Agro Mato Grosso
Tecnologia e verticalização do agronegócio transformam cidade em Mato Grosso

A verticalização da produção de soja, milho e proteína animal vem remodelando a realidade dos municípios mato-grossenses, e Nova Mutum se destaca nesse cenário. Localizada às margens da BR-163, a 264 quilômetros ao norte de Cuiabá, a cidade vive um ciclo de crescimento intenso, atraindo grandes indústrias e gerando novas oportunidades de emprego e renda.
Um dos pioneiros da região, o produtor rural Lírio João Bianchezzi, 70 anos, chegou à cidade no início dos anos 1980 com um irmão, disposto a trabalhar na agricultura. Eles iniciaram o cultivo de arroz em terras do Cerrado, ainda consideradas “inóspitas”. Inspirado por um curso realizado no Paraná, Lírio aplicou o plantio direto, prática que transformou a agricultura local. “Hoje 100% de Mato Grosso realiza plantio direto”, destaca.
Naquele período, a soja complementava o arroz. “Plantávamos arroz em um ano e soja no outro. Na época, havia apenas duas variedades: a dopo e a cristalina”, recorda. O milho também foi um desafio, já que as sementes disponíveis eram adaptadas ao Sul do país e não ao Centro-Oeste. Atualmente, soja, milho e algodão ocupam 770 mil hectares no município, segundo o IBGE de 2022.
Para L
meros do crescimento
O aumento da produtividade impactou profundamente a economia de Nova Mutum. Entre 2010 e 2022, a população cresceu de 31.649 para 55.832 habitantes, com estimativa atual de 63.455. O PIB, que era de R$ 300 milhões em 2001, alcançou R$ 6,036 bilhões em 2021. O IDH saltou de 0,432 em 1991 para 0,758 em 2021.
A verticalização está presente em toda a cidade, com comércios e serviços voltados ao setor agrícola. A agroindustrialização atraiu empresas como Bunge (soja), FS Bioenergia e Inpasa (etanol), Icofort (óleo de algodão) e frigoríficos Excelência (suínos) e BRF (aves). O estoque de empregos formais ultrapassa 24 mil postos, principalmente ligados ao agronegócio.
O setor também estimula a educação. O campus da Unemat oferece cursos de Agronomia, Engenharia de Alimentos, Administração e Ciências Contábeis, todos alinhados à realidade regional. A faculdade particular Unifama amplia a oferta com Direito, Farmácia, Fisioterapia, Pedagogia e Psicologia.
Sustentabilidade e aproveitamento
Segundo Wilmar Paquer, engenheiro agrícola da região, uma das razões do sucesso é a sustentabilidade: “Nada se perde. O farelo da soja vai para ração animal, o resíduo do milho também. O chorume dos suínos é usado como adubo e o gás gera energia para a rede”.
Estudos sobre controle biológico de pragas e doenças buscam reduzir o uso de químicos e minimizar impactos ambientais.
Apoio institucional
Produtores recebem suporte da Aprosoja-MT por meio do programa Soja Legal, que orienta sobre normas trabalhistas, ambientais e o Cadastro Ambiental Rural, além de apoio em fiscalizações de órgãos como Ibama, Sema e Indea. “O objetivo é produzir de forma sustentável, e todos estão no caminho certo”, afirma Rafael Vinícius, coordenador regional da Aprosoja em Nova Mutumírio, o avanço se deu graças à tecnologia e ao manejo eficiente do solo. “A tecnologia nos fez chegar aonde chegamos. Agora avançamos para um novo ciclo”, ressalta.
Agro Mato Grosso
Com 190 mil hectares plantados, Mato Grosso se consolida como polo florestal do Brasil

O futuro das florestas plantadas em Mato Grosso passa por eucalipto, teca e tecnologia. Em Sinop, produtores, pesquisadores e empresários se reuniram para discutir como ampliar a produção sem abrir mão da sustentabilidade, mostrando que plantar árvores deixou de ser apenas uma ação ambiental.
