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17 de junho de 2026

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Em meio a cortes, setor prevê ano difícil para o seguro rural

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Foto: Pixabay

A indústria de seguros já faz as contas para mais um ano desafiador no segmento rural, em meio aos drásticos cortes da subvenção federal à contratação de cobertura securitária de áreas plantadas.

Em 2025, o governo bloqueou R$ 445,1 milhões do programa de subsídios, de R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento original. A tesourada agravou os efeitos da escalada da Selic ao pico de 15% e de eventos climáticos extremos, que desenharam uma espécie de “tempestade perfeita” para o agronegócio.

Para tentar aplacar o baque, o mercado intensificou a pressão pela retomada do apoio público, mas ainda enfrenta incertezas sobre a reconstituição dos recursos. Como resultado, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) agora prevê uma queda de 3,9% na arrecadação do setor com o seguro rural em 2026, após o tombo de 8,8% no ano passado, quando somou R$ 12,9 bilhões.

O desempenho esperado representa uma piora significativa em relação à expectativa anterior, de crescimento nominal de 2,3%. Também contrasta com a projeção de expansão de 5,7% nas receitas gerais com todas as linhas, o que sugere que os problemas estão concentrados no agro.

Além dos juros restritivos, a guerra no Irã imprime volatilidade aos preços das commodities e reduz as margens do produtor.

“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, explica o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gláucio Nogueira Toyama, em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

“Isso leva o mercado a adotar uma postura mais seletiva”, complementa.

Queda de braço com o governo

O cenário colocou o setor segurador em uma espécie de “queda de braços” com o governo. De um lado, as empresas ainda aguardam o pagamento de mais de R$ 300 milhões da subvenção prometida para 2025, que representa cerca de 70% do total, segundo Toyama.

As seguradoras também cobram previsibilidade para as dotações de 2026 e pressionam pela reversão dos cortes. De acordo com o executivo, ainda não houve uma reunião com o Comitê Gestor Interministerial para o Seguro Rural que definiria os parâmetros usados neste ano. “Estamos no escuro”, reclama.

Do outro lado do balcão, a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega restrições fiscais para justificar os bloqueios. No começo do ano, o petista vetou um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que blindava os recursos ao seguro rural contra o contingenciamento e o tornava uma despesa obrigatória. O governo afirma que a medida reduziria a flexibilidade na execução do orçamento. Procurado, o ministério da Agricultura não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Enquanto persiste a incerteza, o Brasil continua a registrar forte retração na proporção de cultivos cobertos por seguro. Segundo a CNSeg, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões de hectares no começo desta década para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa apenas 3,3% no total.

Para efeito de comparação, nos EUA, em torno de 227 milhões de hectares estão protegidos, conforme dados da National Crop Insurance Services Serviços Nacionais (NCIS, associação americana que representa o setor).

Ciclo vicioso

O principal risco gerado pela falta de acesso ao seguro rural é o de que se deflagre um “ciclo vicioso” no agronegócio, alerta o vice-presidente-executivo de Riscos e Operações na seguradora Newe Seguros, Rodrigo Motroni. Sem a cobertura, o produtor que enfrenta perdas não consegue renegociar dívidas, reduz investimentos e fica mais exposto na safra seguinte.

“O produtor que já tem custos muito alta precisa de ajuda estatal para fazer a contratação do seguro”, afirma o executivo. Para Motroni, o seguro rural precisa ser tratado como uma política de estado, que traga mais previsibilidade aos subsídios.

Ele também cita casos no exterior que comprovam a necessidade de um apoio público. “O programa de subvenção chinês investe algo da ordem de US$ 10 bilhões [no seguro rural] e a gente não consegue chegar nem a R$ 1 bilhão”, compara.

Nos últimos meses, o setor vem articulando em Brasília a criação de mecanismos para tornar a subvenção mais perene. A CNSeg propõe, em particular, a estruturação de fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.

Congresso discute projeto de lei

O tema está em discussão no Congresso. Em dezembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) aprovou um projeto de lei, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa.

