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Mato Grosso inicia colheita do algodão

A colheita do algodão 2025/26 começou em Mato Grosso na última semana. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as máquinas já passaram por 0,36% da área prevista com os olhares voltados para o céu, uma vez que o estado nos últimos dias registrou chuvas atípicas.
O primeiro levantamento de colheita revela que apenas as regiões sudeste e nordeste iniciaram a retirada da fibra das lavouras. Na região sudeste o registro foi de 1,67% da área, enquanto na nordeste 0,16%.
Como destacado recentemente pelo Canal Rural Mato Grosso, o clima instável na reta final da safra de algodão no estado tem forçado os cotonicultores a intensificarem o monitoramento nas lavouras. Na última semana, em algumas localidades as temperaturas chegaram a registrar mínimas que variavam entre 15°C e 18°C e diversos municípios registraram chuvas, fato considerado atípico para o mês de junho.
Em recente boletim, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) pontuou que as chuvas localizadas atingiram algumas lavouras em plena fase de maturação, o que gera preocupação com possíveis perdas na qualidade da fibra.
A entidade ressaltou ainda que diante da situação, alguns cotonicultores optaram em acelerar as operações de desfolha e a aplicação de reguladores de crescimento e maturadores com o intuito de proteger o algodão.
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Lei mantém cálculo do Fethab com UPF de janeiro de 2025 durante todo 2026

Produtores rurais e empresas que recolhem o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) em Mato Grosso terão a mesma base de cálculo durante todo o ano de 2026. Com a publicação da Lei nº 13.357/2026, as contribuições continuarão sendo apuradas com o valor da Unidade Padrão Fiscal de Mato Grosso (UPF/MT) vigente em janeiro de 2025, independentemente do mês em que a operação for realizada.
A medida prorroga uma regra excepcional adotada no ano passado e mantém, por mais um ano, a mesma referência para o cálculo das contribuições ao Fethab e às entidades das cadeias produtivas. Com isso, deixa de ser aplicada, em 2026, a atualização prevista para o segundo semestre.
Pelas regras permanentes, as operações realizadas entre janeiro e junho utilizam como referência a UPF de janeiro do ano anterior. Já entre julho e dezembro, a base passa a ser a UPF de julho do ano anterior. Neste ano, porém, essa mudança não ocorrerá.
Na prática, uma operação realizada em setembro, por exemplo, continuará sendo calculada com base na UPF de janeiro de 2025. Sem a prorrogação da regra, o cálculo passaria a considerar a UPF de julho de 2025.
Atenção na apuração
A alteração afeta diretamente a apuração das contribuições recolhidas sobre produtos como soja, milho, algodão, gado, madeira e minerais. Por isso, produtores rurais, empresas e profissionais responsáveis pelos cálculos devem observar a regra vigente.
“É importante que produtores, empresas, contadores e demais profissionais envolvidos na apuração do Fethab observem a regra vigente, pois a utilização de uma UPF diferente da prevista na legislação pode resultar em recolhimento incorreto da contribuição e gerar inconsistências fiscais”, explica o analista do Sistema Famato, José Cristovão.
Caso não haja nova alteração na legislação, a partir de 2027 voltará a valer a sistemática prevista na lei. Assim, nas operações realizadas entre janeiro e junho será utilizada a UPF de janeiro de 2026, enquanto entre julho e dezembro passará a ser adotada a UPF de julho de 2026.
O Fethab foi criado no ano de 2000 e é uma contribuição estadual recolhida sobre a comercialização de produtos como soja, milho, algodão, gado, madeira e minerais. Os recursos são destinados ao financiamento de obras de infraestrutura previstas na legislação estadual.
Nos últimos anos, o fundo voltou ao centro das discussões entre o setor produtivo e o governo estadual, principalmente após a criação do chamado Fethab 2, uma contribuição extraordinária temporária. Em 2026, foi definido que a cobrança adicional não será reeditada após o encerramento de sua vigência, previsto para 31 de dezembro deste ano.
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Plano Safra 2026/27 será teste para crédito rural, aponta FGV Agro

Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, o principal desafio da política agrícola brasileira não será apenas divulgar um novo volume recorde de recursos. Mais importante será garantir que esse dinheiro chegue efetivamente ao produtor rural. Essa é a principal conclusão de uma nota técnica do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), da FGV Agro, divulgada nesta segunda-feira (29).
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Segundo o levantamento, embora os recursos anunciados nos últimos três Planos Safra tenham crescido 24% em termos reais, as contratações de crédito rural seguiram caminho oposto. Entre as safras 2023/24 e 2025/26, o valor efetivamente contratado caiu 31,7%, indicando um descompasso entre os recursos disponibilizados pelo governo e o acesso ao financiamento pelos produtores.
Na avaliação dos pesquisadores, esse cenário mostra que a efetividade do Plano Safra não deve ser medida apenas pelo montante anunciado, mas também pela capacidade de transformar esses recursos em crédito disponível, com condições compatíveis para financiar a produção.
Outro ponto de atenção é a deterioração da qualidade do crédito rural. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das operações passou de 1,49% em maio de 2024 para 7,39% em abril de 2026. Nas operações com taxas de mercado, esse índice chegou a 13,29%, enquanto nas linhas com juros regulados permaneceu em 3,08%.
O estudo também lembra que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, o maior número da série histórica da Serasa Experian, refletindo um ambiente de maior pressão financeira sobre produtores e empresas do setor.
Juros elevados pressionam o financiamento
A nota técnica destaca que a manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano alterou a dinâmica do crédito rural. Com o custo de captação mais elevado, bancos e demais instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos na concessão de empréstimos.
Nas operações de mercado para pessoas físicas, as taxas de juros giram em torno de 11,9% ao ano, enquanto nas linhas reguladas ficam próximas de 9,2%. Para empresas e cooperativas, o custo pode variar entre 20% e 27% ao ano.
Segundo a FGV Agro, nesse ambiente os recursos com juros controlados deixam de ser apenas um instrumento de incentivo e passam a desempenhar papel importante para manter a estabilidade financeira da atividade agropecuária.
Investimentos recuam
O levantamento também aponta queda expressiva nas operações destinadas ao investimento. Entre as safras 2023/24 e 2025/26, o volume contratado caiu 33,4%.
Para os pesquisadores, a redução compromete a capacidade de modernização das propriedades, afetando investimentos em máquinas, irrigação, armazenagem, tecnologia e adaptação às mudanças climáticas.
A avaliação é que esse movimento pode criar um ciclo negativo: menos investimento reduz a produtividade, piora o fluxo de caixa, aumenta o risco de inadimplência e dificulta ainda mais o acesso ao crédito nos anos seguintes.
Mercado privado cresce, mas não substitui o crédito oficial
O estudo reconhece a expansão dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio, como CPR, LCA, CRA e Fiagros. O estoque de CPR, por exemplo, chegou a R$ 565,15 bilhões em maio deste ano, cerca de quatro vezes superior ao registrado em 2022.
Apesar desse crescimento, a FGV Agro avalia que essas alternativas não substituem integralmente a política oficial de crédito rural. Em períodos de juros elevados e maior percepção de risco, o mercado privado também se torna mais seletivo, restringindo o acesso ao financiamento.
Seguro rural ganha importância
Outro alerta da nota técnica diz respeito à gestão de riscos. O estudo destaca que a área protegida pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) encolheu 75% entre 2021 e 2025 e pode representar menos de 3% da área cultivada em 2026.
Na avaliação dos pesquisadores, em um cenário de eventos climáticos mais frequentes, fortalecer o seguro rural, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e outros instrumentos de proteção é fundamental para evitar que perdas de safra resultem em aumento da inadimplência e retração do crédito.
Plano Safra será teste de qualidade
Para a FGV Agro, o Plano Safra 2026/27 será um teste não apenas de volume, mas de qualidade da política agrícola. O estudo defende maior integração entre crédito oficial, recursos privados, seguro rural, instrumentos de gestão de risco e linhas de investimento.
A nota também recomenda que o governo acompanhe não apenas os valores anunciados, mas os recursos efetivamente contratados, preserve o crédito com juros controlados, fortaleça os programas de investimento e amplie a previsibilidade do orçamento destinado ao seguro rural.
Segundo o observatório, em um ambiente marcado por juros elevados, restrição fiscal e maior exposição aos riscos climáticos, garantir acesso ao crédito em condições sustentáveis será decisivo para preservar a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro.
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Agro Mato Grosso
MT encerra a última semana de junho com nova queda no preço da cesta básica, R$ 905 I MT

Pela segunda semana consecutiva, a cesta básica encerrou o mês de junho registrando nova queda de preço em Cuiabá. Desta vez, a redução de 2,17% levou o valor médio da cesta para R$ 905,59. Ainda assim, levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) revelou que o preço atual da cesta básica permanece em alta, situando-se 9,72% acima da média de R$ 825,38 registrada no mesmo período de 2025.
Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, a melhora na oferta de produtos contribuiu para a redução do preço da cesta básica. Ele também ressaltou que as pressões inflacionárias ainda impedem uma queda mais significativa no valor pago pelo consumidor.
“O mês de junho, apesar das oscilações, finaliza com uma melhora nas condições de abastecimento de alguns alimentos, favorecendo a redução da cesta básica. No entanto, o patamar historicamente elevado e a expressiva variação anual demonstram que as pressões inflacionárias sobre a alimentação permanecem relevantes, limitando uma recuperação mais consistente do poder de compra das famílias”, disse Wenceslau Júnior.
Entre os itens que contribuíram para o recuo semanal da cesta básica, o tomate apresentou a maior variação negativa, com queda de 13,12%, atingindo o préço médio de R$ 11,62/kg. No entanto, em comparação com o mesmo período de 2025, o valor atual está 42,42% mais alto.
Conforme análise do IPF-MT, o avanço da safra, aliado à baixa qualidade dos frutos e à menor demanda, pode ter contribuído para a redução dos preços.
Pelo mesmo motivo, a batata apresentou redução de 5,33% no preço médio, passando a custar R$ 9,14/kg. O recuo foi influenciado pelo bom desempenho da safra, que ampliou a oferta do produto no mercado. Apesar da queda registrada na semana, o valor segue 74,18% acima do observado no mesmo período do ano passado.
Cenário semelhante foi observado no café, que registrou variação negativa de 3,83%, alcançando o valor médio de R$ 29,27/500 g. O avanço da safra e as condições climáticas favoráveis têm reforçado as expectativas de aumento da oferta, fator que pode ter contribuído para a redução dos preços.
Entre os três produtos que apresentaram as maiores variações na semana, o café é o único cujo preço atual está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, com recuo de 14,42%. Apesar desse comportamento, a intensidade da redução ainda é insuficiente para compensar as pressões acumuladas ao longo do último ano sobre os demais produtos da cesta básica.
Wenceslau Júnior afirmou, ainda, que as quedas observadas nesta semana representam um alívio pontual para o consumidor, mas os expressivos aumentos anuais registrados em alguns produtos indicam que o processo de normalização dos preços ainda ocorre de forma gradual e desigual.
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