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1 de agosto de 2026

Business

Em meio a cortes, setor prevê ano difícil para o seguro rural

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Foto: Pixabay

A indústria de seguros já faz as contas para mais um ano desafiador no segmento rural, em meio aos drásticos cortes da subvenção federal à contratação de cobertura securitária de áreas plantadas.

Em 2025, o governo bloqueou R$ 445,1 milhões do programa de subsídios, de R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento original. A tesourada agravou os efeitos da escalada da Selic ao pico de 15% e de eventos climáticos extremos, que desenharam uma espécie de “tempestade perfeita” para o agronegócio.

Para tentar aplacar o baque, o mercado intensificou a pressão pela retomada do apoio público, mas ainda enfrenta incertezas sobre a reconstituição dos recursos. Como resultado, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) agora prevê uma queda de 3,9% na arrecadação do setor com o seguro rural em 2026, após o tombo de 8,8% no ano passado, quando somou R$ 12,9 bilhões.

O desempenho esperado representa uma piora significativa em relação à expectativa anterior, de crescimento nominal de 2,3%. Também contrasta com a projeção de expansão de 5,7% nas receitas gerais com todas as linhas, o que sugere que os problemas estão concentrados no agro.

Além dos juros restritivos, a guerra no Irã imprime volatilidade aos preços das commodities e reduz as margens do produtor.

“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, explica o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gláucio Nogueira Toyama, em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

“Isso leva o mercado a adotar uma postura mais seletiva”, complementa.

Queda de braço com o governo

O cenário colocou o setor segurador em uma espécie de “queda de braços” com o governo. De um lado, as empresas ainda aguardam o pagamento de mais de R$ 300 milhões da subvenção prometida para 2025, que representa cerca de 70% do total, segundo Toyama.

As seguradoras também cobram previsibilidade para as dotações de 2026 e pressionam pela reversão dos cortes. De acordo com o executivo, ainda não houve uma reunião com o Comitê Gestor Interministerial para o Seguro Rural que definiria os parâmetros usados neste ano. “Estamos no escuro”, reclama.

Do outro lado do balcão, a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega restrições fiscais para justificar os bloqueios. No começo do ano, o petista vetou um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que blindava os recursos ao seguro rural contra o contingenciamento e o tornava uma despesa obrigatória. O governo afirma que a medida reduziria a flexibilidade na execução do orçamento. Procurado, o ministério da Agricultura não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Enquanto persiste a incerteza, o Brasil continua a registrar forte retração na proporção de cultivos cobertos por seguro. Segundo a CNSeg, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões de hectares no começo desta década para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa apenas 3,3% no total.

Para efeito de comparação, nos EUA, em torno de 227 milhões de hectares estão protegidos, conforme dados da National Crop Insurance Services Serviços Nacionais (NCIS, associação americana que representa o setor).

Ciclo vicioso

O principal risco gerado pela falta de acesso ao seguro rural é o de que se deflagre um “ciclo vicioso” no agronegócio, alerta o vice-presidente-executivo de Riscos e Operações na seguradora Newe Seguros, Rodrigo Motroni. Sem a cobertura, o produtor que enfrenta perdas não consegue renegociar dívidas, reduz investimentos e fica mais exposto na safra seguinte.

“O produtor que já tem custos muito alta precisa de ajuda estatal para fazer a contratação do seguro”, afirma o executivo. Para Motroni, o seguro rural precisa ser tratado como uma política de estado, que traga mais previsibilidade aos subsídios.

Ele também cita casos no exterior que comprovam a necessidade de um apoio público. “O programa de subvenção chinês investe algo da ordem de US$ 10 bilhões [no seguro rural] e a gente não consegue chegar nem a R$ 1 bilhão”, compara.

Nos últimos meses, o setor vem articulando em Brasília a criação de mecanismos para tornar a subvenção mais perene. A CNSeg propõe, em particular, a estruturação de fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.

Congresso discute projeto de lei

O tema está em discussão no Congresso. Em dezembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) aprovou um projeto de lei, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa.

