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Fogo pode deixar solo improdutivo por até dez anos em Mato Grosso

O fogo que atinge uma área agrícola pode deixar o solo com produtividade comprometida por até dez anos, segundo especialistas. Além da perda imediata da lavoura, as chamas destroem matéria orgânica e afetam características físicas, químicas e biológicas da terra, exigindo investimentos para recuperar uma estrutura construída pelo produtor ao longo de anos.
O problema começa com a destruição da matéria orgânica, que tem papel importante na capacidade do solo de absorver água e nutrientes. As altas temperaturas também afetam a qualidade da terra, criando um impacto que nem sempre aparece imediatamente na conta do produtor.
A proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal em Mato Grosso entrou em vigor no dia 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026, podendo ser prorrogado. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
Conforme dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso acumula, desde janeiro, 3.859 registros de focos de calor em 2026. Até o momento, o maior pico observado de ocorrências foi em junho com 1.440. Em julho foram 746 focos e agosto já acumula 115 focos de calor.
Para o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Aluísio Metelo Junior, esse é um dos prejuízos mais difíceis de dimensionar. “A perda de produtividade do solo é um prejuízo invisível”, explica.
O efeito acumulado faz com que uma única ocorrência tenha consequências que se estendem por várias safras. De acordo com Metelo Junior, o solo, até chegar a um nível de correção, são cinco anos.
“É um investimento muito alto e a sua produtividade reduz nesse período. Por isso, ele só vai conseguir produzir novamente o que ele produzia por hectare após mais cinco anos, ou seja, são 10 anos de prejuízo após uma passagem de fogo em sua lavoura”, afirma ao destacar que o tempo de recuperação transforma o incêndio em um problema de longo prazo para a atividade agrícola.

Prevenção começa antes das chamas
O risco aumenta durante a estiagem, mas a preparação das propriedades precisa ocorrer antes da chegada do período mais crítico. A orientação de funcionários e familiares, a atenção às áreas produtivas e de preservação e a estrutura disponível para combater focos de incêndio fazem parte desse trabalho.
Para Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, a prevenção ao fogo precisa ser tratada como uma preocupação permanente. A entidade pontua manter campanhas frequentes sobre o tema justamente para reforçar os cuidados antes que as condições climáticas favoreçam a propagação das chamas.
“A campanha de prevenção contra o fogo é uma campanha clássica da Aprosoja Mato Grosso. Ela existe há bastante tempo e continua sendo necessária porque o fogo é realmente muito prejudicial para as lavouras e para toda a sociedade”, diz.
Na avaliação dele, o produtor também precisa estar preparado para agir quando o incêndio começa em áreas próximas. A mobilização pode envolver equipamentos, trabalhadores e até apoio a propriedades vizinhas, já que a propagação das chamas não respeita limites entre áreas rurais.
“O produtor é, muitas vezes, o bombeiro mais barato do estado”, frisa Bier. De acordo com ele, é comum que produtores ajudem vizinhos no combate porque conhecem os riscos e sabem que um incêndio pode atingir rapidamente áreas produtivas, instalações e equipamentos.

Fogo atinge produção e áreas preservadas
A atuação dos produtores não se limita às áreas cultivadas. Metelo destaca que, dos 62% do território estadual preservado em Mato Grosso, 42% estão dentro de propriedades. “Então o produtor é muito parceiro nesse sentido”, afirma.
O problema, conforme o coronel, é que os incêndios também representam um risco econômico elevado quando alcançam as áreas produtivas. “Por mais que sua maior responsabilidade seja a área legal, mas o maior prejuízo econômico e onde há maior ocorrência de incêndios está dentro desses 38% de áreas produzidas”, explica.
Por isso, a prevenção precisa considerar toda a estrutura da propriedade e não apenas os pontos em que já existe uma ocorrência. Para Bier, essa realidade também ajuda a mudar a percepção de que o produtor estaria associado à origem dos incêndios.
“É preciso combater o paradigma de que o produtor é responsável pelo fogo. Na realidade, ele está entre os principais afetados pelos incêndios e desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate às chamas”, ressalta.
Além do solo e da lavoura, estão em risco máquinas, investimentos e a própria segurança das famílias que vivem no campo. Bier afirma que a preocupação com o fogo, portanto, não se resume ao impacto financeiro.

