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5 de agosto de 2026

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Cálculo mais preciso da calagem aumenta produtividade do milho em 50%

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Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, desenvolveram um método prático para estimar a necessidade de calagem com base nos atributos químicos do solo e na composição do calcário.

Fruto de dez anos de estudo e de quase 30 anos de experiência do professor Silvino Guimarães Moreira, da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/Ufla), com estudos sobre calcário, o método leva em conta a relação entre cálcio, magnésio e pH do solo.

Desta forma, permite estimar doses específicas para duas profundidades: de 0 a 20 cm e de 0 a 40 cm — sendo esta última o principal foco do trabalho. Ao contemplar a correção em camadas mais profundas, a metodologia favorece a melhoria da fertilidade do subsolo e amplia o volume explorado pelas raízes.

O estudo acaba de ser publicado na revista internacional Soil & Tillage Research, uma das mais prestigiadas publicações internacionais na área de ciência do solo.

Melhoria das estimativas

A pesquisa vem sendo realizada para melhorar as estimativas de cálculo de doses de calcário, uma vez que os métodos atualmente disponíveis acabam por subestimar as quantidades necessárias quando se objetiva corrigir o pH do subsolo, sobretudo em áreas agrícolas novas.

Como observa o professor, ao subestimar as doses necessárias, tornam-se necessárias reaplicações e atrasos na correção da acidez, com impactos econômicos relevantes, sobretudo em áreas arrendadas, em que o tempo de retorno da calagem não acompanha o ciclo produtivo.

À esquerda, dose de 3 t/ha de calcário; à direita, aplicação de 12 t/ha. Foto: Divulgação Ufla

Para chegar ao novo método, os pesquisadores conduziram sete experimentos de campo em diferentes municípios de Minas Gerais e abrangendo diferentes condições edafoclimáticas, ao longo de quatro anos (14 safras).

Os municípios que receberam os experimentos foram: Ijaci, Nazareno, Ingaí, Uberlândia, Araguari, São João del Rei e Formiga. Nesses locais, os pesquisadores avaliaram diferentes doses de calcário incorporadas até 0,40 m de profundidade.

De acordo com o professor Silvino Moreira, essa diversidade geográfica e temporal confere robustez aos resultados, garantindo que as conclusões não sejam pontuais, mas representativas de diferentes realidades de solo e clima.

Os resultados mostraram ser possível aumentar a produtividade das culturas anuais e a resiliência destas culturas aos déficit hídricos, comuns nas condições de cultivos de sequeiro na região sob Cerrado, especialmente na segunda safra.

Isso foi possível com níveis mais elevados de cálcio e magnésio no solo não só na camada de 0 a 20 cm, mas também na camada de 20 a 40 cm. O estudo define novos níveis críticos para os nutrientes cálcio e magnésio no solo para estas duas camadas de solo, os quais são maiores do que os tradicionalmente recomendados.

Em lavouras de milho segunda safra submetidas a veranicos severos, a aplicação baseada na nova metodologia proporcionou ganhos de produtividade superiores a 50%. Em lavouras de soja houve ganhos de até 30%.

O efeito foi atribuído ao maior desenvolvimento radicular em profundidade, o que permitiu às plantas acessar água e nutrientes mesmo em períodos de déficit hídrico. Nas fotos da lavoura de milho (acima) é possível verificar a diferença no desenvolvimento das plantas, com dose de 3 t/ha de calcário (primeira foto de milho) e com 12 t/ha de calcário (segunda foto de milho).

O produtor Evandro Ferreira, da Fazenda Campo Grande, em Nazareno, considera que a pesquisa foi um divisor de águas na busca por altas produtividades na região. “As chamadas ‘altas doses de calcário’ não representam excesso, mas sim a aplicação criteriosa e ajustada às reais necessidades do solo”, pontuou.

Profundidade da aplicação de cálcio

O método mostrou que, para atingir 95% da produtividade das lavouras anuais, é preciso garantir 60% de cálcio na camada de 0 a 20 cm do solo e 39% na camada de 20 a 40 cm.

