Sustentabilidade
Mudança na presidência do Supremo renova debate sobre litígios que atrasam desenvolvimento do agronegócio – MAIS SOJA

Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Projeto da Ferrogrão aguarda desfecho de processo há anos
Com frequência, o Portal SNA aborda como a judicialização de questões importantes para a agropecuária nacional atrasa o desenvolvimento do setor e gera insegurança jurídica. Várias vezes, o Supremo Tribunal Federal é ator importante dessas discussões, como ocorreu na definição do Marco Temporal, entre outros casos. Mas a inovação da jurisprudência nas decisões, bem como interpretações “criativas” de leis muito claras, contribuem para o desgaste com demais Poderes da República e acarreta mais lentidão em processos de sumo interesse para o agronegócio.
Na última segunda, 29 de setembro, o STF empossou seu novo presidente, Ministro Edson Fachin, que ficará no cargo por dois anos. Dos vários desafios que irá enfrentar na administração da Corte e definição das pautas de julgamento, estão assuntos que dizem respeito ao setor produtivo agropecuário e suas ramificações logísticas. É o caso da Ferrogrão, sobre a qual este Portal já se debruçou. Agora, a análise voltará ao plenário nesta quarta, 1 de outubro, já por determinação do novo presidente. A relatoria da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n. 6553 é do ministro Alexandre de Moraes.
A ADI questiona a Lei 13.452/2017, originada do projeto de conversão da Medida Provisória (MP) 758/2016, que excluiu cerca de 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim (PA) e os destinou aos leitos e às faixas de domínio da Ferrogrão (EF-170) e da BR-163. Autor da ação, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) sustenta, entre outros pontos, que a lei afeta os povos indígenas que habitam a região e que o parque é um patrimônio cultural imaterial. Em 2023, houve uma tentativa conciliatória, sem resultados.
Um atraso que custa bilhões e prejudica a competitividade do país
O empreendimento é um dos maiores projetos de infraestrutura e logística já propostos para a Amazônia, prometendo facilitar o escoamento de grãos do Centro-Oeste brasileiro. O modal conectará Sinop (MT) a Itaituba (PA) através de 933 quilômetros de ferrovia, transformando-se na principal eixo de transportes de carga do bioma. Articulado desde o governo Temer (MDB) e agora parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) federal, o projeto prevê capacidade para transportar 40 milhões de toneladas anuais de grãos. A ferrovia pode reduzir em até 20% os custos atuais, fortalecendo a posição brasileira no mercado internacional.
Em síntese, são R$ 20 bilhões em investimentos privados e a competitividade do agronegócio brasileiro aguardando definição. Mais do que o julgamento em si, trata-se de um teste sobre a capacidade do país em equilibrar desenvolvimento com preservação ambiental. A indefinição custa caro em oportunidades perdidas, sobretudo em momentos de sobressaltos geopolíticos e econômicos como o de agora. Ao fim, o resultado enviará um sinal aos investidores privados sobre o grau de previsibilidade regulatória no país. Para o mercado, essa clareza institucional vale tanto quanto os próprios trilhos da ferrovia.
O senador Zequinha Marinho (Podemos – PA), que integra a Frente Parlamentar da Agropecuária e preside a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, disse em entrevista ao Portal “O Liberal” que o lobby de ONGs e outros grupos de interesse prejudicou a Ferrogrão e a Tramitação da ADI no Supremo. Ele também criticou o abandono, por sucessivos governos, do transporte por trens. “O Brasil fez uma opção pela indústria do caminhão há cem anos e deixou as ferrovias de lado. Foi um grande erro estratégico. Como é que você trabalha num país dessa dimensão sem também priorizar o modal ferroviário?”, complementou o senador.
Com informações complementares do Ministério dos Transportes, Tribunal de Contas da União (TCU) e Agência FPA.
Fonte: SNA

Autor:Marcelo Sá – Sociedade Nacional de Agricultura
Site: SNA
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ARROZ/CEPEA: Aumento pontual da demanda sustenta valor – MAIS SOJA