O texto propõe alterar a natureza da despesa com os subsídios, de discricionária para obrigatória. Também permite ao governo promover incentivos para a contratação do seguro, como juros mais baixos. “Esse projeto de lei vem para ajudar a criar mais previsibilidade”, comenta Motroni.

Toyama, da FenSeg, também considera a aprovação do projeto de lei importante para pavimentar a recuperação do seguro rural. Segundo ele, representantes do setor estão trabalhando diretamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso, para evitar novos cortes na subvenção.

“Com isso, em 2027. possivelmente teremos uma melhora nas condições para os produtores”, destacou.

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Radar Rural debate reação do Brasil ao tarifaço e desafios da safra de soja

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A nova edição do Radar Rural já está no ar e reúne dois dos temas que mais movimentam o agronegócio neste momento: a reação do Brasil às tarifas impostas pelos Estados Unidos e os preparativos para a safra de soja 2026/27. O programa é apresentado por Beatriz Gunther e pelo editor do Soja Brasil, Gabriel Almeida.

Na primeira parte, a conversa explica por que o governo brasileiro decidiu acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas norte-americanas e discute o papel da entidade diante das mudanças no comércio internacional. Nesse contexto, o programa traz uma análise sobre os caminhos escolhidos pelo Brasil e os possíveis desdobramentos dessa estratégia.

Novo Radar Rural aborda a reação do Brasil às tarifas dos EUA, os desafios da soja 2026/27 e histórias que mostram a força do produtor rural

O episódio também volta as atenções para a próxima safra de soja. Embora as projeções indiquem uma produção robusta, a rentabilidade continua sendo um desafio, em meio ao aumento dos custos de produção, crédito mais restrito, déficit de armazenagem e às incertezas provocadas pelo retorno do El Niño.

Outro destaque é a preparação dos produtores para o plantio, incluindo temas como monitoramento climático, manejo das lavouras e novas tecnologias para reduzir riscos no campo. A conversa ainda aborda preocupações que ganharam espaço entre os sojicultores, como o avanço dos javalis em áreas de produção e a necessidade de adaptação às mudanças climáticas.

Na reta final, o programa abre espaço para histórias de produtores que transformaram desafios em oportunidades, mostrando exemplos de inovação, sucessão familiar e boas práticas que vêm ajudando a manter a produtividade no campo. O episódio também antecipa os preparativos para a abertura nacional do plantio da soja da safra 2026/27, marcada para o dia 17 de setembro, em Ipiranga do Norte (MT).

O episódio completo já está disponível no canal do Canal Rural no YouTube:

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Entre fundamentos mais sólidos e novas incertezas: o delicado ponto de inflexão do mercado de arroz

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Foto: Erasmo Pereira/Epamig

Nos últimos meses, o mercado brasileiro de arroz passou a emitir sinais que dificilmente podem ser ignorados. Depois de um longo período marcado por margens negativas em virtude do excesso de oferta, observa-se uma mudança gradual na dinâmica de formação dos preços. A recuperação das cotações deixou de ser sustentada apenas por fatores pontuais e passou a refletir, cada vez mais, fundamentos ligados à disponibilidade física, ao comportamento dos produtores e ao ritmo das exportações.

Ainda é cedo para afirmar que o setor ingressou em um novo ciclo plenamente consolidado, mas é evidente que o mercado já não apresenta a mesma configuração observada durante os últimos semestres.

Mudança de comportamento

Grande parte dessa mudança decorre da redução gradual da oferta disponível. A comercialização tornou-se mais seletiva, a dificuldade de originação aumentou em praticamente todas as regiões produtoras e os produtores passaram a administrar seus estoques de forma muito mais estratégica.

Depois de comercializar parcela significativa da produção em níveis considerados insuficientes para remunerar os custos, muitos optam por vender apenas volumes necessários para atender compromissos financeiros imediatos. Essa mudança de comportamento ocorre justamente quando o setor passa a incorporar expectativas relacionadas à safra 2026/27.

O horizonte, sob essa perspectiva, tornou-se mais construtivo. Nos Estados Unidos, queda expressiva da área cultivada e da disponibilidade exportável tende a diminuir a concorrência internacional. Na Ásia, embora os grandes exportadores continuem ativos, observa-se um ambiente de oferta cada vez mais ajustado e maior preocupação com a oferta futura.