Essa proposta foi especialmente desenvolvida para correção de solos para implantação de culturas anuais sobre sistema de plantio direto (SPD) ou para reabertura de áreas atualmente em uso, mas que não tiveram uma correção adequada. A proposta também já começa a ser testada em lavouras de café.

Os pesquisadores envolvidos no estudo esperam que o método tenha impacto direto na agricultura brasileira, sobretudo em regiões como o Cerrado, onde a produção de grãos depende fortemente da correção da acidez do solo.

Isso porque, com uma recomendação mais precisa de calagem, produtores podem alcançar maior eficiência no uso de insumos, reduzir custos a longo prazo e aumentar a resiliência das lavouras frente às variações climáticas.

“Trata-se de uma contribuição relevante não apenas para a agricultura mineira, mas também para outras regiões tropicais, onde solos ácidos e altamente intemperizados impõem sérias limitações à produção agrícola”, considera o professor Silvino Moreira.

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‘Cardápio Forrageiro’ orienta escolha de plantas resistentes para a pecuária no Semiárido baiano

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Foto: Daniel Fagundes/Trilux

Produzir carne e leite no Semiárido brasileiro é um dos maiores desafios da pecuária nacional. Em grande parte da Bahia, do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, produtores rurais convivem com períodos que podem chegar a nove meses sem chuva. A estiagem prolongada reduz a oferta de pastagens, eleva os custos com a alimentação de bovinos, ovinos e caprinos e compromete a produtividade das propriedades. Nesse cenário, as forrageiras, plantas destinadas à alimentação dos rebanhos, tornam-se estratégicas para garantir alimento durante todo o ano.

Para enfrentar esse desafio, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar lançaram, em 2017, o Projeto Forrageiras para o Semiárido. A iniciativa nasceu a partir de uma demanda do presidente da CNA, João Martins, diante da necessidade de recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a abertura de novas áreas. Somente na Bahia, cerca de 14 milhões de hectares apresentam algum grau de degradação.

Após quase dez anos de pesquisas, o Sistema CNA, o Instituto CNA e o Senar apresentaram os avanços do Projeto Forrageiras para o Semiárido durante o encerramento da segunda etapa do Rally de Forrageiras, em Baixa Grande (BA).

O município, que abriga uma das principais Unidades de Referência Tecnológica (URTs), recebeu cerca de mil participantes. Nessas áreas, as espécies forrageiras são testadas em condições reais de produção antes de serem recomendadas ao campo. A próxima etapa do Rally percorrerá dez estados do Semiárido para disseminar as tecnologias desenvolvidas ao longo da última década.

Atualmente, o projeto conta com 12 URTs distribuídas pelo Semiárido brasileiro. Nelas, pesquisadores avaliaram diferentes combinações de capins, gramíneas anuais, palma forrageira e outras espécies para identificar as alternativas mais adaptadas às condições de clima, solo e regime de chuvas de cada região.

Também durante o evento, o vice-presidente da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, destacou o potencial do Semiárido para a expansão da pecuária.

Segundo ele, a difusão de conhecimento, aliada à assistência técnica e à inovação, é essencial para aumentar a produção, gerar renda e empregos e estimular a sucessão familiar no campo. “A região semiárida é o futuro da pecuária brasileira, mas precisamos cada vez mais implantar conhecimento e inovação”, afirmou.

Segundo dados apresentados durante o encontro, mais de 10 mil produtores foram atendidos diretamente pela iniciativa nos últimos dois anos. Já a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema CNA/Senar acumulava cerca de 500 mil produtores assistidos em todo o país.

Cardápio forrageiro

O principal resultado da pesquisa foi a criação de um cardápio forrageiro, ferramenta que orienta os produtores sobre as espécies mais indicadas para cada realidade. Entre as recomendações estão diferentes variedades de palma forrageira, sorgo, milheto e capins adaptados, além do uso da silagem como estratégia para garantir alimento ao rebanho durante os períodos de seca.

