Business
Fórum discute renegociação e futuro do crédito rural em MT

O endividamento rural se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, um peso que vai muito além da porteira das fazendas. Juros elevados, custos de produção crescentes e frustrações de safra colocaram os produtores contra a parede. Para buscar soluções, um fórum em Cuiabá reuniu mais de 400 pessoas, entre agricultores, autoridades e representantes do setor financeiro, para debater o tema e buscar caminhos para a crise.
Em meio a esse cenário de forte pressão financeira, os produtores cobram ações concretas. O evento trouxe a urgência da renegociação de dívidas e a busca por crédito acessível para o centro da discussão. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, explicou que Mato Grosso, o segundo estado com maior endividamento agrícola, espera “linhas de crédito com juros menores e a possibilidade de alongamento”, pois os juros praticados, especialmente pelo Plano Safra, “têm impactado muito no custo e na produção do estado”.
Beber destacou o avanço do setor no estado, com quase 3,4 milhões de hectares a mais de área plantada do que em 2019, o que exigiu altos investimentos. “O produtor acabou fazendo mais investimentos, fornecedores e a indústria também apostaram nesse período de prosperidade, porém fomos surpreendidos por um revés de mercado e agora estamos em uma situação delicada”, completou ele. O presidente da Aprosoja MT reforçou que o fórum teve como intuito “discutir medidas que minimizem os danos e busquem soluções que beneficiem a todos“.
Endividamento rural pede por soluções urgentes
A crise atual exige que as instituições financeiras apoiem o produtor. Conforme Ilson José Redivo, vice-presidente do Sistema Famato, “as instituições financeiras têm cada vez mais cerceado e dificultado mais o acesso ao crédito”, e a agricultura não pode ser penalizada. Ele defendeu que é preciso “buscar soluções para fazer com que o endividamento rural seja administrado de uma forma que atenda às necessidades do produtor”.
O Fórum de Crédito e Endividamento Rural em Cuiabá reuniu economistas, juristas, instituições financeiras e representantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso com o objetivo de abrir caminhos para as renegociações, reduzir inseguranças e garantir a viabilidade da produção. O economista Fábio Silveira, sócio-diretor da Macro Sector Consultores, apontou que o governo federal precisa agir.
Para ele, é fundamental que o governo lance mão de “ferramentas que reduzam as dificuldades do produtor de soja, entre elas o aumento de subsídios”, para que um setor vital para as contas externas, como o exportador de soja, mantenha a economia estável. Silveira reforçou que para aumentar a produção em 2026 e 2027, “é fundamental haver ferramentas que tirem esse peso das costas do produtor: os juros elevados e a necessidade de financiamento público, além do subsídio direto”.
Os números do endividamento no país são preocupantes. A inadimplência dos produtores chega a quase R$ 39 bilhões, cerca de 5% do valor total emprestado. Quando se considera o montante já renegociado, a soma ultrapassa R$ 110 bilhões, o equivalente a 14% do total financiado. Em Mato Grosso, a situação é ainda mais crítica, com atrasos de 5,1% que, somados às renegociações, alcançam 14,4%.
Gestão e amparo jurídico como saídas
Especialistas reforçam que, além da produtividade no campo, o futuro do agronegócio depende de uma gestão eficiente. Ângelo Ozelame, CEO da Lucro Rural, destacou que o produtor que vai liderar a propriedade até 2030 não é apenas o que foca em produtividade, mas o que “organiza o escritório, numa visão financeira, fiscal e tributária“. Ozelame ressaltou que “estamos em momentos difíceis, com Selic elevada, oscilação nos preços e reforma tributária em 2026”.
Por isso, “o grande diferencial está dentro do escritório: produtores que enxergam bem o fluxo de caixa, o nível de endividamento e fazem bom planejamento de safra, sabendo se o lucro operacional será suficiente para pagar dívidas ou avançar”. Para ele, “o produtor organizado no escritório será o de sucesso em 2030”.
O direito também pode ser uma ferramenta de apoio. Lutero Paiva, especialista em Direito Agrofinanceiro, alertou que “grande parte do endividamento agrícola tem a ver com ilegalidades nos contratos que os produtores assinam com agentes econômicos e financeiros”. Ele explicou que “o produtor, por natureza, confia, mas se assinar um mau contrato, mesmo fazendo um bom negócio, complica a vida dele”. Paiva lembrou que “grande parte da garantia fiduciária de imóvel no financiamento rural é ilegal”, e o produtor pode propor ações para “tirar de dentro do contrato”.

O papel dos bancos e a esperança de um futuro próspero
O produtor rural Regis Porazzi exemplificou o motivo do endividamento: “A safra 2023/24, foi uma grande frustração de safra, principalmente nas áreas que plantam em solos arenosos e duas ou três safras de milho frustradas foi o que alavancou essa grande conta, essa grande dívida que o agro brasileiro tem”.
Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, mencionou a dificuldade de acesso a créditos subsidiados: “O produtor não consegue esses créditos subsidiados, equalizados pelo governo federal. Eles têm que ir para os juros dos bancos privados, passando de 20% do juro do ano. Então sabemos que isso não consegue viabilizar o negócio do produtor”. Ele vê o fórum como uma oportunidade para mostrar ao produtor que “a lei pode proteger ele para conseguir fazer negociações e alongar suas dívidas para continuar trabalhando no seu dia a dia no agro”.
Wanda Aparecida da Silva Ribeiro, superintendente do Banco do Brasil em Mato Grosso, reconheceu que o setor precisa de apoio. Ela destacou que, embora haja um “cenário pessimista diante de uma supersafra”, é preciso ser realista, pois há produtores “cujo fluxo de caixa não tem apoiado para que saiam dessa situação”. A superintendente afirmou que o banco vai oferecer alternativas, mas se preocupa com aqueles que não têm consultoria adequada.
“A inadimplência aponta isso, e uma instituição com carteira de mais de R$ 400 bilhões precisa estar atenta para não ter problemas. Precisamos apoiar o produtor rural, porque se eu sou o principal banqueiro, preciso estar com ele, inclusive para que não comprometa suas garantias no momento que mais precisa”.
De acordo com o produtor rural Regis Porazzi, é preciso valorizar o campo. “O produtor rural traz a paz no planeta, ele traz alimento, ele traz desenvolvimento e se a gente não tiver a sociedade ao lado desse homem gigante a civilização padece”.
Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.
Business
Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bi em 2025, alta de 15,8%

As cooperativas de Santa Catarina faturaram R$ 105,7 bilhões em 2025, avanço de 15,8% em relação ao ano anterior, de acordo com o Sistema Ocesc. Os dados foram divulgados em entrevista coletiva e teve como base levantamento realizado junto a 236 cooperativas do Estado. Em nota, representantes do Sistema Ocesc destacaram que o ritmo de crescimento foi três vezes superior ao da alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período.
O desempenho também se refletiu nas sobras (equivalentes ao lucro no modelo cooperativista), que cresceram 30,8% e somaram R$ 7,3 bilhões. Os recursos serão destinados a investimentos, fundos estatutários e distribuição entre os associados.
Em 2025, mais de 370 mil pessoas ingressaram em cooperativas, elevando o total para 5,08 milhões de associados, o equivalente a 61% da população catarinense. “Somos o Estado mais cooperativista do Brasil”, afirmou o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, durante a apresentação dos dados em Florianópolis, segundo a nota.
Crédito supera 4 milhões de associados
O ramo de crédito lidera em número de cooperados, com mais de 4 milhões de associados, seguido pelas cooperativas de infraestrutura (469 mil), consumo (467 mil) e agropecuária (84,9 mil). Ao todo, o sistema emprega diretamente 109,7 mil pessoas, após a criação de 7.301 vagas em 2025, um crescimento de 15,8% no quadro funcional.
A carga tributária também aumentou. As cooperativas recolheram R$ 4,4 bilhões em impostos sobre a receita bruta no ano passado, alta de 12,9% na comparação anual.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Agro lidera receitas e empregos
O ramo agropecuário manteve a liderança dentro do cooperativismo catarinense, respondendo por 60% das receitas totais e 62% dos empregos diretos. As 45 cooperativas do segmento somaram R$ 63 bilhões em faturamento, crescimento de 10%, e geraram mais de 4 mil novas vagas, totalizando 68 mil postos de trabalho.
No comércio exterior, as cooperativas agropecuárias exportaram US$ 2,18 bilhões, o equivalente a 17,9% das exportações do estado e 38,9% dos embarques de aves e suínos. Entre os principais produtos estão cereais, proteínas animais, fertilizantes, lácteos e frutas. Os investimentos também seguem robustos. Em 2025, o setor aplicou R$ 1,34 bilhão em ampliação e modernização industrial. Para 2026, estão previstos aportes de R$ 1,53 bilhão.
O segmento de crédito registrou receitas de R$ 28,7 bilhões, alta de 36% em relação a 2024, mantendo-se como o segundo maior em faturamento. Já o ramo de saúde alcançou R$ 7,7 bilhões em receitas (+10%) e criou 800 empregos, totalizando 13,7 mil trabalhadores. As cooperativas de infraestrutura, focadas principalmente na distribuição de energia elétrica, somaram R$ 2,2 bilhões em receitas (+9%) e atendem cerca de 469 mil associados. Outros segmentos reuniram 475 mil cooperados e faturaram R$ 3,8 bilhões.
No acumulado de seis anos, as receitas do sistema cooperativista catarinense mais que dobraram, com alta de 126%, passando de R$ 46,8 bilhões em 2020 para R$ 105,7 bilhões em 2025. O desempenho reforça o papel do setor como um dos principais motores da economia estadual, especialmente nas cadeias do agronegócio, que respondem por cerca de 30% do PIB de Santa Catarina e 70% das exportações.
