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6 de agosto de 2026

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produção de qualidade e desafios fundiários no coração do Brasil

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O setor agropecuário do Distrito Federal possui características únicas que o diferenciam do restante do país. À frente da Federação de Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape-DF), Fernando Cezar Ribeiro destaca que o fortalecimento das entidades de classe é essencial para garantir voz ativa aos produtores rurais.

“Quando temos as nossas entidades representativas fortes, o nosso segmento automaticamente é forte”, afirma Fernando em entrevista do Direto ao Ponto desta quinta-feira (17).

Criada em 2003 a partir do Sindicato Rural de Brasília, a federação se adaptou à realidade local — onde, por ser um único município, não se poderia contar com vários sindicatos assim como em outros estados com entidades em cada cidade. A solução encontrada foi a formação de sindicatos por atividade, como dos avicultores e suinocultores, com respaldo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o presidente da Fape-DF, outro ponto de destaque é a condição fundiária dos produtores de Brasília. Muitos não são proprietários de suas terras, mas possuem contratos de concessão de uso com a Terracap, empresa pública responsável pela gestão imobiliária da capital federal.

“Nós temos a particularidade de que grande parte dos produtores não são proprietários. Eles pagam pela cessão de direito de uso”, explica ele ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Fape-DF lembra que, quando da construção de Brasília, o então presidente Juscelino Kubitschek tinha um sonho de transformar parte do território do Distrito Federal em um cinturão verde para que permitisse que os produtores rurais pudessem abastecer a nova Capital com verduras mais frescas ao invés de vim de fora.

Décadas depois, esse modelo de cessão de direito do uso da terra ainda prevalece, mas com um processo de regularização fundiária em curso, por meio da Empresa de Terras Rurais (ETR), ligada à Terracap.

Foto: Canal Rural Mato Grosso

Avicultura integrada: pilar da pecuária no DF

A avicultura comercial se consolidou como uma das principais atividades da pecuária no Distrito Federal operando majoritariamente sob o modelo de integração. Segundo Fernando, “praticamente toda a avicultura comercial aqui é vinculada ao sistema de integração”.

Brasília, inclusive, é um dos maiores polos de produção de ovos férteis do Brasil, com destaque tanto para o fornecimento de pintinhos quanto para a presença de produtores integrados com foco em carne de frango. Nesse sistema, o produtor entra com as instalações e a mão de obra, enquanto a agroindústria fornece ração, assistência técnica e define os parâmetros de remuneração.

Apesar da limitação territorial, a agropecuária do Distrito Federal se destaca pela qualidade e pela genética de excelência. Na pecuária de leite, há cerca de 90 mil cabeças, concentradas em uma bacia leiteira pequena, mas produtiva.

A capital federal também abriga o maior criador da raça bovina Wagyu no país — carne nobre de origem japonesa — além de referências em raças como Guzerá e rebanhos ovinos de destaque.

“A gente produz, mas produz com qualidade”, sintetiza Fernando.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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