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26 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Efeito da aplicação de herbicidas em condições climáticas adversas: riscos e estratégias – MAIS SOJA

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O controle de plantas daninhas em culturas agrícolas tem como principal objetivo reduzir a matocompetição entre plantas daninhas e as culturas de interesse econômico por recursos essenciais como luz, água e nutrientes. Essa interferência pode comprometer significativamente o desenvolvimento das plantas cultivadas. A depender da espécie infestante, do período de convivência e da densidade populacional, as perdas de produtividade podem ultrapassar 91% no milho, 79% na soja e 77% no algodão (Gazziero & Silva, 2017).

Figura 1. Plantas de caruru matocompetindo com soja.

Tendo em vista o impacto causado pelas plantas daninhas na produtividade das culturas agrícolas, adotar estratégias de manejo que possibilitem reduzir as populações infestantes em lavouras comerciais é fundamental para assegurar o potencial produtivo da cultura. Uma das estratégias mais difundidas com esse intuito é o controle químico com o emprego de herbicidas.

Sobretudo, para um controle eficiente usando herbicidas químicos, é essencial atentar para as características do produto e do ambiente. Dentre os fatores que mais afetam a qualidade e eficácia das pulverizações de herbicidas, destacam-se a compatibilidade (sinergismo e antagonismos) entre produtos na calda de pulverização, e as condições ambientais no momento da pulverização.

Alguns herbicidas, em especial os pré-emergentes, são altamente dependentes das condições físico, químicas e biológicas do solo, além de sofrer influência pelas condições do clima.  Além disso, dependendo do mecanismos de ação, alguns herbicidas necessitam da radiação solar por atuarem em rotas metabólicas envolvidas nos processos fotossintéticos.

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Com isso em vista, conhecer as especificidades do produto e condições atreladas a qualidade da aplicação é determinante para identificar fatores que possam estar envolvidos a riscos e a qualidade das pulverizações. Dentre as variáveis ambientais determinantes para o sucesso da aplicação de herbicidas, destacam-se a temperatura do ar, a velocidade do vento, a umidade relativa do ar e a umidade do solo (no caso dos herbicidas pré-emergentes).



A aplicação de herbicidas sob condições climáticas adversas, pode resultar na ineficiência do controle de planta daninhas e/ou na ocorrência de efeitos fitotóxicos à cultura, os quais são agravados sob condições de estresse (térmico e/ou hídrico). Visando mitigar os efeitos das aplicações de herbicidas sob condições adversas, algumas estratégias de manejo podem ser empregadas, dentre elas, o ajuste do período de pulverização, o monitoramento das condições ambientais no momento da aplicação e a utilização de ferramentas de tecnologia de aplicação que possam contribuir para uma melhor performance na pulverização, tais como adjuvantes e surfactantes, pontas de pulverização adequadas, controle de sessões, entre outras.

Sob condições adversas e estressantes, mesmo que a soja apresenta resistência a determinados herbicidas como o glifosato, o aumento da concentração da dose do herbicidas, por sobreposição da barra do pulverizador e/ou sobredosagem da calda de pulverização, pode desencadear condições de estresse na planta, como o conhecido “Yellow flashing”. Essa resposta fisiológica a metabolização do herbicida é agravada sob condições de estresse.

Figura 2. Sintomas típicos de “Yellow flashing” em soja.
Fonte: Instituto de agricultura biológica

Além dos efeitos diretos sobre a cultura tratada, a pulverização de herbicidas sob condições climáticas adversas pode causar sérios prejuízos a culturas adjacentes, especialmente quando estas são sensíveis aos ingredientes ativos utilizados. O risco é ainda maior no contexto do uso de biotecnologias que conferem tolerância ou resistência da soja a herbicidas pós-emergentes, como os à base de glifosato, dicamba ou 2,4-D. Nessas situações, a aplicação em condições inadequadas, como ventos fortes, baixa umidade ou alta temperatura, favorece a deriva, podendo resultar em fitotoxicidade significativa em lavouras vizinhas não tolerantes, além de possíveis implicações legais e ambientais.

