Connect with us

Sustentabilidade

Eficiência de fungicidas no controle do mofo-branco – MAIS SOJA

Published

on


Considerada uma das principais doenças da soja, o mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum possui elevada agressividade, podendo causar perdas de produtividade de até 70% dependendo da severidade da infecção e suscetibilidade da cultivar (Meyer et al., 2014). Estima-se que, para cada ponto percentual de aumento na incidência do mofo-branco, há uma redução média de 17,2 kg/ha na produtividade da soja e um acréscimo de 100 g/ha na produção de escleródios (Meyer et al., 2025).

Os escleródios são estruturas reprodutivas do fungo, facilmente dispersas e responsáveis pela sobrevivência do patógeno. Em condições ideais de umidade e temperaturas em torno de 15°C, ocorre a germinação dos escleródios (figura 1), dando origem a apotécios. Cada apotécio pode produzir até 2 milhões de esporos, contribuindo assim para a disseminação do fungo.

Figura 1. Germinação carpogênica de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum, com elevada formação de apotécios (A e B), e de um escleródio enterrado a cerca de 3 cm de profundidade no solo, mostrando a capacidade de elongação da estipe (C).
Fotos: Maurício C. Meyer

A fase mais vulnerável da soja ao mofo-branco vai do estádio da floração plena ao início da formação das vagens, nesse sentido, a aplicação de fungicidas no início do florescimento e durante a floração é essencial para reduzir a severidade da doença em áreas infestadas (Soares, et al., 2023). Além do controle químico, vale destacar que para um manejo eficiente do mofo-branco, medidas integradas devem ser adotadas, tais como o tratamento de sementes com fungicidas, o uso de sementes certificadas livres de escleródios, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a eliminação de plantas voluntárias durante os períodos entressafra.

Tratando do controle químico do mofo-branco, além do posicionamento dos fungicidas quanto ao momento de aplicação, é preciso dar preferência por defensivos com maior performance no controle da doença. Embora não seja considerada uma doença de difícil controle, atualmente existem 82 produtos com registro para o controle do mofo-branco em soja (Agrofit, 2025), o que pode causar certa insegurança ao definir o fungicida, considerando a diversidade de produtos disponíveis no mercado.

Visando avaliar a eficiência dos fungicidas no controle químico do mofo-branco, ensaios cooperativos vêm sendo realizados desde 2009 por instituições de pesquisa em regiões com maior ocorrência da doença, no entanto, vale destacar que não constituem uma recomendação direta de uso (Meyer et al., 2025).

Na safra 2024/2025, os ensaios cooperativos avaliam o controle do mofo-branco em 11 locais distintos, contemplando os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia, Goiás e Minas Gerais. O protocolo utilizado no ensaio com os fungicidas, doses e épocas de aplicação é apresentado na Tabela 1.

Tabela 1. Tratamentos com fungicidas (p.c.= produto comercial), ingrediente ativo (i.a.), épocas de aplicação e doses utilizadas no ensaio cooperativo de controle de mofo-branco em soja, safra 2024/2025.
Fonte: Meyer et al. (2025)

De acordo com os resultados obtidos nos ensaios cooperativos e apresentados por Meyer e colaboradores (2025), a maior porcentagem de controle, baseado na redução da incidência de mofo-branco, foi de 66%, observadas nos tratamentos T4 (fluopiram). Todos os demais tratamentos com fungicidas formaram um segundo agrupamento estatístico, com nível de controle variando de 47% até 54% (Tabela 3). Quando comparada a testemunha (sem fungicidas) com o tratamento mais produtivo (T4 – fluopiram), observou-se uma redução média de produtividade de 24,4% em função da não utilização dos fungicidas para o controle do mofo-branco (testemunha).

Tabela 2. Incidência, controle relativo (C), produtividade da soja, redução de produtividade (RP), massa de escleródios produzidos (M. Esc.) e redução da massa de escleródios (RMEsc) em função dos tratamentos fungicidas dos ensaios cooperativos de controle de mofo-branco em soja. Safra 2024/2025.
Fonte: Meyer et al. (2025)

Embora não tenham sido observadas diferenças significativas em função do fungicida utilizada para a variável produtividade, os resultados observados no presente ensaio demonstram a importante contribuição do uso dos fungicidas para  obtenção de maiores produtividade de soja, independentemente do fungicida utilizado para o controle do mofo-branco. Já com relação a incidência da doença, estatisticamente observou-se que o tratamento T4 (fluopiram) promoveu a menor incidência do mofo-branco (Tabela 2).

