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2 de maio de 2026

Business

Em meio a cortes, setor prevê ano difícil para o seguro rural

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Foto: Pixabay

A indústria de seguros já faz as contas para mais um ano desafiador no segmento rural, em meio aos drásticos cortes da subvenção federal à contratação de cobertura securitária de áreas plantadas.

Em 2025, o governo bloqueou R$ 445,1 milhões do programa de subsídios, de R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento original. A tesourada agravou os efeitos da escalada da Selic ao pico de 15% e de eventos climáticos extremos, que desenharam uma espécie de “tempestade perfeita” para o agronegócio.

Para tentar aplacar o baque, o mercado intensificou a pressão pela retomada do apoio público, mas ainda enfrenta incertezas sobre a reconstituição dos recursos. Como resultado, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) agora prevê uma queda de 3,9% na arrecadação do setor com o seguro rural em 2026, após o tombo de 8,8% no ano passado, quando somou R$ 12,9 bilhões.

O desempenho esperado representa uma piora significativa em relação à expectativa anterior, de crescimento nominal de 2,3%. Também contrasta com a projeção de expansão de 5,7% nas receitas gerais com todas as linhas, o que sugere que os problemas estão concentrados no agro.

Além dos juros restritivos, a guerra no Irã imprime volatilidade aos preços das commodities e reduz as margens do produtor.

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“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, explica o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gláucio Nogueira Toyama, em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

“Isso leva o mercado a adotar uma postura mais seletiva”, complementa.

Queda de braço com o governo

O cenário colocou o setor segurador em uma espécie de “queda de braços” com o governo. De um lado, as empresas ainda aguardam o pagamento de mais de R$ 300 milhões da subvenção prometida para 2025, que representa cerca de 70% do total, segundo Toyama.

As seguradoras também cobram previsibilidade para as dotações de 2026 e pressionam pela reversão dos cortes. De acordo com o executivo, ainda não houve uma reunião com o Comitê Gestor Interministerial para o Seguro Rural que definiria os parâmetros usados neste ano. “Estamos no escuro”, reclama.

Do outro lado do balcão, a gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega restrições fiscais para justificar os bloqueios. No começo do ano, o petista vetou um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que blindava os recursos ao seguro rural contra o contingenciamento e o tornava uma despesa obrigatória. O governo afirma que a medida reduziria a flexibilidade na execução do orçamento. Procurado, o ministério da Agricultura não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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Enquanto persiste a incerteza, o Brasil continua a registrar forte retração na proporção de cultivos cobertos por seguro. Segundo a CNSeg, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões de hectares no começo desta década para pouco mais de 3 milhões em 2025, o que representa apenas 3,3% no total.

Para efeito de comparação, nos EUA, em torno de 227 milhões de hectares estão protegidos, conforme dados da National Crop Insurance Services Serviços Nacionais (NCIS, associação americana que representa o setor).

Ciclo vicioso

O principal risco gerado pela falta de acesso ao seguro rural é o de que se deflagre um “ciclo vicioso” no agronegócio, alerta o vice-presidente-executivo de Riscos e Operações na seguradora Newe Seguros, Rodrigo Motroni. Sem a cobertura, o produtor que enfrenta perdas não consegue renegociar dívidas, reduz investimentos e fica mais exposto na safra seguinte.

“O produtor que já tem custos muito alta precisa de ajuda estatal para fazer a contratação do seguro”, afirma o executivo. Para Motroni, o seguro rural precisa ser tratado como uma política de estado, que traga mais previsibilidade aos subsídios.

Ele também cita casos no exterior que comprovam a necessidade de um apoio público. “O programa de subvenção chinês investe algo da ordem de US$ 10 bilhões [no seguro rural] e a gente não consegue chegar nem a R$ 1 bilhão”, compara.

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Nos últimos meses, o setor vem articulando em Brasília a criação de mecanismos para tornar a subvenção mais perene. A CNSeg propõe, em particular, a estruturação de fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de alta sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.

Congresso discute projeto de lei

O tema está em discussão no Congresso. Em dezembro, a Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) aprovou um projeto de lei, de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa.