Conforme observado por Alves et al. (2021), a cada 1% de deriva de Dicamba (ácido 3,6-dicloro-2-metoxibenzóico) em soja sensível, tem-se uma redução de produtividade de até 12% na cultura. Tal fato demonstra a necessidade do adequado posicionamento dos herbicidas não só no programa de manejo, mas também quanto ao momento de aplicação para reduzir os danos em culturas adjacentes.

Dentre os principais pontos a se considerar para uma boa pulverização, é determinante atentar para a temperatura do ar, umidade relativa do ar e a velocidade dos ventos.

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 Temperatura

Do ponto de vista técnico, recomenda-se que as pulverizações sejam realizadas em temperaturas abaixo de 32 °C. Contudo, conforme observado por  Azevedo & Freire (2006), temperaturas inferiores a 15 °C reduzem a atividade fisiológica das plantas, o que pode comprometer a absorção de produtos com instabilidade física ou química, como é o caso de herbicidas sistêmicos. Esse aspecto é especialmente relevante no manejo fitossanitário de culturas de inverno.

Por outro lado, temperaturas elevadas aceleram a evaporação das gotas, reduzindo seu tempo de vida útil e comprometendo a deposição sobre o alvo. Além disso, quando associadas ao déficit hídrico, as altas temperaturas alteram o metabolismo da planta e reduzem o fluxo de seiva, comprometendo a absorção e a translocação de herbicidas sistêmicos. Como consequência, pode haver acúmulo do produto na região de aplicação, com menor redistribuição para os tecidos-alvo, reduzindo a eficácia do controle.

Em condições extremas, especialmente quando se utilizam gotas muito finas, o calor pode provocar a evaporação completa antes mesmo que alcancem a planta, comprometendo severamente a eficácia da aplicação. Para reduzir o impacto observado na eficácia da pulverização em razão do tamanho de gotas, recomenda-se seguir as orientações presentes na bula e/ou ajustar a densidade e diâmetro de gostas de acordo com o tipo de defensivo a ser aplicado (tabela 1).

Tabela 1. Parâmetros para volumes de aplicação e padrões de gotas recomendados para diferentes tipos de aplicação de defensivos agrícolas, com equipamentos terrestres e aeronaves agrícolas.
Notas: Os valores citados ocorrem em função direta do orifício do bico, pressão, volume de aplicação, viscosidade e densidade da formulação e da calda de pulverização. Para a adequação dos melhores parâmetros, avaliar localmente: posição e tipo de alvo, densidade de copa e área a ser coberta pelo produto. *Os valores indicados referem-se às avaliações e coletas efetuadas sobre o alvo biológico desejado, e não ao diâmetro da gota gerada na saída do bico em uso.
Fonte: Santos (2006)

Dependendo das condições climáticas, as classes de gotas podem ser definidas para pulverização (quadro 1). Essa definição é importante para reduzir o risco de extinção da gota e aumentar a eficiência na aplicação, proporcionado condições mais favoráveis para que o herbicida atinja o alvo com êxito.

Quadro 1. Uso de diferentes tamanhos de gotas, conforme as condições ambientais.
Fonte: Franzon & Corso (2013)
Umidade relativa do ar
Durante a pulverização, a umidade relativa do ar não deve ser inferior a 50%, pois valores abaixo desse limite aumentam significativamente o risco de deriva e reduzem a eficiência da aplicação. Em condições de baixa umidade, as gotas perdem água rapidamente por evaporação, tornando-se mais leves e suscetíveis ao desvio da trajetória prevista. Em casos mais críticos, a evaporação pode ser tão intensa que as gotas secam completamente antes de atingir o alvo biológico, comprometendo o controle das plantas daninhas (Azevedo & Freire, 2006).
 Velocidade dos ventos

A velocidade dos ventos é um fator determinante para o sucesso da pulverização. Correntes de vento no momento da pulverização podem arrastar as gotas, as desviando do alvo e aumentando o risco de deriva. Contudo, a calmaria total ou velocidades de vento inferior a 2 km/h também são prejudiciais à pulverização.

