Sustentabilidade
Tratamento de sementes para o controle de nematoides em soja – MAIS SOJA

Com ampla distribuição geográfica, os fitonematoides estão entre as principais pragas das culturas agrícolas, incluindo a soja, causando expressivos prejuízos ao desenvolvimento das plantas. A infecção por esses organismos pode resultar em severos danos ao sistema radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes e, em situações de alta infestação, levando à morte das plantas. Mesmo quando não ocorre mortalidade, as plantas afetadas geralmente apresentam crescimento reduzido, menor vigor e desenvolvimento comprometido, refletindo negativamente no potencial produtivo da cultura.
Figura 1. Sintomas da ocorrência de fitonematoides em soja.
Dentre as principais espécies de importância econômica na soja destacam-se o nematoide de galha (Meloidogyne spp.); o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines); o nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) e o nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus). A identificação das espécies é complicada e os sintomas normalmente aparecem após o desenvolvimento da cultura, o que dificulta o posicionamento de práticas de controle.
Conhecer o histórico da área contribui para a identificação do problema. Áreas com predominância de monocultivo e/ou ausência da rotação de culturas tendem a ser mais propícias ao desenvolvimento dos fitonematoides. Por habitarem o solo, o controle eficiente via pulverização de nematicidas na superfície do solo normalmente não traz bons resultados em função da dificuldade em atingir o alvo.
Nesse contexto o tratamento de sementes com produtos específicos tende a ser a alternativa mais explorada em grandes áreas agrícolas. Sobretudo, a eficácia do tratamento de sementes para o controle dos fitonematoides está condicionada principalmente a qualidade do tratamento de sementes, a espécie do fitonematoide e ao princípio ativo empregado.
Conforme observado por Bortolini et al. (2013) e corroborado por Almeida et al. (2016), a abamectina é um dos defensivos mais utilizados e eficientes para o controle de fitonematoides como Heterodera glycines e Pratylenchus brachyurus via tratamento de sementes da soja, havendo um incremento do nível de controle a medida em que há o aumento da dose do produto (figura 2).
Figura 2. Tratamento de sementes com abamectina. A) Número de fêmeas por sistema radicular em função das doses de ingrediente ativo (i.a.) de abamectina por 100 kg de sementes.

A eficiência de produtos químicos no tratamento de sementes para o controle de fitonematoides também foi avaliada por Mota (2022). Ao verificar o controle do nematoide Pratylenchus brachyurus utilizando diferentes produtos químicos e biológicos no tratamento de sementes, Mota (2022) observou que os tratamentos que mais se destacaram no controle do fitonematoide via tratamento de sementes de soja foram Imidacloprido + Tiodicarbe (T1) e Abamecina (T2).
Os tratamentos analisados por Mota (2022) eram compostos por: Imidacloprido + Tiodicarbe 11 (T1), abamectina (T2), Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma (T3) Imidacloprido + Tiodicarbe com Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma (T4), Abamectina com Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma (T5).
De acordo com os resultados observados pela autora, para o fitonematoide Pratylenchus brachyurus, Imidacloprido + tiodicarbe apresentou o maior controle do nematoide, seguido por Bacillus licheniformis + B. subtilis + Trichoderma e pela combinação desses microrganismos com tiodicarbe. A eficiência dos agentes biológicos variou conforme as condições ambientais e a compatibilidade com os produtos químicos utilizados no tratamento de sementes.
Tabela 1. População final do Pratylenchus brachyurus, no solo e raíz, aos 30, 60, 90 dias após o plantio. Onde: Tratamento 1 = Imidacloprido + Tiodicarbe; Tratamento 2 = abamectina; Tratamento 3 = Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma; Tratamento 4 = Imidacloprido + Tiodicarbe com Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma e, Tratamento 5 = Abamectina com Bacillus licheniformis + Bacillus subitilis + Trichoderma.

Esses resultados reforçam a importância do tratamento de sementes para o controle dos fitonematoides em soja, no entanto, não excluem a necessidade de medidas integradas de manejo para o controle dessas pragas. Nesse sentido, o tratamento de sementes deve ser posicionado de forma associada a outras estratégias para o manejo dos fitonematoides em soja.
Referências:
ALMEIDA, J. A. et al. TRATAMENTO DE SEMENTES COM ABAMECTINA E Paecilomyces lilacinus NO MANEJO DE Heterodera glycines NA CULTURA DA SOJA. Multi-Science Journal, 2016. Disponível em: < https://ifgoiano.emnuvens.com.br/multiscience/article/view/127/113 >, acesso em: 07/07/2026.
BORTOLINI, G. L. et al. CONTROLE DE Pratylenchus brachyurus VIA TRATAMENTO DE SEMENTE DE SOJA. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer – Goiânia, v.9, n.17; p. 2013. Disponível em: < http://conhecer.org.br/enciclop/2013b/CIENCIAS%20AGRARIAS/CONTROLE%20DE%20Pratylenchus.pdf >, acesso em: 07/07/2026.
MOTA, E. M. S. TRATAMENTO DE SEMENTES DE SOJA, PARA O CONTROLE DE Pratylenchus brachyurus. Instituto Federal Goiano, Dissertação de Mestrado, 2022. Disponível em: < https://repositorio.ifgoiano.edu.br/bitstream/prefix/2677/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Elisa.pdf >, acesso em: 07/07/2026.
Foto de capa: Cristiano Bellé.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Exportações são recordes; preços reagem – MAIS SOJA

