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30 de junho de 2026

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Milho cai com supersafra americana à vista, mas novas altas ainda estão no radar

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O contrato de setembro do milho negociado na Bolsa de Chicago fechou a semana passada a US$ 3,88 1/4 por bushel, alta de 1,04% frente ao encerramento da semana retrasada. Na segunda-feira (25), novo crescimento, ainda que tímido: US$ 3,89.

Contudo, nesta terça-feira (26), os dados positivos da provável supersafra nos Estados Unidos levaram os vencimentos a sofrerem baixa de 0,44%, ou 1,75 centavo, indicados em US$ 3,87 1/2 por bushel. O mesmo se viu com os acordos firmados para dezembro, com recuo de 2,75 centavo, ou 0,66%, a US$ 4,09 1/2 por bushel.

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o mercado foi pressionado pelo quadro fundamental de ampla oferta global, reforçado pelo último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que manteve a avaliação das lavouras norte-americanas em 71% entre boas e excelentes condições até 24 de agosto, nível mais alto desde 2016 e acima das expectativas de leve queda.

Segundo o órgão, 21% das lavouras estão em condição regular e 8% em situação ruim ou muito ruim, repetindo os índices da semana anterior. Entretanto, traders ajustam posições após a divulgação da estimativa da Pro Farmer na última semana, que ficou abaixo do número oficial do USDA, mas ainda projetando safra robusta.

Assim, a produção de milho nos Estados Unidos caminha para um novo recorde: acima de 425 milhões de toneladas.

No Brasil, os preços têm se mantido firmes, entre R$ 66 e R$ 67 a saca, mesmo com a pressão da entrada da safrinha, que já está cerca de 90% colhida, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundoa plataforma Grão Direto, tal resiliência se deve a uma demanda interna voraz dos setores de etanol e proteína animal, que têm absorvido a produção e criado um piso sólido para as cotações.

Assim, diante da firmeza dos preços e da necessidade de liberar armazéns, os produtores aceleraram a comercialização do milho safrinha. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada (Imea) de julho mostram que 62% da produção do estado já está vendida.

Entretanto, as negociações da safra 2025/26 permanecem atrasadas em relação à média histórica, indicando que o produtor aguarda maior clareza de custos antes de fechar novos negócios.

Supersafra esmagará os preços do milho?

O Brasil entra em sua principal janela de exportação com boas perspectivas, mas em um cenário global competitivo. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de 7,8 milhões de toneladas de milho em agosto, confirmando o interesse internacional.

“Embora o milho brasileiro acesse mercados diversificados, a competitividade será testada pela oferta recorde dos Estados Unidos, tornando a taxa de câmbio um fator decisivo para a atratividade do produto nacional”, contextualizam os especialistas da grão Direto.

Para a empresa, assim como na soja, o clima nos Estados Unidos será o principal catalisador para Chicago. “Por lá, uma quebra, mesmo que marginal, poderia abrir espaço adicional para as exportações brasileiras no início de 2026.”

No entanto, com a colheita da safrinha quase concluída, o desafio agora é logístico. “O grande volume de milho pressionará a capacidade de armazenagem e os custos de frete”, consideram os profissionais da plataforma.

Para a Grão Direto, esse cenário tende a criar disparidades regionais de preços, abrindo janelas de oportunidade para produtores com armazéns próprios, que poderão negociar em condições mais favoráveis na entressafra, quando a demanda da indústria costuma pagar prêmios.

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Plano Safra 2026/27 precisa ampliar recursos e reduzir juros, defende Aprosoja Mato Grosso

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Foto: Aprosoja Mato Grosso

O anúncio do Plano Safra 2026/27 nesta terça-feira (30) gera expectativa no setor produtivo, principalmente em relação ao volume de recursos disponíveis e às taxas de juros para o financiamento da produção. Para a Aprosoja Mato Grosso, o programa precisa avançar para atender à demanda crescente do campo.

Na avaliação do presidente da entidade, Lucas Costa Beber, o aumento da taxa básica de juros nos últimos anos elevou o custo do crédito rural e reduziu a capacidade de financiamento dos produtores, tornando mais caro produzir.

Segundo ele, o Plano Safra continua sendo a principal referência para o crédito agrícola no país e, por isso, mudanças nas condições de financiamento têm impacto direto sobre o planejamento da próxima safra.

A expectativa da entidade é que o governo federal anuncie não apenas um aumento no volume de recursos, mas também juros menores e maior participação das linhas com recursos controlados, que oferecem taxas mais acessíveis aos produtores.

