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16 de junho de 2026

Business

Grãos e pecuária puxam resultado do VBP do agro em agosto

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O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor agropecuário atingiu R$ 1,406 trilhão em agosto, alta de 11,3% em relação à safra de 2024. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (25) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O resultado reflete o desempenho positivo de lavoura e pecuária, mesmo diante de quedas em algumas culturas específicas.

Lavoura registra crescimento expressivo

A produção agrícola teve alta de 10,8%, passando de R$ 837,52 bilhões em 2024 para R$ 928,07 bilhões neste ano. Entre os produtos que puxaram o crescimento estão amendoim (43%), soja (8,8%), milho (32,4%), café (47,2%), mamona (38%) e algodão (8,4%). Por outro lado, algumas culturas apresentaram queda: batata-inglesa (-53,9%), laranja (-17,9%), feijão (-15,9%), arroz (-10,2%), banana (-3,5%) e cana-de-açúcar (-1,3%).

A soja segue sendo o produto com maior participação no VBP, somando R$ 322,1 bilhões, seguida por milho (R$ 164,0 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 117,9 bilhões), café (R$ 115,2 bilhões) e algodão (R$ 36,6 bilhões). Juntos, esses cinco itens correspondem a 53,8% do total do VBP agrícola.

Pecuária mantém ritmo de alta

A pecuária avançou 12,3%, alcançando R$ 478,08 bilhões ante R$ 425,77 bilhões de 2024. Entre os produtos com maior crescimento estão bovinos (20,5%), frango (4,7%), leite (5,2%), suínos (9,6%) e ovos (14,1%). No faturamento, a bovinocultura lidera com R$ 204,1 bilhões, seguida pela avicultura (R$ 111,0 bilhões) e leite (R$ 71,5 bilhões). A participação da bovinocultura corresponde a 14,5% do total do VBP nacional.

Destaque regional

Mato Grosso foi o estado com maior contribuição para o VBP, respondendo por 15,7% do total, ou R$ 221,3 bilhões, seguido de Minas Gerais (12%, R$ 168,3 bilhões), São Paulo (11,3%, R$ 159,0 bilhões) e Paraná (11,2%, R$ 157,4 bilhões).

A distribuição por produtos nos estados mostra a concentração da produção: em Mato Grosso, soja, milho, algodão e bovinos representam 93% do VBP estadual; em Minas Gerais, café, soja e leite somam 57%; em São Paulo, cana-de-açúcar, café e laranja equivalem a 63,6%; e no Paraná, milho, soja e frango representam 63,5%.

O VBP é calculado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola do Mapa, combinando volumes produzidos e preços de mercado, refletindo o faturamento bruto na propriedade rural.

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O boom do etanol de milho e o desafio de criar demanda

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Foto: Freepik

Impulsionada por mais de R$ 40 bilhões em investimentos, a produção saltou de cerca de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para uma projeção próxima de 10 bilhões de litros em 2025/26. Em apenas cinco anos, o setor quadruplicou de tamanho. Mas o desafio mudou. A questão já não é produzir mais. A pergunta agora é: quem vai consumir todo esse volume?

O modelo econômico do etanol de milho é altamente eficiente. Além do combustível, as usinas produzem DDGS, um farelo rico em proteína utilizado na alimentação de bovinos, aves e suínos. Isso amplia a rentabilidade da cadeia e ajuda a explicar a corrida de investimentos observada nos últimos anos.

O setor caminha para produzir cerca de 10 bilhões de litros por safra, consolidando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

O risco da superoferta

O crescimento da oferta começa a preocupar. Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro poderá receber aproximadamente 4 bilhões de litros adicionais de etanol em um único ciclo produtivo. Enquanto isso, o consumo cresce em ritmo muito menor, próximo de 2% ao ano. Em outras palavras, a produção avança muito mais rápido do que a demanda.

O Brasil possui uma das maiores frotas flex do mundo. Ainda assim, muitos motoristas continuam optando pela gasolina, especialmente quando a diferença de preço não compensa a menor autonomia do etanol.

Para ajudar a absorver a produção crescente, o governo elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. O setor já discute novos aumentos nos próximos anos. A medida ajuda, mas não resolve o problema estrutural da demanda.

A nova fronteira

O futuro do etanol não está apenas nos tanques dos automóveis. O combustível deverá ganhar espaço em novos mercados ligados à descarbonização, especialmente no SAF, o combustível sustentável de aviação, e em aplicações industriais de baixa emissão de carbono.

Além disso, o etanol brasileiro possui uma vantagem estratégica: baixa pegada de carbono e grande disponibilidade de matéria-prima, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

O boom do etanol de milho é uma vitória tecnológica, industrial e agrícola. O Brasil mostrou que consegue produzir. Agora precisa provar que consegue vender.

Sem novos mercados, maior competitividade nas bombas e expansão das exportações, o sucesso produtivo pode pressionar preços e reduzir margens justamente no momento em que o setor mais cresce.

O desafio dos próximos anos não será fabricar mais etanol. Será criar demanda suficiente para acompanhar a velocidade da oferta.

Miguel Daoud

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Esmagamento de soja em Mato Grosso registra novo recorde mensal

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso esmagou 1,28 milhão de toneladas de soja em maio diante da maior utilização das plantas industriais. O volume, considerado um novo recorde mensal, supera em 6,98% o total processado em abril e em 3,22% quando comparado com o mesmo período em 2025.

Tal resultado, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), está aliado à demanda externa por óleo de soja. Somente em maio 21,69 mil toneladas do derivado de soja foram exportadas pelo estado, 41,80% a mais do que em abril.

Outro fator apontado para o novo recorde é o avanço do setor de biodiesel no país.

Margens pressionadas, apesar do bom resultado

Apesar do desempenho positivo, a valorização de 1,18% da soja em grão no quinto mês de 2026 e o recuo nas cotações dos coprodutos pressionaram as margens das indústrias.

Conforme o Instituto, a margem bruta de esmagamento da soja em Mato Grosso fechou maio com retração de 7,82% no comparativo mensal, encerrando o período com média em R$ 639,84 a tonelada.


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Colheita de soja é concluída no Brasil, aponta relatório da Conab

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Foto: Gilson Abreu/AEN

A colheita da soja da safra 2025/26 foi oficialmente concluída no Brasil, de acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, a colheita alcançava 98,8% da área semeada. Com isso, houve um avanço de 1,2 ponto porcentual até a conclusão total dos trabalhos em campo.

Segundo a Conab, o único estado que ainda registra colheita pontual é o Maranhão, com 99% da área colhida. Apesar disso, o índice nacional já é considerado encerrado, uma vez que os volumes remanescentes são residuais.

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O desempenho da safra segue alinhado ao histórico recente. No mesmo período do ano passado, a colheita também já havia sido finalizada em todo o país. A média dos últimos cinco anos para esta época do ano igualmente aponta para 100% da área colhida.

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