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18 de setembro de 2026

Pantanal MT

Trator que “conversa” será destaque na Agrishow 2026

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Agro Mato Grosso

VÍDEO: cobras ‘dançam’ durante disputa por fêmea e formam ‘bolo nupcial’ em MT

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Uma cena rara de acasalamento entre três cobras caninanas foi registrada em uma propriedade rural próxima a Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O vídeo foi feito por Luís Felipe Monteiro César, de 25 anos, enquanto ele trabalhava no local, na última terça-feira (8).

Nas imagens, as três serpentes aparecem inicialmente entrelaçadas, formando o que os biólogos chamam de “bolo nupcial”. Em seguida, dois dos animais erguem parte do corpo e começam uma disputa que, à primeira vista, se assemelha a uma luta ou até mesmo a uma dança. Enquanto os dois machos se enfrentam, a fêmea permanece entrelaçada, acasalando com um deles (assista abaixo acima).

O biólogo Luiz Eduardo Saragiotto explicou que o comportamento faz parte da disputa reprodutiva da espécie. Segundo ele, os machos se empurram e tentam demonstrar força para conseguir acesso à fêmea.

A presença de mais de um macho também não é incomum nesse período. Uma mesma fêmea pode atrair diferentes parceiros e até acasalar com mais de um deles durante o ciclo reprodutivo.

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“É comum a fêmea no ‘cio’ atrair mais de um macho, inclusive acasalar com mais de um. Essa dinâmica pode acontecer por horas ou até por mais de um dia”, afirmou.

De acordo com o especialista, apesar de esse tipo de comportamento fazer parte da reprodução das serpentes na natureza, conseguir presenciar e registrar a cena é raro.

🐍 Spilotes pullatus

Conhecida cientificamente como Spilotes pullatusa caninana é uma das maiores serpentes do Brasil e pode ultrapassar 2,5 metros. Apesar de não ser peçonhenta, pode adotar postura defensiva quando se sente ameaçada, erguendo a cabeça, achatando o pescoço e podendo até morder.

Apesar da postura intimidadora, ela não possui veneno e não representa risco direto aos humanos. Ela pode ser encontrada em praticamente todos os biomas do país, com exceção dos Pampas.

A espécie se alimenta de pequenos mamíferos, aves, anfíbios e até de outras serpentes, inclusive venenosas. Esse hábito reforça sua grande importância ecológica, já que contribui para o controle das populações de animais e ajuda a manter o equilíbrio ambiental.
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Agro Mato Grosso

Primeiro Censo de primatas encontra espécies ameaçadas de extinção em espaços urbanos de MT; conheça

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O primeiro censo de primatas realizado em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, identificou seis espécies em dois dos quatro fragmentos de vegetação localizados em áreas urbanas e periurbanas do município. Entre os animais registrados estão quatro espécies ameaçadas de extinção, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, considerado criticamente em perigo (assista acima).

O levantamento foi realizado neste ano pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e percorreu a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres.

Foram registradas as seguintes espécies:

  • bugio-vermelho (Alouatta puruensis);
  • macaco-da-noite (Aotus azarae);
  • macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek);
  • mico-de-Schneider (Mico schneideri);
  • zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi);
  • macaco-prego (Sapajus apella).

De acordo com o biólogo e pesquisador associado ao Projeto Reconecta, Luan Goebel, ainda não há um número exato de indivíduos e grupos registrados. Segundo ele, como este foi o primeiro levantamento, a proposta é repetir o Censo e ampliar o esforço de campo para obter estimativas mais precisas sobre o tamanho e a distribuição das populações.

O biólogo João Biagini, que não participou do Censo e foi ouvido pelo especialista independente, avalia que a presença das seis espécies dá relevância ambiental aos fragmentos monitorados.

“A presença dessas seis espécies registradas demonstra que tais fragmentos possuem grande relevância ambiental, funcionando como refúgios onde ainda existem populações ativas vivendo, utilizando os recursos disponíveis e se reproduzindo”, disse.

 

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Quatro espécies ameaçadas

Das seis espécies encontradas, quatro estão na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN)bugio-vermelho, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

O zogue-zogue-de-Alta-Floresta está na categoria Criticamente em Perigo. Já o macaco-prego é classificado como Menos Preocupante.

Durante o trabalho, os pesquisadores também observaram os animais se alimentando e registraram as plantas utilizadas como recurso. Segundo Luan, essas informações podem orientar ações para melhorar a qualidade dos fragmentos e ampliar a oferta de recursos para os primatas.

