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Milho cai com supersafra americana à vista, mas novas altas ainda estão no radar

O contrato de setembro do milho negociado na Bolsa de Chicago fechou a semana passada a US$ 3,88 1/4 por bushel, alta de 1,04% frente ao encerramento da semana retrasada. Na segunda-feira (25), novo crescimento, ainda que tímido: US$ 3,89.
Contudo, nesta terça-feira (26), os dados positivos da provável supersafra nos Estados Unidos levaram os vencimentos a sofrerem baixa de 0,44%, ou 1,75 centavo, indicados em US$ 3,87 1/2 por bushel. O mesmo se viu com os acordos firmados para dezembro, com recuo de 2,75 centavo, ou 0,66%, a US$ 4,09 1/2 por bushel.
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o mercado foi pressionado pelo quadro fundamental de ampla oferta global, reforçado pelo último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que manteve a avaliação das lavouras norte-americanas em 71% entre boas e excelentes condições até 24 de agosto, nível mais alto desde 2016 e acima das expectativas de leve queda.
Segundo o órgão, 21% das lavouras estão em condição regular e 8% em situação ruim ou muito ruim, repetindo os índices da semana anterior. Entretanto, traders ajustam posições após a divulgação da estimativa da Pro Farmer na última semana, que ficou abaixo do número oficial do USDA, mas ainda projetando safra robusta.
Assim, a produção de milho nos Estados Unidos caminha para um novo recorde: acima de 425 milhões de toneladas.
No Brasil, os preços têm se mantido firmes, entre R$ 66 e R$ 67 a saca, mesmo com a pressão da entrada da safrinha, que já está cerca de 90% colhida, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundoa plataforma Grão Direto, tal resiliência se deve a uma demanda interna voraz dos setores de etanol e proteína animal, que têm absorvido a produção e criado um piso sólido para as cotações.
Assim, diante da firmeza dos preços e da necessidade de liberar armazéns, os produtores aceleraram a comercialização do milho safrinha. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada (Imea) de julho mostram que 62% da produção do estado já está vendida.
Entretanto, as negociações da safra 2025/26 permanecem atrasadas em relação à média histórica, indicando que o produtor aguarda maior clareza de custos antes de fechar novos negócios.
Supersafra esmagará os preços do milho?
O Brasil entra em sua principal janela de exportação com boas perspectivas, mas em um cenário global competitivo. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques de 7,8 milhões de toneladas de milho em agosto, confirmando o interesse internacional.
“Embora o milho brasileiro acesse mercados diversificados, a competitividade será testada pela oferta recorde dos Estados Unidos, tornando a taxa de câmbio um fator decisivo para a atratividade do produto nacional”, contextualizam os especialistas da grão Direto.
Para a empresa, assim como na soja, o clima nos Estados Unidos será o principal catalisador para Chicago. “Por lá, uma quebra, mesmo que marginal, poderia abrir espaço adicional para as exportações brasileiras no início de 2026.”
No entanto, com a colheita da safrinha quase concluída, o desafio agora é logístico. “O grande volume de milho pressionará a capacidade de armazenagem e os custos de frete”, consideram os profissionais da plataforma.
Para a Grão Direto, esse cenário tende a criar disparidades regionais de preços, abrindo janelas de oportunidade para produtores com armazéns próprios, que poderão negociar em condições mais favoráveis na entressafra, quando a demanda da indústria costuma pagar prêmios.
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Preços recuam, mas suinocultura de MT mantém otimismo com 2026

Depois de um longo período de aperto financeiro, a suinocultura de Mato Grosso voltou a respirar em 2025. O ano foi marcado por exportações recordes, maior estabilidade nos custos de produção e preços médios que permitiram ao produtor organizar as contas, reduzir passivos e retomar investimentos nas granjas.
Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o resultado positivo ajudou a apagar, ao menos em parte, a memória recente de um dos períodos mais difíceis da atividade. “2025 foi um ano positivo. Os números mostram isso e o suinocultor sentiu isso na pele, tirando um pouco daquela memória negativa que foi 2021, 2022, até meados de 2023, onde foi muito sofrido para o produtor de suínos”, afirma ao programa Estúdio Rural.
Ele pondera que o bom desempenho não significou lucro elevado, mas sim fôlego para reorganizar a atividade. “Foi um ano bom para pagar algum passivo que já se vinha carregando e também para renovar a granja, renovar plantel, melhorar a produção que você deixou sucatear em momentos difíceis”, explica.
Entre os principais fatores que sustentaram esse cenário estão o recorde de exportações, tanto no Brasil quanto em Mato Grosso, e a diversificação dos mercados compradores. “Hoje a China já não tem tanto protagonismo e entram outros países como Filipinas, México, Chile, entre outros, o que pulveriza o risco e deixa o cenário mais positivo para as exportações”, salienta Tannure.

