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6 de agosto de 2026

Business

organização, estratégia e sucesso no campo

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A gestão no agronegócio deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade. Mais do que plantar e colher, é preciso entender o negócio como uma empresa rural, com metas, indicadores, fluxo de caixa e estratégia.

Segundo Vanessa Sabioni, especialista em liderança e fundadora do Clube Agromulher, o primeiro passo para uma boa gestão é ter clareza sobre onde o produtor está e onde quer chegar.

“Muitos focam só na parte técnica, mas esquecem de anotar os dados e planejar com base neles”, afirma.

Os principais erros na gestão rural

Ainda é comum encontrar produtores que:

  • Não separam as finanças pessoais das da fazenda.
  • Não controlam o fluxo de caixa diário.
  • Tomam decisões com base em achismos, sem analisar dados.
  • Fazem compras sem planejamento.
  • Não integram a equipe na rotina de trabalho.

Essas falhas comprometem a saúde financeira e o crescimento da propriedade.

Boas práticas para transformar a propriedade rural

Vanessa compartilha dicas práticas para quem quer iniciar ou aprimorar sua gestão:

1. Controle de entradas e saídas

Anote diariamente receitas e despesas. A base de qualquer negócio é saber para onde vai o dinheiro.

2. Inventário de insumos

Mantenha controle de estoque. Saber o que já foi comprado evita desperdícios e gastos desnecessários.

3. Mural de tarefas e responsabilidades

Crie um quadro visível com tarefas e responsáveis. Isso melhora a comunicação e o engajamento da equipe.

4. Separar CPF e CNPJ

Misturar contas pessoais e empresariais é um dos maiores erros. Gestão profissional exige contas separadas.

5. Planejamento baseado em dados

Seja para aumentar produtividade ou investir em tecnologia, tudo precisa ser baseado em dados concretos.

O papel da tecnologia e das mulheres na gestão rural

Hoje, softwares de gestão agrícola ajudam desde a emissão de notas fiscais até o controle de talhões e previsão de safra.

“Começamos no caderno, passamos para a planilha e depois migramos para plataformas digitais”, explica Vanessa.

As mulheres no agro têm se destacado nesse movimento. Enquanto muitos homens seguem à frente da operação de campo, muitas mulheres têm assumido a liderança da gestão, inovação e estratégia das propriedades.

Gestão é para todos os tamanhos de propriedade

Engana-se quem pensa que apenas grandes propriedades precisam de gestão profissional. A eficiência produtiva pode ser muito maior em pequenas áreas com alto valor agregado, como cafés especiais ou hortifrúti orgânicos, do que em grandes fazendas com baixa lucratividade.

Mais do que tamanho, o que importa é a eficiência da gestão e o planejamento estratégico com os recursos disponíveis.

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Boi gordo: oferta curta sustenta alta nos preços; confira os números

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Foto: Leandro Barbero/arquivo pessoal

O mercado físico do boi gordo segue com escalas de abate encurtadas em grande parte do país, cenário que tem levado a indústria frigorífica a adotar uma postura mais agressiva na compra de animais. A menor disponibilidade de gado pronto para o abate é apontada como o principal fator para a expectativa de valorização dos preços no curtíssimo prazo.

No mercado interno, a expectativa é de avanço nos preços da carne bovina no atacado, com a combinação da entrada dos salários na economia e o aumento da demanda tradicionalmente associado ao Dia dos Pais. O consumo sazonal pode contribuir para uma melhora no ritmo das vendas ao longo dos próximos dias.

As exportações continuam em destaque e o resultado da balança comercial, previsto para divulgação no dia 6 (quinta-feira), deve servir como importante indicador para avaliar o desempenho do setor.

No atacado, os preços permaneceram acomodados nesta quarta-feira, enquanto o mercado aguarda uma possível reação da demanda. Apesar das perspectivas positivas para o período, a carne bovina ainda enfrenta perda de competitividade frente a outras proteínas, especialmente a carne de frango.

Entre os cortes, o quarto dianteiro segue cotado a R$ 21,00 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20,00 por quilo e o quarto traseiro mantém preço de R$ 26,50 por quilo.

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Javali: uma ameaça que o Brasil não pode mais ignorar

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Foto: Federação da Agricultura do Paraná/ divulgação

O javali deixou de ser um problema isolado. Em praticamente todas as regiões onde sua população cresce, produtores relatam o mesmo cenário: lavouras destruídas, cercas danificadas, nascentes degradadas e prejuízos cada vez maiores.

Mas, acredito que existe um risco ainda mais preocupante e que, muitas vezes, fica em segundo plano.

O maior patrimônio do agro

O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos mais respeitados sistemas de defesa sanitária do mundo. Esse trabalho abriu mercados, conquistou credibilidade e transformou o país em uma potência na exportação de carnes.

Essa conquista não pode ser colocada em risco.

O javali é uma espécie exótica invasora que pode atuar como reservatório e disseminador de doenças de grande impacto para a produção animal, como a peste suína africana, além de enfermidades como brucelose e leptospirose.

Mesmo que algumas dessas doenças não estejam presentes no Brasil, basta observar o que acontece em outros países para entender que prevenir custa muito menos do que remediar.

A legislação não é o problema

Existe uma ideia equivocada de que a lei impede o controle desses animais.

Não impede.

A legislação brasileira autoriza o manejo e o controle populacional, desde que sejam obedecidas regras técnicas e ambientais.

Então, por que a população continua aumentando?

Porque o modelo adotado simplesmente não está conseguindo acompanhar a velocidade de reprodução e dispersão da espécie.

O produtor faz sua parte, controla os animais em sua propriedade, mas pouco tempo depois novos bandos chegam das áreas vizinhas. É um esforço que, muitas vezes, acaba sendo insuficiente.

É hora de mudar a estratégia

Esse não pode continuar sendo um problema exclusivo do produtor rural. Estamos falando de uma questão ambiental, econômica e, principalmente, sanitária.

O enfrentamento precisa ser coordenado. Municípios, estados, União, órgãos ambientais, defesa agropecuária, pesquisadores e produtores precisam atuar na mesma direção.

Sem planejamento conjunto, cada um continuará enxugando gelo enquanto a população de javalis cresce.

O custo da omissão

O Brasil soube construir um sistema sanitário que hoje é referência mundial. Não podemos esperar que uma espécie invasora coloque este patrimônio em risco para só então agir.

Não defendo medidas precipitadas. Defendo planejamento, coordenação e uma política nacional capaz de enfrentar um problema que deixou de ser local e passou a ser estratégico para o agronegócio brasileiro.

Quem vive no campo sabe que o prejuízo já chegou.

Agora, antes que ele ultrapasse as cercas das propriedades e ameace também nossa competitividade internacional, é preciso reconhecer uma verdade simples: o modelo atual não está funcionando.

E quando uma estratégia deixa de produzir resultado, insistir nela não é solução. É apenas adiar um problema que pode se tornar muito maior no futuro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Copom reduz Selic para 14% ao ano após corte de 0,25 ponto percentual

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo da Selic. Desde março, quando o Banco Central iniciou um ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa já acumula redução de 1 ponto percentual. Antes disso, os juros permaneceram em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, por dez meses consecutivos, entre junho de 2025 e março de 2026.

A redução já era esperada diante da desaceleração da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial acumula alta de 4,64%, ainda ligeiramente acima do teto da meta, de 4,5%.

Em comunicado, o Copom afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico e da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o comitê.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de setembro.

Com informações de Estadão Conteúdo.

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