Crescimento do setor
Atualmente, Mato Grosso já possui mais de 190 mil hectares de florestas plantadas, majoritariamente de eucalipto e teca. O estado se consolida como um polo estratégico para a produção de biomassa, energia renovável e para o abastecimento das indústrias moveleira, de papel e celulose.
Em 2022, o setor arrecadou mais de R$ 66 milhões em impostos e exportou madeira para 61 países.
Esses números demonstram o peso da atividade na economia estadual e reforçam a importância da sustentabilidade como diferencial competitivo.
Evento Florestar 2025
Promovido pela Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) e realizado na sede da Embrapa Agrossilvipastoril, o evento Florestar 2025 discutiu os desafios e oportunidades do cultivo de eucalipto.
Para Clair Bariviera, presidente da Arefloresta, o setor é vital para o desenvolvimento local. “O setor florestal é estratégico para Mato Grosso, gera renda, preserva o meio ambiente e tem espaço para crescer ainda mais”, afirmou.
Tecnologia e sustentabilidade
A programação incluiu debates sobre manejo, fertilização e o futuro da teca, espécie de alto valor agregado que tem projetado Mato Grosso no mercado internacional.
Segundo Maurel Behling, pesquisador da Embrapa, a produtividade pode ser otimizada com a adoção de boas práticas. “Com boas práticas de manejo, conseguimos aumentar a produtividade e garantir uma floresta mais sustentável”, explicou.
Silvicultura e novos investimentos
O pesquisador também destacou que a crescente demanda internacional por produtos sustentáveis tem atraído investimentos privados, especialmente em regiões antes dedicadas apenas à pecuária e soja.
A silvicultura tem sido vista como estratégica para recompor áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar empregos e novas oportunidades no interior do Brasil.
Assim, Mato Grosso se firma como uma nova fronteira florestal do país, unindo economia, inovação e preservação ambiental.
O papel da energia renovável
As florestas plantadas também fortalecem a matriz de energia renovável, oferecendo biomassa para a produção de energia limpa. Essa diversificação consolida o estado como referência não apenas no agronegócio, mas também em iniciativas sustentáveis de longo prazo.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT ressalta a importância de capacitar equipes para o período da estiagem

Para auxiliar nesse período, a entidade disponibiliza informações por meio da campanha de combate e prevenção de incêndios: Desinformação é Fogo
O período de estiagem é certo todos os anos, e o produtor rural precisa estar preparado. Além da escassez de chuvas, o risco de incêndios aumenta significativamente. Diante disso, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) ressalta a importância de preparar as equipes nas propriedades rurais para o combate a incêndios, visando à preservação ambiental e também ao patrimônio dos produtores do estado. Para auxiliar nesse período, a entidade disponibiliza informações por meio da campanha de combate e prevenção de incêndios: Desinformação é Fogo.
Segundo o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, o acesso à informação é essencial para que os produtores protejam suas propriedades.
“Como sabemos, o solo é a vida do produtor. Se ele queima, perde-se um valor que não se recupera facilmente. Por isso, dentro das fazendas, nos preparamos para emergências. Os funcionários ficam em alerta nesse período, e a Aprosoja MT tem nos ajudado muito com informações por meio de seus podcasts, Instagram e o Canal do Produtor. Além disso, os supervisores da Aprosoja MT são treinados para oferecer orientações. Toda informação é bem-vinda”, afirma Gilson.
Para proteger o solo dos perigos do fogo, o produtor do núcleo de Sinop, Paulo Bustamante, explica que é necessário alinhar ações para evitar o início de incêndios na propriedade e também conter o fogo caso ocorra algum acidente. Esse trabalho começa com a manutenção das máquinas, disponibilidade de equipamentos, limpeza de aceiros e preparo para uma intervenção rápida.
“Explicamos a importância de todos estarem alinhados e cientes do que fazer em caso de foco de incêndio, para agir o mais rápido possível e evitar que o fogo se alastre. Quando a equipe está treinada e capacitada, sabe exatamente o que fazer. A ação rápida é fundamental nesses casos. A ideia é proteger a palha, que é a maior riqueza que temos na terra”, completa o produtor.