Expectativa para o anúncio

Lucas Costa Beber afirma que o cenário atual preocupa devido ao peso dos juros sobre os custos de produção. “O Plano Safra é o balizador das taxas de juros no nosso país. Infelizmente, devido à Selic alta nos últimos anos, nós temos tido, na maioria das linhas, juros de dois dígitos, o que tem impactado fortemente o bolso do produtor, encarecendo ainda mais o acesso ao crédito para a produção rural agrícola”.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso destaca que o setor recebeu com otimismo a sinalização feita pelo governo sobre a possibilidade de reduzir os juros e ampliar o orçamento destinado ao programa.

Apesar da expectativa positiva, Lucas Costa Beber avalia que o orçamento ainda deveria ser maior para atender às necessidades do setor. Conforme ele, o ideal seria que o Plano Safra disponibilizasse, pelo menos, R$ 650 bilhões em crédito, além de ampliar a participação dos recursos controlados.

“O ideal é que tivéssemos no mínimo nominalmente R$ 650 bilhões e também aumentasse o percentual daquilo que é recurso controlado, já que nos últimos anos tem diminuído esse”.

Ele lembra que a participação dessas linhas de financiamento vem caindo desde 2022, reduzindo o acesso dos produtores ao crédito com juros subsidiados. “Se comparar de 2022 para cá, praticamente 50% do Plano Safra eram recursos controlados. No último ano menos de 30%. O que também fez com que o produtor pegasse menos crédito de juros controlados, conseguisse adquirir. Na prática isso chegou tendo uma redução de algo em torno de 13% para custeio e 20% para investimento”.


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Plano Safra 2026/27 disponibilizará R$ 525,1 bilhões para o agro

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O governo federal lança nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento de médios e grandes produtores rurais. O montante representa um aumento de R$ 9 bilhões em relação aos R$ 516,2 bilhões disponibilizados na temporada anterior.

O anúncio será realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve participar da cerimônia porque cumpre agenda oficial na Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai.

Do total dos recursos, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos nas propriedades rurais.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os recursos de custeio serão utilizados para despesas como aquisição de insumos, condução das lavouras, manutenção dos rebanhos e comercialização da produção. Já os recursos para investimento terão foco na modernização das propriedades, ampliação da capacidade de armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.

Pronamp terá R$ 72,6 bilhões

O Plano Safra prevê R$ 72,6 bilhões para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), destinado aos médios produtores. A taxa máxima de juros será de 9% ao ano, abaixo da praticada no ciclo anterior.

De acordo com o governo, a redução busca ampliar o acesso ao crédito para um segmento considerado estratégico na produção de alimentos e na geração de empregos no campo.

Sustentabilidade garante desconto nos juros

Entre as novidades do Plano Safra 2026/27 está a ampliação dos incentivos para produtores que adotam práticas sustentáveis e mantêm a regularização ambiental das propriedades.

O programa prevê redução de até 1 ponto percentual nas taxas de juros das operações de custeio. O desconto será dividido em duas etapas:

  • até 0,5 ponto percentual para produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular;
  • mais 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis ou certificações reconhecidas.

Seguro rural ganha mais importância

O governo também reforçou a gestão de riscos como um dos pilares da política agrícola.

Pelas novas regras, a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola passa a estar vinculada à contratação de cobertura pelo Proagro ou de seguro rural. Segundo o Mapa, a medida busca ampliar o uso de mecanismos de proteção contra perdas decorrentes de eventos climáticos e reduzir a necessidade de soluções emergenciais.

Na área de investimentos, o Plano Safra amplia os recursos para modernização das propriedades e fortalece programas voltados à geração de energia renovável.

O InvestAgro passa a contemplar sistemas de geração e distribuição de energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica, com o objetivo de reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência das propriedades.

O programa também mantém incentivos para construção, ampliação e modernização de armazéns e câmaras frias, buscando reduzir perdas, melhorar a logística e ampliar a capacidade de estocagem da produção agropecuária.

Distribuição de recursos

Em relação aos recursos, o Plano Safra 2026/27 ampliou o volume total de crédito em R$ 8,9 bilhões, passando de R$ 516,2 bilhões para R$ 525,1 bilhões. Apesar do crescimento, houve uma mudança na distribuição dos recursos: os valores destinados ao custeio e à comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, enquanto os recursos para investimentos aumentaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, reforçando o foco na modernização das propriedades rurais.

No recorte por beneficiários, o Pronamp terá R$ 72,6 bilhões, ante R$ 69,1 bilhões na safra anterior, enquanto os demais produtores e cooperativas contarão com R$ 452,5 bilhões, frente aos R$ 447 bilhões do ciclo passado.

Juros

As taxas de juros das principais linhas de financiamento também foram reduzidas em relação ao ciclo anterior. No Pronamp, a taxa caiu para 9% ao ano. Já o crédito de custeio empresarial passou a operar com juros de 12,5% ao ano, enquanto programas voltados à inovação, irrigação, cooperativismo, renovação de máquinas e agricultura de baixo carbono terão taxas entre 8% e 12,5%.

