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5 de agosto de 2026

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Educação no agro conecta sustentabilidade no campo e qualidade urbana

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A sustentabilidade nas cidades começa, muitas vezes, na terra vermelha das lavouras. E, para que essa conexão entre campo e urbano aconteça de forma eficiente, a educação se consolida como um dos pilares estratégicos do agronegócio. Em Mato Grosso, a qualificação de profissionais — no campo e nos escritórios — tem sido essencial para garantir produtividade e equilíbrio ambiental.

Uma pesquisa recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada em 2024, reforça esse cenário. O estudo “Mão de Obra – Um desafio para os produtores rurais em Mato Grosso” ouviu 392 produtores de 94 municípios do estado e revelou que 50,51% deles têm a agricultura como principal atividade na propriedade, enquanto 35,46% atuam na pecuária e 14,03% nas duas atividades. Além disso, a pesquisa identificou que, diante da dificuldade em encontrar mão de obra local, 29,22% dos produtores contam com funcionários fixos provenientes de outros estados.

Os dados também apontam os principais profissionais demandados no setor, como operadores de máquinas (36,99%), vaqueiros (20,66%), profissionais de campo e serviços gerais (ambos com 10,71%), técnicos em agricultura de precisão (4,59%), cargos administrativos/financeiros, gerência e motoristas.

“É muito preocupante essa situação de falta de mão de obra qualificada e não qualificada para o agro”, alerta o produtor Valdir Ciomar Martini, que cultiva soja e milho em 800 hectares no município de Guiratinga. “Isso impacta e muito, inclusive, na sustentabilidade da vida urbana. Se o campo for mal, a cidade também vai mal”.

Um dos objetivos do Agro Club Tecnológico é a formação técnica a partir da demanda dos produtores rurais. Foto: Divulgação/Agro Club Tecnológico

Educação como motor de transformação

A ausência de qualificação atinge toda a cadeia produtiva. “O agro não é só máquina, não é só colheita, não é só plantio. O agro é indústria, o agro é balcão, o agro é escritório”, destaca Robson Marques, diretor administrativo-financeiro do Sistema Famato. “É a maior fonte de empregos do estado. E precisamos também estar com a preparação da juventude bastante afinada”.

A educação também tem papel central na sustentabilidade. “Um agro qualificado é um agro mais sustentável. Na parte social, ambiental e econômica”, pontua o empresário Tarcis Sachetti, que também está sempre em busca da própria qualificação. “É só ver Rondonópolis. O quanto Rondonópolis se desenvolveu com a chegada de grandes indústrias, com a chegada da própria ferrovia, que teve uma demanda de mão de obra especializada muito grande. O salto que o município deu, é um salto que se vê em poucas cidades aqui no estado”.

Com foco prático, o Agro Club Tecnológico criou o Agro Club School, projeto de formação técnica a partir da demanda dos próprios produtores. “Não adianta trazer um drone, se a pessoa que vai manusear não sabe sobre a tecnologia”, diz o CEO Durval Carneiro ao Canal Rural Mato Grosso. “A demanda vem do campo. A gente escuta o produtor.”

A iniciativa agora também deverá capacitar jovens que estão concluindo o ensino médio para atuar nos escritórios. “Hoje os escritórios das fazendas estão praticamente dentro da cidade. Rondonópolis é um exemplo. E, está uma deficiência muito grande de mão de obra. Vamos dar curso para atuação em escritório, identificar a aptidão dos alunos e depois comunicar o associado”, explica Durval. “É um projeto social. Sem custo para esses jovens”.

A Aprosoja Mato Grosso também aposta na formação desde cedo. “Temos o programa Futuro em Campo. Muitas crianças que não conheciam a área agrícola falam que no futuro querem trabalhar nela”, conta Lucas Costa Beber, presidente da entidade. “É uma maneira de mostrar o impacto positivo do agro na vida das pessoas”.

Com sede em Rondonópolis, o IBG Business School atua com MBAs, mestrados e programas de educação corporativa focados em gestão. Foto: Divulgação/IBG Business School
Com sede em Rondonópolis, o IBG Business School atua com MBAs, mestrados e programas de educação corporativa focados em gestão. Foto: Divulgação/IBG Business School

Formação contínua para o futuro do agro

Para Juarez Orsolin, professor e sócio proprietário do IBG Business School, em Rondonópolis, a qualificação também é estratégica dentro das empresas. “As pessoas valorizam aquela empresa que investe nele e valoriza ele”, afirma. “Esse trabalho de qualificação é um caminho sem volta. O pessoal está chegando às empresas com um nível de preparação muito aquém do que elas precisam”.

O IBG atua com MBAs, mestrados e programas de educação corporativa focados em gestão. “Temos um mestrado em sementes com alunos de 28 empresas e 17 cidades. Já concluímos mais de 60 turmas de MBA’s”, destaca Juarez ao Canal Rural Mato Grosso.

O Sistema Famato também amplia suas ações educacionais por meio do Senar Mato Grosso e do AgriHub. “Temos dado um foco especial na parte educacional, preparando essa juventude para o mercado de trabalho”, diz Robson Marques.

Seja no campo ou no escritório, a educação no agro contribui para decisões mais assertivas, evita gargalos e impulsiona o desenvolvimento sustentável. E, em polos como Rondonópolis, já transforma o presente — com impacto direto na vida urbana, segundo entidades e profissionais da educação.