Os preços do arroz em casca permanecem firmes no Rio Grande do Sul. Segundo pesquisadores do Cepea, os valores são sustentados pela demanda pontual para recomposição de estoques e pela oferta ajustada. O ritmo de negócios, contudo, segue lento. Isso porque ainda se verifica desacordo entre compradores e vendedores em um ambiente de cautela ao longo da cadeia.
Do lado da oferta, pesquisadores do Cepea indicam que o comportamento dos produtores foi heterogêneo. Os agentes mais capitalizados optaram por postergar as vendas, à espera de condições mais favoráveis, enquanto outros direcionaram o cereal ao armazenamento, sobretudo diante da proximidade da safra 2025/26. Do lado da demanda, compradores consultados pelo Cepea ajustaram suas estratégias para garantir o abastecimento, sobretudo em regiões em que a oferta está mais limitada.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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ALGODÃO/CEPEA: Negócios são lentos em janeiro; mas preço médio mensal avança – MAIS SOJA

O ritmo de negócios envolvendo algodão em pluma esteve lento ao longo de janeiro. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário esteve atrelado à retomada gradual das atividades e ao desacordo entre compradores e vendedores ativos quanto aos preços. Pesquisadores do Cepea indicam que produtores estiveram atentos à semeadura e ao desenvolvimento das lavouras da temporada 2025/26, o que reduziu a disposição para vendas.
Do lado comprador, as indústrias seguiram utilizando estoques próprios e/ou volumes já programados, mantendo cautela nas aquisições. Quanto aos preços da pluma, estes se enfraqueceram em alguns momentos do mês, acompanhando a retração das cotações internacionais. No entanto, em boa parte de janeiro, os valores domésticos reagiram, com suporte vindo da postura firme dos vendedores. Assim, o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) teve média de R$ 3,5101/lp em janeiro, 1,08% acima da de dezembro/25.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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Como melhorar os resultados financeiros na soja – MAIS SOJA

