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15 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Desfolha no período reprodutivo e sua relação com a produtividade da soja – MAIS SOJA

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A desfolha está entre os principais fatores de redução da produtividade da soja. Ao diminuir a área foliar e, consequentemente, a superfície fotossinteticamente ativa, ocorre menor produção e translocação de fotoassimilados para os grãos, o que limita diretamente o potencial produtivo da cultura.

A redução da área foliar é tão significante para a produtividade da soja, que para a maioria das pragas desfolhadoras, além do número de indivíduos, deve-se considerar a porcentagem de desfolha para definir o nível de controle (Tabela 1). No entanto, embora a soja apresente uma conhecida plasticidade, que lhe confere uma maior capacidade compensativa na maioria das cultivares, é consenso que o período reprodutivo é o período mais sensível da cultura á desfolha.

Tabela 1. Nível de ação para o controle das principais lagartas da soja.
Fonte: Roggia et al. (2020)

Ainda que a resposta produtiva em função da desfolha possa variar em função da cultivar, corroborando a recomendação técnica de que o nível de desfolha no período reprodutivo deve ser menor em comparação ao período vegetativo para evitar maiores perdas produtivas, Durli et al. (2020) observaram que as maiores perdas produtivas são observadas quando a desfolha ocorreu durante o período reprodutivo da cultura, independentemente de cultivar.

Os autores avaliaram a influência de diferentes níveis de desfolha (0%, 16,6%, 33,3%, 50% e 66,6) durante os períodos vegetativo e reprodutivo de cultivares de soja, submetendo cultivares de diferentes grupos de maturação relativa (GMR), a desfolha nas fases de V6 e R3.

Figura 1. Representação esquemática dos cinco níveis de desfolhamento impostos a três cultivares de soja em V6 e R3.
Adaptado: Durli et al. (2020)

Embora os resultados obtidos por  Durli et al. (2020) demonstrem que a capacidade de expansão foliar da soja após a desfolha durante o período vegetativo pode variar de acordo com a cultivar, os autores destacam que a partir de 16,6% de desfolha durante o período reprodutivo, perdas significativas de produtividade são  observadas, demonstrando que níveis de desfolha superiores a 16,6% durante o período reprodutivo, já podem causar perdas substanciais de produtividade em soja.

Figura 2. Rendimento de grãos por planta de cultivares de soja sob diferentes níveis de desfolha em V6 (A) e R3 (B). Cultivares avaliadas: BMX Veloz (GMR 5.0, hábito de crescimento indeterminado), NA  5909 (GMR 5.9, hábito de crescimento indeterminado) e TMG 7262 (GMR 6.2, hábito de crescimento semideterminado).
As barras verticais indicam a média ± erro padrão do tratamento Adaptado: Durli et al. (2020)

Entre as principais espécies de lagartas desfolhadoras que ocorrem com maior frequência no período reprodutivo da soja, destacam-se as do complexo Spodoptera (Spodoptera spp.), a lagarta-falsa-medideira (Chrysodeixis includens, Rachiplusia nu e Trichoplusia ni) e as lagartas do gênero Helicoverpa (Helicoverpa spp.). Nesse período do desenvolvimento da soja, o monitoramento torna-se essencial para a definição do nível de controle, uma vez que a desfolha causada por essas pragas pode resultar em perdas significativas de produtividade. Embora a amostragem de lagartas seja importante desde as fases iniciais da lavoura, sua intensificação durante o período reprodutivo é indispensável, pois é quando o potencial produtivo da soja está mais suscetível aos danos.

Figura 3. Períodos críticos para ocorrência e danos de lagartas de diferentes espécies na soja.
Figura: Jerson Guedes.

Veja mais: Monitoramento e controle de percevejos em soja


Referências:

DURLI, M. M., et al. NÍVEIS DE DESFOLHA NAS FASES VEGETATIVA E REPRODUTIVA DE CULTIVARES DE SOJA COM DIFERENTES GRUPOS DE MATURAÇÃO RELATIVA. Rev. Caatinga, Mossoró, v. 33, n. 2, pág. 402-411, abr.- junho de 2020. Disponível em: < https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/caatinga/article/view/8999/10209 >, acesso em: 26/08/2025.

GUEDES, J. C.; POZEBON, H.; ARNEMANN, J. A.; RUTHES, E.; PERINI, C. R. Pragas da Soja. Em: ROMERO, J. C. P. (Ed.) Manual de Entomologia Volume 1: Pragas das Culturas. 1ª Edição, 477 p. Editora Agronômica Ceres, Ouro Fino – MG, 2022.

