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5 de agosto de 2026

Business

Fogo pode deixar solo improdutivo por até dez anos em Mato Grosso

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Foto: Aprosoja MT/Bruno Lopes

O fogo que atinge uma área agrícola pode deixar o solo com produtividade comprometida por até dez anos, segundo especialistas. Além da perda imediata da lavoura, as chamas destroem matéria orgânica e afetam características físicas, químicas e biológicas da terra, exigindo investimentos para recuperar uma estrutura construída pelo produtor ao longo de anos.

O problema começa com a destruição da matéria orgânica, que tem papel importante na capacidade do solo de absorver água e nutrientes. As altas temperaturas também afetam a qualidade da terra, criando um impacto que nem sempre aparece imediatamente na conta do produtor.

A proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal em Mato Grosso entrou em vigor no dia 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026, podendo ser prorrogado. Nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.

Conforme dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso acumula, desde janeiro, 3.859 registros de focos de calor em 2026. Até o momento, o maior pico observado de ocorrências foi em junho com 1.440. Em julho foram 746 focos e agosto já acumula 115 focos de calor.

Para o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Aluísio Metelo Junior, esse é um dos prejuízos mais difíceis de dimensionar. “A perda de produtividade do solo é um prejuízo invisível”, explica.

O efeito acumulado faz com que uma única ocorrência tenha consequências que se estendem por várias safras. De acordo com Metelo Junior, o solo, até chegar a um nível de correção, são cinco anos.

“É um investimento muito alto e a sua produtividade reduz nesse período. Por isso, ele só vai conseguir produzir novamente o que ele produzia por hectare após mais cinco anos, ou seja, são 10 anos de prejuízo após uma passagem de fogo em sua lavoura”, afirma ao destacar que o tempo de recuperação transforma o incêndio em um problema de longo prazo para a atividade agrícola.

fogo no pantanal foto pedro silvestre canal rural mato grosso
Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Prevenção começa antes das chamas

O risco aumenta durante a estiagem, mas a preparação das propriedades precisa ocorrer antes da chegada do período mais crítico. A orientação de funcionários e familiares, a atenção às áreas produtivas e de preservação e a estrutura disponível para combater focos de incêndio fazem parte desse trabalho.

Para Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, a prevenção ao fogo precisa ser tratada como uma preocupação permanente. A entidade pontua manter campanhas frequentes sobre o tema justamente para reforçar os cuidados antes que as condições climáticas favoreçam a propagação das chamas.

“A campanha de prevenção contra o fogo é uma campanha clássica da Aprosoja Mato Grosso. Ela existe há bastante tempo e continua sendo necessária porque o fogo é realmente muito prejudicial para as lavouras e para toda a sociedade”, diz.

Na avaliação dele, o produtor também precisa estar preparado para agir quando o incêndio começa em áreas próximas. A mobilização pode envolver equipamentos, trabalhadores e até apoio a propriedades vizinhas, já que a propagação das chamas não respeita limites entre áreas rurais.

“O produtor é, muitas vezes, o bombeiro mais barato do estado”, frisa Bier. De acordo com ele, é comum que produtores ajudem vizinhos no combate porque conhecem os riscos e sabem que um incêndio pode atingir rapidamente áreas produtivas, instalações e equipamentos.

Período proibitivo do uso do fogo na Amazônia e Cerrado queimadas Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso
Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso

Fogo atinge produção e áreas preservadas

A atuação dos produtores não se limita às áreas cultivadas. Metelo destaca que, dos 62% do território estadual preservado em Mato Grosso, 42% estão dentro de propriedades. “Então o produtor é muito parceiro nesse sentido”, afirma.

O problema, conforme o coronel, é que os incêndios também representam um risco econômico elevado quando alcançam as áreas produtivas. “Por mais que sua maior responsabilidade seja a área legal, mas o maior prejuízo econômico e onde há maior ocorrência de incêndios está dentro desses 38% de áreas produzidas”, explica.

Por isso, a prevenção precisa considerar toda a estrutura da propriedade e não apenas os pontos em que já existe uma ocorrência. Para Bier, essa realidade também ajuda a mudar a percepção de que o produtor estaria associado à origem dos incêndios.

“É preciso combater o paradigma de que o produtor é responsável pelo fogo. Na realidade, ele está entre os principais afetados pelos incêndios e desempenha um papel fundamental na prevenção e no combate às chamas”, ressalta.

Além do solo e da lavoura, estão em risco máquinas, investimentos e a própria segurança das famílias que vivem no campo. Bier afirma que a preocupação com o fogo, portanto, não se resume ao impacto financeiro.

queimadas uso de fogo foto secom mt
Foto: Secom-MT/Reprodução

Informação reduz risco no período crítico

A preparação antecipada também passa pela educação de quem vive e trabalha nas propriedades. Metelo defende que as orientações sejam reforçadas nos meses que antecedem a estiagem, justamente para evitar que práticas inadequadas resultem em focos de incêndio.

