Sustentabilidade
Licenciamento ambiental da rizicultura ameaça produção de arroz em Santa Catarina – MAIS SOJA

As entidades representativas do setor agropecuário catarinense — Sistema OCESC, FAESC, FETAESC e SindArroz-SC — manifestam profunda preocupação com a possibilidade de retorno da imposição de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz em Santa Catarina.
A medida acrescenta uma camada de burocracia, custos e insegurança jurídica a uma cadeia produtiva essencial para a economia, para milhares de famílias rurais e para o abastecimento de alimentos.
Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do Brasil. Na safra 2024/2025, produziu 1,3 milhão de toneladas de arroz, em aproximadamente 145 mil hectares distribuídos por 83 municípios. A atividade envolve 5.916 estabelecimentos rurais, dos quais cerca de 82% pertencem a pequenos produtores e agricultores familiares.
A rizicultura catarinense já está submetida a instrumentos específicos de controle ambiental. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) registra a situação ambiental das propriedades; a outorga de uso da água estabelece condições para utilização dos recursos hídricos; e o receituário agronômico disciplina a aplicação de defensivos.
A imposição de uma licença ambiental geral, que já havia sido dispensada para o cultivo de arroz, tende a sobrepor procedimentos existentes, elevar despesas e aumentar a carga administrativa sem demonstração de que essa duplicação produzirá benefício ambiental proporcional.
O setor agropecuário reconhece e cumpre sua responsabilidade ambiental. Contudo, a reimplantação da licença precisa estar amparada em critérios técnicos, proporcionalidade, segurança jurídica e comprovação objetiva de sua necessidade.
A reimposição dessa exigência pode atingir com maior intensidade justamente os pequenos produtores, que representam a ampla maioria da rizicultura catarinense. Novos estudos, documentos, taxas e procedimentos podem dificultar o planejamento da safra, aumentar os custos de produção e criar obstáculos adicionais ao acesso ao crédito.
As consequências ultrapassam as propriedades rurais. O aumento de custos e da insegurança regulatória pode desestimular produtores, provocar migração para outras atividades, reduzir a produção estadual e pressionar os preços dos alimentos. Em uma cadeia responsável pelo abastecimento de consumidores dentro e fora de Santa Catarina, decisões dessa natureza também precisam considerar seus efeitos sobre a segurança alimentar.
Defendemos que o julgamento a ser realizado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), previsto para o próximo dia 21, considere os mecanismos de controle ambiental já aplicados à atividade e estabeleça regras claras, tecnicamente justificadas e compatíveis com a realidade produtiva catarinense.
A proteção ambiental deve caminhar ao lado da produção de alimentos, da permanência das famílias no campo e da segurança jurídica. Reimplantar essa obrigação sem demonstração técnica de necessidade coloca em risco uma cadeia produtiva estratégica para Santa Catarina e transfere ao produtor custos e incertezas que chegarão também ao consumidor.
As entidades abaixo assinadas defendem uma decisão baseada em evidências, equilíbrio regulatório e respeito à realidade econômica, social e ambiental da rizicultura catarinense.
Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Sistema OCESC), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (FETAESC) e Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC).
Fonte: Ocesc/SC
Sustentabilidade
IMEA: Avanço da colheita nos EUA e custos de produção em MT movimentam o mercado do algodão – MAIS SOJA

