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17 de junho de 2026

Business

Preços da soja não sentem impacto de relatório baixista do USDA; veja cotações

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O mercado brasileiro de soja registrou baixa liquidez nesta sexta-feira (12), avaliou o analista da Safras & Mercado Thiago Oleto.

“Os ganhos em Chicago não se converteram em comercialização, já que a queda dos prêmios e do dólar pressionou a paridade e desestimulou a formação de preços, mantendo muitos participantes fora do mercado”, disse.

Preços da soja no mercado físico

  • Passo Fundo (RS): permaneceu em R$ 135
  • Santa Rosa (RS): ficou em R$ 136
  • Porto de Rio Grande (RS): subiu de R$ 141 para R$ 142
  • Cascavel (PR): se manteve em R$ 136
  • Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 140,50 para R$ 141
  • Rondonópolis (MT): continuou em R$ 129
  • Dourados (MS): seguiu em R$ 128
  • Rio Verde (GO): ficou em R$ 126

Bolsa de Chicago

Os contratos futuros da soja subiram na sessão desta sexta-feira na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Os agentes ignoraram os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

O esperado relatório foi considerado baixista, mas não o suficiente para surpreender os investidores.

O órgão norte-americano indicou que a safra dos EUA de soja deverá ficar em 4,301 bilhões de bushels em 2025/26, o equivalente a 117,05 milhões de toneladas. No relatório anterior, os números eram de 4,292 bilhões (116,8 milhões). O mercado esperava uma produção de 4,273 bilhões ou 116,3 milhões.

Os estoques finais estão projetados em 300 milhões de bushels ou 8,16 milhões de toneladas, contra 290 milhões do relório anterior – 7,89 milhões. O mercado apostava em carryover de 293 milhões de bushels ou 7,97 milhões de toneladas.

O USDA está trabalhando com esmagamento de 2,555 bilhões de bushels e exportações de 1,685 bilhão. Em agosto, os números eram de 2,540 bilhões e 1,705 bilhão.

Para a temporada 2024/25, o órgão indicou estoques de passagem de 330 milhões de bushels, acima da estimativa do mercado de 327 milhões. As exportações estão projetadas em 1,875 bilhão e o esmagamento em 2,430 bilhões de bushels.

O relatório projetou safra mundial de soja em 2025/26 em 425,87 milhões de toneladas. Para 2024/25, a previsão é de 424,2 milhões de toneladas. Os estoques finais para 2025/26 estão estimados em 124 milhões de toneladas, abaixo da previsão do mercado de 125,4 milhões de toneladas.

Os estoques da temporada 2024/25 estão estimados em 123,58 milhões de toneladas, contra expectativa de 125,6 milhões de toneladas.

Safra brasileira e argentina

O USDA indicou safra brasileira em 2025/26 em 175 milhões de toneladas. Para 2024/25, a estimativa foi mantida em 169 milhões de toneladas.

Já a produção da Argentina em 2025/26 está prevista em 48,5 milhões de toneladas. Para 2024/25, o número foi mantido em 50,9 milhões de toneladas.

As importações da China estão estimadas em 112 milhões de toneladas em 2025/26 e em 106,5 milhões de toneladas em 2024/25, sem alterações.

Contratos futuros

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 12,75 centavos de dólar, ou 1,23%, a US$ 10,46 1/4 por bushel.

A posição janeiro teve cotação de US$ 10,65 1/4 por bushel, com alta de 12,75 centavos ou 1,21%. Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 0,90 ou 0,31%, a US$ 288,60 por tonelada.

No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 52,17 centavos de dólar, com ganho de 0,57 centavo ou 1,10%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,70%, sendo negociado a R$ 5,3536 para venda e a R$ 5,3516 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3442 e a máxima de R$ 5,4067. Na semana, a moeda teve desvalorização de 1,13%.

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Agro mantém confiança no futuro apesar de juros altos e restrição de crédito

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Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Juros elevados, crédito mais restrito e margens apertadas seguem pressionando o agronegócio brasileiro. Ainda assim, a avaliação de lideranças do setor reunidas na Febrasem – Feira Brasileira de Sementes, realizada em Rondonópolis, é de que o momento exige cautela, mas não compromete os fundamentos que sustentam a produção agropecuária em Mato Grosso.

O tema permeou debates e palestras durante o primeiro dia do evento, que reuniu produtores, empresas, pesquisadores e representantes de entidades ligadas à cadeia de sementes. Um dos destaques da programação foi a palestra do especialista em comércio internacional Marcos Jank, que abordou o posicionamento do Brasil no cenário global e as oportunidades para o agro nos próximos anos.

A preocupação com os custos de produção e a disponibilidade de crédito apareceu em diferentes momentos da feira. Ao mesmo tempo, lideranças destacaram a capacidade de adaptação dos produtores e a confiança na próxima safra.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda, o cenário é desafiador, marcado por juros altos, custos elevados e escassez de recursos. “É um ano bastante desafiador. Todos sabem das dificuldades, juros altos, custos altos e escassez de recursos”.

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Foto: Sérgio Simões/ Assessoria de Imprensa Febrasem

Resiliência no campo

Apesar das dificuldades, Croda avalia que a atividade agropecuária já demonstrou, em outros momentos, capacidade para superar períodos de adversidade. “Não é a primeira crise e não será a última, mas o produtor sabe se reinventar, ele tem resiliência”. Segundo ele, essa característica ajudou a impulsionar o desenvolvimento do estado. “Mato Grosso evoluiu desde que cheguei há 30 anos aqui no estado”.

A percepção de que a atual crise é passageira também foi compartilhada pelo presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain. Conforme ele, os desafios enfrentados pelo setor estão ligados principalmente ao mercado. “Nós temos sim uma crise, que é uma crise de mercado. Ela vai passar”.