Exportações e novos mercados no radar
Apesar de a suinocultura mato-grossense ter forte vocação para o mercado interno, as vendas externas ganharam peso estratégico. De acordo com o presidente da Acrismat, a entidade atua junto ao Ministério da Agricultura e ao Indea-MT para ampliar o acesso a novos destinos. “Estamos trabalhando para a abertura do Chile como mais um cliente para Mato Grosso. É um trabalho técnico, de governo a governo, mas que começa com a provocação da cadeia produtiva”, destaca em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
No mercado interno, o início de 2026 trouxe um movimento já esperado de retração nos preços. O valor pago pelo quilo do suíno vivo caiu de R$ 8 para R$ 6,70. A redução, embora significativa, é tratada como sazonal. “Com festas de fim de ano, férias, indústrias desacelerando e até férias coletivas em frigoríficos, o mercado como um todo esfria e começa a sobrar suíno nas granjas”, explica.
Conforme Tannure, esse cenário gera sobreoferta momentânea e pressiona os preços, já que a suinocultura não permite interrupções na produção. “O produtor não pode esperar o momento ficar bom para vender. Se ele segura, o animal passa do peso ideal e perde valor para a indústria”.
A avaliação mais recente da bolsa semanal acompanhada pela Acrismat, no entanto, indica que a queda perdeu força. “Chegamos a um platô. Esse movimento de queda se estancou e esperamos agora um período de estabilidade”. Mesmo com fatores como Carnaval e Quaresma, que historicamente limitam altas mais expressivas, a expectativa é de equilíbrio. “A exportação está muito forte e deve absorver qualquer excedente que possa surgir”, ressalta.

Produção, custos e recomposição do plantel
O atual patamar de preços ainda cobre os custos de produção, embora com margem apertada. “Estamos num limite para não chegar no empate entre custo e preço de venda. Se a queda continuasse, chegaríamos a um ponto crítico, mas felizmente isso se estancou num momento ainda favorável”, avalia o presidente da Acrismat.
O bom desempenho de 2025 também estimulou a recomposição dos plantéis, reduzidos durante a crise. Em Mato Grosso, o número de matrizes caiu de um pico entre 140 mil e 145 mil para cerca de 125 mil no auge das dificuldades. Hoje, segundo a Acrismat, o estado já opera entre 130 mil e 135 mil matrizes. “Com essa melhora no cenário, o produtor volta a fazer duas coisas: primeiro volta a colocar mais peso no seu suíno e ele volta a recompor o seu rebanho, as suas matrizes”, pontua.
Esse movimento contribuiu para um crescimento da produção acima do inicialmente previsto. “A expectativa era de 2% a 3%, mas ultrapassamos 5% de aumento na oferta de carne suína em 2025. Ainda assim, tudo foi absorvido pelas exportações e pelo consumo interno, que cresce de forma gradual”, ressalta.
Acrismat na Granja e fortalecimento da cadeia
Além do acompanhamento de mercado, a Acrismat mantém ações contínuas de apoio técnico e institucional aos produtores. Uma das principais é o projeto Acrismat na Granja, que leva equipes da associação diretamente às propriedades. “A gente vai até o produtor levando informações técnicas, sanidade, questões ambientais e tudo o que envolve a suinocultura”.
Segundo ele, a iniciativa atende tanto produtores mais estruturados quanto aqueles que ainda têm dificuldade de acesso à informação. “O produtor é multitarefa. Ele precisa entender de meio ambiente, questões trabalhistas, fiscais, sanitárias. No dia a dia, algo pode passar despercebido, e a Acrismat chega justamente para reforçar esses pontos”, afirma.
Paralelamente, a entidade atua na promoção do consumo de carne suína, com ações educativas, participação em feiras, treinamentos de açougueiros e projetos em parceria com a Secretaria de Educação, incentivando a inserção do produto na merenda escolar. “É um trabalho de longo prazo, de desmistificação. Quando você ensina desde criança, esse hábito acompanha a pessoa por toda a vida”.
Mesmo diante de um início de ano com preços mais baixos, a avaliação do setor é de cautela, mas com confiança. Sustentada por exportações firmes, custos mais controlados e uma cadeia mais organizada, a suinocultura mato-grossense entra em 2026 com otimismo renovado.
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Safra 25/26 de tabaco usará 23 mil toneladas de fertilizante reciclado
As empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) estão transformando o resíduo do processamento das folhas, ou seja, o pó de tabaco em fertilizante orgânico.
A reciclagem é realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc), e o produto, conhecido como Fertileaf, é registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa EP RS-3713-3) e certificado como fertilizante orgânico Classe A.
Após o processamento, o adubo retorna às unidades industriais, que o distribuem aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fortalecendo a lógica da economia circular junto aos próprios produtores da cadeia.
O fertilizante também conta com o selo Ecocert, que atesta o uso apropriado do insumo para a produção orgânica, de acordo com normas brasileiras e internacionais.
Conforme dados da Fupasc, entre 2014 e 2025 foram produzidas mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico. A reciclagem junto à Fundação iniciou em 2014, ano em que foram processadas 5.375 toneladas de pó de tabaco.
Com o passar dos anos, a transformação do descarte em fertilizante passou a abranger mais unidades e setores das indústrias, de modo que, atualmente, a totalidade do pó segue para transformação em adubo.
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Entre 2020 e 2025, a produção saltou 56,5%, indo de 14.692 toneladas para 22.991,80 toneladas. O atual volume deve fertilizar as lavouras da safra 2025/26.
O SindiTabaco informa que para a produção, o pó de tabaco recebe a adição de aproximadamente 3% de cinzas de caldeiras à lenha, um resíduo industrial classe II, gerado nas industrias fumageiras, bem como um consórcio de micro-organismos.
O coordenador de Sustentabilidade da Fupasc, engenheiro ambiental e de segurança do trabalho Sebastião Bohrer, conta que a cinza é utilizada para correção do pH e que os micro-organismos aceleram a fermentação dos resíduos.
“No tratamento, o pó de tabaco e a cinza são umidificados em um sistema coberto, chamado de leiras, onde também é adicionado o consórcio de micro-organismos para promover a degradação e a estabilização dos resíduos”, detalha.
Como o Fertileaf é produzido