O texto propõe alterar a natureza da despesa com os subsídios, de discricionária para obrigatória. Também permite ao governo promover incentivos para a contratação do seguro, como juros mais baixos. “Esse projeto de lei vem para ajudar a criar mais previsibilidade”, comenta Motroni.

Toyama, da FenSeg, também considera a aprovação do projeto de lei importante para pavimentar a recuperação do seguro rural. Segundo ele, representantes do setor estão trabalhando diretamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso, para evitar novos cortes na subvenção.

“Com isso, em 2027. possivelmente teremos uma melhora nas condições para os produtores”, destacou.

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Agro mantém confiança no futuro apesar de juros altos e restrição de crédito

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Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Juros elevados, crédito mais restrito e margens apertadas seguem pressionando o agronegócio brasileiro. Ainda assim, a avaliação de lideranças do setor reunidas na Febrasem – Feira Brasileira de Sementes, realizada em Rondonópolis, é de que o momento exige cautela, mas não compromete os fundamentos que sustentam a produção agropecuária em Mato Grosso.

O tema permeou debates e palestras durante o primeiro dia do evento, que reuniu produtores, empresas, pesquisadores e representantes de entidades ligadas à cadeia de sementes. Um dos destaques da programação foi a palestra do especialista em comércio internacional Marcos Jank, que abordou o posicionamento do Brasil no cenário global e as oportunidades para o agro nos próximos anos.

A preocupação com os custos de produção e a disponibilidade de crédito apareceu em diferentes momentos da feira. Ao mesmo tempo, lideranças destacaram a capacidade de adaptação dos produtores e a confiança na próxima safra.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda, o cenário é desafiador, marcado por juros altos, custos elevados e escassez de recursos. “É um ano bastante desafiador. Todos sabem das dificuldades, juros altos, custos altos e escassez de recursos”.

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Foto: Sérgio Simões/ Assessoria de Imprensa Febrasem

Resiliência no campo

Apesar das dificuldades, Croda avalia que a atividade agropecuária já demonstrou, em outros momentos, capacidade para superar períodos de adversidade. “Não é a primeira crise e não será a última, mas o produtor sabe se reinventar, ele tem resiliência”. Segundo ele, essa característica ajudou a impulsionar o desenvolvimento do estado. “Mato Grosso evoluiu desde que cheguei há 30 anos aqui no estado”.

A percepção de que a atual crise é passageira também foi compartilhada pelo presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain. Conforme ele, os desafios enfrentados pelo setor estão ligados principalmente ao mercado. “Nós temos sim uma crise, que é uma crise de mercado. Ela vai passar”.

Na avaliação de Tomain, o comportamento dos produtores demonstra essa confiança. “O produtor de Mato Grosso é visionário e mesmo diante das dificuldades eles não desanimam”.

Ao falar sobre a importância do segmento de sementes para a agricultura mato-grossense, ele destacou o papel da inovação no avanço da produtividade. “São vocês que desenvolvem as sementes e colocaram Mato Grosso onde ele está”.

A força do estado também foi associada à organização construída pelas diferentes cadeias produtivas. Tomain afirmou ainda que essa integração ajuda a explicar o protagonismo mato-grossense no cenário nacional.

“Todas as cadeias produtivas de Mato Grosso estão organizadas e é isso o que diferencia o estado dos demais e o coloca sempre à frente”, disse. Para ele, os resultados alcançados são consequência direta da adoção de tecnologia e do investimento em conhecimento. “Hoje Mato Grosso é o estado mais produtivo do Brasil e do Mundo. Isso é tecnologia, ciência e potencial”.

Presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Paulo Pinto ressaltou que encontros voltados à troca de conhecimento e experiências se tornam ainda mais importantes em momentos de instabilidade. “É nesses períodos de crise que se precisa investir em eventos como estes”.

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Foto: Sérgio Simões/Assessoria de Imprensa Febrasem

Brasil de olho em novos mercados

Palestrante do primeiro dia da Febrasem, Marcos Jank levou aos participantes uma análise sobre as transformações do comércio global e os espaços que podem ser ocupados pelo Brasil nas próximas décadas.

De acordo com o especialista, a China continuará exercendo papel central para o agronegócio brasileiro. “China é o grande destino do agro brasileiro. Hoje o Brasil é um grande fornecedor da China e vice-versa. O Brasil explodiu com a guerra comercial entre EUA e China”.