No Brasil, além da redução da área cultivada, ganha força a percepção de que os elevados custos de produção, as restrições de crédito e os riscos associados aos impactos do El Niño poderão limitar investimentos, reduzir o nível tecnológico das lavouras e afetar severamente a produtividade. Caso esse conjunto de fatores se confirme, a oferta futura poderá tornar-se mais restrita, favorecendo um balanço mais equilibrado entre oferta e demanda ao longo de 2027.

Arroz na balança comercial

Entretanto, nenhuma variável tem exercido influência tão decisiva quanto a balança comercial. As exportações passaram a desempenhar papel central na sustentação das cotações, funcionando como o principal mecanismo de redução dos excedentes internos e de reequilíbrio entre oferta e demanda.

Entre março e junho deste ano, o Brasil embarcou mais de 670 mil toneladas (base casca), acumulando um superávit comercial próximo de 53 mil toneladas, resultado que reforçou a importância estratégica do mercado externo para aliviar os elevados estoques domésticos. Em julho, contudo, o ritmo mostrou perda parcial de fôlego: até a quarta semana, as exportações somavam 130,4 mil toneladas (base casca), enquanto as importações alcançavam 143,6 mil toneladas, gerando um déficit parcial de 13,2 mil toneladas.

Apesar disso, o line-up permanece robusto, com embarques destinados à Venezuela, além de cargas programadas para outros mercados, indicando continuidade do fluxo exportador. O desafio, entretanto, continua sendo expressivo.

O setor trabalha com a meta de aproximadamente 2 milhões de toneladas exportadas nesta temporada, objetivo considerado crucial para acelerar a redução dos excedentes internos, consolidar o processo de reequilíbrio do mercado e criar condições para uma recuperação mais consistente das cotações ao longo dos próximos meses.

Estoques públicos

E é justamente nesse ponto que surge a principal preocupação dos agentes. O mercado iniciou a temporada com estoques superiores a 2 milhões de toneladas, volume que ainda funciona como um importante amortecedor da recuperação dos preços. A estratégia predominante vinha sendo clara: ampliar as exportações para reduzir gradualmente esse excedente. No entanto, o anúncio recente do governo federal sobre a aquisição de 310 mil toneladas de arroz em casca, por meio da Aquisição do Governo Federal (AGF), introduziu um novo elemento de enorme incerteza.

Embora a justificativa oficial — recompor estoques públicos, fortalecer a Política de Garantia de Preços Mínimos e mitigar riscos associados ao El Niño — seja compreensível sob a ótica da política agrícola, o mercado reagiu com muito receio. Persistem dúvidas sobre a operacionalização da medida. Mais do que isso, cresce o receio de que o anúncio estimule uma retenção ainda maior dos estoques justamente quando o mercado começava a ganhar tração e em um momento considerado decisivo para o desempenho das exportações.

Momento decisivo

O mercado do arroz atravessa um momento decisivo. Após mais de um ano de margens negativas, perdas financeiras, sucessivos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul e um ambiente de crédito cada vez mais restritivo, qualquer mudança nas expectativas tende a produzir efeitos imediatos sobre o comportamento dos agentes.

Nesse contexto, torna-se ainda mais importante que eventuais intervenções sejam cuidadosamente calibradas, amplamente esclarecidas e implementadas de forma previsível, evitando gerar sinais contraditórios justamente quando o mercado começava a encontrar, por seus próprios fundamentos, um caminho gradual de reequilíbrio.

Mais do que medidas pontuais, o setor necessita de políticas estruturantes capazes de enfrentar seus verdadeiros desafios: elevados custos de produção, restrições ao crédito, dificuldades de investimento, aumento do custo financeiro, infraestrutura, competitividade e mecanismos eficientes de gestão de risco.

A recuperação da cadeia produtiva dependerá, sobretudo, da capacidade de fortalecer esses pilares, preservando o funcionamento dos mecanismos de mercado e proporcionando maior segurança para produtores, indústrias e demais partícipes.