As menores taxas foram reservadas para operações do PCA (até 12 mil toneladas de capacidade) e do RenovAgro Ambiental e Recuperação/Conversão de Pastagens, ambos com 8% e 8,5% ao ano, respectivamente, reforçando o incentivo a investimentos em armazenagem e sustentabilidade no campo.

Valor ficou abaixo das expectativas do setor

Embora o volume de recursos seja superior ao da safra passada, o montante anunciado ficou abaixo das expectativas apresentadas nas últimas semanas.

No início de junho, o ministro André de Paula afirmou que o governo trabalhava para um Plano Safra de R$ 550 bilhões. Já entidades do agronegócio defendiam um programa entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, alegando aumento dos custos de produção e maior demanda por crédito rural.

O valor final, de R$ 525,1 bilhões, também ficou aquém dessas projeções, refletindo as limitações fiscais e o elevado custo da equalização das taxas de juros pelo Tesouro Nacional.

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Pesquisa da Embrapa mostra que germinação deixa arroz mais nutritivo e reduz tempo de cozimento

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Foto: Cristina Takeiti/Embrapa

O arroz, um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, pode ganhar importantes benefícios nutricionais quando passa pelo processo de germinação. Uma pesquisa conduzida pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revelou que a técnica aumenta a concentração de compostos bioativos, reduz o tempo de cozimento e pode abrir caminho para o desenvolvimento de novos alimentos funcionais.

Segundo os pesquisadores, a germinação eleva em cerca de 91% o teor de ácido gama-aminobutírico (GABA), um neurotransmissor associado a diversos benefícios fisiológicos. O aumento foi observado após apenas 16 horas de germinação do grão.

De acordo com a pesquisadora Cristina Yoshie Takeiti, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, o processo ativa mecanismos naturais do arroz que ampliam a presença de compostos importantes para a saúde, como flavonoides e ácidos fenólicos.

“Esses compostos possuem propriedades antioxidantes e podem contribuir para a redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis”, explica.

Além de tornar o alimento mais nutritivo, a germinação também reduz o tempo de preparo, característica que atende à demanda crescente dos consumidores por praticidade no dia a dia.

Mais benefícios para o organismo

O estudo também identificou mudanças na composição e na estrutura do amido presente no arroz. Os cientistas verificaram que o grão germinado, quando cozido e posteriormente congelado, apresentou aumento expressivo nos níveis de amido resistente, um tipo de carboidrato que atua de forma semelhante às fibras alimentares.

Segundo a pesquisadora Maria Eugênia Oliveira, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, o arroz germinado cozido em panela elétrica e armazenado congelado por 30 dias apresentou aumento de 100% no teor de amido resistente.

Esse composto está associado a benefícios como melhora do funcionamento intestinal, estímulo ao crescimento de bactérias benéficas da microbiota, auxílio no controle da glicemia e aumento da sensação de saciedade.

Potencial para novos alimentos funcionais

Os pesquisadores acreditam que os resultados podem impulsionar o desenvolvimento de novos produtos à base de arroz com maior valor agregado.

A expectativa é que a tecnologia contribua para ampliar o portfólio de alimentos funcionais disponíveis no mercado, atendendo consumidores interessados em saúde, conveniência e sustentabilidade.

Além disso, a adoção de novas aplicações industriais pode fortalecer a competitividade da cadeia produtiva do arroz no Brasil, agregando valor ao cereal.

Diferença entre arroz integral e arroz germinado

Embora ambos sejam considerados opções mais nutritivas que o arroz branco tradicional, o arroz germinado passa por um processo adicional.

Após ser colocado de molho em água morna, o grão inicia a germinação, ativando enzimas responsáveis pelo aumento de compostos bioativos. O resultado é um alimento mais macio, de sabor levemente adocicado, mais fácil de digerir e com níveis de GABA significativamente superiores aos encontrados no arroz integral comum.

Outra vantagem é o cozimento mais rápido, já que o processo de germinação altera a estrutura do grão.

Armazenamento adequado é fundamental

Apesar dos benefícios, os pesquisadores alertam para a necessidade de armazenar corretamente o arroz germinado após o preparo.

Durante os testes, amostras mantidas em temperatura ambiente apresentaram crescimento da bactéria Bacillus cereus, associada a doenças transmitidas por alimentos.

Por outro lado, o resfriamento ou congelamento logo após o preparo impediu a multiplicação do microrganismo. Por isso, os cientistas reforçam a recomendação de não deixar o arroz cozido fora da geladeira por longos períodos e de armazená-lo refrigerado ou congelado quando não for consumido imediatamente.

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