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5 de maio de 2026

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Fórum discute renegociação e futuro do crédito rural em MT

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O endividamento rural se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, um peso que vai muito além da porteira das fazendas. Juros elevados, custos de produção crescentes e frustrações de safra colocaram os produtores contra a parede. Para buscar soluções, um fórum em Cuiabá reuniu mais de 400 pessoas, entre agricultores, autoridades e representantes do setor financeiro, para debater o tema e buscar caminhos para a crise.

Em meio a esse cenário de forte pressão financeira, os produtores cobram ações concretas. O evento trouxe a urgência da renegociação de dívidas e a busca por crédito acessível para o centro da discussão. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explicou que Mato Grosso, o segundo estado com maior endividamento agrícola, espera “linhas de crédito com juros menores e a possibilidade de alongamento”, pois os juros praticados, especialmente pelo Plano Safra, “têm impactado muito no custo e na produção do estado”.

Beber destacou o avanço do setor no estado, com quase 3,4 milhões de hectares a mais de área plantada do que em 2019, o que exigiu altos investimentos. “O produtor acabou fazendo mais investimentos, fornecedores e a indústria também apostaram nesse período de prosperidade, porém fomos surpreendidos por um revés de mercado e agora estamos em uma situação delicada”, completou ele. O presidente da Aprosoja MT reforçou que o fórum teve como intuito “discutir medidas que minimizem os danos e busquem soluções que beneficiem a todos“.

Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

Endividamento rural pede por soluções urgentes

A crise atual exige que as instituições financeiras apoiem o produtor. Conforme Ilson José Redivo, vice-presidente do Sistema Famato, “as instituições financeiras têm cada vez mais cerceado e dificultado mais o acesso ao crédito”, e a agricultura não pode ser penalizada. Ele defendeu que é preciso “buscar soluções para fazer com que o endividamento rural seja administrado de uma forma que atenda às necessidades do produtor”.

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O Fórum de Crédito e Endividamento Rural em Cuiabá reuniu economistas, juristas, instituições financeiras e representantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso com o objetivo de abrir caminhos para as renegociações, reduzir inseguranças e garantir a viabilidade da produção. O economista Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector Consultores, apontou que o governo federal precisa agir.

Para ele, é fundamental que o governo lance mão de “ferramentas que reduzam as dificuldades do produtor de soja, entre elas o aumento de subsídios”, para que um setor vital para as contas externas, como o exportador de soja, mantenha a economia estável. Silveira reforçou que para aumentar a produção em 2026 e 2027, “é fundamental haver ferramentas que tirem esse peso das costas do produtor: os juros elevados e a necessidade de financiamento público, além do subsídio direto”.

Os números do endividamento no país são preocupantes. A inadimplência dos produtores chega a quase R$ 39 bilhões, cerca de 5% do valor total emprestado. Quando se considera o montante já renegociado, a soma ultrapassa R$ 110 bilhões, o equivalente a 14% do total financiado. Em Mato Grosso, a situação é ainda mais crítica, com atrasos de 5,1% que, somados às renegociações, alcançam 14,4%.

Fórum de Crédito e Endividamento Rural foto Bruno Lopes Aprosoja MT1
Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

Gestão e amparo jurídico como saídas

Especialistas reforçam que, além da produtividade no campo, o futuro do agronegócio depende de uma gestão eficiente. Ângelo Ozelame, CEO da Lucro Rural, destacou que o produtor que vai liderar a propriedade até 2030 não é apenas o que foca em produtividade, mas o que “organiza o escritório, numa visão financeira, fiscal e tributária“. Ozelame ressaltou que “estamos em momentos difíceis, com Selic elevada, oscilação nos preços e reforma tributária em 2026”.

Por isso, “o grande diferencial está dentro do escritório: produtores que enxergam bem o fluxo de caixa, o nível de endividamento e fazem bom planejamento de safra, sabendo se o lucro operacional será suficiente para pagar dívidas ou avançar”. Para ele, “o produtor organizado no escritório será o de sucesso em 2030”.

O direito também pode ser uma ferramenta de apoio. Lutero Paiva, especialista em Direito Agrofinanceiro, alertou que “grande parte do endividamento agrícola tem a ver com ilegalidades nos contratos que os produtores assinam com agentes econômicos e financeiros”. Ele explicou que “o produtor, por natureza, confia, mas se assinar um mau contrato, mesmo fazendo um bom negócio, complica a vida dele”. Paiva lembrou que “grande parte da garantia fiduciária de imóvel no financiamento rural é ilegal”, e o produtor pode propor ações para “tirar de dentro do contrato”.

