Tecnologia do Agro
Cessar-fogo no Oriente Médio derruba ou aumenta os preços de soja no Brasil?

O mercado brasileiro de soja teve uma terça-feira (24) de pouca movimentação nos preços. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a comercialização seguiu em ritmo lento. As indicações dos compradores estão firmes, mas os produtores de soja ainda hesitam em negociar, diante do spread elevado. Mesmo com a queda da soja em Chicago e leve alta do dólar, as bases se mantiveram praticamente inalteradas nas principais regiões do país.
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Soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 130,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 131,00
- Rio Grande (RS): manteve em R$ 135,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 129,00
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 134,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 117,00
- Dourados (MS): caiu de R$ 120,50 para R$ 119,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 118,00
Contratos futuros
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) encerraram o dia em baixa. Apesar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relatar violações na guerra no Oriente Médio, o mercado foi mais influenciado pelo cessar-fogo entre Israel e Irã. O acordo reduziu a tensão geopolítica, derrubando o petróleo em mais de 5% em Nova York, o que pressionou os preços do óleo de soja. Além disso, as previsões climáticas favoráveis para o desenvolvimento das lavouras americanas completaram o cenário de queda.
Segundo o USDA Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até 22 de junho, 66% das lavouras estavam em boas ou excelentes condições, 27% regulares e 7% entre ruins e muito ruinss, exatamente os mesmos números da semana anterior.
Contratos futuros de soja
O contrato da soja em grão para julho caiu 12,00 centavos (1,13%), fechando a US$ 10,46 3/4 por bushel. A posição novembro terminou o dia em US$ 10,37, com baixa de 9,75 centavos (0,93%).
Nos subprodutos, o farelo para dezembro caiu US$ 1,4 (0,47%), a US$ 295,30 por tonelada. O óleo para dezembro recuou 1,14 centavo (2,12%), encerrando a 52,61 centavos de dólar por libra-peso.
Dólar
O dólar comercial fechou em alta de 0,26%, cotado a R$ 5,5189 na venda e R$ 5,5169 na compra. Ao longo do dia, a moeda variou entre R$ 5,4753 e R$ 5,5233
Agro Mato Grosso
Valtra inaugura concessionária em Luís Eduardo Magalhães

Nova unidade focará em soluções de alta potência para grãos e algodão, além de atender ao setor pecuário da região
A Valtra inaugura nesta quarta-feira (10/6) uma concessionária na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. A nova unidade pertence ao parceiro Nossa Valtra, fortalecendo a presença da marca na promissora região do oeste baiano.
O grupo Nossa, que ingressou nos negócios com a Valtra em 2021, chega agora à sua terceira loja na região. Além da nova e moderna estrutura em Luís Eduardo Magalhães, a rede já atende os produtores baianos com unidades consolidadas nas cidades de Santa Maria da Vitória e Correntina.
A nova concessionária, assim como as demais, conta com o portfólio completo de produtos da Valtra, mas com um direcionamento estratégico. Como a região oeste da Bahia destaca-se nacionalmente pela força na produção de grãos e algodão, o foco é voltado para o maquinário de alta potência, como os modernos tratores das séries Q5 e S6, a consagrada plantadeira Momentum, além da linha de pulverizadores e do distribuidor DryBox.
Vale destacar que a região também tem grande importância e tradição no setor da pecuária, e para atender os criadores locais, a concessionária conta com os tratores de baixa e média potência da Valtra, reconhecidos pela economia, robustez e versatilidade no trato com os animais e na manutenção da propriedade.
“A abertura desta nova loja em Luís Eduardo Magalhães representa um marco estratégico para a Valtra. O oeste da Bahia é um polo fundamental para o agronegócio brasileiro e com essa expansão ficaremos ainda mais próximos dos produtores, entregando nosso portfólio completo, que une potência, inteligência e eficiência operacional”, destaca Claudio Esteves, Diretor Comercial da Valtra.
Na nova unidade os produtores rurais da região poderão conhecer de perto as mais novas inovações da marca, como a plantadeira Momentum, que oferece a partir de 18 linhas de plantio, tendo suas versões de 30 e 40 linhas lançadas recentemente. A plantadeira traz a tecnologia embarcada Weight Transfer, que distribui a carga central do chassi para as pontas, proporcionando profundidade homogênea na deposição de sementes e melhora na qualidade de plantio. O Sistema Precision Planting, eleito a melhor tecnologia de singulação do mercado, promove o controle total da população e o monitoramento completo em tempo real.
Agro Mato Grosso
Valtra produz a milésima transmissão CVT na Finlândia

Unidade de Suolahti recebeu investimento de 38 milhões de euros e abastece tratores Valtra, Fendt e Massey Ferguson
A Valtra produziu a milésima transmissão continuamente variável, conhecida como CVT, na fábrica de Suolahti, na Finlândia. O marco ocorre cerca de um ano após o início da produção em série na unidade ampliada. O projeto recebeu investimento de 38 milhões de euros.
A expansão da planta de transmissões integra a estratégia da Valtra e da AGCO para fabricar componentes de powertrain próximos à produção de tratores. As transmissões AGCO CVT produzidas em Suolahti equipam tratores Valtra. Também atendem modelos selecionados das marcas AGCO Fendt e Massey Ferguson.
Segundo a empresa, a unidade ampliada atingiu nível de produção estável e eficiente. O investimento figura entre os maiores da história da Valtra. A companhia aponta Suolahti como centro de manufatura de tratores com tecnologia avançada.
Kullervo Mansikkala, gerente da planta de transmissões da Valtra, afirmou no comunicado da AGCO que o marco demonstra o desempenho da nova expansão. Segundo ele, qualidade, confiabilidade de entrega e eficiência chegaram ao nível planejado.
A produção das transmissões CVT em Suolahti reforça a integração vertical da Valtra. Também amplia a autossuficiência produtiva da empresa na Finlândia. Conforme Mansikkala, a estrutura criada permite escalar e desenvolver a fabricação de transmissões em cooperação com a rede global de manufatura da AGCO.
Agro Mato Grosso
Valtra: Ganha protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas no biocombustíveis

Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental.
Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel.
Etanol
Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028.
A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração.
Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa.
Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional.
A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical.
Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas.
Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor.
Biometano
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Trator ‘falante’ é uma das novidades da Agrishow 2026 em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1
A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio.
É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização.

A Valtra apresenta a Série M5: a evolução de um dos tratores mais confiáveis do Brasil, agora com mais tecnologia, eficiência operacional e conforto para o campo.
Diesel verde
A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes.
Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado.
Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão.
Contexto
O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor.
Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade e redução de emissões tendem a ganhar espaço. Matheus Pintor, da Bosch, afirma que a possibilidade de gerar créditos de carbono, por exemplo, passa a ser um incentivo adicional para a adoção de soluções baseadas em biocombustíveis.
Por isso, o Brasil, com sua tradição na produção de biocombustíveis, aparece, na visão dos organizadores da feira, em posição estratégica para liderar esse movimento.
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