Sustentabilidade
Inoculação via sulco demanda cuidados para garantir eficiência na soja – MAIS SOJA

A inoculação da soja com bactérias fixadoras de nitrogênio é uma prática indispensável para o estabelecimento de uma eficiente fixação biológica de nitrogênio (FBN), contribuindo para a obtenção de elevadas produtividades de forma sustentável e economicamente viável. Bactérias do gênero Bradyrhizobium são capazes de estabelecer simbiose com a soja e fornecer o nitrogênio (N) requerido pela cultura, dispensando a necessidade de adubação nitrogenada.
Embora essas bactérias possam ser encontradas naturalmente no solo, a população presente nem sempre é suficiente para estabelecer uma simbiose capaz de suprir adequadamente a demanda de N da soja. Nesse contexto, a inoculação contribui para aumentar a população de bactérias eficientes na região de desenvolvimento das raízes, favorecendo a nodulação e a FBN e, consequentemente, a manutenção do potencial produtivo da cultura.
Tradicionalmente, a inoculação via sementes é o método mais difundido para a cultura da soja, apresentando resultados satisfatórios de nodulação e produtividade. Entretanto, quando realizada em nível de fazenda, essa modalidade pode apresentar limitações relacionadas ao rendimento operacional, à necessidade de mão de obra e à uniformidade da aplicação, fatores que podem interferir na eficiência da operação e no ritmo da semeadura.
Diante da importância de aproveitar adequadamente as janelas de semeadura da soja, alternativas como a utilização de sementes previamente inoculadas e a inoculação via sulco de semeadura têm ganhado espaço. Além de reduzir a necessidade de mão de obra específica para a inoculação das sementes, essas estratégias podem aumentar o rendimento operacional da semeadura. Conforme observado por Correia (2015), a inoculação via sulco de semeadura pode proporcionar maior rendimento operacional e menor custo operacional em comparação à inoculação via sementes.
Entretanto, para que a inoculação via sulco de semeadura apresente resultados satisfatórios, alguns cuidados são fundamentais. Entre eles, destacam-se o adequado funcionamento do sistema de aplicação do inoculante, a qualidade e a concentração do produto utilizado, além da correta definição da dose, de modo a assegurar a quantidade adequada de células bacterianas por semente.
De acordo com Hungria & Nogueira (2020), a dose de inoculante aplicada deve fornecer, no mínimo, 2,5 milhões de células por semente. Em áreas que não recebem inoculação há vários anos, especialmente em solos arenosos, ou em áreas de primeiro cultivo, recomenda-se utilizar, no mínimo, o dobro da dose indicada.
Quanto ao volume de calda, em geral, a inoculação via sulco deve utilizar pelo menos 50 L ha⁻¹, favorecendo a adequada distribuição das bactérias no solo. Esse volume pode ser reduzido quando o equipamento empregado garantir distribuição homogênea do inoculante, conforme destacado por Hungria & Nogueira (2020).
Figura 1. Semeadora com sistema de inoculação via sulco.

Além da calibração e dos cuidados relacionados ao adequado funcionamento do sistema de aplicação, as condições ambientais também devem ser consideradas para garantir a eficiência da inoculação via sulco de semeadura. Entre os principais fatores, destaca-se a umidade do solo. Segundo Hungria & Nogueira (2020), a eficiência da inoculação por pulverização no sulco pode ser reduzida em condições de baixa umidade do solo e do ar, bem como sob elevada radiação solar.
Além das condições ambientais e operacionais, a qualidade do inoculante utilizado é um dos fatores determinantes para o estabelecimento de uma simbiose eficiente entre a planta e as bactérias. Nesse sentido, a aquisição de produtos de qualidade, aliada ao transporte e à armazenagem em condições adequadas, é fundamental para preservar a viabilidade e a eficiência das bactérias até o momento da aplicação, contribuindo para uma adequada nodulação e para o estabelecimento da fixação biológica de nitrogênio na soja.