“As campanhas educativas são fundamentais e precisam acontecer continuamente”, salienta. Para ele, o trabalho alcança diferentes gerações e permite substituir práticas antigas por procedimentos mais seguros no campo.

O coronel considera importante que trabalhadores e familiares sejam orientados de forma constante. Em propriedades onde há moradores, a recomendação é reforçar os cuidados para evitar o uso inadequado do fogo, especialmente antes do período em que as condições de propagação ficam mais favoráveis.

A informação também precisa acompanhar as mudanças nas regras relacionadas ao uso do fogo. Metelo ressalta que a legislação está em constante atualização e que o produtor precisa conhecer as exigências para evitar situações de risco e possíveis irregularidades.

“Além de reforçar constantemente a conscientização, as campanhas educativas são importantes porque a legislação está em constante atualização”, afirma. Para ele, levar informação ao campo antes do período crítico é parte da estratégia para reduzir ocorrências e os danos que podem permanecer por anos no solo e na produção.

*Com informações Aprosoja Mato Grosso


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Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

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Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

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Agro Mato Grosso

Sicredi lidera operações do MT Garante e avança para a linha de crédito aos associados

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Intercâmbio institucional realizado entre colaboradores do Sicredi, Desenvolve MT e da Sedec proporcionou realinhamento de processos para ampliar acesso à linha de crédito com fundo de aval do governo de Mato Grosso

O apoio aos pequenos e médios negócios faz parte da atuação do Sicredi. Por meio da oferta de crédito para diferentes finalidades, a instituição financeira cooperativa contribui para que empreendedores e produtores rurais possam iniciar projetos, manter suas atividades e planejar novos investimentos. Para quem empreende em Mato Grosso, contar com crédito no momento certo pode ser o ponto de partida para começar um negócio ou o impulsar o crescimento.
É esse recurso que permite montar a estrutura do empreendimento, adquirir máquinas e insumos, formar estoque, contratar pessoas, ampliar a produção e atender novos clientes. Uma das alternativas disponíveis aos empreendedores, produtores e associados do Sicredi são as linhas de crédito do MT Garante, um fundo de aval do Governo de Mato Grosso que garante até 80% do valor da operação de crédito em caso de inadimplência.
Entre as instituições financeiras credenciadas para operar os recursos, o Sicredi lidera, com 73% de todo o volume concedido. Desde 2022 foram liberados mais de R$ 366 milhões pelas cooperativas do Sicredi, em 4.216 operações realizadas em 116 municípios de Mato Grosso.
As operações alcançaram diferentes segmentos da economia mato-grossense. O comércio e os serviços concentram a maior participação, seguidos pela produção rural, indústria, transporte, alimentação e construção. Entre os municípios com os maiores volumes estão Cuiabá, Sorriso, Sinop, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Campo Verde, Paranaíta, Alta Floresta, Marcelândia e Jaciara. Juntas, essas 10 cidades concentram R$ 207 milhões em crédito, distribuídos em 2.262 operações.
Samir Reis, gerente de Risco de Crédito do Sicredi, afirma que o alcance registrado é possível porque a garantia oferecida pelo fundo amplia as condições para a concessão dos recursos e porque o Sicredi está presente em 130 cidades, onde atua como um agente de fomento para o desenvolvimento local. “O objetivo do MT Garante, do qual somos parceiros do governo do Estado, é ampliar o acesso ao crédito para MEIs, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e produtores rurais. O fundo garante 80% da operação em caso de inadimplência, dando mais segurança aos parceiros para conceder o crédito. Isso permite que os recursos cheguem a associados que não têm garantias sólidas”.
Criado pelo Governo de Mato Grosso em 2021 e em funcionamento desde 2022, o MT Garante complementa a garantia necessária para a contratação do financiamento. Assim, o empreendedor ou produtor rural pode utilizar o fundo como parte da garantia da operação, após passar pela análise de crédito. A cobertura pode chegar a 80% do valor contratado.
Os recursos podem ser destinados à compra de máquinas, equipamentos e outros investimentos, ao capital de giro ou às despesas da produção rural. Podem utilizar o MT Garante microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, agricultores familiares e pequenos e médios produtores rurais.
Próximos passos da parceria
Os resultados alcançados desde que o Sicredi iniciou as operações com o MT Garante, em 2022, serviram de base para discutir os próximos passos da parceria. Na última sexta-feira (31), profissionais da instituição, da Desenvolve MT e da Sedec se reuniram na sede da Central Sicredi Centro Norte, em Cuiabá, para aproximar as equipes, alinhar procedimentos e avaliar melhorias que possam dar mais agilidade às operações e ampliar o acesso ao crédito no estado.
Segundo a secretária-adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da Sedec-MT, Linacis Roberta Pinho, o cooperativismo é fundamental para ampliar o alcance do MT Garante. Segundo ela, cerca de 90% das operações realizadas com o aval do programa passaram pelas cooperativas de crédito, e o Sicredi se destacou com a maior participação entre as instituições credenciadas. “O cooperativismo foi muito importante para o desenvolvimento do MT Garante. As cooperativas conseguiram interiorizar a linha de crédito e ampliar a adesão nos municípios. De forma particular, o Sicredi alcançou a maior participação nas operações, com cerca de 70%, e é um grande parceiro do Governo do Estado na democratização do crédito em Mato Grosso”, afirmou.
Para Cândido Rosa Junior, da área de Relações Institucionais do Sicredi, o encontro fortaleceu a parceria entre Sicredi e Sedec e abriu espaço para melhorias na concessão de crédito pelo MT Garante. “Agradecemos à Desenvolve MT e à Sedec pela abertura ao diálogo e pela construção conjunta. Manter esse contato próximo com os parceiros é fundamental para alinhar os procedimentos, tornar mais ágil a liberação dos recursos e ampliar o acesso ao crédito para os associados, empreendedores e produtores rurais do Estado”, afirmou.
Como contratar e limites 
Os associados do Sicredi interessados podem solicitar o crédito com a garantia do MT Garante diretamente nas agências. Em Mato Grosso, a instituição possui mais de 190 pontos físicos de atendimento. O recurso disponível varia conforme o porte do negócio. Para microempreendedores individuais (MEIs), o limite é de até R$ 70 mil; para microempresas, de até R$ 200 mil; e para empresas de pequeno porte, de até R$ 300 mil. Pequenos produtores rurais podem contratar até R$ 250 mil, enquanto médios produtores têm limite de até R$ 430 mil. Para a instalação de aviários, o valor pode chegar, excepcionalmente, a R$ 2 milhões.
Para contratar crédito com o Fundo de Aval é preciso estar enquadrado em um dos portes empresariais, passar pela análise de risco da instituição e pagar a Comissão de Concessão de Aval (CCA). Esta comissão é destinada à manutenção do próprio fundo e tem o objetivo de contribuir para o aumento de recursos e beneficiar o maior número de negócios ao longo do tempo.
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Agro Mato Grosso

