coisa que a agricultura nunca tinha visto disso, essa escassez de crédito, o produtor pegar dinheiro em banco, em cooperativa, isso ficou difícil”.

O Cearpa reúne cerca de 300 empresas em todo o Mato Grosso e, segundo Marcelo, para as indústrias e revendas tais recursos também estão escassos. “Está estrangulando o crédito e pendeu a balança para a indústria e para as revendas, é limitado esse crédito que nós temos”.

Juros altos impedem investimentos

A falta de crédito é considerada um “assunto sério” em meio ao setor produtivo brasileiro, somada às altas taxas de juros. Conforme o agricultor mato-grossense Rui Prado, “é impossível fazer investimentos” com os juros praticados hoje pelos bancos, que chegam até 20%.

“Para o produtor plantar isso é inviável. O que vai acontecer em um futuro muito próximo é que os bancos vão ficar proprietários das terras dos produtores rurais aqui em Mato Grosso. O dinheiro da produção está sendo canalizado, principalmente da produção agrícola para o sistema financeiro”, frisa a reportagem.

A redução de investimentos, de acordo com Rui Prado, é uma saída para evitar que as terras parem “nas mãos dos bancos”. “Eu não sei o que vai virar do nosso país. Eu acredito que os bancos vão começar a fazer agricultura em nosso país. Da maneira que está, eu aconselho aos meus colegas produtores a não plantarem na forma em que estão plantando. Plantar com menos tecnologia, menos área e fazer com que sobre alguma coisa, porque da maneira que está é muito provável que as terras vão parar nas mãos dos bancos”.

Produtor na região sudeste de Mato Grosso, Jorge Piccinin revela que o último maquinário adquirido foi há três anos. De lá para cá não investiu mais, pois “hoje a taxa de juro não está dando condições”. “Tem que fazer com o que tem para sobrar alguma coisa, senão não sobra nada”, diz ele que pretende cultivar 5,3 mil hectares de soja nesta safra.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Apesar da cautela nos investimentos hoje no que tange a maquinários, diante das margens apertadas, a depreciação destes com o passar dos anos causa apreensão quanto ao futuro, uma vez que são considerados essenciais para os resultados na lavoura.

“Vai ter que trocar as máquinas, porque daqui a pouco vai virar coisa velha que não dá mais para plantar. Mas, hoje eu não tenho coragem de comprar uma máquina não, porque dinheiro para comprar à vista não tem e financiado não dá. Juro de 20% não fecha a conta”, pontua o agricultor Ari Ferrari.

Para o presidente da Cooprosoja, Fernando Cadore, a “viabilidade” é o principal insumo para a produção. Ele frisa que “o investimento tem que ser bem pensado para que tenha viabilidade” e que o mesmo deve ser feito somente em caso de “extrema necessidade”.

De acordo com ele, a realização de compras coletivas seria uma alternativa para o produtor se equilibrar e ficar dentro do mercado com investimento. Com mais de 1,3 mil produtores e quase três milhões de hectares, a Cooprosoja foi criada há dois anos e está presente em 86 municípios mato-grossenses.

“A coletividade, a união dos produtores, pode fazer a diferença e trazer viabilidade a longo prazo. Máquinas agrícolas era um ponto em que não existia coletividade. O Grito do Ipiranga formatou muitos conglomerados de compras, como as cooperativas municipais. Mas, as máquinas eram um calcanhar e ainda é, porque a discrepância continua muito grande. Todo o setor junto em volume vai ter diferença de precificação, é isso o que a gente buscou na formatação dessa cooperativa, que une os produtores mato-grossenses em coletividade para benefícios em comum”.

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SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 2,2 bilhões e amplia lucro líquido em 75%

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Foto: Divulgação/SLC Agrícola

A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira (12) seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026. A companhia encerrou o período com receita líquida recorde de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 16,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O lucro líquido também avançou, com expressiva alta de 75,3% sobre o segundo trimestre de 2025, para R$ 245,1 milhões.