Nessas condições, aumenta-se o risco de inversão térmica, o que prolonga a suspensão das gotas mais finas no ar, dificultando sua deposição sobre o alvo e elevando o potencial de contaminação de áreas vizinhas e do meio ambiente (Santos, 2006).

O cenário ideal para a aplicação de defensivos envolve ventos constantes entre 3,2 e 6,5 km/h (uma brisa leve), suficiente para ser sentida no rosto e mover suavemente as folhas das plantas. Já velocidades superiores a 10 km/h são consideradas prejudiciais, pois intensificam o risco de deriva (Azevedo & Freire, 2006). Além da intensidade, a direção do vento também deve ser observada, especialmente quando há culturas sensíveis nas proximidades da área tratada.

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Quadro 2. Determinação prática da velocidade do vento para pulverizações.
Fonte: ANDEF

Além das condições ambientais, diversos fatores relacionados à tecnologia de aplicação exercem influência direta sobre a qualidade e a eficiência da pulverização. Em situações de clima adverso (como baixa umidade relativa, altas temperaturas ou ventos desfavoráveis), a adoção de estratégias tecnológicas adequadas é fundamental para reduzir perdas por evaporação e deriva, além de garantir a deposição efetiva dos produtos sobre o alvo.

Entre os principais ajustes que contribuem para melhorar o desempenho da pulverização nesses cenários estão a escolha adequada do tamanho e número de gotas, o volume de calda aplicado, o tipo de bico pulverizador, a pressão de trabalho, o ângulo de pulverização e as propriedades físico-químicas da calda, como pH, tensão superficial e viscosidade. A seleção de pontas de pulverização que produzem gotas maiores, por exemplo, pode reduzir o risco de evaporação e deriva em dias mais quentes e secos. Já a regulação da pressão e o uso de adjuvantes compatíveis ajudam a melhorar a cobertura e a adesão da calda ao alvo, mesmo em condições menos favoráveis.

Essas estratégias, quando corretamente aplicadas, aumentam a eficiência do controle fitossanitário, reduzem desperdícios e minimizam impactos ambientais e danos à cultura, especialmente sob condições climáticas limitantes.

 Referências:

ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 04/08/2025.

ANDEF. MANUAL DE TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO DE PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS. Associação Nacional de Defesa Vegetal, 2004. Disponível em: < http://www.lpv.esalq.usp.br/sites/default/files/Leitura%20-%20Manual%20Tecnologia%20de%20Aplicacao.pdf >, acesso em: 04/08/2025.

AZEVEDO, F. R.; FREIRE, F. C. O. TECNOLOGIA DE APLCIAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS. Embrapa, Documentos, n. 102, 2006. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/426350/1/Dc102.pdf >, acesso em: 04/08/2025.

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FRANZON, J. F.; CORSO, N. M. APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS : TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO. Senar, 2013. Disponível em: < https://www.sistemafaep.org.br/wp-content/uploads/2021/11/PR.0291-Agrotoxicos-Tecnologia-Aplicacao_web.pdf >, acesso em: 04/08/2025.

GAZZIERO, D. L. P.; SILVA, A. F. CARACTERIZAÇÃO E MANEJO DE Amaranthus palmeri. Embrapa Soja, Documentos, n. 384, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1069527/1/Doc384OL.pdf >, acesso em: 04/08/2025.

SANTOS, J. M. F. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS. Visão Agrícolas, n. 6, 2006. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/visaoagricola/sites/default/files/va06-fitossanidade08.pdf >, acesso em: 04/08/2025.

