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14 de agosto de 2026

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Rombo externo do Brasil atinge US$ 1,7 bilhão em abril sob pressão de viagens e remessas de lucros

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Banco Central aponta que explosão de gastos de brasileiros no exterior e serviços de streaming pesaram no balanço mensal

As contas externas do Brasil tiveram saldo negativo de US$ 1,765 bilhão em abril, informou nesta terça-feira (24) o Banco Central (BC). O valor é pouco maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando o déficit alcançou US$ 1,636 bilhão nas transações correntes, que se referem às compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países.

Com o aumento no mês passado, o resultado negativo nas transações correntes somou US$ 64,333 bilhões nos 12 meses encerrados em abril, o que corresponde a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador da soma dos bens e serviços produzidos no país.

Em relação ao período equivalente terminado em abril de 2025, houve redução no déficit. Naquele mês, o resultado em 12 meses foi negativo em US$ 73,919 bilhões, ou 3,46% do PIB.

Em abril deste ano, houve aumento de US$ 2,8 bilhões no superávit da balança comercial de bens, mas que foi contrabalançado pelos aumentos dos déficits em renda primária, US$ 1,8 bilhão, e em serviços, US$ 1 bilhão. Além disso, houve redução de pouco mais de US$ 100 milhões no superávit em renda secundária.

Investimentos

De acordo com o BC, as transações correntes apresentam cenário bastante robusto e, apesar do aumento no mês passado, têm tendência de redução no déficit em 12 meses desde setembro de 2025.

O resultado negativo das contas externas está financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que têm fluxos e estoques de boa qualidade.

O IDP somou US$ 8,912 bilhões em abril deste ano, ante US$ 5,371 bilhões em igual mês de 2025.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo.

Em 12 meses até abril, esses investimentos diretos ficaram em US$ 79,201 bilhões (3,28% do PIB), ante US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB) no mês anterior e US$ 72,691 bilhões (3,40% do PIB) no período encerrado em abril de 2025.

No caso dos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve entrada líquida de US$ 621 milhões no mês passado, resultado do ingresso de US$ 1,098 bilhão em ações e fundo de investimentos e retirada de US$ 477 milhões em títulos de dívida.

Nos 12 meses encerrados em abril, esses investimentos somaram ingressos líquidos de US$ 28,5 bilhões.

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 366,9 bilhões em abril, aumento de US$ 4,911 bilhões em comparação ao mês anterior.

Transações correntes

Em abril deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 34,282 bilhões, com aumento de 13,9% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações chegaram a US$ 24,574 bilhões, uma alta de 6,2% na comparação com abril do ano passado.

Com os resultados de exportações e importações, a balança comercial fechou com superávit de US$ 9,707 bilhões no mês passado, ante o saldo positivo de US$ 6,957 bilhões em abril de 2025.

O déficit na conta de serviços – viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e de propriedade intelectual, entre outros – atingiu US$ 5,044 bilhões no mês passado, ante US$ 4,091 observado em abril de 2025.

Entre os destaques em serviços, foi registrado:

  •  alta de 26% nas despesas líquidas de telecomunicação, computação e informações, totalizando US$ 839 bilhão de déficit. Essas despesas estão ligadas a operações por plataformas digitais, como serviços de streaming e venda de softwares.
  •  alta de 16,1% com aluguel de equipamentos, somando US$ 1,130 bilhão. Essa rubrica contabiliza o aluguel de itens como maquinários, plataformas e aeronaves pagos a empresas estrangeiras, sinalizando um ritmo de investimentos e modernização no mercado interno.
  •  alta de 66,4% nas despesas líquidas de viagens internacionais, que totalizaram US$ 1,456 bilhão, com gastos de estrangeiros no Brasil praticamente estáveis (US$ 837 bilhão) e aumento de 34,8% nas despesas de brasileiros no exterior (US$ 2,293 bilhões).

No mês passado, o déficit em renda primária – pagamento de lucros e dividendos de empresas, além de juros e salários – chegou a US$ 6,801 bilhões, 35,5% acima do registrado em abril de 2025, de US$ 5,018 bilhões.

Normalmente, essa conta é deficitária, pois há mais investimentos de estrangeiros no Brasil – e eles remetem os lucros para fora do país – do que de brasileiros no exterior.

