Sustentabilidade
Entendendo o coeficiente fitotérmico no arroz. – MAIS SOJA

O coeficiente fototérmico (Q) é calculado por meio do quociente entre a radiação solar incidente e a temperatura média do ar (Fischer, 1985). Na prática, Q integra os efeitos da radiação solar e da temperatura sobre o crescimento e o desenvolvimento (Fischer, 1985). Para calcular o Q da cultura do arroz, assume-se uma temperatura base (Tb) de 8°C. Foram relatadas relações entre o rendimento de grãos e Q durante as etapas vitais para determinar os componentes de rendimento em culturas agrícolas de trigo (Fischer, 1985) e soja (Zanon et al., 2016).
Recentemente, a Equipe FieldCrops estudou a influência da radiação solar e da temperatura na produtividade de grãos de arroz irrigado para um ambiente subtropical. Foram comparados experimentos realizados em condições potenciais, sem estresse biótico e sem restrição nutricional (círculos amarelos – Figura 1a) e experimentos que apresentavam algum tipo de limitação biótica ou abiótica (círculos azuis – Figura 1a).
Figura 1. Relação entre a produtividade de grãos de arroz irrigado e o coeficiente fototérmico (Q) entre os estádios R4 e R9 em experimentos conduzidos em condição potencial (círculo amarelo) e com alguma limitação biótica ou abiótica (círculo azul). (b) Coeficiente fototérmico (Q) entre R4 e R9 em função da data de semeadura em grupos de maturação curto (triângulos amarelos), intermédio (círculos em azul) e longo (losangos em verde).
Constatou-se que a perda de produtividade com o atraso na data de semeadura está associada a diferenças nos valores do coeficiente fototérmico nas etapas críticas de determinação dos componentes de produtividade e com a duração do ciclo de desenvolvimento; visto que os valores de Q diminuem linearmente com o atraso na data de semeadura e são maiores nos grupos de maturação (GM) média e tardia na semeadura de setembro e outubro (Figura 1B).
Neste estudo, foi possível quantificar Q por fase de desenvolvimento para saber em qual período a relação entre a radiação solar e a temperatura é mais importante. Com essa análise, constatou-se que a fase de enchimento de grãos (R4-R9) é mais sensível ao efeito do sombreamento e mais dependente da disponibilidade de radiação solar do que as fases reprodutivas (R1-R4) e vegetativa (EM-R1), respectivamente (Figura 2).

Figura 2. Relação entre a produtividade de grãos de arroz e o coeficiente fototérmico (Q) durante as fases vegetativa, reprodutiva e de enchimento de grãos sob os níveis de restrição de radiação solar de 0%, 24%, 36% e 43% durante os anos agrícolas 2017/18 e 2018/19 no Rio Grande do Sul.
Referências Bibliográficas
FISCHER, R. A. Number of kernels in wheat crops and the influence of solar radiation and temperature. Journal of Agricultural Science, v. 105, n. 2, p. 447-461, 1985. Disponível em: < https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-agricultural-science/article/abs/number-of-kernels-in-wheat-crops-and-the-influence-of-solar-radiation-and-temperature/80B47ABEE823AB8EA5B16671DE8CAFD8 >, acesso: 10/07/2026
MEUS, L. D. et al. Ecofisiologia do arroz visando altas produtividades. ed. 1, Santa Maria, 2021. 312p
ZANON, A. J. et al. Growth habit effect on development of modern soybean cultivars after beginning of bloom in Rio Grande do Sul. Bragantia, v. 75, n. 4, p. 446 – 458, 2016. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/brag/a/pqqrvD6LgJbBcWKhBcJdsfk/?lang=en >, acesso: 11/01/2026

Sustentabilidade
Restrição ao crédito deve dominar discussões no Congresso Andav – MAIS SOJA

Entre os dias 11 e 13 de agosto, o Transamérica Expo Center, em São Paulo, receberá mais uma edição do Congresso Andav, principal encontro da distribuição de insumos agropecuários do Brasil.
Em um momento em que o acesso ao crédito segue como um dos principais desafios para o agronegócio, especialistas apontam que a busca por soluções de financiamento e gestão de risco deve estar entre os principais temas debatidos durante o evento.
Nos últimos anos, o crédito privado ganhou ainda mais relevância no financiamento do agronegócio, impulsionando o desenvolvimento de novas soluções capazes de ampliar o acesso a recursos e oferecer maior agilidade, previsibilidade e eficiência às operações.
A TerraMagna, maior fintech de crédito para o agronegócio da América Latina, e a tmdigital, empresa do mesmo grupo especializada em gestão de risco e cobrança, estarão entre as expositoras do congresso. No estande, os especialistas das duas marcas promoverão conversas com distribuidores de insumos, cooperativas, indústrias e demais agentes do setor, sobre as principais alternativas de crédito privado para o agro, além de estratégias de gestão de risco, monitoramento e cobrança que contribuem para ampliar a segurança das operações financeiras.
A disseminação de conhecimento e o compartilhamento de boas práticas tornam-se cada vez mais relevantes para ampliar o acesso ao crédito, estimular a inovação financeira e fortalecer toda a cadeia do agronegócio.
A expectativa é que o Congresso Andav reúna, em São Paulo, mais de 15 mil participantes, entre especialistas, lideranças e representantes de empresas de todo o país, consolidando-se como um dos principais encontros do agronegócio brasileiro e reunindo mais de 250 marcas expositoras.
Sustentabilidade
Demanda pela soja brasileira sustenta preços no mercado interno, aponta Cepea

