Business
Plano Safra 2026/27 será teste para crédito rural, aponta FGV Agro

Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, o principal desafio da política agrícola brasileira não será apenas divulgar um novo volume recorde de recursos. Mais importante será garantir que esse dinheiro chegue efetivamente ao produtor rural. Essa é a principal conclusão de uma nota técnica do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), da FGV Agro, divulgada nesta segunda-feira (29).
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Segundo o levantamento, embora os recursos anunciados nos últimos três Planos Safra tenham crescido 24% em termos reais, as contratações de crédito rural seguiram caminho oposto. Entre as safras 2023/24 e 2025/26, o valor efetivamente contratado caiu 31,7%, indicando um descompasso entre os recursos disponibilizados pelo governo e o acesso ao financiamento pelos produtores.
Na avaliação dos pesquisadores, esse cenário mostra que a efetividade do Plano Safra não deve ser medida apenas pelo montante anunciado, mas também pela capacidade de transformar esses recursos em crédito disponível, com condições compatíveis para financiar a produção.
Outro ponto de atenção é a deterioração da qualidade do crédito rural. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das operações passou de 1,49% em maio de 2024 para 7,39% em abril de 2026. Nas operações com taxas de mercado, esse índice chegou a 13,29%, enquanto nas linhas com juros regulados permaneceu em 3,08%.
O estudo também lembra que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número da série histórica da Serasa Experian, refletindo um ambiente de maior pressão financeira sobre produtores e empresas do setor.
Juros elevados pressionam o financiamento
A nota técnica destaca que a manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano alterou a dinâmica do crédito rural. Com o custo de captação mais elevado, bancos e demais instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos na concessão de empréstimos.
Nas operações de mercado para pessoas físicas, as taxas de juros giram em torno de 11,9% ao ano, enquanto nas linhas reguladas ficam próximas de 9,2%. Para empresas e cooperativas, o custo pode variar entre 20% e 27% ao ano.
Segundo a FGV Agro, nesse ambiente os recursos com juros controlados deixam de ser apenas um instrumento de incentivo e passam a desempenhar papel importante para manter a estabilidade financeira da atividade agropecuária.
Investimentos recuam
O levantamento também aponta queda expressiva nas operações destinadas ao investimento. Entre as safras 2023/24 e 2025/26, o volume contratado caiu 33,4%.
Para os pesquisadores, a redução compromete a capacidade de modernização das propriedades, afetando investimentos em máquinas, irrigação, armazenagem, tecnologia e adaptação às mudanças climáticas.
A avaliação é que esse movimento pode criar um ciclo negativo: menos investimento reduz a produtividade, piora o fluxo de caixa, aumenta o risco de inadimplência e dificulta ainda mais o acesso ao crédito nos anos seguintes.
Mercado privado cresce, mas não substitui o crédito oficial
O estudo reconhece a expansão dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio, como CPR, LCA, CRA e Fiagros. O estoque de CPR, por exemplo, chegou a R$ 565,15 bilhões em maio deste ano, cerca de quatro vezes superior ao registrado em 2022.
Apesar desse crescimento, a FGV Agro avalia que essas alternativas não substituem integralmente a política oficial de crédito rural. Em períodos de juros elevados e maior percepção de risco, o mercado privado também se torna mais seletivo, restringindo o acesso ao financiamento.
Seguro rural ganha importância
Outro alerta da nota técnica diz respeito à gestão de riscos. O estudo destaca que a área protegida pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) encolheu 75% entre 2021 e 2025 e pode representar menos de 3% da área cultivada em 2026.
Na avaliação dos pesquisadores, em um cenário de eventos climáticos mais frequentes, fortalecer o seguro rural, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e outros instrumentos de proteção é fundamental para evitar que perdas de safra resultem em aumento da inadimplência e retração do crédito.
Plano Safra será teste de qualidade
Para a FGV Agro, o Plano Safra 2026/27 será um teste não apenas de volume, mas de qualidade da política agrícola. O estudo defende maior integração entre crédito oficial, recursos privados, seguro rural, instrumentos de gestão de risco e linhas de investimento.