A conta de renda secundária – gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens – teve resultado positivo de US$ 374 milhões no mês passado, contra superávit de US$ 516 milhões em abril de 2025.

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Florestal recebe 1,5 mil mudas e amplia distribuição gratuita para moradores de Cuiabá

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Parceria com o programa do TJMT entregou espécies como ipê branco e pata de vaca. Objetivo é reforçar o plantio de árvores na capital

O Horto Florestal de Cuiabá recebeu a doação de 1,5 mil mudas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Programa Verde Novo. A iniciativa amplia o estoque disponível para ações de arborização urbana e para distribuição gratuita à população. A entrega foi realizada nesta quarta-feira (12).

As espécies recebidas incluem pata de vaca, ipê branco e oiti. Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, as mudas serão mantidas e cuidadas no Horto Florestal até serem destinadas às ações de plantio e às doações realizadas pelo município.

A entrega dá continuidade a uma parceria que já resultou no recebimento de outras mil mudas no mês passado. A expectativa é manter o fluxo de doações ao longo dos próximos meses, contribuindo para atender à demanda de arborização e distribuição em diferentes regiões da cidade.

O diretor de Planejamento Ambiental da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Fábio Moura, destaca que as doações ajudam a ampliar a capacidade do município de atender tanto às ações de plantio quanto à população que busca espécies para arborização.

“Essa doação vai fortalecer não só a distribuição para os cidadãos, mas também as ações de plantio na cidade. As mudas serão mantidas e cuidadas aqui no Horto e vão suprir a necessidade do município, tanto para doação quanto para arborização”, disse.

O Programa Verde Novo, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tem entre suas ações a produção e distribuição de mudas destinadas à arborização e à recuperação de áreas verdes.

No município, a parceria amplia a disponibilidade de espécies para projetos de arborização e para moradores interessados em contribuir com a cobertura vegetal urbana. As mudas recebidas serão destinadas conforme as necessidades das ações municipais.

A iniciativa também integra as ações de planejamento ambiental desenvolvidas pelo município para ampliar a cobertura vegetal e qualificar os espaços urbanos.

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Agro Mato Grosso

Cartilha de manejo integrado do fogo da Aprosoja MT orienta prevenção no campo

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Guia construído em parceria com o Corpo de Bombeiros reúne orientações técnicas para proteger a lavoura, o patrimônio e a segurança jurídica do produtor

Aceiros, limpeza de máquinas, caminhão-pipa a postos e equipe preparada para agir aos primeiros sinais de fumaça são práticas conhecidas de quem vive no campo durante o período de estiagem. A Cartilha de Manejo Integrado do Fogo, elaborada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMMT), organiza em um único documento o que o produtor precisa fazer para reduzir o risco de princípios de incêndio, dificultar a propagação das chamas e se adequar à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944/2024.

A Cartilha também atende às regras exigidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), que passou a fixar obrigações de prevenção, na prática, a propriedade precisa demonstrar preparo mínimo para prevenir, comunicar e responder a ocorrências. Esses deveres foram detalhados pela Resolução COMIF nº 3/2025, em vigor desde 8 de setembro de 2025, e os produtores têm até 8 de setembro de 2027 para se adequar. Além disso, antes de qualquer punição, o órgão ambiental deve notificar e conceder 30 dias para correção. As exigências variam conforme o porte do imóvel, medido em módulos fiscais.

As sanções também endureceram. O Decreto nº 12.189/2024 triplicou a multa pelo uso de fogo sem autorização em áreas agropastoris, que passou de R$1 mil para R$3 mil por hectare ou fração, e reforçou a responsabilização por falhas de prevenção. É esse conjunto que transforma a organização da fazenda em resguardo jurídico, e é o que a cartilha traduz com ilustrações e linguagem simples.