Jank destacou que a posição alcançada pelo país foi construída ao longo de décadas por meio da pesquisa, da inovação e da parceria entre instituições públicas e privadas. “O Brasil hoje não pensa no longo prazo, mas já pensou. Na década de 1970 com a Embrapa, universidades, centros de pesquisa. Hoje é mais o setor privado”.

O especialista também apontou que o Brasil possui diferenciais competitivos capazes de ampliar sua presença internacional, especialmente em áreas ligadas à agricultura tropical e à bioenergia. “Nós temos políticas desde a década de 1970 que estão aqui e que podem ser aproveitadas por todos: agricultura tropical e bioenergia”.

Embora a China siga como principal mercado, Jank acredita que as oportunidades para o agro brasileiro vão além da relação comercial com o país asiático. “A gente tem oportunidades quando se fala em segurança alimentar, não são só China. Nós temos Ásia e África”.

A mensagem deixada ao público da Febrasem foi de que, apesar dos desafios enfrentados no presente, o Brasil continua reunindo condições para ampliar sua participação nos mercados globais. Para as lideranças presentes no evento, a combinação entre tecnologia, pesquisa, organização das cadeias produtivas e capacidade de adaptação dos produtores segue sendo um dos principais ativos do agro brasileiro.


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Preços do arroz voltam a cair no RS com oferta elevada e demanda enfraquecida

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os preços do arroz em casca registraram nova queda no Rio Grande do Sul, interrompendo o movimento de recuperação observado no início de junho. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta o aumento da oferta disponível e as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado como os principais fatores de pressão sobre o mercado.

Segundo os pesquisadores, a ampla disponibilidade do cereal tem mantido os compradores cautelosos, em um momento em que as indústrias enfrentam dificuldades para escoar o produto beneficiado. Esse cenário reduz o interesse por novas aquisições de matéria-prima e contribui para o recuo das cotações.

Demanda externa não sustenta preços

De acordo com o Cepea, a demanda internacional segue ativa e continua oferecendo alternativas de comercialização para parte dos produtores. No entanto, o efeito das exportações sobre os preços internos tem sido limitado diante da oferta elevada disponível no mercado doméstico.

Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) perderam força como fator de sustentação das cotações.

Indústrias mantêm postura cautelosa

Outro fator que pesa sobre o mercado é a dificuldade na venda do arroz beneficiado. Com menor fluidez nos negócios, as indústrias têm reduzido o ritmo das compras de arroz em casca, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Na avaliação do Cepea, a combinação entre oferta abundante, demanda industrial enfraquecida e menor impacto dos mecanismos de sustentação do mercado mantém o cenário desafiador para as cotações do cereal no estado.

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Chuvas interrompem colheita e impulsionam preços do café arábica

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Foto: Marcelo Camargo/ABr

Depois de iniciar junho em forte queda, os preços do café arábica voltaram a subir na segunda semana do mês, impulsionados pelas chuvas registradas nas principais regiões produtoras do país. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Cepea, o avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou as cotações do arábica no início do mês. No entanto, a partir do dia 10 de junho, o mercado passou a reagir diante das precipitações que atingiram áreas produtoras, afetando o ritmo dos trabalhos no campo e reduzindo pontualmente a oferta da variedade.

Além de dificultar a colheita, as chuvas nesta fase do ciclo também acendem um alerta para a qualidade dos grãos. De acordo com os pesquisadores, agentes do setor têm relatado problemas relacionados à qualidade e ao tamanho dos grãos colhidos, com desempenho inferior ao observado na temporada passada.

O cenário ocorre mesmo diante de estimativas oficiais que apontam para uma safra recorde de café no Brasil.

Robusta segue mais firme

No mercado do café robusta, os preços seguem mais sustentados em comparação ao arábica. Conforme o Cepea, a firmeza das cotações está relacionada às projeções de uma safra menor que a registrada na temporada anterior.

Com expectativa de oferta mais restrita, a variedade tem encontrado suporte adicional no mercado, mantendo os preços em patamares mais elevados.

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