A nota também recomenda que o governo acompanhe não apenas os valores anunciados, mas os recursos efetivamente contratados, preserve o crédito com juros controlados, fortaleça os programas de investimento e amplie a previsibilidade do orçamento destinado ao seguro rural.
Segundo o observatório, em um ambiente marcado por juros elevados, restrição fiscal e maior exposição aos riscos climáticos, garantir acesso ao crédito em condições sustentáveis será decisivo para preservar a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro.
O post Plano Safra 2026/27 será teste para crédito rural, aponta FGV Agro apareceu primeiro em Canal Rural.
Business
Derivado da cúrcuma combate fungo causador de micoses, aponta estudo

Um estudo conduzido na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) revelou que um composto sintético derivado da curcumina – o princípio ativo da cúrcuma ou açafrão-da-terra – possui dupla ação contra o Trichophyton rubrum, fungo responsável pelas micoses mais comuns.
Em parceria com a Universidade de Saskatchewan (Canadá), os pesquisadores demonstraram que a molécula não apenas inibe o crescimento do patógeno, como também ajuda a controlar a resposta inflamatória do organismo.
O microrganismo é o principal agente de infecções superficiais na pele, pelos e unhas no mundo. No entanto, ele tem sido cada vez mais associado a doenças invasivas, particularmente em indivíduos imunocomprometidos e diabéticos.
“Nesses casos, os fungos podem ultrapassar a barreira cutânea, atingindo camadas mais profundas, incluindo a derme e a hipoderme, com potencial disseminação para os linfonodos e, em casos mais graves, para a corrente sanguínea”, conta Ana Lucia Fachin Saltoratto, pesquisadora da Unidade de Biotecnologia e professora do Curso de Medicina, Farmácia e Nutrição da Unaerp.
Combate
Um dos fatores que dificultam a eliminação desse patógeno é o fato de que, em geral, ele desencadeia respostas inflamatórias fracas no organismo, ou seja, ocorre uma discreta ativação do sistema de defesa do corpo.
Além disso, algumas linhagens do T. rubrum apresentam resistência aos antifúngicos comerciais utilizados atualmente. Isso tem gerado um crescente interesse no desenvolvimento de novos agentes capazes de combater a infecção, particularmente os formulados com compostos naturais ou seus derivados.
Nesse cenário, a curcumina tem sido extensivamente pesquisada, pois estudos recentes demonstraram que a substância e seus análogos apresentam amplo espectro de atividades farmacológicas, incluindo efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos e antifúngicos, e agem sinergicamente com antifúngicos clássicos, promovendo a morte de diferentes espécies de fungos causadores de doença.
No entanto, a aplicação clínica da substância é limitada por sua baixa solubilidade em água, instabilidade química e baixa biodisponibilidade, ou seja, apenas uma pequena fração da substância consegue efetivamente chegar à circulação sanguínea e fazer efeito no organismo. Mesmo em altas doses, sua eficácia terapêutica é comprometida pela rápida degradação e eliminação.
Por essa razão, os pesquisadores se propuseram a analisar a ação antifúngica de moléculas sintéticas inspiradas na curcumina. Os compostos foram aplicados em diversas concentrações sobre o fungo cultivado em laboratório em condições controladas. A molécula denominada 2102 foi a que se mostrou mais efetiva, ou seja, foi necessária uma concentração menor desse curcuminoide para paralisar o crescimento do fungo.
O grupo então testou o efeito do composto 2102 em cultura de macrófagos humanos, células que constituem a primeira linha de defesa do sistema imune. Os resultados indicam que a substância não é tóxica e foi bem tolerada.
Na sequência, foi feito um ensaio visando mimetizar uma infecção profunda pelo T. rubrum. “Usamos uma linhagem celular [de macrófagos humanos] que permite estudar a interação entre o fungo e as células imunológicas presentes nesses tecidos”, explica a pesquisadora.