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Fórum de Crédito e Endividamento Rural foto Bruno Lopes Aprosoja MT2
Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

O papel dos bancos e a esperança de um futuro próspero

O produtor rural Regis Porazzi exemplificou o motivo do endividamento: “A safra 2023/24, foi uma grande frustração de safra, principalmente nas áreas que plantam em solos arenosos e duas ou três safras de milho frustradas foi o que alavancou essa grande conta, essa grande dívida que o agro brasileiro tem”.

Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, mencionou a dificuldade de acesso a créditos subsidiados: “O produtor não consegue esses créditos subsidiados, equalizados pelo governo federal. Eles têm que ir para os juros dos bancos privados, passando de 20% do juro do ano. Então sabemos que isso não consegue viabilizar o negócio do produtor”. Ele vê o fórum como uma oportunidade para mostrar ao produtor que “a lei pode proteger ele para conseguir fazer negociações e alongar suas dívidas para continuar trabalhando no seu dia a dia no agro”.

Wanda Aparecida da Silva Ribeiro, superintendente do Banco do Brasil em Mato Grosso, reconheceu que o setor precisa de apoio. Ela destacou que, embora haja um “cenário pessimista diante de uma supersafra”, é preciso ser realista, pois há produtores “cujo fluxo de caixa não tem apoiado para que saiam dessa situação”. A superintendente afirmou que o banco vai oferecer alternativas, mas se preocupa com aqueles que não têm consultoria adequada.

“A inadimplência aponta isso, e uma instituição com carteira de mais de R$ 400 bilhões precisa estar atenta para não ter problemas. Precisamos apoiar o produtor rural, porque se eu sou o principal banqueiro, preciso estar com ele, inclusive para que não comprometa suas garantias no momento que mais precisa”.

De acordo com o produtor rural Regis Porazzi, é preciso valorizar o campo. “O produtor rural traz a paz no planeta, ele traz alimento, ele traz desenvolvimento e se a gente não tiver a sociedade ao lado desse homem gigante a civilização padece”.


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Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bi em 2025, alta de 15,8%

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Foto gerada por IA.

As cooperativas de Santa Catarina faturaram R$ 105,7 bilhões em 2025, avanço de 15,8% em relação ao ano anterior, de acordo com o Sistema Ocesc. Os dados foram divulgados em entrevista coletiva e teve como base levantamento realizado junto a 236 cooperativas do Estado. Em nota, representantes do Sistema Ocesc destacaram que o ritmo de crescimento foi três vezes superior ao da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período.

O desempenho também se refletiu nas sobras (equivalentes ao lucro no modelo cooperativista), que cresceram 30,8% e somaram R$ 7,3 bilhões. Os recursos serão destinados a investimentos, fundos estatutários e distribuição entre os associados.

Em 2025, mais de 370 mil pessoas ingressaram em cooperativas, elevando o total para 5,08 milhões de associados, o equivalente a 61% da população catarinense. “Somos o Estado mais cooperativista do Brasil”, afirmou o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, durante a apresentação dos dados em Florianópolis, segundo a nota.

Crédito supera 4 milhões de associados

O ramo de crédito lidera em número de cooperados, com mais de 4 milhões de associados, seguido pelas cooperativas de infraestrutura (469 mil), consumo (467 mil) e agropecuária (84,9 mil). Ao todo, o sistema emprega diretamente 109,7 mil pessoas, após a criação de 7.301 vagas em 2025, um crescimento de 15,8% no quadro funcional.

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A carga tributária também aumentou. As cooperativas recolheram R$ 4,4 bilhões em impostos sobre a receita bruta no ano passado, alta de 12,9% na comparação anual.

Agro lidera receitas e empregos

O ramo agropecuário manteve a liderança dentro do cooperativismo catarinense, respondendo por 60% das receitas totais e 62% dos empregos diretos. As 45 cooperativas do segmento somaram R$ 63 bilhões em faturamento, crescimento de 10%, e geraram mais de 4 mil novas vagas, totalizando 68 mil postos de trabalho.

No comércio exterior, as cooperativas agropecuárias exportaram US$ 2,18 bilhões, o equivalente a 17,9% das exportações do estado e 38,9% dos embarques de aves e suínos. Entre os principais produtos estão cereais, proteínas animais, fertilizantes, lácteos e frutas. Os investimentos também seguem robustos. Em 2025, o setor aplicou R$ 1,34 bilhão em ampliação e modernização industrial. Para 2026, estão previstos aportes de R$ 1,53 bilhão.

