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16 de junho de 2026

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Agricultura familiar do médio-norte de MT ganha força com selo de origem

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Um selo criado há pouco mais de um ano tem ajudado agricultores familiares do médio-norte de Mato Grosso a ver seus produtos ganharem espaço e valorização no mercado. A certificação garante origem, rastreabilidade e boas práticas de produção, abrindo portas em feiras, supermercados e até na merenda escolar.

A agricultora Joyce Ferreira, de Boa Esperança do Norte, viu sua renda aumentar em 30% após a certificação da mandioca beneficiada que cultiva em três hectares. Ela conquistou o selo há pouco mais de um ano. “Consegui novos mercados, expandindo as vendas para outros municípios, porque eles viram que têm garantia de procedência. Gerou reconhecimento!”, afirma.

Hoje, ela entrega 1,2 mil quilos do produto por mês, congelado e sem casca, em embalagens com QR Code que levam o consumidor a informações sobre a propriedade e o processo produtivo. “Mudou 100% a transparência dos meus produtos. Os clientes e parceiros fazem questão de escanear e conhecer a história por trás daquele alimento. Agregou valor ao nosso trabalho”, acrescenta.

Em Sorriso, a produtora Elizane da Silva encontrou no selo o diferencial para o melão que cultiva na região e que disputa espaço nas gôndolas com frutas vindas do Nordeste do país. “O selo diferencia e agrega valor à produção local”, garante. Já em Vera, a agricultora Marilde Rossi Ferla conta que a curiosidade dos consumidores ultrapassa o momento da compra. “Na feira, a curiosidade deles é tão grande que pedem para visitar a propriedade”, relata ela que cultiva na chácara da família cenoura, brócolis, beterraba, couve-flor, outras hortaliças e frutas.

Tal certificação trata-se do Selo de Identificação de Origem da Agricultura Familiar, uma iniciativa da Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso).

Foto: Divulgação/CAT Sorriso

Para receber o selo, os agricultores precisam comprovar gestão da propriedade, responsabilidade ambiental e boas práticas de produção. Isso inclui desde o uso consciente de insumos até a correta destinação de resíduos. “A primeira adaptação que exigiram na minha propriedade foi o lixo zero. Antes, por falta de conhecimento, nós descartávamos de forma irregular”, comemora Marilde.

Segundo a assistente de projetos do CAT Sorriso, Andreia Sousa, a certificação “assegura ao consumidor que o produto tem origem conhecida, qualidade garantida e foi produzido com responsabilidade”.

Tecnologia no campo

A certificação foi criada pelo CAT Sorriso em 2023, dentro do projeto Cultivando Vida Sustentável, com apoio da IDH e da Cargill. Hoje, já reúne 17 produtores do médio-norte do estado, que vêm incorporando tecnologia e inovação para ampliar a produção.

Em Vera, a agricultora Elizandra Vedovato Han aposta em irrigação por microaspersão, energia solar, adubação foliar orgânica e clonagem genética de mudas de mamão hermafrodita. “Buscamos mudas certificadas em laboratório, com alto potencial produtivo e uniformidade. É inovação no campo e no mercado”, diz.

No assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, Adeni Becker mantém uma produção diversificada de hortaliças, com destaque para a alface hidropônica, que garante colheita em apenas 35 dias e uma produção constante de mil pés da hortaliça por mês, destinados à merenda escolar, feiras e projetos sociais. “O selo nos ensinou a usar insumos com responsabilidade, respeitar o tempo de carência e melhorar nossos processos”, afirma.

Também em Boa Esperança do Norte, Joyce Ferreira investiu em pesquisa da Embrapa para o plantio de mandioca, enquanto Elizane diversificou no cultivo de pimentão em estufas com fertirrigação automatizada e no cultivo de melão a técnica do mulching, que cobra os canteiros com canteiros com material plástico para preservar a umidade e controlar ervas daninhas.

A produção, de acordo com Elizane, também conta ainda com abelhas para a polinização natural. “As abelhas ajudam no aumento de 30% da produtividade do melão”, explica a produtora, que ampliou recentemente a área com o plantio de 40 mil pés de abacaxi em sistema semi-intensivo. 

“As agricultoras dessa região do médio-norte mato-grossense mostram que a agricultura familiar é moderna, sustentável e eficiente”, destaca a coordenadora do CAT, Cristina Delicato.


