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Boi gordo mantém preços firmes com escalas mais curtas; confira o fechamento de mercado

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O mercado físico do boi gordo registrou negócios com preços mais altos ao longo da quarta-feira (8). O encurtamento das escalas de abate, principalmente para os frigoríficos de menor porte, segue dando sustentação aos preços.

Além disso, os frigoríficos de maior porte ainda sinalizam para uma maior disponibilidade de animais de parceria, com uma posição de escalas relativamente mais tranquila.

É importante mencionar que o mercado interno tem apresentado maior fluidez durante a semana, com melhora dos preços da carne bovina no atacado. Outro elemento importante são as exportações que permanecem em ótimo nível, segundo Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado.

Preços do boi gordo

  • São Paulo: a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 311,50 (modalidade a prazo)
  • Goiás: a indicação média foi de R$ 295,00 para a arroba do boi gordo
  • Minas Gerais: a arroba teve preço médio de R$ 294,41
  • Mato Grosso do Sul: a arroba foi indicada em R$ 321,25
  • Mato Grosso: a arroba ficou indicada em R$ 293,11

Atacado

O mercado atacadista se depara com preços firmes, e o ambiente de negócios ainda sugere por reajustes no curto prazo, ainda sob o efeito da entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo.

A chegada do último trimestre também produz otimismo, considerando o consumo aquecido que marca esse período.

  • Quarto traseiro segue no patamar de R$ 25,00 por quilo
  • Ponta de agulha ainda é precificada a R$ 16,50 por quilo
  • Quarto dianteiro permanece no patamar de R$ 17,70

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com baixa de 0,14%, sendo negociado a R$ 5,3426 para venda e a R$ 5,3406 para compra.

Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3292 e a máxima de R$ 5,3637.

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Custo com importação de fertilizantes sobe 20% em março, aponta levantamento

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a pressionar a cadeia global de fertilizantes, elevando custos e trazendo incertezas para o produtor rural.

Além do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o mercado ainda sofre os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia e das disputas comerciais entre grandes potências.

O impacto já chega ao campo: com risco de desabastecimento e preços mais altos, produtores adotam postura mais cautelosa nas compras.

Produtor paga mais caro por menos fertilizante

O Brasil deve encerrar março com cerca de 7 milhões de toneladas importadas, frente a quase 7,9 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de aproximadamente 11% no volume.

Apesar disso, o desembolso subiu de US$ 2 bilhões para US$ 2,4 bilhões, um aumento de cerca de 20% nos gastos.

Na prática, o produtor está pagando mais por menos produto, combinação que pressiona diretamente as margens.

Preço por tonelada dispara e volta a preocupar

O custo médio por tonelada também reforça esse cenário.

Em março de 2025, o preço girava em torno de US$ 311 por tonelada. Em 2026, já alcança cerca de US$ 382, alta de aproximadamente 23% em um ano.

Se comparado a 2024, quando os preços estavam próximos de US$ 309 por tonelada, o aumento já passa de 20%.

O movimento interrompe uma trajetória de queda após o pico de 2022, quando os fertilizantes chegaram a cerca de US$ 671 por tonelada.

Ritmo de importação cai

O ritmo diário de importação também recuou. Em março de 2026, a média está em cerca de 118 mil toneladas por dia, contra 137 mil no mesmo período do ano passado, redução de aproximadamente 14%.

O dado indica menor apetite de compra por parte do produtor, reflexo direto dos preços elevados e da incerteza no mercado.

O histórico recente mostra uma desaceleração clara nas importações:

  • 2023 → 2024: crescimento de cerca de 10%
  • 2024 → 2025: alta menor, entre 3% e 4%
  • 2025 → 2026: tendência de estagnação ou queda

Esse movimento sinaliza uma mudança de comportamento no campo, com produtores mais seletivos e focados em reduzir custos.

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Aprovação provisória do acordo Mercosul-UE anima exportadores na Fruit Attraction

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Fruit Attraction São Paulo se consolida como uma das principais feiras do setor de frutas

A aprovação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia já repercute entre exportadores de frutas que visitam a Fruit Attraction São Paulo, evento que ocorre entre terça-feira (24) e quinta-feira (26), na São Paulo Expo.

No geral, o setor avalia que a redução de tarifas deve melhorar a competitividade do país em um dos principais mercados de destino. Cerca de 70% das exportações brasileiras de frutas têm como destino a União Europeia.

Para Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o impacto será direto em algumas culturas e gradual em outras, o que abre espaço para planejamento por parte dos produtores.

“No caso da uva, a tarifa vai a zero imediatamente, o que melhora a competitividade. Já para frutas como melão, melancia e limão, a redução será ao longo de até sete anos”, afirma. Segundo ele, isso traz previsibilidade ao produtor.

A avaliação de Coelho também ocorre em um momento de mudanças na Abrafrutas, que passará a ser presidida por Waldyr Promicia. A cerimônia de posse da nova diretoria acontecerá durante a Fruit Attraction São Paulo, nesta quarta-feira (25).

Competitividade e preparo do setor

De acordo com Coelho, o Brasil já atende às exigências internacionais, especialmente em critérios ambientais e sociais. “Nós já somos auditados pelos mais rigorosos certificados. O país está preparado para atender mercados exigentes como o europeu”, afirma.