Aprosoja MT prorroga inscrições do Prêmio de Jornalismo 2026 até 21 de agosto

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Concurso nacional recebe trabalhos até 21 de agosto e mantém premiação em seis categorias, além do Prêmio Master com viagem aos Estados Unidos

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) prorrogou até o dia 21 de agosto o prazo de inscrições para a 4ª edição do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo 2026. A ampliação do período busca oferecer mais tempo para que jornalistas e estudantes de Jornalismo de todo o país possam inscrever seus trabalhos e participar da premiação.

Neste ano, o concurso ganhou abrangência nacional e passou a receber inscrições de profissionais de todas as regiões do Brasil, fortalecendo o propósito de ampliar o debate sobre o tema “O agro sustentável que transforma a cidade a partir do campo”, valorizando produções jornalísticas que evidenciem a conexão entre o campo e os centros urbanos, a sustentabilidade e a importância econômica da cadeia produtiva da soja e do milho.

As inscrições são gratuitas e contemplam seis categorias: Reportagem em Vídeo, Reportagem em Texto, Reportagem em Áudio, Fotojornalismo, Jornalismo Universitário e Destaques Mato-grossenses, esta última exclusiva para profissionais que atuam em Mato Grosso. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 12 de setembro de 2025 e 21 de agosto de 2026, conforme o novo cronograma do concurso.

A edição de 2026 distribuirá premiações de até R$ 20 mil nas categorias profissionais. Na categoria Jornalismo Universitário, os prêmios são de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil para os três primeiros colocados. Já os vencedores da categoria Destaques Mato-grossenses receberão R$ 7 mil em cada uma das cinco regiões do estado.

Além da premiação em dinheiro, o concurso conta com o Prêmio Master, que levará um dos finalistas habilitados para participar da Missão Aprosoja MT Estados Unidos 2027, com todas as despesas custeadas pela entidade. Concorrem ao sorteio os finalistas das categorias nacionais e da categoria Destaques Mato-grossenses que atenderem aos requisitos previstos no regulamento.

O Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo tem como objetivo reconhecer e valorizar a produção jornalística de qualidade sobre o agronegócio brasileiro, incentivando reportagens que contribuam para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a produção sustentável, a inovação no campo e seus impactos para a economia e para a vida nas cidades.

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site oficial do prêmio.

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