Na avaliação de Tomain, o comportamento dos produtores demonstra essa confiança. “O produtor de Mato Grosso é visionário e mesmo diante das dificuldades eles não desanimam”.

Ao falar sobre a importância do segmento de sementes para a agricultura mato-grossense, ele destacou o papel da inovação no avanço da produtividade. “São vocês que desenvolvem as sementes e colocaram Mato Grosso onde ele está”.

A força do estado também foi associada à organização construída pelas diferentes cadeias produtivas. Tomain afirmou ainda que essa integração ajuda a explicar o protagonismo mato-grossense no cenário nacional.

“Todas as cadeias produtivas de Mato Grosso estão organizadas e é isso o que diferencia o estado dos demais e o coloca sempre à frente”, disse. Para ele, os resultados alcançados são consequência direta da adoção de tecnologia e do investimento em conhecimento. “Hoje Mato Grosso é o estado mais produtivo do Brasil e do Mundo. Isso é tecnologia, ciência e potencial”.

Presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Paulo Pinto ressaltou que encontros voltados à troca de conhecimento e experiências se tornam ainda mais importantes em momentos de instabilidade. “É nesses períodos de crise que se precisa investir em eventos como estes”.

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Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Brasil de olho em novos mercados

Palestrante do primeiro dia da Febrasem, Marcos Jank levou aos participantes uma análise sobre as transformações do comércio global e os espaços que podem ser ocupados pelo Brasil nas próximas décadas.

De acordo com o especialista, a China continuará exercendo papel central para o agronegócio brasileiro. “China é o grande destino do agro brasileiro. Hoje o Brasil é um grande fornecedor da China e vice-versa. O Brasil explodiu com a guerra comercial entre EUA e China”.

Jank destacou que a posição alcançada pelo país foi construída ao longo de décadas por meio da pesquisa, da inovação e da parceria entre instituições públicas e privadas. “O Brasil hoje não pensa no longo prazo, mas já pensou. Na década de 1970 com a Embrapa, universidades, centros de pesquisa. Hoje é mais o setor privado”.

O especialista também apontou que o Brasil possui diferenciais competitivos capazes de ampliar sua presença internacional, especialmente em áreas ligadas à agricultura tropical e à bioenergia. “Nós temos políticas desde a década de 1970 que estão aqui e que podem ser aproveitadas por todos: agricultura tropical e bioenergia”.

Embora a China siga como principal mercado, Jank acredita que as oportunidades para o agro brasileiro vão além da relação comercial com o país asiático. “A gente tem oportunidades quando se fala em segurança alimentar, não são só China. Nós temos Ásia e África”.

A mensagem deixada ao público da Febrasem foi de que, apesar dos desafios enfrentados no presente, o Brasil continua reunindo condições para ampliar sua participação nos mercados globais. Para as lideranças presentes no evento, a combinação entre tecnologia, pesquisa, organização das cadeias produtivas e capacidade de adaptação dos produtores segue sendo um dos principais ativos do agro brasileiro.


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Preços do arroz voltam a cair no RS com oferta elevada e demanda enfraquecida

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do arroz em casca registraram nova queda no Rio Grande do Sul, interrompendo o movimento de recuperação observado no início de junho. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta o aumento da oferta disponível e as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado como os principais fatores de pressão sobre o mercado.

Segundo os pesquisadores, a ampla disponibilidade do cereal tem mantido os compradores cautelosos, em um momento em que as indústrias enfrentam dificuldades para escoar o produto beneficiado. Esse cenário reduz o interesse por novas aquisições de matéria-prima e contribui para o recuo das cotações.

Demanda externa não sustenta preços

De acordo com o Cepea, a demanda internacional segue ativa e continua oferecendo alternativas de comercialização para parte dos produtores. No entanto, o efeito das exportações sobre os preços internos tem sido limitado diante da oferta elevada disponível no mercado doméstico.

Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) perderam força como fator de sustentação das cotações.

Indústrias mantêm postura cautelosa

Outro fator que pesa sobre o mercado é a dificuldade na venda do arroz beneficiado. Com menor fluidez nos negócios, as indústrias têm reduzido o ritmo das compras de arroz em casca, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Na avaliação do Cepea, a combinação entre oferta abundante, demanda industrial enfraquecida e menor impacto dos mecanismos de sustentação do mercado mantém o cenário desafiador para as cotações do cereal no estado.

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Chuvas interrompem colheita e impulsionam preços do café arábica

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

Depois de iniciar junho em forte queda, os preços do café arábica voltaram a subir na segunda semana do mês, impulsionados pelas chuvas registradas nas principais regiões produtoras do país. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou as cotações do arábica no início do mês. No entanto, a partir do dia 10 de junho, o mercado passou a reagir diante das precipitações que atingiram áreas produtoras, afetando o ritmo dos trabalhos no campo e reduzindo pontualmente a oferta da variedade.

Além de dificultar a colheita, as chuvas nesta fase do ciclo também acendem um alerta para a qualidade dos grãos. De acordo com os pesquisadores, agentes do setor têm relatado problemas relacionados à qualidade e ao tamanho dos grãos colhidos, com desempenho inferior ao observado na temporada passada.

O cenário ocorre mesmo diante de estimativas oficiais que apontam para uma safra recorde de café no Brasil.

Robusta segue mais firme

No mercado do café robusta, os preços seguem mais sustentados em comparação ao arábica. Conforme o Cepea, a firmeza das cotações está relacionada às projeções de uma safra menor que a registrada na temporada anterior.

Com expectativa de oferta mais restrita, a variedade tem encontrado suporte adicional no mercado, mantendo os preços em patamares mais elevados.

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