O post Cooperativas de SC faturam R$ 105,7 bi em 2025, alta de 15,8% apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluíram, nesta segunda-feira (5), em Araguari (MG), a série de encontros presenciais do programa “Fortalecendo o Trabalho Digno”.
A ação, voltada ao período pré-colheita da safra 2026 de café, teve foco na transferência de conhecimento sobre boas práticas trabalhistas nas propriedades rurais.
A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), a Coocacer Araguari, a Starbucks e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo as entidades, o objetivo foi ampliar a orientação técnica aos agentes da cadeia cafeeira com base no diálogo social e na conformidade legal.
- Acompanhe os preços das principais commodities do agro, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Durante o encontro, o chefe do Setor de Fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Uberlândia, Marco Antônio Ferreira Costa, apresentou os instrumentos legais disponíveis para contratação de mão de obra no meio rural, considerando as características de cada atividade desenvolvida nas fazendas.
A programação também incluiu explicações sobre prevenção ao trabalho análogo ao de escravo e ao trabalho infantil.
Outro eixo técnico foi a saúde e segurança do trabalho, com destaque para a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) no campo. A ferramenta é usada para identificar, avaliar e controlar riscos ocupacionais, com o objetivo de reduzir acidentes e organizar medidas preventivas antes do início das atividades mais intensas da colheita.
De acordo com o Cecafé, a devida diligência em direitos humanos foi tratada como elemento de gestão e de acesso a mercados, especialmente em cadeias exportadoras submetidas a exigências de rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade.
As entidades não divulgaram o número total de encontros realizados nem a quantidade de participantes desta edição.
O encerramento da série ocorre às vésperas da colheita e reforça a preparação técnica do setor para a safra 2026. A tendência, segundo os organizadores, é de continuidade das ações de orientação para reduzir riscos trabalhistas e fortalecer a adequação das propriedades às exigências legais e comerciais.
Fonte: cecafe.com.br
O post Cecafé e MTE encerram ciclo de encontros sobre boas práticas trabalhistas antes da colheita apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que são necessários ao menos R$ 180 bilhões para renegociação das dívidas rurais.
“O governo ofereceu cerca de R$ 80 bilhões, do dinheiro que sobrou do Plano Safra que não conseguiram aplicar. Mas precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para começar a resolver o problema, já que as dívidas estressadas passam de R$ 800 bilhões”, disse a parlamentares da bancada durante reunião-almoço semanal.
O Ministério da Fazenda negocia com o Senado novas medidas para repactuação das dívidas rurais, dado o crescente endividamento do setor.
A ex-ministra afirmou que o “dilema” atual é buscar as fontes de recursos para as linhas de crédito para renegociação. “Apresentamos no projeto de lei 5122/2023 R$ 30 bilhões de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que seriam insuficientes, mas o governo sinaliza não concordar com o uso dos recursos”, esclareceu a senadora.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Tereza Cristina afirmou ainda que a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda necessita de ajustes. “Precisamos de uma coisa mais estruturante. Estamos conversando sobre outras receitas novas. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos], e o ministro da Agricultura, André de Paula, entenderam que o problema não é pontual”, defendeu a senadora.
A ex-ministra também lembrou que o enfrentamento das dívidas rurais depende de medidas do governo federal. “Não adianta ficar batendo no governo”, alertou aos seus colegas parlamentares. “Precisamos que o governo tenha vontade e abra caminho para usar fundos constitucionais”, apontou, citando a possibilidade de utilizar R$ 18 bilhões do Fundo Constitucional para o Nordeste.
“R$ 2 bilhões que tínhamos pensado já foram usados ontem”, pontuou. “O governo terá receita extraordinária de R$ 128 bilhões adicionais por aumento do petróleo. Há receitas, é preciso ver o caminho que o governo vai apontar”, pontuou .
Caso governo e Senado não avancem no tema, o PL 5122 pode ser votado na próxima semana na CAE.
O post Precisamos de no mínimo R$ 180 bilhões para renegociar dívidas rurais, diz Tereza Cristina apareceu primeiro em Canal Rural.
Agro Mato Grosso3 horas agoEmpresária é encontrada enterrada no quintal de residência em MT
Featured4 horas agoPrazo para regularizar título de eleitor termina nesta quarta-feira (06)
Featured3 horas agoShow das Águas retoma apresentações de terça a domingo no Parque das Águas
Agro Mato Grosso10 horas agoTratores Valtra com tecnologia reforçam modernização do agro brasileiro
Featured22 horas agoVG em Ação: Força-tarefa percorre avenidas e bairros prioritários hoje
Business16 horas agoNovo método com uso de luz promete revolucionar análise de solos e reduzir custos no agro
Featured23 horas ago“MT pode ser referência mundial”, afirma presidente da Câmara de Comércio Italiana
Agro Mato Grosso10 horas agoLucas do Rio Verde estabelece modelo de produção agrícola com milho como pilar


















