Connect with us
11 de maio de 2026

Business

Apenas 69% das lavouras de café no Brasil têm acesso à internet

Published

on

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, responsável por aproximadamente um terço da produção global, e deve colher em 2025 uma safra estimada em 55,7 milhões de sacas de 60 kg, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior.

Diante desse cenário, a conectividade surge como um elemento estratégico para garantir que a cafeicultura nacional siga competitiva, sustentável e preparada para atender às crescentes exigências dos mercados consumidores.

A ConectarAGRO, associação que visa fomentar a expansão do acesso à internet, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), realizou um levantamento inédito sobre a presença da internet 4G e 5G nas lavouras brasileiras, cruzando dados de produção com cobertura digital.

O estudo mostra que, dos 1,27 milhão de hectares cultivados com café no Brasil, 69% possuem acesso a redes móveis, um avanço expressivo, mas que também revela desigualdades marcantes entre estados e municípios.

Disparidade regional

Os dados apontam que Paraná (81,8%), Espírito Santo (79,5%) e São Paulo (76,3%) lideram em conectividade, estando mais bem posicionados para adotar tecnologias como agricultura de precisão, monitoramento remoto e ferramentas de rastreabilidade.

Advertisement

O Espírito Santo, por exemplo, alia sua elevada cobertura digital à força da produção de conilon no norte do estado e de arábica nas montanhas, alcançando também a maior produtividade média entre os principais estados produtores (32,03 sc/ha).

Já São Paulo, berço histórico do café no país, mantém relevância por meio de regiões como a Mogiana e Alta Mogiana, onde a tecnologia e a conectividade têm impulsionado a qualidade dos grãos. O Paraná, apesar de ter perdido espaço em volume desde as geadas dos anos 1970, hoje se reinventa com cafés especiais, apoiados por um índice de conectividade exemplar.

Minas Gerais, maior produtor do país, ocupa posição intermediária: são 886 mil hectares de café, dos quais 67,8% estão conectados.

“O dado, que à primeira vista parece robusto, esconde os desafios do estado, cuja produção é marcada por topografia montanhosa, grande dispersão territorial e predominância de pequenas propriedades, o que dificulta a universalização da cobertura digital mesmo em regiões de forte tradição cafeeira, como Sul de Minas e Matas de Minas”, explica a presidente da ConectarAGRO, Paola Campiello.

Em contrapartida, Bahia (40,7%) e Goiás (10,5%) registram os piores índices de conexão, cenário que dificulta a inserção plena de suas lavouras na chamada agricultura 4.0.

Advertisement

A Bahia, embora apresente produtividade relativamente elevada (25,43 sc/ha), sofre com a distância entre áreas produtivas e centros urbanos, além da limitação digital em regiões como o Oeste Baiano e a Chapada Diamantina.

Goiás, com apenas 10,5% das lavouras conectadas, mostra a maior lacuna tecnológica, evidenciando a urgência de investimentos em infraestrutura.

Análise municipal

Entre os dez municípios com maiores áreas de café plantada, todos localizados em Minas Gerais, há cenários distintos:

  • Patrocínio possui a maior área cultivada (44,5 mil ha) e registra 57,9% de conectividade;
  • Monte Carmelo alcança 81,9% de cobertura e produtividade média de 42 sc/ha;
  • Serra do Salitre, com 16,7 mil ha, conecta apenas 23% de suas lavouras.

O resultado ilustra como a ausência de infraestrutura digital pode limitar o potencial produtivo mesmo em regiões de alta aptidão agrícola.

Presença digital

O estudo mostra que a conectividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser condição essencial para o desenvolvimento da cafeicultura.

A presença de internet no campo viabiliza desde o uso de sensores de monitoramento climático e sistemas de irrigação inteligentes até plataformas de rastreabilidade e certificações de origem, cada vez mais exigidas por mercados internacionais, como o europeu.

Advertisement

Os estados e municípios mais conectados já colhem ganhos em eficiência, sustentabilidade e qualidade, enquanto regiões ainda desconectadas enfrentam riscos de estagnação tecnológica e perda de competitividade.

“A conectividade representa inclusão social, segurança alimentar e soberania tecnológica. Garantir acesso digital nas lavouras é assegurar que o café brasileiro continue sendo referência mundial em qualidade, inovação e sustentabilidade, em um mercado cada vez mais exigente”, conclui Campiello.

Continue Reading
Advertisement

Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

Published

on

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

Advertisement

Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

Advertisement

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

Advertisement
Continue Reading

Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

Published

on


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

Advertisement

Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


Clique aqui, entre em nosso canal no WhatsApp do Canal Rural Mato Grosso e receba notícias em tempo real.

O post Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.

Advertisement
Continue Reading

Business

Pesquisadores defendem bioinsumos e controle biológico diante de riscos climáticos no campo

Published

on


O avanço das mudanças climáticas tem ampliado a pressão sobre os sistemas produtivos, com aumento de temperatura, secas mais prolongadas e eventos extremos. Durante o BioSummit 2026, realizado entre terça-feira (6) e quarta-feira (7), em Campinas (SP), pesquisadores defenderam o uso de bioinsumos e do controle biológico como ferramentas para elevar a resiliência da agricultura e reduzir a dependência de insumos químicos.

Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio Ambiente (Embrapa Meio Ambiente), Wagner Bettiol afirmou que a preservação da biodiversidade microbiana é parte central desse processo. Segundo ele, microrganismos benéficos contribuem para o equilíbrio dos sistemas agrícolas, melhoram o aproveitamento de água pelas plantas e reduzem impactos ambientais.

Bettiol também destacou que o aquecimento global pode intensificar doenças causadas por vírus e molicutes transmitidos por vetores. De acordo com o pesquisador, temperaturas mais altas tendem a encurtar o ciclo de vida desses organismos, elevar sua atividade e aumentar a disseminação de patógenos, como já observado em casos de enfezamento do milho.

No aspecto ambiental, o pesquisador apresentou uma comparação entre insumos. Segundo ele, a produção de 1 quilo de defensivo químico pode emitir de 20 a 25 quilos de CO2 equivalente, enquanto 1 quilo de bioinsumo gera de 3 a 5 quilos de CO2 equivalente. Bettiol acrescentou que o Brasil tem 277 produtos biológicos registrados com uso de apenas duas cepas de microrganismos, o que, segundo ele, indica espaço para ampliar o uso da biodiversidade microbiana nacional.

Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Carlos Alexandre Cruciol afirmou que agentes de biocontrole atuam além do combate a doenças. Segundo ele, bactérias como Bacillus ajudam plantas a enfrentar estresses abióticos, enquanto fungos do gênero Trichoderma apresentam melhor resposta em condições de déficit hírico.

Advertisement

No evento, a jornalista especializada em agro Renata Maron informou que a área potencial tratada com bioinsumos no Brasil alcançou cerca de 194 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a taxa de adoção passou de 22% para 47% em cinco anos.

Fonte: embrapa.br

O post Pesquisadores defendem bioinsumos e controle biológico diante de riscos climáticos no campo apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT