Agro Mato Grosso
Como os pulgões vencem as defesas naturais das plantas I MT

Pesquisa revela estratégias moleculares e comportamentais para neutralizar compostos tóxicos produzidos por culturas agrícolas
Estudo detalhou como os pulgões superam os compostos tóxicos defensivos produzidos por plantas. Esses compostos, chamados metabólitos secundários (PSMs), deveriam funcionar como uma barreira natural contra pragas. Mas os pulgões desenvolvem mecanismos de resistência que reduzem a eficácia das substâncias.
Pesquisadores da Universidade de Yangzhou, na China, apresentaram revisão sobre os mecanismos fisiológicos, bioquímicos e comportamentais que permitem aos pulgões sobreviver, se multiplicar e continuar a transmitir vírus mesmo sob pressão de defesas vegetais complexas.
Enzimas contra venenos
As plantas produzem compostos químicos como terpenoides, fenóis e alcaloides que atuam como inseticidas naturais. Em resposta, os pulgões ativam enzimas de desintoxicação, como as citocromo P450, transferases de glutationa (GSTs) e UDP-glicosiltransferases (UGTs), capazes de neutralizar os efeitos tóxicos desses compostos.
O processo ocorre em três fases.
Primeiro, as toxinas sofrem transformações químicas para se tornarem mais solúveis.
Em seguida, essas substâncias são ligadas a outras moléculas que facilitam sua eliminação.
Por fim, o organismo excreta os resíduos por transportadores de membrana celular, como os ABC transporters.
A pesquisa destaca que as enzimas antioxidantes também ajudam os pulgões a suportar o estresse oxidativo causado pelos metabólitos das plantas. Essa combinação bioquímica contribui para a sobrevivência e reprodução dos insetos, mesmo em ambientes hostis.
Bactérias aliadas
Os pulgões também contam com bactérias simbióticas que potencializam suas defesas. Algumas dessas bactérias, como Hamiltonella defensa e Regiella insecticola, interferem nas defesas hormonais das plantas, reduzindo a produção de compostos tóxicos ou neutralizando a resposta do sistema vegetal.
Em experimentos, pulgões com determinadas bactérias simbióticas demonstraram maior sobrevivência em cultivares naturalmente tóxicos. Em casos mais extremos, essas bactérias são capazes de metabolizar inseticidas sintéticos e compostos naturais presentes em folhas e caules.
Efeito viral
Além das enzimas e das bactérias, os pulgões também se beneficiam da ação de vírus que transmitem às plantas.
Muitos desses vírus enfraquecem as defesas vegetais ao suprimir vias hormonais importantes, como as de ácido jasmônico e ácido salicílico.
O resultado é duplo: plantas menos resistentes e maior atratividade para novos pulgões. Em testes com plantas infectadas por vírus como o Turnip mosaic virus ou o Potato leafroll virus, os insetos apresentaram aumento na fecundidade e maior tempo de permanência sobre a planta.
Comportamento estratégico
O comportamento dos pulgões também contribui para o sucesso da infestação. Eles evitam tecidos vegetais ricos em compostos tóxicos e preferem variedades com menor teor de PSMs. Essa seleção ocorre durante a alimentação, quando os insetos sondam os tecidos com seus estiletes e recuam diante de sinais químicos indesejáveis.
Certas linhagens ou haplótipos de pulgões mostram preferência por cultivares específicas. Essa seleção reflete não apenas adaptação fisiológica, mas também uma capacidade comportamental refinada para escapar de defesas vegetais mais eficazes.
Sequestro químico
Em algumas espécies, os pulgões acumulam compostos tóxicos das plantas sem sofrer efeitos adversos. O sequestro de metabólitos secundários, como glucosinolatos e alcaloides, pode inclusive servir como mecanismo de defesa contra predadores.
O pulgão Brevicoryne brassicae, por exemplo, armazena compostos de mostarda em seu corpo e libera substâncias tóxicas quando atacado.
Esse comportamento transforma o inseto em uma espécie de “bomba química ambulante”.
Em outras espécies, como Acyrthosiphon pisum, o sequestro de compostos como L-DOPA mostrou efeitos antioxidantes e até reparação tecidual.
Outras informações em doi.org/10.1093/hr/uhaf267
Agro Mato Grosso
Alunas de escola do campo em MT produzem seis tipos de pomadas com plantas medicinais

Projeto em Barra do Garças reúne três estudantes e pesquisa o uso de espécies vegetais do Cerrado mato-grossense.
Alunas da Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada na zona rural de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, estão desenvolvendo pomadas naturais a partir de plantas medicinais como parte de um projeto de pesquisa sobre os saberes tradicionais do Cerrado mato-grossense. A iniciativa reúne três estudantes e investiga o uso de espécies vegetais na produção de seis tipos de pomadas.
A iniciativa começou há cerca de quatro meses. O diretor da escola, Eugênio Marcos de Sousa, informou que a equipe já tinha uma horta com plantas medicinais e decidiu pesquisar formas de utilizá-las na produção das preparações.
“Esse projeto começou com uma ideia que tivemos assim que a Fapemat divulgou o edital. Nós já havíamos pensado nessa questão das plantas medicinais na escola, tanto que temos uma horta”, contou.
O projeto é desenvolvido por Eugênio e pela professora de matemática e bióloga Fabiane Borges de Souza, com a participação de três estudantes: Marcela Matos Luz Vieira, do 8º ano das salas anexas; Yasmin Lorraine Queiroz Nero, do 8º ano; e Gabrielle Mutzenberg Morais, do 2º ano do ensino médio, ambas da sede da escola.
As estudantes fazem parte do grêmio estudantil. De acordo com o diretor, a professora Fabiane teve a ideia inicial e mobilizou as alunas para participar da pesquisa.
Os produtos são feitos de forma caseira, em um espaço adaptado na escola, e não possuem regulamentação sanitária para comercialização. As pomadas fazem parte do projeto de pesquisa e, até o momento, não são produtos regularizados para venda.
Seis tipos de pomadas
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Projeto produz seis tipos de pomadas naturais, incluindo versões para dores musculares, queda capilar e ação repelente. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As estudantes produzem seis preparações: pomada para dores musculares, antiqueda capilar, anti-idade, repelente, cicatrizante e uma versão chamada de “Vick natural”, inspirada em produtos tradicionais usados para aliviar desconfortos respiratórios.
Os ingredientes variam conforme a finalidade de cada preparo. A pomada para queda capilar, por exemplo, leva folhas de goiaba e amora, além de canela e cravo. Já a versão repelente utiliza citronela e eucalipto.
A pomada cicatrizante contém açafrão e barbatimão. Para a preparação chamada de “Vick natural”, são utilizadas folhas de hortelã, eucalipto e poejo.
O diretor explicou que a escolha dos ingredientes e a consistência das preparações foram definidas a partir das pesquisas realizadas pela equipe.
“Para dar consistência à pomada, tivemos a ideia de usar a cera de abelha. Dependendo da preparação, também mudamos os óleos utilizados, conforme as pesquisas feitas pelas meninas”, relatou.
Além das pomadas, as estudantes também começaram a pesquisar a extração dos óleos vegetais para disponibilizá-los separadamente.
Produção dentro da escola
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Pomadas são produzidas de forma caseira em espaço adaptado na escola estadual, em Barra do Garças. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
As pomadas são produzidas em um espaço improvisado na biblioteca da escola, adaptado para funcionar como laboratório. Inicialmente, a equipe utilizava um fogão elétrico de duas bocas, mas, com os recursos do projeto, comprou um equipamento de quatro bocas.
Segundo o diretor, as primeiras preparações foram apresentadas a familiares, professores e integrantes da Diretoria Regional de Educação (DRE). A equipe recebeu avaliações positivas e pedidos de novas unidades.
“Por exemplo, a nossa pomada mágica, que é para dor muscular, já disseram que é muito boa, excelente. Inclusive, já nos solicitaram mais”, destacou.
Entre os produtos que receberam comentários favoráveis também estão as versões para queda capilar e cicatrização, conforme o diretor.
Planos para o futuro
Atualmente, parte das plantas utilizadas no projeto é cultivada na própria escola, como hortelã, goiaba, poejo, guaco, eucalipto, capim-limão e babosa. A equipe pretende ampliar o cultivo com novas espécies para dar continuidade às pesquisas.
O objetivo inicial é divulgar o projeto e compartilhar o conhecimento produzido pelas estudantes. No futuro, a equipe pretende buscar um espaço próprio para a fabricação das pomadas e avaliar a possibilidade de comercializá-las para a comunidade.
“Quem sabe, lá na frente, a gente consiga fazer na escola um local próprio para isso e comercializar essas pomadas para a comunidade, com um preço acessível a todas as pessoas”, afirmou Eugênio.
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A horta inclui plantas como hortelã, babosa, guaco, poejo e eucalipto. — Foto: Escola Estadual de Campo Heronides Araújo
Agro Mato Grosso
Fungicida para soja promete ganhos de até 12 sacas por hectare e mira ferrugem asiática

O controle da ferrugem asiática e de outras doenças da soja ganha uma nova opção com a chegada ao mercado do Cortina Gold, fungicida lançado pela Sipcam Nichino Brasil. A empresa apresenta o produto como uma mistura pronta de protioconazole e clorotalonil, desenvolvida para proteger a lavoura contra diferentes doenças que podem comprometer o rendimento da cultura.
Nos ensaios de rede citados pela companhia, foram registrados ganhos de produtividade de até 12 sacas por hectare em comparação com áreas sem aplicação de fungicida. Os resultados variam conforme as condições avaliadas e não representam uma garantia de desempenho para todas as lavouras.
A tecnologia foi submetida a avaliações de consultorias agrícolas em diferentes regiões produtoras, incluindo áreas do Rio Grande do Sul, de Mato Grosso e do Oeste da Bahia. Entre os aspectos analisados estão o controle de doenças foliares e a resposta das plantas em condições de pressão de patógenos.
Ferrugem asiática e manchas foliares exigem atenção
O pesquisador Carlos Eduardo Valente, engenheiro agrônomo e coordenador de fitopatologia da consultoria Multcrop, relatou resultados positivos nos ensaios acompanhados pela equipe. Segundo ele, a comparação com tratamentos sem fungicida mostrou ganhos de até 12 sacas por hectare.
Já o fitopatologista Carlos Forcelini, da Agro Techno Research, avaliou o desempenho da solução diante de doenças como ferrugem asiática, manchas foliares e oídio. De acordo com o pesquisador, o produto apresentou resposta favorável em condições de elevada pressão de doenças e superou alguns padrões comerciais incluídos nas avaliações.
O controle depende de fatores como a doença presente, o nível de infestação, as condições meteorológicas e o momento da aplicação. Por isso, os resultados experimentais precisam ser considerados dentro das condições em que os testes foram conduzidos.
El Niño pode influenciar o calendário de aplicações
As condições climáticas previstas para a safra também entram na discussão sobre o manejo fitossanitário. Forcelini alerta que períodos favoráveis ao desenvolvimento de doenças podem antecipar o aparecimento de sintomas e aumentar a pressão sobre as lavouras.
Na avaliação do pesquisador, anos associados ao El Niño podem exigir atenção antecipada ao manejo, especialmente quando há umidade e condições favoráveis à evolução de doenças. A recomendação é acompanhar o desenvolvimento da cultura e as condições da região para definir o momento adequado das aplicações.
O cenário não é igual em todas as áreas produtoras. Enquanto regiões do Sul podem enfrentar períodos de chuva mais intensa, áreas do Cerrado também precisam monitorar doenças como a mancha-alvo, que pode sobreviver em restos culturais e afetar a nova safra.
Produto combina ação sistêmica e de contato
De acordo com Eric Ono, gerente de portfólio de produtos e cultivos extensivos da Sipcam Nichino, o Cortina Gold reúne ação sistêmica e de contato, com os ingredientes ativos protioconazole e clorotalonil. A empresa afirma que a combinação foi avaliada em ensaios de rede e apresentou controle de doenças em patamar semelhante ao de misturas triplas utilizadas como referência nos testes.
A companhia também destaca a formulação como um diferencial para uso em condições climáticas do Cerrado e afirma ter observado baixo nível de fitotoxicidade nas avaliações realizadas. Essas características são informações divulgadas pela fabricante e devem ser consideradas conforme os resultados experimentais e as condições de uso previstas para o produto.
Segundo a empresa, a tecnologia pode integrar o manejo durante fases como a floração e a formação das vagens, períodos importantes para a proteção do potencial produtivo. A escolha do tratamento, porém, deve levar em conta o diagnóstico das doenças, o histórico da área e as orientações técnicas aplicáveis.
Manejo integrado continua sendo decisivo
A entrada de novas ferramentas amplia as alternativas disponíveis ao produtor, mas o controle de doenças da soja exige planejamento ao longo de toda a safra. O monitoramento da lavoura, a identificação correta dos sintomas e o acompanhamento das condições meteorológicas ajudam a orientar decisões sobre o manejo.
O uso de fungicidas também deve seguir o registro e as instruções de bula, com atenção às doses, aos intervalos e às medidas de segurança. A definição do programa de aplicações precisa considerar a recomendação de um profissional habilitado e as estratégias de manejo da resistência para preservar a eficácia das tecnologias disponíveis.
Para produtores de Mato Grosso, onde a soja ocupa posição central na atividade agrícola, o acompanhamento de doenças como ferrugem asiática e mancha-alvo é parte importante da gestão da safra. O desempenho de qualquer produto depende, entre outros fatores, da pressão de doenças, do ambiente e da condução do manejo em cada propriedade.
Empresa atua no mercado de proteção de cultivos
A Sipcam Nichino Brasil foi criada em 1979 e reúne a italiana Sipcam Oxon, fundada em 1946, e a japonesa Nihon Nohyaku, conhecida como Nichino. As empresas atuam no desenvolvimento e na comercialização de soluções para proteção de cultivos.
O lançamento do Cortina Gold amplia o portfólio da companhia para o manejo de doenças da soja. Os resultados divulgados nos ensaios apontam potencial de controle e produtividade, mas a resposta em campo deve ser avaliada conforme as condições específicas de cada lavoura.
Agro Mato Grosso
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