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5 de agosto de 2026

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Fórum discute renegociação e futuro do crédito rural em MT

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O endividamento rural se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, um peso que vai muito além da porteira das fazendas. Juros elevados, custos de produção crescentes e frustrações de safra colocaram os produtores contra a parede. Para buscar soluções, um fórum em Cuiabá reuniu mais de 400 pessoas, entre agricultores, autoridades e representantes do setor financeiro, para debater o tema e buscar caminhos para a crise.

Em meio a esse cenário de forte pressão financeira, os produtores cobram ações concretas. O evento trouxe a urgência da renegociação de dívidas e a busca por crédito acessível para o centro da discussão. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explicou que Mato Grosso, o segundo estado com maior endividamento agrícola, espera “linhas de crédito com juros menores e a possibilidade de alongamento”, pois os juros praticados, especialmente pelo Plano Safra, “têm impactado muito no custo e na produção do estado”.

Beber destacou o avanço do setor no estado, com quase 3,4 milhões de hectares a mais de área plantada do que em 2019, o que exigiu altos investimentos. “O produtor acabou fazendo mais investimentos, fornecedores e a indústria também apostaram nesse período de prosperidade, porém fomos surpreendidos por um revés de mercado e agora estamos em uma situação delicada”, completou ele. O presidente da Aprosoja MT reforçou que o fórum teve como intuito “discutir medidas que minimizem os danos e busquem soluções que beneficiem a todos“.

Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

Endividamento rural pede por soluções urgentes

A crise atual exige que as instituições financeiras apoiem o produtor. Conforme Ilson José Redivo, vice-presidente do Sistema Famato, “as instituições financeiras têm cada vez mais cerceado e dificultado mais o acesso ao crédito”, e a agricultura não pode ser penalizada. Ele defendeu que é preciso “buscar soluções para fazer com que o endividamento rural seja administrado de uma forma que atenda às necessidades do produtor”.

O Fórum de Crédito e Endividamento Rural em Cuiabá reuniu economistas, juristas, instituições financeiras e representantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso com o objetivo de abrir caminhos para as renegociações, reduzir inseguranças e garantir a viabilidade da produção. O economista Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector Consultores, apontou que o governo federal precisa agir.

Para ele, é fundamental que o governo lance mão de “ferramentas que reduzam as dificuldades do produtor de soja, entre elas o aumento de subsídios”, para que um setor vital para as contas externas, como o exportador de soja, mantenha a economia estável. Silveira reforçou que para aumentar a produção em 2026 e 2027, “é fundamental haver ferramentas que tirem esse peso das costas do produtor: os juros elevados e a necessidade de financiamento público, além do subsídio direto”.

Os números do endividamento no país são preocupantes. A inadimplência dos produtores chega a quase R$ 39 bilhões, cerca de 5% do valor total emprestado. Quando se considera o montante já renegociado, a soma ultrapassa R$ 110 bilhões, o equivalente a 14% do total financiado. Em Mato Grosso, a situação é ainda mais crítica, com atrasos de 5,1% que, somados às renegociações, alcançam 14,4%.

Fórum de Crédito e Endividamento Rural foto Bruno Lopes Aprosoja MT1
Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

Gestão e amparo jurídico como saídas

Especialistas reforçam que, além da produtividade no campo, o futuro do agronegócio depende de uma gestão eficiente. Ângelo Ozelame, CEO da Lucro Rural, destacou que o produtor que vai liderar a propriedade até 2030 não é apenas o que foca em produtividade, mas o que “organiza o escritório, numa visão financeira, fiscal e tributária“. Ozelame ressaltou que “estamos em momentos difíceis, com Selic elevada, oscilação nos preços e reforma tributária em 2026”.

Por isso, “o grande diferencial está dentro do escritório: produtores que enxergam bem o fluxo de caixa, o nível de endividamento e fazem bom planejamento de safra, sabendo se o lucro operacional será suficiente para pagar dívidas ou avançar”. Para ele, “o produtor organizado no escritório será o de sucesso em 2030”.