LACERDA, K. L. et al. PRODUTIVIDADE DA SOJA COM DESFOLHA ARTIFICIAL EM DIFERENTES ESTÁDIOS FENOLÓGICOS. PEER REVIEW, 2024. Disponível em: < https://peerw.org/index.php/journals/article/view/1753/1024 >, acesso em: 26/08/2025.

ROGGIA, S. et al. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa, Tecnologias de Produção de Soja, Sistemas de Produção, n. 17, cap. 9, 2020. Disponível em:< https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 26/08/2025.

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Sustentabilidade

Mercado da soja: cotações sobem com dólar acima de R$ 5,20 e negócios ganham ritmo

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Foto: Embrapa Soja

O mercado brasileiro de soja apresentou maior movimentação nesta sexta-feira (14), com reporte de negócios diante da melhora das cotações.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o dólar operou acima de R$ 5,20, enquanto a Bolsa de Chicago registrou movimentos de alta, ainda que leves.

Silveira destaca que os prêmios não cederam e permanecem em bons patamares. Com isso, as cotações nos portos chegaram a tocar R$ 150,00 por saca no mercado spot. São bons níveis, enquanto no mercado interno também aparecem ofertas melhores, avalia.

De maneira geral, segundo o analista, as cotações avançaram cerca de R$ 2,00 por saca,
contribuindo para um dia mais aquecido nas negociações.

  • Passo Fundo (RS): subiram de R$ 140,00 para R$ 142,00.
  • Santa Rosa (RS): subiram de R$ 141,00 para R$ 143,00.
  • Cascavel (PR): subiram de R$ 136,00 para R$ 139,00.
  • Rondonópolis (MT): subiram de R$ 133,00 para R$ 134,00.
  • Dourados (MS): permaneceu em R$ 131,50.
  • Rio Verde (GO): subiram de R$ 133,00 para R$ 134,00.
  • Paranaguá (PR): subiram de R$ 147,00 para R$ 150,00.
  • Rio Grande (RS): subiram de R$ 148,00 para R$ 150,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam com preços mais altos nesta sexta- feira, na Bolsa de
Mercadorias de Chicago (CBOT), ampliando o ganho semanal. As cotações seguiram o desempenho de outros mercados e sinais de demanda aquecida pela soja americana, principalmente por parte da China. A alta foi limitada pelo clima favorável ao desenvolvimento das lavouras americanas.

Trigo e milho tiveram mais um dia de fortes ganhos, o que influenciou também a soja. O mercado mostra preocupação com a intensificação do conflito no Mar Negro e o impacto sobre a oferta destes cereais. A queda do dólar frente a outras moedas dá competitividade aos produtos de exportação dos Estados Unidos.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 136.000 toneladas de soja à China, que serão entregues na temporada 26/27.

A Sinograin, estatal chinesa responsável pelos estoques de grãos, informou nesta sexta-feira que realizará um leilão de 360 mil toneladas de soja importada no dia 19 de agosto, em um momento em que o mercado espera que a empresa libere espaço nos estoques para a chegada da oleaginosa dos Estados Unidos.

As condições climáticas seguem favorecendo o potencial produtivo da soja americana. Na próxima semana, atenções voltados para o tradicional Crop Tour da Pro Farmer.

Contratos da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 10,25 centavos de dólar, ou 0,86%, a US$ 11,92 1/2 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 12,07 3/4 por bushel, com elevação de 10,00 centavos de dólar ou 0,83%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 2,30 ou 0,73% a US$ 316,30 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 68,97 centavos de dólar, com ganho de 0,59 centavo ou 0,86%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,57%, sendo negociado a R$ 5,2209 para venda e a R$ 5,2189 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1733 e a máxima de R$ 5,2488. Na semana, a moeda valorizou 2,7%.

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Sustentabilidade

Como o sistema de produção condiciona o sucesso da lavoura de soja – MAIS SOJA

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Com a aproximação da época de semeadura da soja, chega o momento de escolher a cultivar ideal que melhor se adapte às condições de cada produtor. A primeira etapa para determinar a cultivar está relacionada ao conhecimento do ambiente (temperatura, radiação solar e fotoperíodo) e do sistema de produção. Um sistema intensificado de cultivos impede o produtor semear a soja na época ideal, demonstrando como o sistema de produção frequentemente condiciona a época de semeadura. No Sul do Brasil, por exemplo, uma análise em 853 lavouras de soja apontou que há uma perda de 995 kg ha-1 pela escolha incorreta do GMR ou época de semeadura (Winck et al., 2023).

A época de semeadura influencia diretamente o comportamento fenológico e o potencial de produtividade de cada lavoura. O fator biofísico que mais explica o potencial de produtividade de uma lavoura (sem limitações hídricas, nutricionais ou bióticas) é o coeficiente fototérmico (razão entre a radiação solar incidente e a temperatura do ar) durante a fase entre os estágios R3 (início da formação dos legumes) e R7 (maturidade fisiológica) da soja (Fehr & Caviness, 1977; Zanon et al., 2016).