O segmento de crédito registrou receitas de R$ 28,7 bilhões, alta de 36% em relação a 2024, mantendo-se como o segundo maior em faturamento. Já o ramo de saúde alcançou R$ 7,7 bilhões em receitas (+10%) e criou 800 empregos, totalizando 13,7 mil trabalhadores. As cooperativas de infraestrutura, focadas principalmente na distribuição de energia elétrica, somaram R$ 2,2 bilhões em receitas (+9%) e atendem cerca de 469 mil associados. Outros segmentos reuniram 475 mil cooperados e faturaram R$ 3,8 bilhões.

No acumulado de seis anos, as receitas do sistema cooperativista catarinense mais que dobraram, com alta de 126%, passando de R$ 46,8 bilhões em 2020 para R$ 105,7 bilhões em 2025. O desempenho reforça o papel do setor como um dos principais motores da economia estadual, especialmente nas cadeias do agronegócio, que respondem por cerca de 30% do PIB de Santa Catarina e 70% das exportações.

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Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluíram, nesta segunda-feira (5), em Araguari (MG), a série de encontros presenciais do programa “Fortalecendo o Trabalho Digno”.

A ação, voltada ao período pré-colheita da safra 2026 de café, teve foco na transferência de conhecimento sobre boas práticas trabalhistas nas propriedades rurais.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), a Coocacer Araguari, a Starbucks e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo as entidades, o objetivo foi ampliar a orientação técnica aos agentes da cadeia cafeeira com base no diálogo social e na conformidade legal.

Durante o encontro, o chefe do Setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Uberlândia, Marco Antônio Ferreira Costa, apresentou os instrumentos legais disponíveis para contratação de mão de obra no meio rural, considerando as características de cada atividade desenvolvida nas fazendas.

A programação também incluiu explicações sobre prevenção ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.

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Outro eixo técnico foi a saúde e segurança do trabalho, com destaque para a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) no campo. A ferramenta é usada para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais, com o objetivo de reduzir acidentes e organizar medidas preventivas antes do início das atividades mais intensas da colheita.

De acordo com o Cecafé, a devida diligência em direitos humanos foi tratada como elemento de gestão e de acesso a mercados, especialmente em cadeias exportadoras submetidas a exigências de rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade.

As entidades não divulgaram o número total de encontros realizados nem a quantidade de participantes desta edição.

O encerramento da série ocorre às vésperas da colheita e reforça a preparação técnica do setor para a safra 2026. A tendência, segundo os organizadores, é de continuidade das ações de orientação para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer a adequação das propriedades às exigências legais e comerciais.

Fonte: cecafe.com.br

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Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina

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Foto: FPA

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que são necessários ao menos R$ 180 bilhões para renegociação das dívidas rurais.

“O governo ofereceu cerca de R$ 80 bilhões, do dinheiro que sobrou do Plano Safra que não conseguiram aplicar. Mas precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para começar a resolver o problema, já que as dívidas estressadas passam de R$ 800 bilhões”, disse a parlamentares da bancada durante reunião-almoço semanal.

O Ministério da Fazenda negocia com o Senado novas medidas para repactuação das dívidas rurais, dado o crescente endividamento do setor.

A ex-ministra afirmou que o “dilema” atual é buscar as fontes de recursos para as linhas de crédito para renegociação. “Apresentamos no projeto de lei 5122/2023 R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que seriam insuficientes, mas o governo sinaliza não concordar com o uso dos recursos”, esclareceu a senadora.

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Tereza Cristina afirmou ainda que a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda necessita de ajustes. “Precisamos de uma coisa mais estruturante. Estamos conversando sobre outras receitas novas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], e o ministro da Agricultura, André de Paula, entenderam que o problema não é pontual”, defendeu a senadora.

A ex-ministra também lembrou que o enfrentamento das dívidas rurais depende de medidas do governo federal. “Não adianta ficar batendo no governo”, alertou aos seus colegas parlamentares. “Precisamos que o governo tenha vontade e abra caminho para usar fundos constitucionais”, apontou, citando a possibilidade de utilizar R$ 18 bilhões do Fundo Constitucional para o Nordeste.

“R$ 2 bilhões que tínhamos pensado já foram usados ontem”, pontuou. “O governo terá receita extraordinária de R$ 128 bilhões adicionais por aumento do petróleo. Há receitas, é preciso ver o caminho que o governo vai apontar”, pontuou .

Caso governo e Senado não avancem no tema, o PL 5122 pode ser votado na próxima semana na CAE.

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