Essa também é a análise de Renato Giosa Miralla, sócio e administrador da MBR Company, empresa responsável por exportar mais de 18 frutas brasileiras. “O Brasil tem produção em alto nível e consegue atender diferentes mercados”, diz.

Apesar de ser o terceiro maior produtor de frutas do mundo, o Brasil ainda busca ampliar sua participação no mercado internacional. Para o executivo, o acordo com a União Europeia pode contribuir para esse avanço. “É um marco importante”, observa Miralla.

Expectativa com a Fruit Attraction

Com a expectativa de atrair mais de 18 mil visitantes até a próxima quinta-feira (26), a Fruit Attraction São Paulo está em sua terceira edição e se consolida como a maior feira voltada ao setor de frutas e hortaliças do Hemisfério Sul.

A estimativa dos organizadores é que o evento gere entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão em negócios em três dias. São 500 marcas expositoras e o público é diverso: ao caminhar pelos estandes, é possível ouvir uma infinidade de sotaques, que passam pelo Nordeste do Brasil, pela América do Sul e pela Europa.

Para o presidente da Abrafrutas, a feira vem ganhando relevância no país e se consolidando como ponto de encontro entre produtores e compradores internacionais.

“A feira cresce a cada edição e mostra a força da fruticultura brasileira. Esse ambiente ajuda a potencializar negócios, principalmente com esse novo cenário de mercado”, afirma.

Além disso, segundo Coelho, foi firmado um entendimento entre os organizadores para a realização da feira pelos próximos anos, o que dá mais segurança ao setor. “Isso é importante para toda a cadeia, não só para o produtor, mas para quem está no entorno, como embalagem, logística e serviços”, diz.

Na mesma linha, Miralla avalia que a feira segue trajetória semelhante à da edição de Madri, que ganhou escala ao longo dos anos.

“É uma feira que vem crescendo e ganhando relevância. O Brasil passa a ser visto como um ponto estratégico, tanto para produtores quanto para compradores”, ressalta.

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Brasil produz 155% mais grãos que Argentina e vantagem continua aumentando

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Foto: Divulgação

O Brasil produzia 53% mais grãos que a Argentina nos anos 1990. Hoje produz 155% mais. A distância entre os dois principais países agrícolas da América do Sul não parou de crescer nas últimas três décadas e tem como pano de fundo políticas agrícolas divergentes, ganhos de produtividade e uma diferença cada vez maior no acesso ao crédito.

“É uma combinação de maior estabilidade macroeconômica, ausência de impostos sobre exportação e maior acesso ao financiamento. Esse conjunto colaborou muito para o desempenho do Brasil nas últimas décadas em relação à Argentina”, disse o pesquisador Guido D’Angelo, da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), em transmissão na segunda-feira (23).

O estudo, assinado por D’Angelo e pelos pesquisadores da BCR Emilce Terré e Julio Calzada, soma a produção de soja, milho e trigo dos dois países por década. Na média dos anos 2000, a brecha chegou a se estreitar, com o Brasil produzindo 45% mais que a Argentina, resultado da adoção de pacotes tecnológicos e do plantio direto nos dois países. Mas a Argentina viu o retorno das retenciones, as taxas sobre exportações agrícolas, enquanto o Brasil mantinha o apoio ao produtor por iniciativas como o Plano Safra.

Na década de 2010, a diferença havia saltado para 82%. Nas primeiras cinco safras dos anos 2020, chegou a 155%. “A Argentina também cresceu nessas décadas, mas o Brasil o fez em ritmo maior”, disse D’Angelo. A projeção para 2025/26, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta leve recuo da brecha para 147%, sustentada por uma boa colheita de trigo, milho e soja na Argentina.

Na carne bovina, a distância é ainda maior. Nos anos 1990, o Brasil já produzia 119% mais carne que a Argentina. Na década seguinte, a diferença subiu para 167%. Na década de 2010, o Brasil produzia quase três vezes o volume argentino, distância de 249%. Na média dos anos 2020, produz 235% mais, e a projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 2025/26 aponta diferença de 284%, beirando quatro vezes a produção argentina.

Exportações

No campo das exportações, a inversão é ainda mais expressiva. Nos anos 1990, a Argentina embarcava 24% mais carne bovina por ano do que o Brasil. Hoje, o Brasil exporta mais de cinco vezes o volume argentino. Em três décadas, as vendas externas argentinas quase dobraram, enquanto as brasileiras cresceram mais de 13 vezes. “Isso tem a ver com muitos fatores, entre eles o financiamento e o crédito interno, que no Brasil cresceu muito acima do que cresceu na Argentina”, disse D’Angelo.

Segundo os pesquisadores, os dados de crédito ilustram a diferença. No início dos anos 2000, Argentina e Brasil tinham níveis de crédito interno ao setor privado relativamente próximos, de 24% e 31% do PIB, respectivamente. Em 2024, a Argentina registrava 15% do PIB, enquanto o Brasil chegava a 76%, uma distância de mais de 60 pontos porcentuais.

Para a BCR, a redução das retenciones e o fim das distorções cambiais na Argentina são passos na direção certa. A safra atual deve bater recordes de produção de grãos, e o crédito bancário ao setor pecuário registrou o segundo maior nível da história argentina. “Com mais apoio ao produtor, não há dúvidas de que a Argentina pode continuar crescendo em produção e exportações”, concluiu D’Angelo.

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