Agro Mato Grosso
Tarifaço pode abrir janela de oportunidade para agro de MT, afirma secretário I MT

O secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, avalia que os produtores de Mato Grosso podem transformar em uma “grande oportunidade” as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Para Gallo, é o momento dos produtores darem início à abertura de mercado com outros países.
“Para Mato Grosso de um modo geral, esse desaquecimento que pode existir em função desse tarifaço pode ser uma grande oportunidade de a gente redirecionar o que a gente vende pros EUA, para outros países e outros mercados”, afirmou em entrevista a Rádio Jovem Pan na terça-feira (5).
O impacto do tarifaço sobre as exportações do Estado deve ser baixo, com média de 1,5% do total exportado. Segundo Gallo, os setores mais afetados devem ser o de carne bovina e, possivelmente, o de madeira.
“Fato é que pode ser uma grande oportunidade para que a gente consolide esse 1,5% que a gente exporta para os EUA, ganhar outros mercados, e ficarmos completamente independente. Isso, claro, estou falando de Mato Grosso, que já tem uma boa balança comercial”, disse.
Possível dano
Gallo ainda apontou que como as vendas de Mato Grosso para o EUA são pequenas, há apenas uma possibilidade de a guerra fiscal afetar o mercado do estado: se o presidente Lula (PT) decidir aplicar a reciprocidade tarifária.
Nessa possibilidade, o Brasil também implementaria sobretaxas aos produtos importados dos EUA. No entanto, Gallo pondera que o Governo Federal não sinaliza que aumentará taxa de produtos norte-americanos.
“Nós temos alguns itens, especificamente, que Mato Grosso consome como insumo: defensivos agrícolas, fertilizantes… Se o Brasil subir as tarifas, Mato Grosso pode ser atingido porque vai aumentar nosso custo de produção, e o produto ficará mais caro”, disse.
“Mas não em parece que essa é a direção que o Governo vai adotar pelas declarações recentes que vi. Vamos aguardar. Porque aí sim vamos ter que avaliar cenários. Porque aumentando o custo de produção isso pode nos atingir”, completou.
Agro Mato Grosso
Valtra; Além do etanol, a Valtra aposta nos motores biometano no agro

Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.
A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.
“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.
A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.
“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”
Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.
“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”
“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”
Biometano

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural
Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.
Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.
“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.
Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.
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