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Ceema: Alta em Chicago e geopolítica impulsionam cotações da soja no Brasil – MAIS SOJA

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Nestes quase 30 dias em que estivemos ausentes deste comentário, o mercado da soja registrou importante elevação das cotações em Chicago. O bushel da oleaginosa passou de US$ 12,56 no dia 27/08 para US$ 13,28 no dia 21/09, tendo recuado um pouco após esta data, para fechar a quinta-feira (24) em US$ 13,16, contra US$ 13,19 uma semana antes. Destacando que a média de agosto chegou a US$ 11,98/bushel, com aumento de 0,17% sobre a média de julho, porém, neste momento estando longe dos preços praticados.

Este forte aumento em Chicago, além das especulações climáticas sobre a safra dos EUA, vem da pressão do preço do petróleo no mercado mundial, com o mesmo tendo atingido a pouco mais de US$ 100,00/barril neste período de setembro, devido a continuidade da guerra no Oriente Médio e da piora no conflito entre Rússia e Ucrânia.

Aliás, na Europa existe um grande temor de que este último saia da região dos dois países em conflito e se espalhe pelo continente, resultando em uma guerra mais ampla e destruidora. Alguns analistas chegam a falar que o mundo estaria às portas da 3ª Guerra Mundial. Junta-se a isso a forte especulação dos Fundos em Chicago.

Dito isso, importante se faz alertar que o último relatório do USDA, sobre oferta e demanda, divulgado neste mês de setembro, não revelou perdas na futura safra de soja dos EUA cuja colheita iniciou neste mês de setembro. Ao contrário, o mesmo até aumentou a produção esperada, agora indicando uma colheita de 123,4 milhões de toneladas, com estoques finais estadunidenses em 8,4 milhões, com pequena baixa em relação a agosto. Já a produção mundial foi mantida em 442 milhões de toneladas e os estoques finais mundiais mantidos em 124 milhões. Por sua vez, mesmo com o aumento no preço mundial do petróleo, o óleo de soja, após atingir a 71,28 centavos de dólar por libra-peso no dia 10/09, recuou para 66,82 centavos no dia 24/09, sendo esta a quarta mais baixa cotação desde o dia 30 de junho em Chicago.

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Por sua vez, o farelo se manteve firme, atingindo a US$ 375,20/tonelada curta no dia 24/09, a mais alta cotação desde o dia 11 de julho de 2024. Enfim, lembrar que os Fundos estão muito comprados em Chicago devendo, assim que a ocasião se apresentar, iniciar um movimento mais amplo de correção, vendendo contratos, fato que pode pressionar para baixo as cotações dependendo da intensidade do movimento.

Por outro lado, os embarques de soja, pelos EUA, na semana encerrada em 17/09, chegaram a 759.200 toneladas, superando levemente as expectativas do mercado. Na comparação anual, o desempenho também foi superior, já que na mesma semana de 2025 haviam sido embarcadas 565.600 toneladas, o que representa crescimento de aproximadamente 34%. A China respondeu por 59% destes embarques.

Enquanto isso, a colheita da soja nos EUA atingia a 12% da área no dia 20/09, contra 8% na média histórica. De forma mais conjuntural, nesta semana os preços brasileiros da soja se mantiveram firmes, em alta. No Rio Grande do Sul, onde muitas praças estão sem cotação, a média semanal atingiu a R$ 141,72/saco. No final de agosto esta média estava em R$ 131,38. Ou seja, no período o saco de soja ganhou pouco mais de 10 reais junto ao produtor gaúcho. Nas demais praças nacionais o produto oscilou entre R$ 139,00 e R$ 145,00/saco. Um mês atrás os valores ficavam entre R$ 130,00 e R$ 140,00/saco. Ou seja, um aumento entre 5 e 9 reais por saco no período, dependendo da região do país. Auxiliou para isso a boa demanda pelo produto nacional, a relativa escassez do mesmo agora na entressafra, fato que elevou o prêmio nos portos (US$ 1,85/bushel para setembro, em Paranaguá), e a manutenção de um câmbio ao redor de R$ 5,15 por dólar.