O direito também pode ser uma ferramenta de apoio. Lutero Paiva, especialista em Direito Agrofinanceiro, alertou que “grande parte do endividamento agrícola tem a ver com ilegalidades nos contratos que os produtores assinam com agentes econômicos e financeiros”. Ele explicou que “o produtor, por natureza, confia, mas se assinar um mau contrato, mesmo fazendo um bom negócio, complica a vida dele”. Paiva lembrou que “grande parte da garantia fiduciária de imóvel no financiamento rural é ilegal”, e o produtor pode propor ações para “tirar de dentro do contrato”.

Fórum de Crédito e Endividamento Rural foto Bruno Lopes Aprosoja MT2
Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

O papel dos bancos e a esperança de um futuro próspero

O produtor rural Regis Porazzi exemplificou o motivo do endividamento: “A safra 2023/24, foi uma grande frustração de safra, principalmente nas áreas que plantam em solos arenosos e duas ou três safras de milho frustradas foi o que alavancou essa grande conta, essa grande dívida que o agro brasileiro tem”.

Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, mencionou a dificuldade de acesso a créditos subsidiados: “O produtor não consegue esses créditos subsidiados, equalizados pelo governo federal. Eles têm que ir para os juros dos bancos privados, passando de 20% do juro do ano. Então sabemos que isso não consegue viabilizar o negócio do produtor”. Ele vê o fórum como uma oportunidade para mostrar ao produtor que “a lei pode proteger ele para conseguir fazer negociações e alongar suas dívidas para continuar trabalhando no seu dia a dia no agro”.

Wanda Aparecida da Silva Ribeiro, superintendente do Banco do Brasil em Mato Grosso, reconheceu que o setor precisa de apoio. Ela destacou que, embora haja um “cenário pessimista diante de uma supersafra”, é preciso ser realista, pois há produtores “cujo fluxo de caixa não tem apoiado para que saiam dessa situação”. A superintendente afirmou que o banco vai oferecer alternativas, mas se preocupa com aqueles que não têm consultoria adequada.

“A inadimplência aponta isso, e uma instituição com carteira de mais de R$ 400 bilhões precisa estar atenta para não ter problemas. Precisamos apoiar o produtor rural, porque se eu sou o principal banqueiro, preciso estar com ele, inclusive para que não comprometa suas garantias no momento que mais precisa”.

De acordo com o produtor rural Regis Porazzi, é preciso valorizar o campo. “O produtor rural traz a paz no planeta, ele traz alimento, ele traz desenvolvimento e se a gente não tiver a sociedade ao lado desse homem gigante a civilização padece”.


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‘Cardápio Forrageiro’ orienta escolha de plantas resistentes para a pecuária no Semiárido baiano

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Foto: Daniel Fagundes/Trilux

Produzir carne e leite no Semiárido brasileiro é um dos maiores desafios da pecuária nacional. Em grande parte da Bahia, do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, produtores rurais convivem com períodos que podem chegar a nove meses sem chuva. A estiagem prolongada reduz a oferta de pastagens, eleva os custos com a alimentação de bovinos, ovinos e caprinos e compromete a produtividade das propriedades. Nesse cenário, as forrageiras, plantas destinadas à alimentação dos rebanhos, tornam-se estratégicas para garantir alimento durante todo o ano.

Para enfrentar esse desafio, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar lançaram, em 2017, o Projeto Forrageiras para o Semiárido. A iniciativa nasceu a partir de uma demanda do presidente da CNA, João Martins, diante da necessidade de recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a abertura de novas áreas. Somente na Bahia, cerca de 14 milhões de hectares apresentam algum grau de degradação.

Após quase dez anos de pesquisas, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar apresentaram os avanços do Projeto Forrageiras para o Semiárido durante o encerramento da segunda etapa do Rally de Forrageiras, em Baixa Grande (BA).

O município, que abriga uma das principais Unidades de Referência Tecnológica (URTs), recebeu cerca de mil participantes. Nessas áreas, as espécies forrageiras são testadas em condições reais de produção antes de serem recomendadas ao campo. A próxima etapa do Rally percorrerá dez estados do Semiárido para disseminar as tecnologias desenvolvidas ao longo da última década.