As exportações brasileiras de arroz encerraram o primeiro semestre de 2026 com o maior volume da série histórica da Secex, fortalecendo a demanda pelo cereal e ampliando a competitividade do mercado externo em relação ao doméstico.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário sustentou uma reação nos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, em um contexto de restrição na oferta diante das perspectivas de novas valorizações.
No mercado internacional, os indicadores também apontaram recuperação nas cotações do cereal, enquanto os dados mais recentes da indústria brasileira ainda refletem um período anterior ao fortalecimento observado nas últimas semanas, de acordo com o Cepea.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Esmagamento de soja em MT bate recorde; exportações de carne atingem nível histórico

O esmagamento de soja em Mato Grosso alcançou um novo recorde no primeiro semestre de 2026. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foram processadas 7,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho, volume 4,53% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo o instituto, o desempenho foi impulsionado pelo aumento da demanda para a produção de biodiesel e pelo aquecimento das exportações dos coprodutos da soja. Entre janeiro e junho, os embarques mato-grossenses de farelo e óleo de soja somaram 4,59 milhões de toneladas, crescimento de 8,94% em relação ao primeiro semestre de 2025.
A Argélia permaneceu como principal destino do óleo de soja produzido em Mato Grosso, concentrando 38,08% das exportações do produto. Já a Indonésia liderou as compras de farelo de soja, respondendo por 24,65% dos embarques. Para o Imea, a produção recorde de soja nas últimas safras permitiu às indústrias ampliar o processamento, absorvendo parte da elevada oferta do grão no Estado.
Pecuária
Na pecuária, Mato Grosso também registrou números históricos. O estado abateu 3,65 milhões de cabeças de bovinos no primeiro semestre, alta de 3,58% sobre igual período de 2025 e o maior volume da série histórica para o período.
As exportações de carne bovina também bateram recorde, com embarques de 511,75 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), avanço de 38,76% na comparação anual. A receita alcançou US$ 2,41 bilhões, crescimento de 63,82%, impulsionada principalmente pela forte demanda da China.
O Imea destaca que o aumento dos abates foi sustentado pela maior procura por machos terminados e pela antecipação das exportações antes do esgotamento da cota de salvaguarda chinesa. No entanto, o instituto alerta que o avanço do preenchimento dessa cota pode desacelerar as importações chinesas no segundo semestre, levando parte das indústrias a reduzir o ritmo de abates e de produção.
Esse movimento já começou a refletir no mercado físico. Na última semana de junho, o indicador do boi gordo a prazo recuou 2%, equivalente a R$ 6,62 por arroba, diante da menor atuação de frigoríficos exportadores e de um ajuste após as fortes valorizações registradas ao longo do semestre.
Apesar disso, o Imea avalia que a oferta restrita de animais terminados deverá limitar quedas mais intensas nas cotações, mantendo sustentação para os preços da arroba ao longo de 2026.
Sustentabilidade
ALGODÃO/CEPEA: Início de julho é marcado por negociações pontuais – MAIS SOJA

O mercado brasileiro de algodão em pluma segue com baixa liquidez neste início de julho, diante do desacordo entre vendedores e compradores. Segundo o Cepea, apesar da postura firme de parte dos vendedores, especialmente dos mais capitalizados e detentores de lotes de melhor qualidade, as cotações perderam sustentação nos últimos dias e voltaram a ceder.
De acordo com o Centro de Pesquisas, alguns vendedores, atentos ao enfraquecimento da paridade de exportação e buscando liquidar os estoques remanescentes da temporada 2024/25 para liberar espaço nos armazéns, passaram a demonstrar maior flexibilidade nas negociações no mercado spot. Ainda assim, os compradores que estão ativos continuaram a ofertar valores inferiores aos pedidos pelos vendedores.
Pesquisadores do Cepea destacam que as aquisições da indústria permanecem pontuais, uma vez que a matéria-prima adquirida anteriormente, somada aos estoques disponíveis, tem sido suficiente para atender às necessidades de curto prazo. Nesse contexto, o desempenho das vendas de produtos manufaturados continua sendo acompanhado de perto, pois influencia o ritmo de reposição da matéria-prima.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
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