O delegado coordenador do núcleo de Campo Verde, Rafael Marsaro, relata que grande parte dos últimos incêndios na região foi causada por fios de energia que caíram sobre as lavouras. Por isso, os produtores têm se mobilizado para fazer aceiros sob fios de alta tensão e nas margens das estradas. Ele também reforça a dificuldade do combate e o papel essencial do produtor rural.
“Só quem viu e passou por um incêndio em uma palhada sabe o quanto é perigoso e difícil de combater. Com os ventos nas lavouras, o fogo pode se deslocar e atingir áreas a até 600 metros de distância. Quem apaga o fogo na zona rural é o produtor. As fazendas têm suas equipes, seus caminhões-pipa, e, graças a Deus, temos bons vizinhos que, ao verem o fogo, já se mobilizam com seus caminhões para ajudar. A ajuda mútua é muito importante”, reforça o produtor.
A Aprosoja MT reforça que a prevenção começa com informação e preparo. Capacitar equipes e compartilhar boas práticas são passos essenciais para enfrentar o período de estiagem com segurança e responsabilidade. Para acessar a Cartilha de Prevenção e Combate a incêndios da campanha, acesse o site da entidade.
Agro Mato Grosso
VÍDEO: trabalhador filma redemoinho gigante de perto em MT

Redemoinho de poeira pode ser formado por causa do tempo seco e temperaturas altas, tanto do ar quanto do solo, segundo Climatempo.
O trabalhador Marcos da Silva registrou de perto um redemoinho gigante de poeira em Diamantino, a 209 km de Cuiabá, nessa sexta-feira (29). Na gravação, é possível ouvir ele dizendo “vem aqui, vem aqui”, em questão de segundos, o redemoinho se aproxima, ele corre e dois colegas de trabalho quase ficam no meio do círculo de poeira (assista abaixo).
A reportagem, Marcos disse que o fenômeno não durou muito, mas chamou atenção pela dimensão.
VIDEO:
“Estávamos sentados em uma tenda, vi o redemoinho, levantei e até chamei ele e ele veio até nós. Quebrou telhas, tirou tampa de caixa d’água, mas graças a Deus foi só isso, não houve estragos maiores e logo acabou”, contou.
Redemoinhos de poeira são colunas de poeira que se levantam do chão girando e podem se estender por algumas centenas de metros acima do solo e até se mover de um local para outro, em curtas distâncias. As dimensões são muito variáveis. Segundo o climatempo, grandes redemoinhos como este podem ser formados por causa do tempo seco e temperaturas altas, tanto do ar quanto do solo.
Redemoinho de poeira x tornado
A dimensão do redemoinho e semelhança em alguns aspectos podem causar confusão e algumas pessoas acabam confundindo com um tornado.
O climatempo explica que tornados e redemoinhos são completamente diferentes na formação e nas consequências. O vento de um redemoinho de poeira, em geral, não chega a 100 km/h, enquanto que tornados podem provocar ventos com mais de 300 km/h e causam grande destruição em poucos minutos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/c/0/wLfZINQTapMAEChUYJxg/jardes-g1-95-.png)
Diferenças entre redemoinho de poeira e tornado — Foto: Climatempo
- Business22 horas ago
Embrapa desenvolve variedades de banana resistentes à doença mais grave do mundo
- Business23 horas ago
Operação encontra mais de 2 toneladas de café impróprio para consumo no Rio de Janeiro
- Business8 horas ago
Plantio de soja 25/26 começa a se aproximar no Sul do Brasil
- Business7 horas ago
Pesquisa mostra a eficácia de fertilizante feito de lodo de esgoto no cultivo de cana-de-açucar
- Agro Mato Grosso5 horas ago
Incêndio no Parque Estadual Serra Ricardo Franco é extinto após 10 dias de força-tarefa em MT
- Business5 horas ago
Embrapa lança novo feijão carioca durante evento em PE
- Agro Mato Grosso3 horas ago
Com 190 mil hectares plantados, Mato Grosso se consolida como polo florestal do Brasil
- Agro Mato Grosso4 horas ago
Max Russi vê com preocupação suspensão da decisão do Cade sobre a moratória da soja em MT