De acordo com os dados do USDA, a colheita de algodão da safra 2026/27 nos EUA atingiu 41,00% até o último domingo (18/10), percentual 4,00 p.p. acima da média dos últimos cinco anos. Em relação às condições das lavouras, 35,00% foram classificadas como boas e excelentes, avanço de 1,00 p.p. ante à semana anterior. Mesmo com a melhora semanal, o indicador permanece abaixo da média histórica, sinalizando condições menos favoráveis que o padrão dos últimos anos. Diante da melhora das condições climáticas nas últimas semanas, o USDA revisou para cima sua estimativa de produção em 1,83% em relação à divulgação de set/26, para 2,93 mi de t de pluma.
Ainda assim, a produção projetada permanece abaixo da registrada na safra anterior, limitando a expansão da oferta norte-americana. Nesse contexto, o avanço da colheita e os resultados produtivos seguirão no radar do mercado, podendo influenciar as expectativas de oferta global e a trajetória dos preços do algodão.
Confira os principais destaques do boletim:
- DESVALORIZAÇÃO: a maior oferta de pluma em Mato Grosso tem pressionado as cotações no estado, que recuaram 2,74% em relação à semana passada.
- DIMINUIÇÃO: com a maior disponibilidade de caroço no mercado e o enfraquecimento da demanda, o preço do coproduto recuou 4,18% na semana.
- REDUÇÃO: o preço do poliéster exibiu redução de 6,62% no comparativo semanal e ficou precificado na média de ¢ US$ 47,29/lb.
Em set/26, o custeio estimado da safra 26/27 ficou em R$ 10.615,04/ha, recuo de 0,03% em relação a ago/26, aponta o projeto CPA-MT¹.
A redução foi pautada principalmente pela queda de 0,18% nas despesas com defensivos. No entanto, esse movimento foi parcialmente compensado pelo aumento de 1,09% nos gastos com operações mecanizadas e de 1,59% com arrendamento, amenizando parcialmente a redução de outras despesas. Com isso, o COE foi estimado em R$ 15.239,62/ha, diminuição de 0,07% em relação à projeção de ago/26.
Considerando a produtividade média prevista para a safra 26/27, de 127,41 @/ha, o cotonicultor precisa comercializar sua pluma por, no mínimo, R$ 119,61/@ para cobrir o COE, o maior valor registrado desde a safra 22/23. Por fim, apesar da redução dos custos no comparativo mensal, o controle das despesas e a adoção de estratégias de comercialização serão fundamentais para preservar as margens da atividade.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
TRIGO/CEPEA: Chuvas afetam qualidade do cereal e restringem oferta – MAIS SOJA

As condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras de trigo vêm dificultando a colheita e comprometendo a qualidade dos grãos. Segundo o Cepea, a oferta restrita de trigo tipo 1 e a recente reação do dólar têm sustentado os preços no mercado de lotes, apesar das quedas nas cotações internacionais.
Nesse contexto, em outubro, a Conab manteve praticamente estável a previsão de produção total brasileira em relação a setembro, mas reduziu as estimativas para São Paulo e Goiás. O maior corte em volume ocorreu no estado de São Paulo, onde parte do trigo colhido não atendeu aos requisitos de qualidade para comercialização.
Pesquisadores do Cepea destacam que, com a oferta restrita de trigo de qualidade, a necessidade de compras externas segue elevada. A Conab manteve a previsão de importações em 7,06 milhões de toneladas para 2026, volume 15,1% superior ao de 2025.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
China volta a comprar soja dos EUA e reduz importações brasileiras

A China voltou a importar soja dos Estados Unidos em setembro de 2026, após não registrar compras da oleaginosa norte-americana no mesmo mês do ano passado. Ao mesmo tempo, as importações chinesas de soja brasileira recuaram 2,4% na comparação anual, totalizando 10,7 milhões de toneladas.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Administração Geral de Alfândegas da China, as compras de soja dos Estados Unidos somaram 360,8 mil toneladas em setembro. O volume reflete a chegada de cargas negociadas após o acordo comercial firmado entre Pequim e Washington em outubro de 2025.
Apesar da retomada dos embarques norte-americanos, o Brasil permaneceu como o principal fornecedor da oleaginosa ao mercado chinês no período.
Em setembro de 2025, as importações chinesas de soja brasileira haviam alcançado 10,96 milhões de toneladas.
No total, a China, maior importadora mundial de soja, adquiriu 11,88 milhões de toneladas do produto em setembro deste ano, queda de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Brasil amplia exportações de soja à China no acumulado do ano
Apesar do recuo registrado em setembro, as compras chinesas de soja brasileira continuam apresentando crescimento no acumulado de 2026.
Entre janeiro e setembro, a China importou 65,84 milhões de toneladas do Brasil, avanço de 3,4% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
Em contrapartida, as importações de soja dos Estados Unidos somaram 11,06 milhões de toneladas nos nove primeiros meses do ano, queda de 34% na comparação anual.
Os números mostram que, embora a China tenha retomado as compras da oleaginosa norte-americana em setembro, o Brasil manteve sua posição de destaque no abastecimento do mercado chinês ao longo de 2026.
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