No front externo, o mercado olha os resultados da nova reunião entre os presidentes da China e dos EUA. Xi Jinping chegou nesta quinta-feira (24) à capital norteamericana. Dentre os assuntos em discussão, existe a possibilidade de aumento nas compras de soja estadunidense pela China, fato que fortalece Chicago. Já no front interno, destaque para o início do plantio da nova safra de soja no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. No conjunto do país, 0,5% da área esperada havia sido semeada até o dia 18/09. Vale lembrar que no Mato Grosso, no momento, há umidade insuficiente no solo para um plantio adequado.

Enfim, embora os preços tenham perdido um pouco de fôlego nestes últimos dias, o produto posto nos portos segue com preços firmes. Para a soja disponível os mesmos seguem acima dos R$ 160,00/saco, enquanto a soja da safra 2026/27 continua trabalhando acima dos R$ 150,00 nos portos (R$ 155,00 para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e R$ 151,00 para entrega em março, também com pagamento em abril).

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


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Como ficaram as cotações da soja no fim desta semana? Saiba os preços por região

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com poucas alterações nesta sexta-feira (25), em um ambiente de baixa movimentação e poucas ofertas. O analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, destaca que algumas praças do mercado interno registraram recuo nos preços, com certo alívio nos basis locais.

Nos portos, o cenário permaneceu parado, sem reporte de movimentos firmes. Segundo Silveira, o quadro geral foi de poucas ofertas e de um mercado bastante travado, situação que também predominou ao longo da semana.

Na Bolsa de Chicago, a sessão foi marcada por bastante volatilidade, com o mercado encerrando com leves ganhos no spot. O dólar atingiu bons níveis ao longo do dia e ajudou a segurar os movimentos de queda registrados em tela.

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): manteve em R$ 156,00
  • Santa Rosa (RS): manteve em R$ 157,00
  • Cascavel (PR): manteve em R$ 151,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 147,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 147,50 para R$ 148,00
  • Rio Verde (GO): desceu de R$ 148,00 para R$ 147,00

Nos portos, em Paranaguá (PR), a saca seguiu em R$ 162,00. Em Rio Grande (RS), as referências não saíram de R$ 164,00.

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja fecharam em leve alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), nesta sexta-feira (25). Após operar em baixa durante parte da sessão, o mercado reverteu o movimento, enquanto os participantes seguem à espera de detalhes dos acordos comerciais entre Estados Unidos e China após a cúpula realizada na quinta-feira (24).

Embora o governo dos Estados Unidos tenha informado que acordos comerciais foram firmados para determinados produtos, os detalhes serão divulgados apenas na segunda-feira. A aguardada cúpula entre os dois países, até o momento, não resultou em novos compromissos chineses para compras de produtos agrícolas norte-americanos.

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A queda do petróleo pressionou as cotações durante a sessão. Os preços recuaram diante de notícias sobre possíveis negociações entre Estados Unidos e Irã para uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz, após o barril superar US$ 108 na sessão anterior.

Em sentido contrário, as chuvas persistentes no Meio-Oeste dos Estados Unidos atrasam o início da colheita em algumas regiões e restringem a oferta disponível para processamento.

Contratos futuros da soja

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com alta de 2,25 centavos de dólar ou 0,17%, a US$ 13,19 3/4 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 13,32 3/4 por bushel, com avanço de 1,00 centavo de dólar ou 0,07%.

Na semana, a posição novembro/26 registrou ganho acumulado de 1,25%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com baixa de US$ 1,80 ou 0,48%, a US$ 370,60 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 67,84 centavos de dólar, com ganho de 0,29 centavo ou 0,42%.

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Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,17%, sendo negociado a R$ 5,1847 para venda e a R$ 5,1827 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,1732 e a máxima de R$ 5,2137. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,72% ante o real.

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Ceema: Quebra de safra, problemas de qualidade e importações aquecem o mercado do Trigo – MAIS SOJA

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Após disparar no final de agosto e início de setembro, quando o bushel atingiu a US$ 7,64 no dia 1º do corrente mês, a cotação do trigo, em Chicago, cedeu bastante, fechando a quinta-feira (24) em US$ 7,05, contra US$ 7,27 uma semana antes. A média de agosto ficou em US$ 6,76/bushel, ganhando 4,3% sobre a média de julho.