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Lucas Costa Beber assume presidência da Aprosoja Brasil

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Aprosoja MT/Assessoria

Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, assume agora um novo cargo como presidente da Aprosoja Brasil. À frente da entidade mato-grossense desde 2023, Beber dá um novo passo na representação dos produtores de soja no país.

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Ele passa a ocupar o cargo que era de Maurício Buffon, que deixa a presidência da Aprosoja Brasil. Buffon havia assumido o comando da entidade em abril de 2024, após ser eleito para o triênio 2024-2027.

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O boom do etanol de milho e o desafio de criar demanda

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Foto: Freepik

Impulsionada por mais de R$ 40 bilhões em investimentos, a produção saltou de cerca de 2,5 bilhões de litros na safra 2020/21 para uma projeção próxima de 10 bilhões de litros em 2025/26. Em apenas cinco anos, o setor quadruplicou de tamanho. Mas o desafio mudou. A questão já não é produzir mais. A pergunta agora é: quem vai consumir todo esse volume?

O modelo econômico do etanol de milho é altamente eficiente. Além do combustível, as usinas produzem DDGS, um farelo rico em proteína utilizado na alimentação de bovinos, aves e suínos. Isso amplia a rentabilidade da cadeia e ajuda a explicar a corrida de investimentos observada nos últimos anos.

O setor caminha para produzir cerca de 10 bilhões de litros por safra, consolidando o Brasil como o segundo maior produtor mundial de etanol de milho.

O risco da superoferta

O crescimento da oferta começa a preocupar. Estimativas do setor indicam que o mercado brasileiro poderá receber aproximadamente 4 bilhões de litros adicionais de etanol em um único ciclo produtivo. Enquanto isso, o consumo cresce em ritmo muito menor, próximo de 2% ao ano. Em outras palavras, a produção avança muito mais rápido do que a demanda.

O Brasil possui uma das maiores frotas flex do mundo. Ainda assim, muitos motoristas continuam optando pela gasolina, especialmente quando a diferença de preço não compensa a menor autonomia do etanol.

Para ajudar a absorver a produção crescente, o governo elevou a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%. O setor já discute novos aumentos nos próximos anos. A medida ajuda, mas não resolve o problema estrutural da demanda.

A nova fronteira

O futuro do etanol não está apenas nos tanques dos automóveis. O combustível deverá ganhar espaço em novos mercados ligados à descarbonização, especialmente no SAF, o combustível sustentável de aviação, e em aplicações industriais de baixa emissão de carbono.

Além disso, o etanol brasileiro possui uma vantagem estratégica: baixa pegada de carbono e grande disponibilidade de matéria-prima, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais.

O boom do etanol de milho é uma vitória tecnológica, industrial e agrícola. O Brasil mostrou que consegue produzir. Agora precisa provar que consegue vender.

Sem novos mercados, maior competitividade nas bombas e expansão das exportações, o sucesso produtivo pode pressionar preços e reduzir margens justamente no momento em que o setor mais cresce.

O desafio dos próximos anos não será fabricar mais etanol. Será criar demanda suficiente para acompanhar a velocidade da oferta.

Miguel Daoud

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Esmagamento de soja em Mato Grosso registra novo recorde mensal

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso esmagou 1,28 milhão de toneladas de soja em maio diante da maior utilização das plantas industriais. O volume, considerado um novo recorde mensal, supera em 6,98% o total processado em abril e em 3,22% quando comparado com o mesmo período em 2025.

Tal resultado, segundo informações do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), está aliado à demanda externa por óleo de soja. Somente em maio 21,69 mil toneladas do derivado de soja foram exportadas pelo estado, 41,80% a mais do que em abril.

Outro fator apontado para o novo recorde é o avanço do setor de biodiesel no país.

Margens pressionadas, apesar do bom resultado

Apesar do desempenho positivo, a valorização de 1,18% da soja em grão no quinto mês de 2026 e o recuo nas cotações dos coprodutos pressionaram as margens das indústrias.

Conforme o Instituto, a margem bruta de esmagamento da soja em Mato Grosso fechou maio com retração de 7,82% no comparativo mensal, encerrando o período com média em R$ 639,84 a tonelada.


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