Com relação a produção de escleródios do mofo-branco (massa de escleródios), constatou-se que os tratamentos que apresentaram as maiores reduções na produção de escleródios foram T7 (picoxistrobina), com 84% de redução, seguido dos tratamentos T6 (fluazinam, Bandolim© 1,0 L p.c./ha), T4 (fluopiram), T2 (procimidona) e T3 (fluazinam, Frowncide© 500 SC 1,0 L p.c./ha), com percentuais de redução variando de 77% a 71% (Meyer et al., 2025).

A redução da produção de escleródios é um fator importante para o manejo integrado do mofo-branco, que contribui para a redução da disseminação da doença na área e entre áreas de cultivo. Vale destacar que além do posicionamento adequado dos fungicidas, é fundamental adotar estratégias de manejo integradas que possibilitam o manejo do mofo-branco, contribuindo não só para a manutenção da produtividade da lavoura, como também para a redução da incidência da doença.

Confira a circular completa com a eficiência dos fungicidas para o controle do mofo-branco em soja clicando aqui!

Referências:

AGROFIT. CONSULTA ABERTA. Ministério da Agricultura e Pecuária, 2025. Disponível em: < https://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons >, acesso em: 17/07/2025.

MEYER, M. C. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE MOFO-BRANCO (Sclerotinia sclerotiorum) EM SOJA, NA SAFRA 2024/2025: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS EXPERIMENTOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 218, 2025. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1177007/1/Circ-Tec-218.pdf >, acesso em: 17/07/2025.

MEYER, M. C. et al. ENSAIOS COOPERATIVOS DE CONTROLE QUÍMICO DE MOFO BRANCO NA CULTURA DA SOJA: SAFRAS 2009 A 2012. Embrapa Soja, Documentos, n. 345, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/985018/1/Ensaioscooperativosdecontrolequimicodemofobranconaculturadasojasafras2009a2012.pdf >, acesso em: 17/07/2025.

SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 17/07/2025.

Continue Reading

Sustentabilidade

Retração vendedora e escoamento externo sustentam cotações do arroz – MAIS SOJA

Published

on


O mercado brasileiro de arroz segue operando em ritmo lento, porém com cotações sustentadas, refletindo um equilíbrio delicado entre oferta crescente e mecanismos de escoamento relativamente ativos. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

Do lado da safra 2025/26, o avanço da colheita em março foi decisivo. O tempo firme permitiu melhor drenagem das áreas e redução da umidade do grão, diminuindo custos de secagem e favorecendo a eficiência operacional, conforme apontado pela Emater/RS.

“No campo comercial, um dos principais fatores de sustentação vem das exportações”, explica o analista. O volume embarcado em março, de 161,4 mil toneladas (base casca), “cumpre papel essencial ao retirar excedentes do mercado interno”.

O destaque é o forte fluxo de arroz em casca para México e Venezuela (85,9 mil toneladas), diretamente ligado à sustentação dos preços ao produtor. “Além disso, também foi registrado o escoamento de 51,3 mil toneladas de quebrados para África”, relata Oliveira.

Por outro lado, o varejo já sinaliza um ambiente mais pressionado. A queda de preços em diversas capitais indica expectativa de maior oferta e consumo mais cauteloso, o que limita a capacidade da indústria de pagar mais pela matéria-prima. “Esse fator explica, em parte, o ritmo demasiado lento dos negócios”, acrescenta.

Por fim, os riscos logísticos seguem no radar. “Possíveis problemas com combustíveis, transporte ou paralisações podem impactar diretamente o fluxo da cadeia e alterar rapidamente o comportamento dos preços”, pondera o consultor.

Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira cotada a R$ 59,86, alta de 3,19% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o avanço era de 8,97%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingia 25,90%.