Para exemplicar essa dinâmica, a Figura 1 apresenta o momento de ocorrência de cada fase fenológica de cultivares com diferentes GMRs em relação ao fotoperíodo do local de semeadura. Compreender essas relações permite alinhar o período crítico da cultura com a maior oferta ambiental (maior coeficiente fototérmico), além de evidenciar como esse posicionamento é influenciado pela época de semeadura e pelo GMR da cultivar.

Figura 1. Relação de cultivares de soja (hábito de crescimento indeterminado) com diferentes Grupos de Maturidade Relativa (GMR), semeados em Chapadinha/MA – Brasil (A), Sorriso/MT – Brasil (B), Passo Fundo/RS – Brasil (C), Pergamino/BA – Argentina (D) e North Platte/NE – EUA (E), com os seus respectivos fotoperíodos. A linha preta tracejada indica o fotoperíodo (horas) ao longo do período de cultivo. As colunas com diferentes cores representam as diferentes durações (dias) das fases do ciclo de desenvolvimento da soja. SE-R1: fase vegetativa, da semeadura (SE) até o aparecimento da primeira flor na haste principal (R1); R1-R3: início do florescimento (R1) ao início da formação de legumes (R3); R3-R5: início da formação de legumes (R3) ao início do enchimento de grãos (R5); R5-R7: início do enchimento de grãos (R5) até maturidade fisiológica (R7). O retângulo tracejado representa o período crítico para a cultura da soja de R3 a R6.


Referências:

FEHR, W.R. and CAVINESS, C.E. Stages of soybean development. Special Report 80, Iowa Agricultural Experiment Station, Iowa Cooperative External Series, Iowa State University, Ames, 1977.

WINCK, J. E. M. et al. Decomposition of yield gap of soybean in environment × genetics × management in Southern Brazil. European Journal of Agronomy, v. 145, p. 126795, 2023. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1161030123000631 >, acesso: 21/07/2026.

WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

ZANON, A.J; STRECK, N.A; GRASSINI, P. Climate and Management Factors Influence Soybean Yield Potential in a Subtropical Environment. Agronomy Journal, v. 108, n. 4, p. 1447-1454, 2016. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.2134/agronj2015.0535 >, acesso 22/07/2026.

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Sustentabilidade

Soja mantém protagonismo nas exportações de MS – MAIS SOJA

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A soja manteve a liderança entre os produtos exportados por Mato Grosso do Sul em julho de 2026. Segundo levantamento da Aprosoja/MS, com dados do ComexStat, soja e resíduos representaram 35,6% da pauta de exportações do Estado no sétimo mês do ano. Na sequência aparecem celulose, com 30,6%, e carne bovina, com 15,5%.

O desempenho contribuiu para o resultado positivo da balança comercial sul-mato-grossense, que encerrou julho com saldo de US$ 1,084 bilhão. As exportações somaram US$ 1,264 bilhão, enquanto as importações totalizaram US$ 180 milhões.

Outro destaque foi o óleo de soja, que aparece entre os principais produtos comercializados pelo Estado.

“A participação da soja confirma a força da cadeia produtiva sul-mato-grossense no comércio exterior, mas o avanço de itens processados também merece atenção. É um movimento que amplia as possibilidades de geração de valor dentro do próprio Estado”, avalia o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Nas importações, o gás natural permaneceu na primeira colocação, respondendo por 39,3% do total. O cobre ficou em segundo lugar, seguido por equipamentos elétricos. A via férrea, que representou 3,6% das importações, apareceu na quinta posição.

 A presença da via férrea entre os principais itens importados, segundo a análise do boletim, está relacionada à execução do projeto de curta extensão do ramal ferroviário de Inocência.

O resultado da balança comercial reforça, ainda, a diferença entre os fluxos de comércio registrados no mês: o valor exportado foi aproximadamente sete vezes superior ao importado.

Para Linneu, acompanhar a composição desses fluxos é importante para compreender não apenas o resultado mensal, mas também os movimentos estruturais da economia estadual.

“Os dados permitem enxergar onde estão os principais vetores de geração de divisas e quais setores vêm ganhando espaço na composição do comércio exterior. Essa leitura é importante para orientar decisões e avaliar os efeitos dos investimentos produtivos e logísticos no Estado”, conclui.

O boletim completo pode ser acessado clicando aqui.

Fonte: Aprosoja/MS



FONTE

Autor:Crislaine Oliveira (Assessoria de Comunicação da Aprosoja/MS)

Site: Aprosoja MS

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