Avaliação
Os pesquisadores então avaliaram nessa linhagem celular a liberação de citocinas – substâncias secretadas pelos macrófagos que atuam como mensageiros químicos para regular a inflamação.
Para isso, compararam macrófagos infectados pelo fungo sem nenhum tratamento (grupo-controle) com macrófagos infectados e tratados com o análogo da curcumina.
Observou-se que as células tratadas com o composto 2102 liberaram menos citocinas (indicando um efeito anti-inflamatório) e aumentaram a produção de substâncias oxidantes (a “munição” usada pelas células de defesa para matar patógenos).
Apesar da resposta promissora obtida no experimento, ainda são necessários alguns passos para que a substância possa ser aplicada na prática, como testes em animais e ensaios de segurança em humanos.
O próximo passo da equipe da Unaerp será sequenciar o material genético do T. rubrum a partir de amostras obtidas de pacientes infectados.
Business
Cursos gratuitos oferecem 34 vagas para capacitação na área rural

A Secretaria Municipal de Pesca e Agropecuária está com inscrições abertas para novas vagas nos cursos gratuitos de capacitação profissional que serão realizados durante o mês de outubro, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Projeto de Educação Ambiental Rede Observação. As formações acontecerão no Centro de Apoio ao Produtor Rural, em Cantagalo.
Ao todo, estão disponíveis 34 vagas, distribuídas em três cursos: Equideocultura: ferrageamento e casqueamento, Mulheres em Campo e Avicultura: estrutura de legalização. As capacitações são voltadas a pessoas interessadas em ampliar conhecimentos e desenvolver atividades relacionadas ao meio rural.
Para participar, é necessário ter idade mínima de 16 anos e Ensino Fundamental incompleto. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada.
Inscrições
As inscrições serão realizadas exclusivamente de forma presencial, no dia 30 de setembro, das 8h às 17h, no Centro de Apoio ao Produtor Rural, em Cantagalo, Rio de Janeiro. No momento da inscrição, os interessados deverão apresentar RG, CPF e comprovante de residência.
Cursos e datas
- Equideocultura: ferrageamento e casqueamento: será realizado de 5 a 10 de outubro e contará com 10 vagas.
- Mulheres em Campo: terá encontros nos dias 6, 13, 20 e 27 de outubro, das 9h às 17h, com 12 vagas.
- Avicultura: estrutura de legalização, SIM e SISB: será realizado de 21 a 23 de outubro, também das 9h às 17h, com 12 vagas.
O resultado da seleção será divulgado no dia 2 de outubro, no Jornal Oficial do Município de Rio das Ostras.
Business
Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.
“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.
O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.
Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:
“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”
VERDADE
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE
Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
“Quanto mais picante, melhor o azeite”
MITO
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
“O azeite pode ser usado para cozinhar”
VERDADE
O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.
MITO
A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE
Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.
“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”
MITO
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.
A forma de conservação influencia a qualidade
VERDADE
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
Amargor é sinal de azeite estragado
MITO
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.
Featured18 horas agoPM apreende dois adolescentes com 107 porções de drogas em Alta Floresta
Featured18 horas agoCoral Municipal de Cuiabá mantém inscrições abertas para novos integrantes
Agro Mato Grosso13 horas agoSeca aumenta risco de pragas e produtor de soja precisa ficar atento em MT
Agro Mato Grosso13 horas agoTrês onças e uma árvore: fotógrafo registra onça-pintada com filhotes no Pantanal de MT
Featured11 horas agoAbsurdo! Imagem de Nossa Senhora Aparecida é alvo de vandalismo em Cuiabá
Featured14 horas agoCuiabá registra mais adoções que resgates de animais pela primeira vez na atual gestão
Featured12 horas agoNilson Leitão amplia base eleitoral em Cuiabá
Featured14 horas agoPolícia Civil prende suspeitas de furto e receptação em Várzea Grande















