Sustentabilidade
88% da dívida rural do RS fica fora da MP 1.376/2026, aponta Farsul – MAIS SOJA

Um levantamento da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que 88,3% do saldo devedor de uma amostra de contratos de crédito rural analisados pela entidade não conseguem, hoje, acessar as condições facilitadas da Medida Provisória nº 1.376/2026, que criou linhas de crédito para renegociação de dívidas do setor. Dos R$ 93 milhões em saldo devedor analisados, apenas R$ 10,85 milhões (11,7%) reúnem as condições de enquadramento previstas na norma.
“Nós fizemos um estudo com casos reais, de produtores que se disponibilizaram a passar seus contratos para a gente avaliar o quanto se enquadraria e o quanto não se enquadraria, porque víamos que a MP era muito limitada, sobretudo no que diz respeito às CPRs e aos investimentos. Rodamos as operações de cada um dos produtores e o valor deu pouco mais de 11% do estimado. Temos um universo de dívida que não para de crescer, dobrando a cada 12 meses, e uma solução que não chega nem perto do problema”, afirma o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz.
O ponto mais crítico é a Cédula de Produto Rural (CPR), que já responde por 42,8% de todo o crédito rural concedido no Brasil na safra 2025/26 (ante 37,4% na safra anterior), segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, superando o custeio tradicional como principal instrumento de financiamento da produção. Mesmo assim, a porta de entrada mais vantajosa da MP, com juros controlados entre 6% e 12% ao ano, menciona apenas custeio, comercialização e industrialização, sem incluir a CPR.
Um produtor com CPR em dia, renegociada com o credor, não tem hoje nenhuma via de acesso às condições facilitadas. Na amostra da Farsul, essas operações somam R$ 10,55 milhões. Para quem já está inadimplente, a MP prevê uma via específica, mas restrita a CPR emitida em favor de bancos, deixando de fora as emitidas para cooperativas e fornecedores de insumo, comuns no financiamento da produção gaúcha.
O levantamento chama atenção para o que descreve como um “paradoxo gaúcho”: segundo a Serasa Experian, o RS tem a menor taxa de inadimplência rural do Brasil, 5,3% no quarto trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, dados do Banco Central mostram que o Estado concentra a maior carteira de crédito rural problemática do país em valor absoluto, sendo R$ 39,9 bilhões em abril de 2026, quase o dobro do Mato Grosso, segundo colocado, com R$ 21,8 bilhões.
“O Rio Grande do Sul, de acordo com o Banco Central, tem a maior carteira estressada do Brasil, com a maior quantidade de prorrogação e renegociação. Mas, por outro lado, o produtor gaúcho é o que tem a menor inadimplência do país. Para se manter adimplente, ele aceitou prorrogações e renegociações absurdamente caras e difíceis de honrar, mas foi lá e fez, à espera de uma solução mais estruturada. E a MP deixou de fora justamente esse produtor, que fez um sacrifício para manter a adimplência. É um erro grave ao punir quem mais se esforçou”, diz Antônio da Luz. “Mesmo o custeio adimplente, categoria com melhor desempenho na amostra, exige renegociação prévia formalizada; o investimento adimplente não tem hoje nenhuma porta de entrada”, completa.
Com base nesse diagnóstico, a Farsul leva seis propostas de alteração de texto ao Congresso durante o prazo de conversão da MP em lei, que se encerra 120 dias após a publicação: incluir a CPR entre os instrumentos do inciso I, sob as condições do custeio; ampliar o artigo 6º para aceitar CPR emitida em favor de cooperativas e fornecedores de insumo; permitir que investimentos renegociados por aditivo formal, mesmo sem declaração expressa de inadimplência, acessem a linha facilitada; trocar a data-limite fixa de 31 de maio de 2026 (anterior à própria publicação da MP, em 15 de julho) por um critério vinculado à data de contratação da nova linha; abrir exceção à vedação para quem renegociou sob a MP 1.314/2025, quando houver um novo evento de perda; e criar uma porta para capital de giro, hoje sem enquadramento em nenhum inciso da norma.
Juntas, as propostas endereçariam os R$ 82,15 milhões hoje fora do alcance da MP na amostra, sem alterar os parâmetros de mérito já definidos pelo legislador.
A MP 1.376/2026, publicada em 15 de julho, autoriza linhas de crédito rural para renegociação de dívidas de custeio, investimento e CPR, além da participação da União em um fundo garantidor para produtores afetados por eventos climáticos, com juros de 6% a 12% ao ano e prazos de até dez anos para quem se enquadra.
Confira Nota elaborada pela Assessoria Econômica da Farsul.
Fonte: Farsul/RS
Autor:Farsul
Site: Farsul
Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Oferta restrita sustenta altas, mas chuvas limitam negociações – MAIS SOJA

As cotações do arroz em casca seguem em alta no Rio Grande do Sul, sustentadas pela oferta restrita e pela necessidade de aquisição de matéria-prima por parte das indústrias.
Segundo o Cepea, produtores negociam apenas lotes pontuais e mantêm postura firme, enquanto compradores aumentam os valores ofertados em algumas regiões. Apesar desse cenário de valorização, nos últimos dias, chuvas persistentes dificultaram o carregamento do cereal e limitaram o avanço das negociações, reduzindo a liquidez.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a menor disponibilidade e a expectativa de novas valorizações durante a entressafra mantêm vendedores retraídos. Ao mesmo tempo, a necessidade de originar matéria-prima tem levado parte das indústrias a aumentar novamente suas ofertas, especialmente nas regiões próximas ao porto de Rio Grande.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Rabobank projeta pausa na expansão da soja no Brasil e prevê queda na produção na safra 2026/2027 – MAIS SOJA