A produção do Fertileaf ocorre por meio de um processo de compostagem em área 100% coberta, com ciclo fechado, denominado fermentação em estado sólido, sem geração de resíduos líquidos.
A Fupasc ressalta que a eficiência do processo é avaliada diariamente por meio da medição da temperatura das pilhas de maturação do composto orgânico e também por ensaios de germinação de sementes de ervas daninhas.
A fundação recebe o pó cru e as cinzas das empresas associadas, adiciona os micro-organismos e, após 90 a 120 dias de maturação e estabilização, o produto está pronto para retornar às empresas. Na produção, 100% da energia utilizada é proveniente de usina solar própria, e 100% da água é de reuso (pluvial).
O SindiTabaco destaca que o Fertileaf é resultado de cerca de 20 anos de pesquisas e experimentos para o desenvolvimento da biotecnologia e da estrutura adequada para compostagem e estabilização dos resíduos provenientes do setor fumageiro.
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Banco do Brasil estima R$ 2 bilhões em propostas no Show Rural Coopavel 2026

O Banco do Brasil estima acolher R$ 2 bilhões em propostas de crédito rural para agricultores familiares, médios e grandes produtores durante o Show Rural Coopavel, entre 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Paraná.
As taxas oferecidas pela instituição são a partir de 2,5% ao ano, com recursos do Plano Safra para todas as linhas de crédito.
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, destaca que a preparação para a feira começou ainda em janeiro, com a realização de 95 reuniões prévias com produtores rurais e suas cooperativas para apresentação das condições que o banco oferecerá durante os cinco dias de evento.
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“Participar do Show Rural Coopavel ao longo de todos esses anos reforça o compromisso histórico do Banco do Brasil com o agro do Paraná. Estaremos mais uma vez reafirmando a nossa proximidade com quem produz e seguiremos financiando os investimentos necessários para o fortalecimento e desenvolvimento dos agricultores familiares, dos médios e dos grandes produtores, bem como das cooperativas agropecuárias, sempre de acordo com a realidade de cada perfil”, afirma Bittencourt.
Condições do banco na feira
O banco prevê que mais de 50 municípios paranaenses contarão com as condições preparadas para o Show Rural Coopavel: 10% de desconto na contratação dos Seguros Agrícolas Área Financiada e Área Não Financiada, e 10% de desconto na contratação do Seguro Patrimônio Rural.
A instituição também promete oferecer 30% de descibti aos clientes na compra dos grupos de veículos pesados e imobiliário do Consórcio Agro.
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