Referências:
CORREIA, T. P. S. EFICIÊNCIA OPERACIONAL, ECONÔMICA E AGRONÔMICA DA INOCULAÇÃO DE SOJA VIA SULCO DE SEMEADURA. Tese de Doutorado, Faculdade de Ciências Agronômicas da UNESP – Campus de Botucatu, 2015. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/134287/correia_tps_dr_bot.pdf?sequence=3&isAllowed=y >, acesso em: 15/09/2026.
HUNGRIA, M.; NOGUEIRA, M. A. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO. Tecnologias de Produção de Soja, Embrapa, Sistemas de Produção, n. 17, cap. 8, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/223209/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 15/09/2026.
Acompanhe nosso site, siga nossas mídias sociais (Site, Facebook, Instagram, Linkedin, Canal no YouTube)

Sustentabilidade
Mercado de soja avança no Brasil com dólar em alta, mas negócios seguem pontuais

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com preços predominantemente mais altos nesta sexta-feira (30), sustentado pela valorização do dólar, apesar da volatilidade na Bolsa de Chicago. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, as ofertas permaneceram firmes, mas a comercialização seguiu limitada, com volumes pouco expressivos.
O produtor continuou concentrado nos trabalhos de plantio da nova safra, enquanto a liquidez permaneceu restrita no mercado disponível. Apesar disso, a semana apresentou melhora na movimentação comercial, com maior registro de negócios.
“Tivemos mais negócios registrados ao longo da semana, mas os volumes ainda não foram muito significativos”, observa Silveira.
No mercado físico, as cotações da soja apresentaram avanços em importantes praças produtoras do país. Confira os preços:
• Passo Fundo (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 154,00
• Santa Rosa (RS): subiu de R$ 154,00 para R$ 155,00
• Cascavel (PR): subiu de R$ 149,00 para R$ 150,00
• Rondonópolis (MT): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
• Dourados (MS): caiu de R$ 143,00 para R$ 142,00
• Rio Verde (GO): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
• Paranaguá (PR): subiu de R$ 160,00 para R$ 161,00
• Rio Grande (RS): subiu de R$ 161,00 para R$ 162,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em direções mistas na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta sexta-feira. Na semana, a queda acumulada foi de 2,7%, enquanto, no mês, as perdas chegaram a 5,73%. A sessão foi marcada por ajustes e posicionamento de carteiras.
Durante a maior parte do pregão, o mercado encontrou sustentação, com fundos e especuladores aproveitando oportunidades de compra após as quedas recentes. A previsão de chuvas nos Estados Unidos, que poderia atrasar os trabalhos de colheita, e os sinais de demanda aquecida ajudaram a sustentar as cotações.
No entanto, na reta final da sessão, os fundamentos de ampla oferta norte-americana reduziram os ganhos e levaram alguns contratos a operar no campo negativo.
Exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) uma operação envolvendo 165.150 toneladas de soja, recebidas no período coberto pelo relatório, para destinos não revelados na temporada comercial 2026/27. Os exportadores também anunciaram a venda de 132.000 toneladas para destinos não revelados.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão com entrega em janeiro fecharam em queda de 0,50 centavo de dólar, ou 0,04%, a US$ 12,34 1/4 por bushel. A posição março registrou cotação de US$ 12,43 3/4 por bushel, com elevação de 0,25 centavo de dólar, ou 0,02%.
Entre os subprodutos, os contratos do farelo de soja com vencimento em dezembro fecharam em baixa de US$ 4,70, ou 1,42%, a US$ 324,60 por tonelada.
Já os contratos do óleo de soja com vencimento em dezembro encerraram a 65,90 centavos de dólar por libra-peso, com ganho de 0,26 centavo, ou 0,39%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 1,12%, negociado a R$ 5,4477 para venda e a R$ 5,4457 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3872 e a máxima de R$ 5,4637.
Na semana, o dólar acumulou alta de 9%. No mês, a valorização chegou a 5,8%.
Sustentabilidade
Fertilizantes: Importações caem 15,7% no Brasil – MAIS SOJA

O Brasil reduziu em 15,7% o volume de fertilizantes químicos importados entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam que as compras externas somaram 28,45 milhões de toneladas nos nove primeiros meses deste ano, ante 33,73 milhões de toneladas em 2025. A diferença representa aproximadamente 5,28 milhões de toneladas.