Atualmente, o projeto conta com 12 URTs distribuídas pelo Semiárido brasileiro. Nelas, pesquisadores avaliaram diferentes combinações de capins, gramíneas anuais, palma forrageira e outras espécies para identificar as alternativas mais adaptadas às condições de clima, solo e regime de chuvas de cada região.

Também durante o evento, o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, destacou o potencial do Semiárido para a expansão da pecuária.

Segundo ele, a difusão de conhecimento, aliada à assistência técnica e à inovação, é essencial para aumentar a produção, gerar renda e empregos e estimular a sucessão familiar no campo. “A região semiárida é o futuro da pecuária brasileira, mas precisamos cada vez mais implantar conhecimento e inovação”, afirmou.

Segundo dados apresentados durante o encontro, mais de 10 mil produtores foram atendidos diretamente pela iniciativa nos últimos dois anos. Já a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema CNA/Senar acumulava cerca de 500 mil produtores assistidos em todo o país.

Cardápio forrageiro

O principal resultado da pesquisa foi a criação de um cardápio forrageiro, ferramenta que orienta os produtores sobre as espécies mais indicadas para cada realidade. Entre as recomendações estão diferentes variedades de palma forrageira, sorgo, milheto e capins adaptados, além do uso da silagem como estratégia para garantir alimento ao rebanho durante os períodos de seca.

Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a principal conclusão das pesquisas é que não existe uma única forrageira capaz de atender todo o Semiárido. “Cada região precisa de uma combinação diferente de espécies, de acordo com o clima, o solo e a disponibilidade de água”, explica.

Ela destaca que as URTs permitiram validar as tecnologias em condições reais antes de levá-las aos produtores por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). “O manejo correto é tão importante quanto a escolha da forrageira. O objetivo é reduzir custos e garantir alimento para o rebanho durante todo o ano”, afirma.

Além da escolha das espécies, o projeto incentiva práticas como produção de silagem, rotação de pastagens, recuperação de áreas degradadas, análise de solo e planejamento alimentar dos rebanhos.

Durante a estiagem, quando os pastos perdem qualidade nutricional, os pesquisadores apontam três pilares para a alimentação animal no Semiárido: capim, palma forrageira e silagem.

A palma, considerada uma das principais alternativas para enfrentar a seca, exige investimento entre R$ 11 mil e R$ 13 mil por hectare. Em contrapartida, pode produzir cerca de 180 toneladas de matéria verde por hectare já no primeiro ano, garantindo elevada oferta de alimento aos animais.

Durante os dias de campo do Rally de Forrageiras, os participantes também têm acesso à Carreta Agro pelo Brasil, iniciativa do Sistema CNA/Senar que apresenta experiências imersivas sobre a evolução da agropecuária brasileira. A estrutura reúne vídeos em formato imersivo, óculos de realidade virtual e um estúdio de podcast para entrevistas realizadas durante os eventos.

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Cecafé destaca rastreabilidade para atender exigências do mercado externo

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), que a cafeicultura brasileira vem ampliando mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às exigências dos mercados internacionais. O tema foi apresentado no I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado na Cinemateca Brasileira.

Segundo o Cecafé, a agenda de empresas e direitos humanos ganhou peso estratégico diante da pressão regulatória e da reconfiguração das cadeias produtivas globais. No evento, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o setor tem reforçado instrumentos de controle para responder a exigências como as do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. A ferramenta reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos. De acordo com a entidade, o sistema permite rastrear o café até o polígono de produção da propriedade e gerar documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques.

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O diretor-geral também afirmou que o trabalho preventivo da entidade inclui capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura. Segundo o Cecafé, o PTS capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026.

Na apresentação, Matos informou ainda que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade com padrões de proteção dos direitos humanos. Para os compradores internacionais, a orientação apresentada foi priorizar informações já disponíveis em bases oficiais brasileiras e evitar exigências duplicadas aos exportadores.

O Cecafé defendeu que o cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e consolidar evidências para processos de devida diligência na exportação.

Fonte: cecafe.com.br

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Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

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Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

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