Em um ambiente ainda fragilizado, decisões baseadas em fundamentos, planejamento e previsibilidade serão determinantes para consolidar um processo sustentável de recuperação. Afinal, o mercado pode conviver com oscilações de preços, mas dificilmente absorve, sem custos, incertezas adicionais em um momento de reconstrução tão delicado.

*Evandro Oliveira é graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras & Mercado para as culturas de arroz e feijão

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Agro Mato Grosso

Lucas do Rio Verde é a campeã entre as médias no Centro-Oeste I MT

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A cidade se tornou um dos casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento econômico do país

O projeto de transformar produção agrícola em riqueza industrial deu certo em Lucas do Rio Verde. Em pouco mais de quatro décadas, a cidade mato-grossense se tornou um dos casos mais bem-sucedidos de desenvolvimento econômico do país. Não por acaso, conquistou o primeiro lugar entre as cidades de médio porte da Região Centro-Oeste no ranking de VEJA NEGÓCIOS.

A classificação leva em conta indicadores como emprego, renda, educação, saúde e gestão pública e confirma que planejamento de longo prazo, continuidade administrativa e vocação produtiva podem se traduzir em qualidade de vida e prosperidade. Desde a emancipação, em 1988, a população do município saltou de pouco mais de 5 000 habitantes para mais de 80 000.

O PIB per capita já supera os 100 000 reais anuais, cerca do dobro da média brasileira. Em ruas largas, arborizadas e planejadas, o desenvolvimento não ocorreu por acaso.

Desde os anos 2000, lideranças do agronegócio e sucessivas administrações municipais passaram a seguir um plano voltado à atração de investimentos e à industrialização da produção agrícola do entorno da cidade. O resultado foi um modelo de crescimento raro no Brasil.

Nas últimas duas décadas, Lucas do Rio Verde atraiu alguns dos maiores grupos do agronegócio nacional. A FS, uma das principais produtoras de etanol de milho do país, comprou neste ano toda a safra próximo de 1 milhão de toneladas do grão.

A beneficiadora de soja Amaggi e a processadora de proteína animal BRF mantêm no município, há mais de uma década, algumas de suas principais unidades industriais.

A localização estratégica às margens da BR-163, corredor logístico que liga o Centro-Oeste aos portos das regiões Norte e Sul, e a perspectiva de se tornar um importante entroncamento ferroviário de cargas nos próximos anos reforçam o potencial de expansão da economia local.

“O desenvolvimento de Lucas superou todas as melhores expectativas”, afirma o catarinense Osvaldo Martinello, que chegou à cidade há 37 anos e fundou a rede varejista que leva o sobrenome da família. A primeira loja, de apenas 150 metros quadrados, deu origem a um grupo com 113 pontos de venda distribuídos por 75 municípios mato-grossenses. “Chegamos com uma malinha nas costas e hoje somos uma empresa com 3 500 colaboradores. Essa trajetória só foi possível graças ao dinamismo econômico de Lucas do Rio Verde”, diz Martinello.

A força da agroindústria impulsionou também um amplo ecossistema de serviços.

“Ao longo do tempo, construímos um ciclo de crescimento acelerado, mas com equilíbrio social”, afirma o prefeito Miguel Vaz. O avanço da atividade econômica se refletiu no dinâmico mercado de trabalho local.

“Vivemos em pleno emprego desde o período pós-pandemia”, afirma o secretário municipal de Planejamento, Danilo Messias. Em 2025, considerando os municípios enquadrados na mesma faixa populacional dos critérios do Fundo de Participação dos Municípios, Lucas do Rio Verde liderou a geração de empregos no país. A boa gestão das contas públicas completa a equação. A arrecadação anual, próximo de 800 milhões de reais, supera despesas e investimentos, que giram em torno de 700 milhões.

Mais da metade do orçamento é destinada à saúde e à educação. O próximo desafio já está definido: ampliar a qualificação da mão de obra em inovação e tecnologia para atender às demandas de uma agroindústria cada vez mais sofisticada e preservar o ciclo de prosperidade que transformou Lucas do Rio Verde em uma referência nacional de desenvolvimento.

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