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com incertezas geopolíticas, Brasil assume protagonismo no mercado global

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O mercado global de soja atravessa um momento de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas crescentes e mudanças profundas nas rotas de comércio internacional. O embate entre Estados Unidos e China — os dois players mundiais da oleaginosa — tem gerado um impasse relevante, com reflexos diretos sobre os preços, os prêmios e a competitividade entre as origens exportadoras.

China ausente do mercado americano

Desde maio, a China praticamente interrompeu suas compras de soja norte-americana, redirecionando a demanda quase que exclusivamente para o Brasil. Essa mudança estrutural tem provocado forte desvalorização nos preços da soja nos Estados Unidos e pressionado as margens dos produtores locais, que enfrentam custos elevados e uma Bolsa de Chicago (CBOT) com tendência persistentemente baixista.

O cenário é agravado por recentes movimentos do presidente Donald Trump, que tem aventado novas tarifas sobre produtos chineses e discutido restrições no comércio de terras raras. Contudo, no campo da soja em grão, os chineses têm se mantido firmemente abastecidos pela safra brasileira, reduzindo de forma significativa sua dependência do produto americano.

Brasil domina a janela americana

Embora em setembro o impacto ainda fosse limitado, a ausência chinesa no mercado dos EUA passou a ser mais sensível a partir de outubro — meses tradicionalmente considerados o pico das exportações norte-americanas. Entre janeiro e setembro, o Brasil já exportou mais soja para a China do que em todo o ano de 2024, um avanço de aproximadamente 12% sobre o volume embarcado no mesmo período do ano anterior, e ainda restam janelas de embarque até dezembro.

Para os Estados Unidos, a perda de competitividade nesse período crítico tende a se refletir em revisões nos estoques e em uma maior pressão sobre os preços futuros em Chicago. Além disso, o país enfrenta o problema adicional do shutdown governamental, que tem atrasado a divulgação de dados oficiais sobre colheita, oferta e exportações — deixando o mercado sem referências fundamentais justamente no meio da safra.

Brasil como protagonista

Enquanto isso, o Brasil assume de forma cada vez mais consolidada o papel de principal fornecedor global de soja. Os line-ups indicam mais de 102 milhões de toneladas já comprometidas para exportação, com potencial de atingir 107 milhões até o fim do ano. Esse volume recorde tem sustentado os prêmios nos portos brasileiros, especialmente em outubro, mês que promete quebrar a sazonalidade tradicional de desaceleração no final do ano.

Mesmo com a força atual das exportações, o país deve encerrar o ciclo com estoques de passagem mais confortáveis, próximos de 6 milhões de toneladas, um avanço em relação
a 2024. Contudo, a manutenção dessa condição dependerá da continuidade das compras chinesas.

Perspectivas para 2026: pressão de oferta e ajuste de preços

O horizonte para 2026, entretanto, aponta para uma mudança significativa no equilíbrio do mercado. O Brasil pode colher uma safra recorde de até 180,8 milhões de toneladas, o que, somado a estoques mais altos nos Estados Unidos, tende a gerar um cenário de oferta abundante e prêmios sob pressão. Nos portos brasileiros, os prêmios hoje positivos para a safra nova podem rapidamente se tornar negativos à medida que o volume de oferta aumenta entre março e maio.

Essa dinâmica, combinada a uma possível cotação abaixo de US$ 10,00 por bushel na CBOT, deve resultar em recuos importantes nos preços físicos durante o primeiro semestre de 2026.

O mercado de soja entra em um novo ciclo de realinhamento global, no qual o Brasil se consolida como principal origem da oleaginosa, mas também se torna mais vulnerável às flutuações de demanda e às oscilações geopolíticas. O comportamento da China nos próximos meses e o ritmo da colheita americana serão determinantes para definir se o atual equilíbrio se manterá — ou se novas correções de preço virão pela frente.

*Rafael Silveira é economista com pós-graduação em Finanças, Investimento e Banking pela PUC-RS. É especialista em mercados agrícolas na consultoria Safras & Mercado, com ênfase em estratégias de investimento e gestão de risco em commodities


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Paraná estabelece novo prazo para colheita do pinhão; veja mudanças

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Foto: Luiz Costa/Embrapa

O Instituto Água e Terra (IAT) anunciou uma mudança importante no calendário do pinhão no Paraná. A partir deste ano, a temporada para colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente começa no dia 15 de abril, ao invés de 1º de abril como nos anos anteriores. A medida vale tanto para o consumo humano quanto para uso em sementeiras.

A alteração atende a Instrução Normativa nº 03/2026 e busca alinhar a legislação estadual ao regramento federal.

O objetivo é garantir a extração sustentável da semente, proteger o ciclo reprodutivo da espécie e conciliar a geração de renda das comunidades produtoras com a conservação do meio ambiente.

A multa em caso de desobediência é de R$ 300 a cada 50 quilos apreendidos (ou fração equivalente), além da responsabilização por crime ambiental.