Segundo a coordenadora do projeto, Alenilda Carvalho, a principal conclusão das pesquisas é que não existe uma única forrageira capaz de atender todo o Semiárido. “Cada região precisa de uma combinação diferente de espécies, de acordo com o clima, o solo e a disponibilidade de água”, explica.

Ela destaca que as URTs permitiram validar as tecnologias em condições reais antes de levá-las aos produtores por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). “O manejo correto é tão importante quanto a escolha da forrageira. O objetivo é reduzir custos e garantir alimento para o rebanho durante todo o ano”, afirma.

Além da escolha das espécies, o projeto incentiva práticas como produção de silagem, rotação de pastagens, recuperação de áreas degradadas, análise de solo e planejamento alimentar dos rebanhos.

Durante a estiagem, quando os pastos perdem qualidade nutricional, os pesquisadores apontam três pilares para a alimentação animal no Semiárido: capim, palma forrageira e silagem.

A palma, considerada uma das principais alternativas para enfrentar a seca, exige investimento entre R$ 11 mil e R$ 13 mil por hectare. Em contrapartida, pode produzir cerca de 180 toneladas de matéria verde por hectare já no primeiro ano, garantindo elevada oferta de alimento aos animais.

Durante os dias de campo do Rally de Forrageiras, os participantes também têm acesso à Carreta Agro pelo Brasil, iniciativa do Sistema CNA/Senar que apresenta experiências imersivas sobre a evolução da agropecuária brasileira. A estrutura reúne vídeos em formato imersivo, óculos de realidade virtual e um estúdio de podcast para entrevistas realizadas durante os eventos.

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Cecafé destaca rastreabilidade para atender exigências do mercado externo

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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), que a cafeicultura brasileira vem ampliando mecanismos de rastreabilidade e monitoramento socioambiental para atender às exigências dos mercados internacionais. O tema foi apresentado no I Encontro Brasileiro de Direitos Humanos e Empresas (DH&E Brasil 2026), realizado na Cinemateca Brasileira.

Segundo o Cecafé, a agenda de empresas e direitos humanos ganhou peso estratégico diante da pressão regulatória e da reconfiguração das cadeias produtivas globais. No evento, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o setor tem reforçado instrumentos de controle para responder a exigências como as do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Matos destacou que, em 2023, o Cecafé lançou a Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil. A ferramenta reúne exportadores e utiliza bases oficiais do governo para verificar aspectos como cumprimento do Código Florestal, regularidade fundiária, ausência de desmatamento e respeito às normas trabalhistas e de direitos humanos. De acordo com a entidade, o sistema permite rastrear o café até o polígono de produção da propriedade e gerar documentação auditável para comprovar a conformidade socioambiental dos embarques.

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O diretor-geral também afirmou que o trabalho preventivo da entidade inclui capacitação, prevenção e diálogo com produtores e trabalhadores. Entre as iniciativas citadas estão o Programa Trabalho Sustentável (PTS), desenvolvido em parceria com autoridades fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e a Mesa Nacional de Diálogo pelo Trabalho Decente na Cafeicultura. Segundo o Cecafé, o PTS capacitou mais de 600 multiplicadores técnicos em boas práticas trabalhistas em 2026.

Na apresentação, Matos informou ainda que aproximadamente 99% das inspeções realizadas na cafeicultura encontram condições de conformidade com padrões de proteção dos direitos humanos. Para os compradores internacionais, a orientação apresentada foi priorizar informações já disponíveis em bases oficiais brasileiras e evitar exigências duplicadas aos exportadores.

O Cecafé defendeu que o cruzamento de notas fiscais com dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de informações sobre embargos ambientais, áreas protegidas e inspeções trabalhistas, permite identificar a origem do café, o produtor responsável e consolidar evidências para processos de devida diligência na exportação.

Fonte: cecafe.com.br

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Agro Mato Grosso

MT se prepara para bater recorde de produtividade no algodão

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Mesmo com área 11% menor, Mato Grosso deve atingir produtividade recorde de 315 arrobas/ha de algodão na safra 2025/2026.

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