Apesar dos conflitos bélicos, especialmente entre Rússia e Ucrânia, o mercado do trigo cedeu, e vem oscilando em patamares menores nesta segunda quinzena de setembro. Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, chegava a 17% da área esperada no dia 20/09, contra 21% na média histórica. Já o trigo de primavera estava com 96% de sua área colhida relativa a última safra.

Quanto às exportações, na semana encerrada em 17/09 as mesmas atingiram a 335.300 toneladas nos EUA, ficando dentro das expectativas do mercado. Importante lembrar que o relatório de oferta e demanda do USDA, anunciado em 11/09, manteve uma safra reduzida de trigo nos EUA, com 41,7 milhões de toneladas e estoques finais, para 2026/27, em 19,5 milhões. No ano anterior a colheita e os estoques atingiram, respectivamente, 54 e 25 milhões de toneladas. Ou seja, a atual produção estadunidense é 22,8% menor do que a do ano anterior, enquanto os estoques finais são 22% menores. Já a produção mundial somaria 822,4 milhões de toneladas, ficando 22 milhões de toneladas menor do que a registrada no ano anterior. E no Brasil os preços subiram, com o cereal atingindo a média de R$ 71,94/saco no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná o produto atingiu valores entre R$ 79,00 e R$ 82,00/saco.

As condições das lavouras paranaenses pioraram diante das geadas tardias e do excesso de chuvas dos últimos dias. Com 46% da área colhida, apenas 64% das lavouras restantes se apresentavam em boas condições. O produto colhido apresenta baixa qualidade industrial, na maioria dos casos, enquanto a produtividade média está em recuo. Em termos gerais, aumenta a presença de trigo tipos 2 e 3, enquanto o produto de qualidade superior, tipo 1, está com menor disponibilidade.

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No Rio Grande do Sul a colheita ainda está distante, com apenas 1% da área realizada, e as constantes e significativas chuvas, acompanhadas de granizo e ventos fortes, vêm causando estragos nas lavouras. Nesta safra, o Estado gaúcho plantou 814.000 hectares com trigo, uma queda de 30% em relação ao ano anterior, e projeta uma produção quase 40% menor, estimada em cerca de 2 milhões de toneladas.

Assim, a disponibilidade de trigo será ainda menor no Brasil, após o forte recuo na área semeada. Isso eleva o preço interno do cereal e obriga o país a importar mais no ano comercial 2026/27. “A desuniformidade no desenvolvimento das lavouras é uma das marcas da atual safra gaúcha”. Afora tudo isso, as lavouras do sul do país está sendo atacadas por diferentes doenças, especialmente oídio e giberela.

Por enquanto, a Conab ainda projeta uma safra nacional de 5,7 milhões de toneladas (recuo de 27,1% sobre o ano anterior), porém, a qualidade do produto será baixa em grande parte das áreas colhidas. Com isso, as importações nacionais de trigo devem ficar entre 7 e 8 milhões de toneladas. Boa parte deverá vir da Argentina, porém, a dificuldade de produção em outras regiões do mundo tende a aumentar a concorrência pelo trigo do vizinho país.

Em tal contexto, para o produtor, “em um cenário de menor disponibilidade de trigo tipo 1, lotes que mantenham PH, força de glúten e demais parâmetros exigidos pela indústria podem encontrar valorização relativa, enquanto grãos de classificação inferior ficam mais expostos a descontos. Já para os moinhos, a questão será inversa: saber quanto da safra doméstica poderá efetivamente entrar na produção de farinha e quanto precisará ser substituído por produto argentino ou de outras origens” (cf. Cepea).

Enfim, se por um lado a safra menor sustenta as cotações, por outro lado será a qualidade do produto que definirá quem conseguirá aproveitar esse movimento. Em 2026, produzir trigo não será suficiente: os ganhos ficarão com quem conseguir entregar o grão exigido pela indústria.

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).


FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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