A demanda pela soja brasileira segue dando sustentação aos preços no mercado interno. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização dos prêmios de exportação, aliada ao cenário geopolítico e ao aquecimento da procura pela oleaginosa nacional, reforçou a alta no mercado spot.
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De acordo com o Cepea, o recente aumento das tensões no Oriente Médio impulsionou as cotações internacionais do petróleo, fator que também sustentou os preços da soja no mercado externo.
Pesquisadores do Cepea destacam ainda que a previsão de intensificação do fenômeno El Niño ao longo da safra 2026/27 tem ampliado as preocupações com possíveis impactos sobre a produção global da oleaginosa.
Nesse cenário, parte dos consumidores antecipou as compras como forma de reduzir riscos, enquanto vendedores passaram a restringir a oferta de grandes volumes, à espera de condições mais favoráveis para a comercialização.
Preços da soja no último fechamento
No indicador Cepea/Esalq de Paranaguá (PR), a saca de 60 quilos da soja foi cotada a R$ 148,37 na última sexta-feira (24), alta de 0,61% no dia e de 11,07% no acumulado de julho.
Já no indicador Paraná, a cotação encerrou em R$ 140,26 por saca, com avanço diário de 0,70% e valorização de 10,07% no mês. Conforme o Cepea, ambos os indicadores seguem refletindo a firmeza do mercado da oleaginosa.
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Sustentabilidade
Ceema: Milho sobe em Chicago com clima nos EUA e tensões globais, enquanto Brasil acelera vendas – MAIS SOJA

A cotação do milho, para o primeiro mês em Chicago, igualmente voltou a subir nesta semana, fechando a quinta-feira (23) em US$ 4,64/bushel, contra US$ 4,41 na semana anterior. O clima nos EUA e os conflitos no Leste Europeu e no Oriente Médio, além da forte alta no valor do trigo estão na origem deste movimento altista.
Dito isso, a safra estadunidense de milho caminha bem, apesar de o clima mais seco e quente no momento. Tanto é verdade que o USDA divulgou que, no dia 19/07, apenas 9% das lavouras estavam em condições entre ruins a muito ruins. Outras 24% estavam regulares e 67% estavam entre boas a excelentes.
Já no Brasil os preços pouco se movimentaram, porém, o ritmo de negócios é melhor do que o registrado na mesma época do ano passado. Os produtores passaram a vender maiores quantidades do milho safrinha nesta segunda quinzena de julho. Em tal contexto, as principais praças gaúchas ainda permaneceram em R$ 58,00/saco, enquanto nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 44,00 e R$ 62,50/saco. Já na B3 o vencimento setembro/26 chegou a R$ 70,11/saco, janeiro/27 atingiu a R$ 76,58, março/27 foi negociado a R$ 77,73 e maio/27 atingiu a R$ 76,82/saco em alguns momentos da semana.
Por outro lado, no Centro-Sul brasileiro, até o dia 16/07 a colheita da safrinha atingia a 49% da área semeada na região, contra 55% um ano atrás. Já a Conab informou que, até o dia 17/07, a colheita da segunda safra, em todo o Brasil, alcançava 49,8%, contra a média de 56,7%. Os estados mais adiantados com a colheita, naquela data, eram Mato Grosso (79,8%), Tocantins (73%), Maranhão (70%), Piauí (58%), Goiás (28%), Minas Gerais (18%), Mato Grosso do Sul (17%), Paraná (16%) e São Paulo (9%).
Enfim, as exportações brasileiras de milho, nos 13 primeiros dias úteis de julho, chegaram a 786.705 toneladas, com a média diária ficando 42,8% abaixo da média de todo o mês de julho do ano passado. Já o preço médio recebido por tonelada avançou 4,5% até aqui, saindo dos US$ 205,20 de 2025 para US$ 214,40 no acumulado de julho de 2026 (cf. Secex).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
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