A retração foi acompanhada pela elevação dos preços internacionais. O valor médio por tonelada importada passou de US$ 342,70, entre janeiro e setembro de 2025, para US$ 392,50 no mesmo intervalo de 2026, uma alta de 14,6%. Mesmo com a redução dos volumes, o país desembolsou US$ 11,17 bilhões nas aquisições externas, apenas 3,4% abaixo dos US$ 11,56 bilhões registrados no ano anterior.
Em setembro, o movimento de queda permaneceu expressivo. O Brasil importou 3,11 milhões de toneladas, contra 4,31 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025, recuo de 27,9%. Foi o sexto mês consecutivo de redução na comparação anual, considerando a sequência iniciada em abril. Os dados mostram que a desaceleração das compras externas ganhou força ao longo do segundo e terceiro trimestres.
Cenário internacional e custos pressionam as compras
Entre os fatores que ajudam a explicar a retração estão as dificuldades no cenário internacional de oferta e logística, agravadas pelos conflitos geopolíticos, além da elevação dos preços dos insumos. Em publicação sobre o setor, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que, entre janeiro e maio de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados caíram 8,7%, passando de 7,69 milhões para 7,02 milhões de toneladas. No mesmo período, o preço médio de internalização aumentou 14,4%, enquanto os gastos com essas compras cresceram 4,4%.
A conjuntura também afeta a capacidade de aquisição dos produtores rurais. Segundo informações da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), divulgadas em setembro, a redução das entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro está relacionada a uma combinação de fatores, como relações de troca acima das médias históricas, restrições de crédito, juros elevados, riscos financeiros no setor e incertezas climáticas, incluindo os possíveis efeitos do El Niño.
No primeiro semestre de 2026, as entregas de fertilizantes ao mercado nacional totalizaram 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. O resultado indica que a retração não se limita às compras externas, alcançando também a movimentação dos produtos destinados ao abastecimento do mercado interno.
Dependência externa amplia a preocupação
O cenário merece atenção, porque o Brasil mantém elevada dependência do mercado internacional para atender à demanda do setor agrícola. Segundo o Mapa, aproximadamente 93% dos fertilizantes consumidos no país são provenientes de importações. Em 2025, as compras externas alcançaram o recorde de 45,5 milhões de toneladas.
A redução das importações em 2026, portanto, ocorre em um contexto de preços mais elevados e de dificuldades no comércio global. Embora os dados de entrada de produtos não indiquem, isoladamente, falta de fertilizantes no cenário brasileiro, a continuidade desse movimento exige acompanhamento, sobretudo diante das necessidades de abastecimento para os próximos ciclos agrícolas.
A combinação entre menor volume importado, custos mais elevados e condições financeiras mais restritivas para os produtores reforça a importância de acompanhar a disponibilidade dos insumos e ampliar a capacidade de produção nacional, tema que permanece entre os desafios estratégicos do agronegócio brasileiro.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações do MDIC, MAPA e ANDA
Autor:SNA
Site: SNA
Sustentabilidade
Transtornos podem aumentar com chuvas de até 150 mm, enquanto calorão de 40°C persiste; veja a previsão

Novembro deve trazer um cenário climático mais favorável em parte do Brasil, mas com contrastes entre as regiões. Enquanto áreas do Sul podem registrar acumulados de até 150 milímetros de chuva em poucos dias, estados do Norte e regiões do Matopiba devem enfrentar temperaturas próximas de 40°C e baixos volumes de precipitação no início do mês.
A previsão indica a atuação de áreas de baixa pressão sobre o Sudeste, favorecendo o transporte de umidade e a ocorrência de temporais. As chuvas devem continuar no sábado e no domingo em parte do país, enquanto o agreste nordestino e áreas do centro-norte do Pará devem ter predomínio de sol.
Norte terá calor intenso e pouca chuva
No Norte, a previsão aponta baixos volumes de chuva e temperaturas elevadas nos próximos dias. Em algumas áreas, os acumulados não devem chegar a 50 milímetros, com precipitações pouco expressivas, próximas de 20 mm, em partes do Tocantins.
