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21 de setembro de 2026

Business

Fogo pode deixar solo improdutivo por até dez anos em Mato Grosso

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Foto: Aprosoja MT/Bruno Lopes

O fogo que atinge uma área agrícola pode deixar o solo com produtividade comprometida por até dez anos, segundo especialistas. Além da perda imediata da lavoura, as chamas destroem matéria orgânica e afetam características físicas, químicas e biológicas da terra, exigindo investimentos para recuperar uma estrutura construída pelo produtor ao longo de anos.

O problema começa com a destruição da matéria orgânica, que tem papel importante na capacidade do solo de absorver água e nutrientes. As altas temperaturas também afetam a qualidade da terra, criando um impacto que nem sempre aparece imediatamente na conta do produtor.

A proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal em Mato Grosso entrou em vigor no dia 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026, podendo ser prorrogado. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.

Conforme dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso acumula, desde janeiro, 3.859 registros de focos de calor em 2026. Até o momento, o maior pico observado de ocorrências foi em junho com 1.440. Em julho foram 746 focos e agosto já acumula 115 focos de calor.

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Para o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Aluísio Metelo Junior, esse é um dos prejuízos mais difíceis de dimensionar. “A perda de produtividade do solo é um prejuízo invisível”, explica.

O efeito acumulado faz com que uma única ocorrência tenha consequências que se estendem por várias safras. De acordo com Metelo Junior, o solo, até chegar a um nível de correção, são cinco anos.

“É um investimento muito alto e a sua produtividade reduz nesse período. Por isso, ele só vai conseguir produzir novamente o que ele produzia por hectare após mais cinco anos, ou seja, são 10 anos de prejuízo após uma passagem de fogo em sua lavoura”, afirma ao destacar que o tempo de recuperação transforma o incêndio em um problema de longo prazo para a atividade agrícola.

fogo no pantanal foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prevenção começa antes das chamas

O risco aumenta durante a estiagem, mas a preparação das propriedades precisa ocorrer antes da chegada do período mais crítico. A orientação de funcionários e familiares, a atenção às áreas produtivas e de preservação e a estrutura disponível para combater focos de incêndio fazem parte desse trabalho.

Para Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, a prevenção ao fogo precisa ser tratada como uma preocupação permanente. A entidade pontua manter campanhas frequentes sobre o tema justamente para reforçar os cuidados antes que as condições climáticas favoreçam a propagação das chamas.

“A campanha de prevenção contra o fogo é uma campanha clássica da Aprosoja Mato Grosso. Ela existe há bastante tempo e continua sendo necessária porque o fogo é realmente muito prejudicial para as lavouras e para toda a sociedade”, diz.

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Na avaliação dele, o produtor também precisa estar preparado para agir quando o incêndio começa em áreas próximas. A mobilização pode envolver equipamentos, trabalhadores e até apoio a propriedades vizinhas, já que a propagação das chamas não respeita limites entre áreas rurais.

“O produtor é, muitas vezes, o bombeiro mais barato do estado”, frisa Bier. De acordo com ele, é comum que produtores ajudem vizinhos no combate porque conhecem os riscos e sabem que um incêndio pode atingir rapidamente áreas produtivas, instalações e equipamentos.

Período proibitivo do uso do fogo na Amazônia e Cerrado queimadas Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso
Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso

Fogo atinge produção e áreas preservadas

A atuação dos produtores não se limita às áreas cultivadas. Metelo destaca que, dos 62% do território estadual preservado em Mato Grosso, 42% estão dentro de propriedades. “Então o produtor é muito parceiro nesse sentido”, afirma.

O problema, conforme o coronel, é que os incêndios também representam um risco econômico elevado quando alcançam as áreas produtivas. “Por mais que sua maior responsabilidade seja a área legal, mas o maior prejuízo econômico e onde há maior ocorrência de incêndios está dentro desses 38% de áreas produzidas”, explica.

Por isso, a prevenção precisa considerar toda a estrutura da propriedade e não apenas os pontos em que já existe uma ocorrência. Para Bier, essa realidade também ajuda a mudar a percepção de que o produtor estaria associado à origem dos incêndios.

“É preciso combater o paradigma de que o produtor é responsável pelo fogo. Na realidade, ele está entre os principais afetados pelos incêndios e desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate às chamas”, ressalta.

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Além do solo e da lavoura, estão em risco máquinas, investimentos e a própria segurança das famílias que vivem no campo. Bier afirma que a preocupação com o fogo, portanto, não se resume ao impacto financeiro.

queimadas uso de fogo foto secom mt
Foto: Secom-MT/Reprodução

Informação reduz risco no período crítico

A preparação antecipada também passa pela educação de quem vive e trabalha nas propriedades. Metelo defende que as orientações sejam reforçadas nos meses que antecedem a estiagem, justamente para evitar que práticas inadequadas resultem em focos de incêndio.