A publicação integra a campanha “Desinformação é fogo”, realizada pela Aprosoja MT desde 2023, para orientar produtores e conscientizar a sociedade sobre os riscos das queimadas. O argumento é direto: o agricultor é o primeiro interessado em manter o fogo longe da lavoura, porque é quem mais perde com ele.  “O planejamento está no dia a dia do produtor há muitos anos. Começa no plantio, passa pelo manejo e, depois da colheita, quando a área entra em pousio na seca, vem o planejamento de proteção. O fogo destrói a natureza, as lavouras e, às vezes, os maquinários, um prejuízo gigantesco. Por isso, prevenir e ter um plano para o primeiro combate faz parte da própria sobrevivência financeira do produtor”, afirma o diretor financeiro e vice-coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Nathan Belusso.

As quatro frentes de proteção – A cartilha organiza as medidas protetivas em quatro frentes, apresentadas com dicas práticas. A primeira são os aceiros, faixas de terreno mantidas livres de vegetação que funcionam como barreira física contra a propagação do fogo, sobretudo nas divisas, junto às Reservas Legais e às Áreas de Preservação Permanente. O material distingue três tipos: preventivos, emergenciais e de segurança, cada um com função específica antes, durante e depois de uma ocorrência.

A segunda são os cuidados preventivos com o maquinário. Máquinas sujas, superaquecidas ou operando em condições inadequadas aumentam o risco de início do fogo. Na estiagem, a limpeza frequente de colhedoras e tratores, a atenção a fagulhas e ao superaquecimento e a escolha criteriosa dos horários de colheita reduzem a chance de que a própria operação provoque as chamas.

Em seguida, são apresentadas as estruturas de apoio: fontes de água acessíveis e sinalizadas, equipamentos básicos de combate em boas condições, EPIs para a equipe e, conforme o porte da propriedade, caminhão-pipa, reservatórios, abafadores, bombas costais, comunicação e primeiros socorros. Sem esses recursos, a resposta inicial fica comprometida.

Por último, as técnicas de monitoramento. Uma propriedade preparada mantém comunicação rápida, responsável definido e acompanhamento constante no período crítico: de listas de contato e rádio a drones, pontos de observação e monitoramento de focos de calor.

Prevenção começa em janeiro – Para o Coronel da Reserva do CBMMT, Aluísio Metelo Junior, a nova legislação exige antecipação. “O primeiro erro é a falta de planejamento. O produtor já fazia ações preventivas, mas a Lei do Manejo Integrado do Fogo mudou uma coisa: agora ele precisa provar isso antecipadamente. Antes não havia essa obrigatoriedade, e foi o COMIF que passou a ditar as regras de prevenção”, afirma. O oficial defende tratar o tema como calendário, e não como emergência.

“A prevenção precisa começar em janeiro, mês a mês, para que, quando chegar a estiagem, esteja tudo executado”, diz. Ele acrescenta que as campanhas educativas cumprem papel duplo: enquanto as novas gerações aprendem, as mais tradicionais assimilam novas práticas”.

O coronel lembra ainda que, em terras arrendadas, a responsabilidade é compartilhada: cabe ao proprietário cobrar do arrendatário o cumprimento das exigências legais, com os dois cientes das medidas. Ele situa o Estado como referência. “Todos os estados aprenderam com Mato Grosso a gestão de incêndios florestais. As entidades e associações são cada vez mais importantes nesse processo: quanto mais colaboram entre si e levam novidades ao produtor, mais perto se chega de um futuro sustentável e da redução dos incêndios”, avalia. A síntese, para ele, é uma só: o incêndio acontece onde a prevenção falha.

Da prevenção ao resguardo legal – A cartilha fecha o ciclo ao orientar o registro das medidas. Fotografias de aceiros, APPs, Reservas Legais, cercas, equipamentos e EPIs, com data e organização, servem tanto à gestão interna quanto à comprovação de boas práticas em eventual fiscalização ou apuração.

Em caso de ocorrência, o material recomenda acionar o Corpo de Bombeiros (193), registrar o evento, formalizar boletim de ocorrência, providenciar ata notarial e solicitar perícia técnica, cadeia de evidências que protege o produtor juridicamente. Prevenir, nesse arranjo, é ao mesmo tempo defender a produção e resguardar quem produz.

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Agro Mato Grosso

Doença silenciosa avança em MT e pode comprometer produtividade da soja

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Podridão de vagens e grãos já deixou prejuízos em importantes regiões produtoras e pesquisadores reforçam atenção à escolha de cultivares, época de plantio e manejo de fungicidas

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Agro MT