A perspectiva positiva também alcança o desempenho das lavouras. A safra de soja foi encerrada com produtividade recorde, enquanto o algodão caminha para o que pode ser a melhor safra da história da companhia em termos de produtividade.

O resultado bruto da SLC Agrícola somou R$ 941,2 milhões, avanço de 43,5% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações de algodão e soja, culturas que representam importantes vetores de geração de valor para a empresa.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,3 bilhão no primeiro semestre e totalizou R$ 580,6 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,3% e margem de 26,7%. Os indicadores refletiram o acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas.

No trimestre, a companhia faturou 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas, volume recorde para o período e 14,4% superior ao registrado entre abril e junho de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento dos volumes faturados de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis em algumas dessas atividades.

“Os números do trimestre refletem um trabalho que começa muito antes da colheita. O planejamento das culturas, o cuidado diário nas fazendas, a gestão comercial e a disciplina na alocação de capital permitiram ampliar a operação e entregar resultados consistentes. Crescemos em escala, mas seguimos atentos à eficiência e à qualidade da execução”, destaca o diretor-presidente da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.

Recorde de produtividade

A soja ocupou 424,6 mil hectares, equivalentes a 51% de toda a área plantada pela companhia na safra 2025/26. A colheita foi concluída com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, resultado 4,7% superior ao ciclo anterior e 2,7% acima do projeto inicialmente. O rendimento também ficou 11,7% acima da média nacional indicada pela Conab em julho deste ano.

No segundo trimestre, a soja apresentou resultado bruto de R$ 301,3 milhões, com resultado unitário de R$ 530 por tonelada.

No algodão, cultivado em 191,3 mil hectares, os resultados registrados até o momento reforçam a expectativa de uma das melhores safras da história da SLC Agrícola em produtividade.

Para a primeira safra, a companhia projeta 2.220 quilos de pluma por hectare, rendimento 20,6% superior ao ciclo anterior e 7,5% acima do projeto inicial. Na segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos de pluma por hectare, produtividade 4,5% superior ao planejado.

Maior volume comercializado

No segundo trimestre, a SLC Agrícola faturou 93,1 mil toneladas de algodão em pluma, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Na soja, o volume chegou a 568,3 mil toneladas, alta de 9,8%.

O volume faturado de milho alcançou 103,5 mil toneladas, uma variação de 69,5%. Na pecuária, foram comercializadas 12,8 mil cabeças, crescimento de 52,3%.

Além da soja e do algodão, o milho registrou aumento expressivo tanto em volume quanto em receita. A receita líquida da cultura avançou 56,6%, para R$ 77,7 milhões, enquanto o resultado bruto cresceu 5,7%.

Na pecuária, a receita líquida atingiu R$ 93,5 milhões, alta de 74,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado bruto totalizou R$ 15,7 milhões, avanço de 82,4%. Por cabeça, o resultado ficou em R$ 1.225, valor 19,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Com a colheita da safra 2025/26 avançando para a reta final, a SLC Agrícola já concluiu 100% da colheita da soja, 90,6% do milho segunda safra e 61,2% do algodão.

Em relação ao custeio, a maior parte das despesas referentes à safra 2025/26 já foi paga. Ao mesmo tempo, 100% da produção de algodão e 99% da produção de milho ainda serão faturados e entregues. Segundo a companhia, esses volumes devem contribuir para a redução da alavancagem ao longo do segundo semestre.

Investimentos em irrigação

No segundo trimestre, a SLC Agrícola destinou R$ 81,7 milhões a projetos de irrigação. No acumulado do primeiro semestre de 2026, os investimentos chegaram a R$ 155 milhões.

A Fazenda Piratini concentrou a maior parte dos desembolsos, direcionados principalmente à implantação de estruturas de pivôs, à perfuração de poços e reservatórios, além da execução de obras de infraestrutura elétrica e hidráulica.