Entre os dias 10 e 14 de novembro, a chuva deve ganhar força em Tocantins, com acumulados que podem chegar a 80 milímetros em algumas localidades. Em contrapartida, áreas do centro-norte do Pará devem continuar com precipitações reduzidas, que não devem alcançar 15 milímetros em determinados pontos.
A falta de chuva deve favorecer a elevação das temperaturas, com máximas entre 38°C e 39°C e possibilidade de até 40°C, principalmente em Tocantins e no oeste do Pará.
A mudança mais significativa nas condições de precipitação é esperada a partir da segunda quinzena de novembro, quando as chuvas devem ganhar ritmo em Rondônia, no Acre e Tocantins, com volumes mais expressivos em parte dessas áreas.
Paraná pode acumular 150 mm de chuva
Nos próximos dez dias, o Sul do país deve concentrar alguns dos maiores volumes de precipitação. No Paraná, a previsão indica acumulados próximos de 100 milímetros no oeste do estado nos próximos cinco dias. Na semana seguinte, a chuva deve continuar em boa parte do território paranaense, com volumes que podem alcançar 150 milímetros.
O excesso de precipitação pode trazer transtornos tanto para as áreas urbanas quanto para o campo, com potencial de prejudicar as lavouras de soja. Em Santa Catarina, a tendência também é de volumes elevados, mantendo o alerta para possíveis problemas associados à chuva persistente.
Apesar dos acumulados elevados, as precipitações devem continuar importantes para a manutenção da umidade do solo no Sul. No entanto, a intensidade e a frequência da chuva podem dificultar os trabalhos no campo.
Temporais também atingem São Paulo
Entre os dias 5 e 9 de novembro, a previsão aponta chuva volumosa em áreas de São Paulo, incluindo a capital paulista. A precipitação deve continuar ocorrendo com frequência em partes do Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais, além de áreas do sul de Goiás.
A atuação de áreas de baixa pressão deve contribuir para a formação de temporais e para a canalização de umidade, mantendo as condições favoráveis à ocorrência de chuva.
No Centro-Sul, as temperaturas devem permanecer próximas da média para o período, reduzindo a possibilidade de calor excessivo generalizado. O cenário, porém, será diferente nas áreas onde a chuva deve demorar mais a se estabelecer.
Novembro pode trazer alívio para o Matopiba
Na virada para a segunda quinzena de novembro, a previsão se torna mais otimista para áreas produtoras de soja do Matopiba. A expectativa é de retorno de chuvas mais consistentes no norte de Goiás, no norte de Minas Gerais e em áreas do Matopiba, com acumulados que podem chegar a 80 milímetros em alguns pontos.
Até lá, o calor deve continuar intenso em partes do Pará, do Matopiba e do agreste nordestino, onde as temperaturas podem superar os 38°C e alcançar 40°C. Nessas áreas, os volumes de precipitação devem permanecer abaixo da média durante parte da primeira quinzena.
De maneira geral, a tendência para novembro é mais favorável do que a observada em outubro em algumas regiões, especialmente com o avanço das chuvas sobre áreas agrícolas. Ainda assim, a distribuição irregular da precipitação exige atenção, já que o excesso de água no Sul e a falta de chuva em áreas do Norte e do Matopiba podem trazer desafios distintos para a produção agropecuária.
Agro Mato Grosso19 horas agoColisão frontal entre caminhão e picape mata duas pessoas na BR-163 I MT
Sustentabilidade21 horas agoDólar em alta sustenta preços da soja no Brasil, apesar de quedas em Chicago
Business20 horas agoMoagem de cana cai 17,8% na primeira quinzena de outubro
Business18 horas agoMelhores cafés arábica especiais da safra 2026/27 serão anunciados no sábado
Business19 horas agoPlantio de milho na Argentina atinge 47,3% da área prevista
Featured10 horas agoListas de boicote eleitoral mobilizam entidades e geram ação do MPT contra redes sociais
Sustentabilidade13 horas agoFertilizantes: Importações caem 15,7% no Brasil – MAIS SOJA
Business15 horas agoExpoCal 2026 abre programação com foco técnico para produtores no Paraná
