“As campanhas educativas são fundamentais e precisam acontecer continuamente”, salienta. Para ele, o trabalho alcança diferentes gerações e permite substituir práticas antigas por procedimentos mais seguros no campo.

O coronel considera importante que trabalhadores e familiares sejam orientados de forma constante. Em propriedades onde há moradores, a recomendação é reforçar os cuidados para evitar o uso inadequado do fogo, especialmente antes do período em que as condições de propagação ficam mais favoráveis.

A informação também precisa acompanhar as mudanças nas regras relacionadas ao uso do fogo. Metelo ressalta que a legislação está em constante atualização e que o produtor precisa conhecer as exigências para evitar situações de risco e possíveis irregularidades.

“Além de reforçar constantemente a conscientização, as campanhas educativas são importantes porque a legislação está em constante atualização”, afirma. Para ele, levar informação ao campo antes do período crítico é parte da estratégia para reduzir ocorrências e os danos que podem permanecer por anos no solo e na produção.

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*Com informações Aprosoja Mato Grosso


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Agro Mato Grosso

MT responde por 15,6% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do país

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Estimativa do Mapa aponta VBP de R$ 218,2 bilhões para Mato Grosso; soja, milho e pecuária estão entre os principais componentes do resultado nacional

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Plantio da soja 2026/27 avança para 1,2% da área no Brasil, diz AgRural

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O plantio da safra de soja 2026/27 alcançou 1,2% da área estimada para o Brasil até quinta-feira (17), informou a AgRural. Na semana anterior, o índice era de 0,4%. No mesmo período do ano passado, os trabalhos atingiam 0,9%. O avanço foi puxado principalmente pelo Paraná, que segue na dianteira entre os estados.

Segundo a AgRural, os produtores do oeste e do centro-oeste do Paraná avançaram rapidamente nas janelas entre as chuvas. O estado lidera o início da semeadura no país neste momento.

Em Mato Grosso, o plantio ainda está concentrado em áreas irrigadas. A consultoria informou que as chuvas começaram a chegar ao estado, mas ainda ocorrem de forma irregular. Também há registro de plantio em Rondônia e em Mato Grosso do Sul.

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No milho, a área estimada para a safra de verão 2026/27 estava 27% plantada no Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (17). Na semana anterior, o índice era de 22%. Em igual período do ano passado, o percentual chegava a 25%.

Os trabalhos com o cereal seguem concentrados nos três estados do Sul. De acordo com a AgRural, o ritmo permanece forte, mas as baixas temperaturas têm limitado o avanço em algumas áreas. A consultoria também relatou ocorrência pontual de geadas em talhões nas duas últimas semanas.

Os dados indicam avanço no início da semeadura de soja no Brasil e continuidade do plantio do milho de verão no Centro-Sul, com diferenças regionais ligadas ao regime de chuvas e às condições de temperatura.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Plantio da soja 2026/27 avança para 1,2% da área no Brasil, diz AgRural

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O plantio da safra de soja 2026/27 alcançou 1,2% da área estimada para o Brasil até quinta-feira (17), informou a AgRural. Na semana anterior, o índice era de 0,4%. No mesmo período do ano passado, os trabalhos atingiam 0,9%. O avanço foi puxado principalmente pelo Paraná, que segue na dianteira entre os estados.

Segundo a AgRural, os produtores do oeste e do centro-oeste do Paraná avançaram rapidamente nas janelas entre as chuvas. O estado lidera o início da semeadura no país neste momento.

Em Mato Grosso, o plantio ainda está concentrado em áreas irrigadas. A consultoria informou que as chuvas começaram a chegar ao estado, mas ainda ocorrem de forma irregular. Também há registro de plantio em Rondônia e em Mato Grosso do Sul.

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No milho, a área estimada para a safra de verão 2026/27 estava 27% plantada no Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (17). Na semana anterior, o índice era de 22%. Em igual período do ano passado, o percentual chegava a 25%.

Os trabalhos com o cereal seguem concentrados nos três estados do Sul. De acordo com a AgRural, o ritmo permanece forte, mas as baixas temperaturas têm limitado o avanço em algumas áreas. A consultoria também relatou ocorrência pontual de geadas em talhões nas duas últimas semanas.

Os dados indicam avanço no início da semeadura de soja no Brasil e continuidade do plantio do milho de verão no Centro-Sul, com diferenças regionais ligadas ao regime de chuvas e às condições de temperatura.

Fonte: Estadão Conteúdo

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