Ciclo sustentável

O chefe da Divisão de Licenciamento de Fauna e Flora do IAT, José Wilson de Carvalho afirma que o adiamento da temporada fará com que pinhas imaturas não sejam mais coletadas, garantindo o ciclo sustentável do pinhão. De acordo com ele, a medida tem impacto direto na saúde da população.

“Já observamos casos de pessoas coletando pinhas que ainda estão verdes, com casca esbranquiçada e alto teor de umidade. Essa prática é proibida, já que nesse estado elas são impróprias para o consumo, podendo favorecer a presença de fungos. Por isso estabelecemos essa nova data-limite. Após o dia 15, as pinhas já estão com um aspecto mais marrom-avermelhado e caem naturalmente das árvores”, explica Carvalho.

Fiscalização

A fiscalização durante toda a temporada de pinhão será feita por agentes do IAT e pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). As denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria do IAT, aos escritórios regionais pelos telefones (41) 3213-3466 e (41) 3213-3873 ou 0800-643-0304 e, ainda, à Polícia Ambiental (41) 3299-1350.

Destaque econômico

A cultura movimentou R$ 25,7 milhões em 2024 (dado mais recente), de acordo com o Valor Bruto de Produção (VBP), levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Os municípios que mais se destacaram na produção foram Pinhão (17,5%), Inácio Martins (14,9%), Turvo (8,7%), Guarapuava (7,3%) e Prudentópolis (5,2%).

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Mercado do boi inicia semana travado, com preços estáveis e consumo lento

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Foto: Pixabay

O mercado físico do boi gordo começou a semana com preços acomodados e pouca movimentação nas negociações. Apesar de ainda ocorrerem pontualmente negócios acima da média, o cenário predominante é de estabilidade. A oferta restrita de animais terminados segue dificultando a formação das escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, fatores externos continuam no radar, como as tensões no Oriente Médio e o avanço da cota chinesa, que podem influenciar a formação de preços ao longo do semestre.

Preços da arroba no Brasil:

  • São Paulo: R$ 352,17, na modalidade a prazo
  • Goiás: R$ 339,29
  • Minas Gerais: R$ 342,35
  • Mato Grosso do Sul: R$ 338,52
  • Mato Grosso: R$ 344,80, a arroba

Atacado

No mercado atacadista, o cenário também é de acomodação. O escoamento da carne segue mais lento, refletindo o menor apelo ao consumo neste período. Proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, continuam ganhando espaço na preferência do consumidor brasileiro, pressionando a demanda por carne bovina.

Entre os cortes, o quarto traseiro segue cotado a R$ 27,30 por quilo, enquanto o dianteiro permanece em R$ 21,00 por quilo. A ponta de agulha é negociada a R$ 19,50 por quilo.

Câmbio

No câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 1,31%, cotado a R$ 5,24, após oscilar entre R$ 5,21 e R$ 5,31 ao longo da sessão, movimento que também influencia a dinâmica do mercado pecuário.

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Milho recua com pressão da safrinha e cenário externo incerto

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Foto: Embrapa/Semeali Sementes

O mercado de milho registrou queda nas cotações ao longo da última semana, tanto no Brasil quanto no exterior. Na B3, o contrato com vencimento em maio de 2026 recuou para a faixa de R$ 72,00 por saca, refletindo o avanço da safrinha e o aumento da oferta interna, mesmo diante da valorização do dólar.

Plantio

No campo, o plantio da segunda safra ganhou ritmo no Centro-Sul, favorecido por uma trégua nas chuvas mais intensas. Apesar disso, parte das lavouras foi semeada fora da janela ideal, elevando os riscos climáticos para o desenvolvimento das plantas nas próximas semanas.

Segundo dados da plataforma Grainsights, da Grão Direto, o milho em Chicago apresentou leve queda de 0,21% na semana. Já no Brasil, o movimento foi mais intenso, com recuo de 4,38% na B3, encerrando a R$ 71,99 por saca. No mercado físico, também houve desvalorização, como em Lucas do Rio Verde (MT), onde os preços caíram 3,25%, para cerca de R$ 48,12 por saca.

O que vem por aí?

Para o curto prazo, o mercado segue atento ao relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31 de março. A expectativa é de redução da área de milho nos Estados Unidos, o que pode dar suporte aos preços no cenário global.

Por outro lado, o conflito no Oriente Médio traz preocupações relevantes. A região é importante fornecedora de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, e eventuais interrupções no fluxo podem elevar os custos de produção da próxima safra. Além disso, o Irã, um dos principais compradores do milho brasileiro, pode reduzir suas importações em caso de agravamento do cenário, o que pressionaria ainda mais os preços internos.

O clima também será determinante para a safrinha 2026. Com parte das lavouras fora da janela ideal, a dependência por chuvas regulares em abril aumenta, sendo fator decisivo para o potencial produtivo.

No campo macroeconômico, o dólar acima de R$ 5,30 ajuda a sustentar os preços em reais, mesmo com a pressão negativa nas bolsas. Ainda assim, a volatilidade deve permanecer elevada, exigindo atenção redobrada dos produtores à gestão de custos e às oportunidades de comercialização.

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