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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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CNA participa de feira internacional de frutas e verduras em São Paulo

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A Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou da feira “The Brazil Conference & Expo 2026”, promovida pela Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), na terça-feira (4) e nesta quarta-feira (5), em São Paulo. O encontro reuniu compradores, expositores e especialistas do segmento de frutas, verduras e produtos frescos.

Em sua 10ª edição, o evento reuniu representantes de toda a cadeia de produtos frescos para debates sobre inovação, inteligência de mercado e desafios ligados ao desenvolvimento sustentável do setor.

Pela CNA, acompanharam a programação a presidente da Comissão Nacional de Fruticultura, Mari Anna Batista, e a assessora técnica Madeliny Saracho Jara. Entre os temas discutidos estiveram o crescimento do mercado de produtos saudáveis, as mudanças no comportamento do consumidor e a agregação de valor aos produtos frescos.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

A programação também abordou sustentabilidade, rastreabilidade, logística, inovação e tecnologias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade das cadeias produtivas.

Segundo Mari Anna Batista, as discussões técnicas apresentadas no evento mostraram potencial de expansão do mercado brasileiro de produtos saudáveis e oportunidades para fortalecer a produção nacional e ampliar o consumo de alimentos frescos.

Como parte da agenda institucional da entidade na feira, as representantes da CNA participaram de reunião com a gerente nacional da IFPA Brasil, Valeska Oliveira, e com o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), Manoel Oliveira. O encontro tratou de pontos estratégicos para os setores.

A participação da CNA na feira concentrou-se no acompanhamento de debates técnicos e em reuniões com representantes de entidades do setor de produtos frescos, em uma agenda voltada a temas de mercado, tecnologia, logística e produção.

Fonte: cnabrasil.org.br

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Produtor troca escritório pela agricultura orgânica e encontra propósito no campo

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Foto: reprodução/Planeta Campo

Instalado em um sítio em Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, o produtor rural Eduardo dos Santos Faria transformou a tradição familiar em um projeto de agricultura orgânica.

Além de produzir hortaliças para abastecer os consumidores, o trabalho desenvolvido na propriedade contribui para a preservação de uma das principais áreas de mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de São Paulo.

A história da família de Faria com a região começou ainda na década de 1960, quando seu avô materno, o português Manuel Maria, ficou conhecido em Parelheiros pela criação de suínos. Anos depois, em 1998, seus pais adquiriram a propriedade onde ele vive atualmente.

Embora tenha crescido frequentando o sítio, Eduardo seguiu um caminho profissional distante da agricultura. Trabalhou como motoboy, atuou em uma empresa de tecnologia e depois passou a trabalhar com marcenaria ao lado do pai e do irmão.

Segundo ele, o ambiente corporativo provocava uma sensação de desconexão com o tempo e com a natureza. “Você saía para almoçar e não sabia se tinha chovido, se era primavera ou qual era o ciclo da lua. Isso me incomodava”, relata.

Inicialmente, o sítio era apenas um refúgio para descansar nos fins de semana. Com o tempo, passou a enxergar a propriedade como uma possibilidade de vida e de trabalho.

Produtor rural
Foto: reprodução/Planeta Campo

Respeito ao tempo da natureza

Ao comparar a vida no campo com a rotina da cidade, Eduardo afirma que encontrou na agricultura uma relação diferente com o tempo. Enquanto no ambiente urbano predominam prazos curtos e cobranças constantes, no campo os processos seguem o ritmo natural das plantas.

“Você pode querer que a alface cresça mais rápido, mas ela respeita o próprio ciclo. Isso ensina que nem tudo acontece no nosso tempo”, afirma.

Para ele, compreender esses ciclos também ajuda a reduzir ansiedade e frustrações provocadas pela busca constante por resultados imediatos. Apesar disso, ressalta que a conexão com a natureza não depende exclusivamente de viver no campo, mas da forma como cada pessoa se relaciona com o presente.

Produção orgânica desde 2015

A família iniciou a produção de hortaliças orgânicas em 2015, dois anos depois, conquistou a certificação de produção orgânica, marco que consolidou a atividade como principal fonte de renda.

Desde então, Eduardo diz que a propriedade vem sendo construída com base em aprendizado contínuo, enfrentando desafios comuns à agricultura, mas mantendo o propósito de produzir alimentos e preservar o território.

Segundo ele, a atividade desempenha um papel que vai além da produção agrícola. Localizada em uma área de mananciais, a propriedade também contribui para a conservação ambiental, ajudando a proteger recursos hídricos e áreas verdes importantes para a capital paulista.

Consumo consciente e valorização do produtor

Pai de três filhos, Eduardo afirma que não espera que eles sigam a mesma profissão, mas considera essencial que conheçam a origem dos alimentos e compreendam o trabalho necessário para produzi-los.

Na avaliação do agricultor, consumidores precisam refletir sobre preços muito baixos encontrados no mercado. Para ele, alimentos excessivamente baratos costumam indicar que algum elo da cadeia produtiva está sendo prejudicado.

“A ideia é que todos possam ganhar: quem produz, quem transporta, quem comercializa e quem compra”, afirma.

Ele também defende que o consumo consciente deve fazer parte das relações cotidianas, não apenas na alimentação, mas em todas as escolhas feitas pela sociedade.

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