Informação reduz risco no período crítico
A preparação antecipada também passa pela educação de quem vive e trabalha nas propriedades. Metelo defende que as orientações sejam reforçadas nos meses que antecedem a estiagem, justamente para evitar que práticas inadequadas resultem em focos de incêndio.
“As campanhas educativas são fundamentais e precisam acontecer continuamente”, salienta. Para ele, o trabalho alcança diferentes gerações e permite substituir práticas antigas por procedimentos mais seguros no campo.
O coronel considera importante que trabalhadores e familiares sejam orientados de forma constante. Em propriedades onde há moradores, a recomendação é reforçar os cuidados para evitar o uso inadequado do fogo, especialmente antes do período em que as condições de propagação ficam mais favoráveis.
A informação também precisa acompanhar as mudanças nas regras relacionadas ao uso do fogo. Metelo ressalta que a legislação está em constante atualização e que o produtor precisa conhecer as exigências para evitar situações de risco e possíveis irregularidades.
“Além de reforçar constantemente a conscientização, as campanhas educativas são importantes porque a legislação está em constante atualização”, afirma. Para ele, levar informação ao campo antes do período crítico é parte da estratégia para reduzir ocorrências e os danos que podem permanecer por anos no solo e na produção.
*Com informações Aprosoja Mato Grosso
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Aprosoja MT prorroga inscrições do Prêmio de Jornalismo 2026 até 21 de agosto

Concurso nacional recebe trabalhos até 21 de agosto e mantém premiação em seis categorias, além do Prêmio Master com viagem aos Estados Unidos
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) prorrogou até o dia 21 de agosto o prazo de inscrições para a 4ª edição do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo 2026. A ampliação do período busca oferecer mais tempo para que jornalistas e estudantes de Jornalismo de todo o país possam inscrever seus trabalhos e participar da premiação.
Neste ano, o concurso ganhou abrangência nacional e passou a receber inscrições de profissionais de todas as regiões do Brasil, fortalecendo o propósito de ampliar o debate sobre o tema “O agro sustentável que transforma a cidade a partir do campo”, valorizando produções jornalísticas que evidenciem a conexão entre o campo e os centros urbanos, a sustentabilidade e a importância econômica da cadeia produtiva da soja e do milho.
As inscrições são gratuitas e contemplam seis categorias: Reportagem em Vídeo, Reportagem em Texto, Reportagem em Áudio, Fotojornalismo, Jornalismo Universitário e Destaques Mato-grossenses, esta última exclusiva para profissionais que atuam em Mato Grosso. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 12 de setembro de 2025 e 21 de agosto de 2026, conforme o novo cronograma do concurso.
A edição de 2026 distribuirá premiações de até R$ 20 mil nas categorias profissionais. Na categoria Jornalismo Universitário, os prêmios são de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil para os três primeiros colocados. Já os vencedores da categoria Destaques Mato-grossenses receberão R$ 7 mil em cada uma das cinco regiões do estado.
Além da premiação em dinheiro, o concurso conta com o Prêmio Master, que levará um dos finalistas habilitados para participar da Missão Aprosoja MT Estados Unidos 2027, com todas as despesas custeadas pela entidade. Concorrem ao sorteio os finalistas das categorias nacionais e da categoria Destaques Mato-grossenses que atenderem aos requisitos previstos no regulamento.
O Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo tem como objetivo reconhecer e valorizar a produção jornalística de qualidade sobre o agronegócio brasileiro, incentivando reportagens que contribuam para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a produção sustentável, a inovação no campo e seus impactos para a economia e para a vida nas cidades.
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site oficial do prêmio.
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