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Profert ajudará Brasil a combater o protecionismo dos concorrentes, diz Tirso Meirelles

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Foto: Reprodução

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) o Projeto de Lei 699/23, que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) e libera, em cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios para novas plantas de fábricas de fertilizantes ou expansão e modernização das atuais.

O benefício será concedido por meio de créditos fiscais de tributos federais e foi comemorado por grande parte das entidades do agronegócio. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, a iniciativa ajudará o Brasil a reduzir a dependência de insumos importados. Cálculos do setor mostram que cerca de 85% do adubo utilizado nas lavouras brasileiras vem de fora.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, caberá ao Poder Executivo definir quais iniciativas serão selecionadas para receber os benefícios fiscais do Profert. O montante anual total será limitado a R$ 2 bilhões, que poderão passar para o ano seguinte quando não forem utilizados no ano anterior. O período de implementação do programa será de 2027 a 2031.

Meirelles acredita que a iniciativa será fundamental para que o Brasil possa ampliar e diversificar mercados. “O mundo hoje joga US$ 1,5 bilhão contra a agricultura brasileira porque usam subsídios para que os produtores de seus países possam produzir porque não têm como concorrer com o Brasil, um país que tem três safras na mesma área por ano, então impõem subsídios contra nós. No nosso caso, temos de ter nossos fertilizantes, criando as condições efetivas de produzi-los e termos a segurança desses produtos para que possamos ter segurança alimentar”, ressalta.

O presidente da Faesp ainda criticou o fato de um programa de fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes ter demorado tanto para ser aprovado. “Infelizmente não temos um governo que pense o Brasil para [os próximos] 20 ou 30 anos. A própria China está fazendo um programa agrícola de 30 anos”, compara.

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USDA eleva produção de soja dos EUA e ajusta projeções para o Brasil; analista comenta

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Foto: Agência Brasil

O novo relatório do USDA foi divulgado nesta quarta-feira (21). Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o documento trouxe mudanças importantes nas principais projeções para o mercado de soja.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para a safra 2025/26, passando de 180 milhões para 180,5 milhões de toneladas. A estimativa ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o destaque foi o aumento da produção. O USDA projetou uma safra de 123 milhões de toneladas em agosto, acima dos 121,8 milhões de toneladas estimados em julho e também da expectativa média do mercado, de 121,6 milhões de toneladas.

Para Silveira, o aumento está relacionado principalmente à expansão da área plantada. Apesar de o USDA ter reduzido a produtividade americana de 53 para 52,7 bushels por acre, o aumento da área mais do que compensou a revisão e elevou o potencial produtivo da safra.

O cenário também teve reflexos nos estoques. Para a safra 2025/26, os estoques americanos foram projetados em 8,84 milhões de toneladas, próximos da expectativa do mercado, de 8,8 milhões, e abaixo dos quase 9 milhões de toneladas previstos em julho.

Para 2026/27, o USDA estimou estoques americanos em 8,7 milhões de toneladas, acima da média esperada pelo mercado, de 8,2 milhões, e dos 8,44 milhões de toneladas projetados no relatório anterior.

Na avaliação do analista, porém, a demanda americana ainda pode ser revisada nos próximos relatórios. Segundo Silveira, as exportações da safra velha já indicavam a necessidade de um ajuste para cima, enquanto o esmagamento interno segue sustentado pela forte demanda por óleo de soja.

Além disso, as vendas da nova safra americana vêm ganhando velocidade, com a China entre os principais compradores. Esse avanço da demanda pode pressionar os estoques para baixo nos próximos meses.

No cenário global, os estoques de soja foram projetados em 125,1 milhões de toneladas para 2025/26, abaixo da expectativa média do mercado, de 125,6 milhões, e dos 125,3 milhões de toneladas de julho. Para 2026/27, a estimativa ficou em 124,2 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao mês anterior.

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