A safra brasileira de soja 2026/27, com plantio no país a partir de meados de setembro, pode registrar uma queda de cerca de 2% ante o recorde do ciclo anterior, para 178 milhões de toneladas, em meio a difíceis condições de mercado que deverão levar a uma estabilização da área plantada, afirmou o Rabobank nesta quinta-feira. A estimativa inicial do banco holandês considera uma “pausa” no aumento “sustentado” de área plantada, que tem sido visto no país há mais de duas décadas a uma taxa de cerca de 4% ao ano, segundo relatório assinado pela analista sênior de grãos e oleaginosas, Marcela Marini.
Margens de agricultores comprimidas por preços baixos da commodity, condições de crédito mais restritivas, custos de financiamento mais elevados e “crescente incerteza” em torno dos mercados de insumos desmotivam agora a expansão de área no maior produtor e exportador de soja, escreveu Marini.
O recuo esperado na produção considera uma “normalização” da produtividade média, após resultado no anterior acima da tendência, “em vez de queda na área plantada”. Contudo, os riscos de queda maior na produtividade são elevados, “particularmente devido a potenciais impactos do El Niño e aos custos mais elevados de fertilizantes associados a tensões geopolíticas” geradas pela guerra no Irã. “Nesta fase, a estimativa não incorpora potenciais impactos climáticos adversos associados ao El Niño”, disse o Rabobank, lembrando que episódios recentes do fenômeno climático tiveram impactos negativos na produção em regiões importantes, notadamente na safra 2023/24.
O ambiente mais restritivo também está aumentando a disponibilidade de terras agrícolas para venda ou arrendamento, à medida que os produtores buscam liquidez e ajustes em seus balanços, apontou o relatório. “O consequente aumento na oferta de terras deve desacelerar a expansão da área cultivada — particularmente aquela decorrente da conversão de pastagens –, ao mesmo tempo em que redireciona o modelo de crescimento da soja no Brasil para a otimização e a realocação de áreas agrícolas já existentes”, concluiu. A especialista classificou a expectativa de estagnação da área como uma “mudança chave” e um “ponto de inflexão” no foco estratégico de produtores. Mas a mudança não significa uma “contração estrutural” na produção de soja do Brasil, que, com o crescimento contínuo da safra, expandiu sua participação na produção global de 28% em 2010 para 42% em 2026.
“Trata-se, na verdade, de uma moderação no ritmo de expansão, refletindo tanto condições econômicas mais restritivas para os produtores quanto um crescimento mais lento da demanda global”, apontou Marini. Ela lembrou que a terra continua sendo o principal ativo do produtor, “o que limita a probabilidade de uma redução significativa da área”.
“No entanto, espera-se que a expansão futura se torne mais seletiva, cada vez mais condicionada à rentabilidade, ao acesso ao crédito e a considerações sobre gestão de riscos”. Em 2026/27, se confirmada a projeção de safra menor, ela poderia contribuir para um cenário global de oferta e demanda mais equilibrado, fluxos de exportação mais estáveis e um suporte moderado aos níveis de “basis” da soja no mercado interno.
Fonte: Reuters – Por Roberto Samora, disponível em Fecoagro
Autor:Reuters – Por Roberto Samora, disponível em Fecoagro
Site: Fecoagro/SC
Sustentabilidade
Milho volta a fechar em alta em Chicago com piora nas lavouras dos EUA – MAIS SOJA

A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o milho fechou a sessão de hoje com alta nos preços. O mercado foi sustentado por um movimento de recuperação após a forte queda registrada no pregão de ontem (27) e pela piora nas condições das lavouras dos Estados Unidos. Além disso, a fraqueza do dólar frente a outras moedas e os sinais de uma demanda aquecida pelo produto estadunidense complementaram o quadro positivo.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 63% das lavouras de milho estavam em condições boas ou excelentes até 26 de julho, abaixo dos 67% da semana anterior. As áreas classificadas como regulares passaram de 24% para 25%, enquanto as lavouras em condições ruins ou muito ruins avançaram de 9% para 12%.
Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 197.272 toneladas de milho para destinos não revelados, com entrega prevista para a safra 2026/27. Pelas regras do órgão, toda operação envolvendo volume igual ou superior a 100 mil toneladas do grão, realizada para o mesmo destino e no mesmo dia, deve ser informada oficialmente.
Os contratos de milho com entrega em setembro fecharam a US$ 4,58 1/2, com avanço de 6,75 centavos, ou 1,49% em relação ao fechamento anterior. A posição dezembro fechou a sessão a US$ 4,80 1/2 por bushel, com alta de 6,50 centavos, ou 1,37% em relação ao fechamento anterior.
Fonte: Agência Safras
Autor:Pedro Carneiro (pedro.carneiro@safras.com.br) / Safras News
Site: Agência Safras
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