O Rio Grande do Sul conta com a segunda maior área de cultivo com soja no Brasil, mas em volume de produção ficou na 4ª posição e em último lugar no quesito produtividade entre os 22 estados que produziram soja em 2025. Um dos principais motivos para o baixo desempenho das lavouras gaúchas são as perdas por frustrações climáticas. Entre os fatores que podem melhorar o retorno financeiro na soja está a escolha da biotecnologia e o investimento em semente de qualidade.
Biotecnologias na Soja
O mercado oferta diversas biotecnologias embarcadas na semente da soja, a maioria com base em eventos de transgenia, o que já representa 99% do mercado brasileiro.
A expansão da soja transgênica (Roundup Ready) aconteceu a partir da aprovação da Lei de Biossegurança, em 2005. As cultivares em uso estão voltadas à tolerância das plantas para a aplicação de inseticidas e herbicidas. Em ordem cronológica aproximada, os lançamentos em biotecnologia foram: soja RR (2003), Intacta RR2 PRO (2012), Intacta 2 Xtend (2021), Enlist (2021) e Conkesta Enlist (2021).
O custo estimado para colocação de uma planta transgênica no mercado alcança US$ 115 milhões, com tempo médio de 16,5 anos (CropLife 2022). “Na primeira onda de transgênicos foram introduzidas plantas capazes de tolerar a ação de herbicidas e o ataque de insetos, características que favorecem o manejo das lavouras e, em certas situações, reduzem os custos de produção. Em breve, estarão disponíveis outras características como tolerância a fungos, bactérias, vírus e estresses abióticos, como a seca”, explica o Chefe-Geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.
Cenário no RS
Conforme levantamento da Apassul, com base no histórico de comercialização e uso de semente de soja no Rio Grande do Sul (safra 2023/2024), as biotecnologias mais utilizadas nas lavouras são: Intacta RR2 PRO (IPRO), que representa 31% das sementes certificadas; Intacta 2 Xtend, com 11%; Roundup Ready (RR), com 6%; e as demais com 2% cada biotecnologia.
O leitor mais atento pode perceber que a soma dos percentuais não totaliza 100%, isso porque a taxa de uso de semente certificada no RS foi estimada em 42% na última safra e deve cair ainda mais em 2026. A média brasileira da Taxa de Utilização de Sementes de soja é 67%. Conforme o histórico, a queda tem sido constante no RS nos últimos anos, o que pode sinalizar a descapitalização do produtor, muitas vezes associada às perdas por frustrações climáticas.
Segundo o diretor executivo da Apassul, Jean Cirino, o que preocupa não é a semente salva, autorizada pela legislação brasileira, mas a comercialização de semente pirata, prática ilegal de multiplicação de sementes sem controle genético ou sanitário, comercializadas sem garantias e, muitas vezes, com desempenho inferior. A semente pirata aumenta o risco de disseminação de pragas e doenças, com baixa taxa de vigor e germinação que leva à desuniformidade e falhas na lavoura. Pode, ainda, impedir acesso a seguros agrícolas e desestimular a pesquisa e o desenvolvimento de novas cultivares. É importante destacar que, mesmo quando o agricultor utiliza seu grão como semente salva, deverá recolher a Taxa Tecnológica ao detentor do direito intelectual conferido pela patente.
Ainda, observando o gráfico com o histórico de comercialização de sementes de soja no RS, é possível verificar a gradativa queda no uso de soja RR. O pesquisador da Embrapa Trigo, Paulo Bertagnolli lembra que a patente da primeira geração da soja RR encerrou em 2010, quando deixou de ser cobrada a Taxa Tecnológica sobre a produção de sementes: “A patente de uma tecnologia expira em, aproximadamente, 10 anos após o lançamento. Assim, deixou de existir a taxa tecnológica da soja RR e está próximo ao vencimento da geração Intacta RR2”. Conforme o pesquisador, “o produtor sempre está atrás de inovações tecnológicas, mas quando os custos de produção sobem, é preciso adequar o investimento ao potencial de retorno da lavoura”. Jean Cirino, da Apassul, lembra que o RS foi o estado que manteve por mais tempo a participação da soja RR no mercado, justamente pela competitividade das cultivares.
De olho no resultado financeiro, o produtor de sementes Fernando Rossato, de Cruz Alta/RS, comparou uma cultivar de soja RR (BRS 6105RR) ao lado de uma cultivar IPRO na última safra. Em 35 hectares, as cultivares foram implantadas em safrinha, sob irrigação, para a produção de sementes. A semeadura em 28/01/25 e a colheita em 19/05/25. O rendimento da soja RR superou em 21 sacos a IPRO, mas o maior diferencial veio na margem de lucros. Veja na tabela abaixo:

O pesquisador Paulo Bertagnolli ressalta que a Embrapa Trigo é a única empresa de pesquisa que segue com o programa de melhoramento de soja RR no Brasil, justamente como opção ao produtor. Na última safra, foi inscrita no MAPA uma área de sementes de soja RR de 2.260 hectares com genética Embrapa, nas cultivares BRS 5601RR, BRS 5804RR, BRS 6105RR e BRS 6203RR.
Frustrações climáticas limitam produtividade
Passados mais de 20 anos desde a chegada da soja transgênica no Brasil, com a liberação das primeiras lavouras no Rio Grande do Sul na safra 2003/2004, a média de produtividade cresce lentamente apesar dos avanços da biotecnologia. Enquanto a área de soja cresceu 127,7% no Brasil, a produtividade média brasileira (kg/ha) cresceu 55,4% (CONAB 2003/2004 a 2024/2025). Em 50 anos, as perdas de produtividade na soja devido à seca são estimadas em 280 milhões de toneladas ou US$ 152 bilhões.
O Rio Grande do Sul é o estado mais afetado, especialmente pela ocorrência de episódios de La Niña, cuja redução nas chuvas afeta o rendimento da soja. Nos últimos 10 anos, as perdas representam 36,5 milhões de toneladas, um prejuízo estimado em US$ 18,95 bilhões.
Para minimizar o impacto das perdas devido à seca na soja, conheça o programa de Tecnologias para o Enfrentamento da Seca na Soja (Tess), disponível nas publicações da Embrapa.
Fonte: Embrapa

Autor:Joseani M. Antunes (MTb 9693/RS) Embrapa Trigo
Site: Embrapa
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