Fonte: Agência Safras



FONTE

Autor:Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Safras News

Site: Agência Safras

Continue Reading

Sustentabilidade

Mercado de soja segue lento e com preços recuando no Brasil; Chicago e dólar caem – MAIS SOJA

Published

on


O mercado brasileiro de soja teve uma semana predominantemente travada, com registro de movimentos pontuais e sem volumes relevantes. Os prêmios apresentaram poucas mudanças, enquanto câmbio e Chicago acumularam perdas na semana, afastando os negociadores.

De modo geral, o movimento foi de preços mistos, sem direção clara. O analista de Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que o produtor segue fora do mercado, assim como as tradings, o que limita a liquidez. “O quadro da semana, como um todo, foi de poucos movimentos”, resume.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos recuou de R$ 125,00 para R$ 124,00 na semana. Em Cascavel (PR), a cotação baixou de R$ 120,00 para R$ 119,00. Em Rondonópolis (MT), o preço caiu de R$ 110,00 para R$ 107,00. No Porto de Paranaguá, a saca passou de R$ 131,00 para R$ 130,00.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em maio acumularam desvalorização de 4,55%, encerrando a semana a US$ 11,69 1/2 por bushel. Após atingir na semana passada o maior patamar em dois anos, o mercado iniciou a semana no limite diário de baixa, sessão responsável pela queda semanal.

O motivo da queda foi a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar seu esperado encontro com o presidente chinês Xi Jinping. A reunião estava prevista para o final de março, mas as últimas informações é de que o encontro ficará para um período daqui 30 a 45 dias.

Por conta do conflito no Oriente Médio, Trump decidiu postergar o encontro. O atraso no encontro significa também adiamento de um possível acordo comercial. O mercado vive a expectativa de um acerto de compra de soja americana por parte dos chineses.

A semana também não foi das melhores em termos de câmbio. No balanço, o dólar comercial recuou 1,47%, sendo cotado na manhã da sexta a R$ 5,2387. O recuo tira competitividade da soja brasileira.

Fonte: Agência Safras



Continue Reading

Sustentabilidade

Mercado de trigo mantém preços firmes com liquidez limitada e cautela dos agentes – MAIS SOJA

Published

on


O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com negociações pontuais e ritmo moderado, refletindo a postura cautelosa dos agentes diante de um ambiente ainda indefinido. A combinação de oferta imediata restrita, instabilidade nos referenciais externos e demanda enfraquecida por derivados limitou o avanço dos negócios.

“Os agentes atuam de forma mais conservadora, o que resulta em negócios pontuais e andamento lento tanto no Rio Grande do Sul quanto no Paraná”, disse o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento.

No mercado físico, os preços se mantiveram relativamente firmes, sustentados mais pela restrição de oferta do que por um consumo aquecido. No Rio Grande do Sul, negócios ocorreram ao redor de R$ 1.150 por tonelada FOB, enquanto pedidas entre R$ 1.200 e R$ 1.250/t encontraram resistência dos moinhos.

“Essa diferença reflete, principalmente, as dificuldades no escoamento de derivados e as margens comprimidas da indústria, o que mantém o mercado lento e bastante seletivo”, afirmou Bento.

No Paraná, o cenário foi semelhante, com negociações restritas e forte influência de fatores logísticos. Fretes elevados, escassez de caminhões, em meio ao pico de escoamento de soja e milho, e entraves operacionais contribuíram para limitar o fluxo de comercialização. “A logística continua sendo um fator relevante, com fretes elevados e menor disponibilidade de caminhões, o que impacta diretamente o fluxo de comercialização”, destacou o analista.

Além disso, a demanda fragilizada pelo fraco desempenho do mercado de farinha seguiu comprimindo margens e restringindo a atuação dos moinhos, que priorizam a gestão de estoques. Do lado da oferta, a menor urgência de venda por parte dos produtores também reduziu a pressão vendedora, mantendo o mercado tecnicamente firme, porém com baixa liquidez.

Para a próxima semana, a expectativa é de manutenção desse ambiente de negociações pontuais e seletivas. A evolução do câmbio, o comportamento das cotações internacionais e, principalmente, o avanço da colheita de verão, que pode destravar a logística, serão determinantes para uma eventual retomada do ritmo de negócios.

“Sem uma melhora mais clara no consumo ou maior estabilidade nos indicadores externos, a tendência é de manutenção desse ambiente de negociações pontuais, seletivas e de ritmo moderado”, aponta o especialista.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

Continue Reading
Advertisement

Agro MT