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6 de agosto de 2026

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Dívidas, calote e falta de crédito travam produtores em Mato Grosso

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As dificuldades no campo crescem a cada dia. Produzir hoje é mais do que os cuidados com a terra, a escolha de boas cultivares, manejo e uso de tecnologia. Em Mato Grosso, produtores de soja e milho, além das margens cada vez mais achatadas devido ao alto custo de produção e baixos preços, enfrentam problemas com dívidas, calote e falta de crédito, impedindo a realização de novos investimentos.

No município de Cláudia, região norte de Mato Grosso, o produtor Antônio Lamperti teve que parar por duas vezes a colheita do milho nos 1.070 hectares cultivados nesta segunda safra 2024/25 devido a alta umidade. Até o momento ele conseguiu colher cerca de 30% da extensão.

O produtor comenta ao Patrulheiro Agro desta semana que as paradas nos trabalhos têm como intuito esperar a umidade estar no percentual certo para a colheita do cereal e assim poder levar para o armazém.

“A gente fica apreensivo, porque tem conta para pagar. Precisa agilizar para ter uma noção, pois o preço não ajuda. Precisamos da produção. Se tiver produção aproxima as contas, senão vamos ficar devendo de novo. Temos contas velhas para quitar com essa safra. Não é só a safra dela”.

De acordo com seo Antônio, nos últimos três anos a propriedade vem “passando muito aperto”. A decisão, inclusive, de trabalhar em família é para evitar custos maiores, uma vez que os custos têm aumentado a cada ciclo e os contratos hoje não estão compensando.

“Se você for analisar hoje, soja nós não plantaríamos, porque o custo dela não compensa o risco que têm. Saímos da pecuária, porque ela não estava agradável, estava melhor no setor do grão e levamos essa rasteira, pois não tem uma garantia de preço. A desvalorização foi muito grande para você mudar da pecuária para uma lavoura. Demora de três a cinco anos para recuperar os custos e investimentos. Por isso o agricultor está endividado”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O produtor afirma que está “difícil de trabalhar” diante financiamentos com juros altos e não há uma taxa de juros “boa” hoje.

“No meu caso, nesses últimos dois anos, eu estou conseguindo pouco recurso de instituições bancárias, pois fazem levantamento da vida do produtor e a gente não anda em boa situação. Por isso, a coisa não está rodando bem do médio para o pequeno, porque não tem recurso para trabalhar. Ele depende de instituições bancárias, financiamento do governo que ultimamente não nos ajuda em nada”, pontua “seo” Antônio.

Áreas de pastagem se transformam em lavouras

Conforme o presidente do Sindicato Rural de Cláudia, Sérgio Ferreira, nos últimos dois anos muitas áreas de pastagens no município foram transformadas em lavouras. Ele comenta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso, alguns, inclusive, arrendaram a área.

“Calcário não é barato, frete mais caro ainda. Então é um investimento muito alto e maquinário [também]. Quem investiu nessas áreas não está tendo lucro”, frisa.

Agricultor no município, Ivan Max Hoffman pontua que “hoje temos que vender uma quantidade maior de soja e milho para pagar a mesma parcela que na época em que não a quantidade era bem menos. Não é fácil. É um ano desafiador. O produtor não está tendo liquidez. Está trabalhando na linha entre o prejuízo e o lucro. Só pagando a conta. Infelizmente pagando para trabalhar”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Ruram Mato Grosso

Há quase três anos uma unidade de armazéns gerais, alegando uma severa crise de liquidez financeira, não realizou o pagamento de parte dos produtores do município de Cláudia que venderam toda a produção de soja e milho da safra 2022/23, reduzindo ainda mais a margem de rentabilidade dentro da porteira.

“Não abriu nem falência e nem concordata. Eu mesmo perdi 100% da safra de soja e 55% da safra de milho, porque estava lá para pagar as contas”, conta seo Antônio.

Na época, a perda do produtor com a situação foi de 50 mil sacas de soja e 44 mil sacas de milho. A dívida contraída por ele na safra em questão chegou a R$ 8,230 milhões.

“Estou devendo R$ 5,5 milhões, porque tinha um caixa de quase R$ 3,2 milhões. E estamos aí penando. Falta bastante para pagar. As contas não se alcançam. O agricultor é um herói louco. Sempre acredita na próxima [safra], mas nunca chega”, diz seo Antônio emocionado.

Conforme o Sindicato Rural de Cláudia, na época pouco mais de 50 agricultores, na maioria pequenos e médios, acabaram sendo vítimas e a dívida pode ultrapassar os R$ 400 milhões.

“A gente pensa até em arrendar, porque como é que se faz? Você não tem segurança, sabe produzir. Quem ganha dinheiro sempre é o atravessador. Só leva tombo, como a gente sempre vem levando. É difícil. O contrato funciona assim: para nós, quando não cumprimos, pagamos whashout. Quando eles não cumprem, eles não pagam nada e simplesmente abandona”, desabafa “seo” Antônio.

Também vítima, o presidente do Sindicato Rural perdeu pouco mais de 30 mil sacas de milho e aproximadamente quatro mil sacas de soja. Ele tem quase R$ 1,3 milhão para receber do armazém.

“O problema são os pequenos e médios que tinham financiamentos de bancos e estavam começando a andar. Pegaram um ano de colheita boa e aí aconteceu isso. Deu para baixo as coisas. O município vinha em uma margem boa, crescendo, se desenvolvendo e acontece um negócio desses. Aí parou tudo. Está na justiça, mas pelo o que estamos vendo não tem muita esperança. O produtor, a maioria, vai acabar perdendo 60%, 70%”.

Nota:

Na época, a CAAJ Armazéns Gerais divulgou uma nota à imprensa dizendo que: “Em razão de maus negócios, juros abusivos e oscilação do mercado, a empresa e seu proprietário, produtor rural, entraram em severa crise de liquidez financeira, que inviabiliza por hora a continuidade das atividades comerciais”. De lá para cá o caso ainda segue na justiça.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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