O texto propõe alterar a natureza da despesa com os subsídios, de discricionária para obrigatória. Também permite ao governo promover incentivos para a contratação do seguro, como juros mais baixos. “Esse projeto de lei vem para ajudar a criar mais previsibilidade”, comenta Motroni.

Toyama, da FenSeg, também considera a aprovação do projeto de lei importante para pavimentar a recuperação do seguro rural. Segundo ele, representantes do setor estão trabalhando diretamente com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no Congresso, para evitar novos cortes na subvenção.

“Com isso, em 2027. possivelmente teremos uma melhora nas condições para os produtores”, destacou.

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Combate ao greening: um ano de cerco à planta que destrói pomares de laranja

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Foto: Divulgação/Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo

Em maio de 2026, o setor citrícola paulista marca um marco decisivo na defesa sanitária: completa-se um ano da vigência da Resolução SAA nº 24/2025, que proibiu em todo o estado a produção, o comércio, o plantio e o transporte da murta (Murraya paniculata).

A medida, que completa seu primeiro aniversário legislativo este mês, é a ponta de lança da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) para tentar frear o avanço do greening (HLB), a doença mais devastadora da citricultura mundial.

A murta, embora popular no paisagismo urbano por seu aroma e resistência, é a “casa favorita” do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto vetor da bactéria causadora do greening.

Como a planta não costuma receber os tratamentos químicos feitos nos pomares comerciais, ela acaba funcionando como um reservatório e centro de disseminação da praga para as laranjeiras de todo o cinturão citrícola.

Fiscalização e rigor sanitário

A Defesa Agropecuária de São Paulo tem reforçado, por meio de seus canais digitais, que a proibição não é apenas para novos plantios. A normativa determina a eliminação obrigatória das murtas existentes em áreas urbanas e rurais.

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O descumprimento das normas acarreta penalidades previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.

Segundo o órgão, o foco da fiscalização tem sido viveiros e o comércio de mudas, mas a colaboração da população é considerada vital. “A conscientização do morador de cidade é tão importante quanto o rigor do produtor no campo”, afirma a pasta em comunicado.

O desafio do greening

Dados recentes do Fundecitrus apontam que a incidência da doença no cinturão citrícola (SP e Triângulo Mineiro) atingiu níveis recordes nos últimos anos, beirando os 48% em 2025.

Sem cura, a única forma de controle é a prevenção: a erradicação de plantas doentes e, crucialmente, a eliminação de hospedeiras como a murta.

A recomendação para quem possui a planta em jardins ou calçadas é a substituição por espécies nativas ou ornamentais que não ofereçam risco à agricultura, garantindo que o estado de São Paulo mantenha sua liderança global na produção de suco de laranja.

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Agro Mato Grosso

Agrishow 2026 registra R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios

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Feira recebeu 197 mil visitantes e registrou queda de 22% nas intenções de negócios ante a edição anterior

A Agrishow 2026 encerrou com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios. O balanço final foi apresentado nesta sexta-feira, 1º de maio. O resultado representa queda de 22% em relação ao ano anterior.

Os números abrangem os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem. A feira recebeu 197 mil visitantes durante cinco dias. O público ficou em patamar semelhante ao da edição anterior.

No feriado de 1º de maio, último dia do evento, os portões abriram às 7h30. A organização antecipou a abertura para atender à demanda de público.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o desempenho acompanha o cenário do setor. Na quarta-feira, 29 de abril, Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, informou queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre de 2026, frente ao mesmo período de 2025.

Estevão atribuiu o cenário à alta taxa de juros, à variação cambial e ao preço desfavorável das commodities.

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O presidente da Agrishow, João Marchesan, afirmou em nota que agricultores e fabricantes mantêm investimentos em tecnologia para a agricultura tropical, apesar de três anos de mercado desfavorável. Ele também disse esperar ciclos mais favoráveis para o setor nos próximos anos.

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Agro Mato Grosso

Algodão em pluma atinge maior nível desde julho de 2025 I agro.mt

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Alta é sustentada por cenário internacional e oferta restrita, enquanto demanda enfrenta dificuldades para absorver custos

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Agro MT