Um dos animais que chama atenção pela dificuldade de observação é o macaco-da-noite, que possui hábitos noturnos.

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. — Foto: Fernando Canton

Drones ajudam a localizar animais

Além da observação realizada nas trilhas, o censo contou com drones equipados com câmera térmica. A tecnologia foi utilizada para ampliar a capacidade de localização dos animais, principalmente em locais de difícil acesso ou com vegetação densa.

Durante o levantamento, foram registrados com o auxílio do equipamento, indivíduos de macaco-prego, macaco-aranha e zogue-zogue-de-Alta-Floresta.

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“A câmera identifica o calor corporal dos animais, permitindo localizar indivíduos que poderiam passar despercebidos durante as buscas nas trilhas”, disse Luan.

O biólogo afirmou ainda que o drone permite observar os animais a uma distância maior e registrar imagens e vídeos de comportamentos que poderiam não ser percebidos durante as buscas tradicionais. Assim, a tecnologia funciona como complemento ao trabalho realizado em campo.

Para a bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, a presença dessas espécies dentro do município deve ser valorizada como um patrimônio ambiental. Segundo ela, é possível encontrar espécies emblemáticas da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, símbolo do município e criticamente ameaçado de extinção, e o macaco-aranha.

“A presença desses animais deve ser vista, antes de tudo, como um patrimônio ambiental de Alta Floresta”, afirmou.

Para a bióloga, a conservação exige planejamento urbano, educação ambiental e medidas que permitam a permanência segura da fauna nos fragmentos.

Fragmentação e atropelamentos

A presença dos animais nos fragmentos, no entanto, também evidencia a necessidade de manter essas áreas e permitir a circulação dos primatas entre elas. Luan aponta a perda, a redução e o isolamento dos fragmentos florestais como alguns dos principais riscos para os primatas. Essas mudanças diminuem o espaço disponível e dificultam o deslocamento dos animais.

A falta de conexão entre as áreas pode fazer com que os animais precisem deixar as copas de árvores para chegar a outros fragmentos.

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“Sem a continuidade das copas das árvores, os macacos não conseguem atravessar para outras áreas sem descer ao solo, e é exatamente ali que mora o perigo de serem atropelados”, explicou o biólogo João.

O atropelamento também é uma preocupação no município. Uma das estratégias adotadas é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que utiliza pontes de dossel para permitir a passagem dos animais entre áreas de vegetação. Segundo Luan, as estruturas já registraram cerca de 15 mil travessias seguras e nenhum atropelamento nos trechos monitorados.

Outra orientação é que os moradores não alimentem nem tentem interagir com os animais silvestres. A recomendação integra ações de educação ambiental desenvolvidas no município e busca preservar o comportamento natural da fauna.

Fernanda destaca que os moradores também devem respeitar os limites de velocidade, principalmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais.

“A principal mudança no comportamento dos moradores seria respeitar os limites de velocidade, especialmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais, e nunca alimentar ou tentar interagir com os animais silvestres”, disse.

 

O levantamento

A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento seja realizado todos os anos. Um único censo permite obter um retrato das populações em determinado momento, enquanto a repetição do trabalho pode revelar mudanças ao longo do tempo.

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Para João, o acompanhamento contínuo pode revelar aspectos que não aparecem em um levantamento pontual.

“Enquanto um levantamento único serve essencialmente para inventariar as espécies que habitam o local, um acompanhamento continuado revelaria indicadores cruciais como a taxa de sucesso reprodutivo, o índice de mortalidade e os motivos reais pelos quais os primatas estão morrendo”, afirmou.

Fernanda também destaca que o monitoramento ao longo dos anos poderá mostrar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade e ajudar a avaliar a efetividade das medidas de conservação.

“Daqui a cinco ou dez anos, também será possível avaliar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade, identificar áreas prioritárias para conservação e verificar se ações como as pontes de dossel, a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental estão contribuindo para a permanência dessas espécies”, contou.

Com o monitoramento contínuo, os pesquisadores esperam identificar mudanças na distribuição das espécies e ameaças à fauna ao longo dos anos. Os dados também poderão orientar novas ações de conservação e ajudar a entender como os fragmentos florestais de Alta Floresta podem continuar abrigando essas populações.

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). — Foto: Ivã Schuster

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Agro Mato Grosso

Por que cânion paradísiaco atrai turistas mesmo durante a seca em MT?

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Um vídeo que mostra o Cânion do Jatobá, em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá, completamente seco voltou a chamar a atenção nas redes sociais no últimos dias. Segundo especialistas, o baixo volume de água ocorre todos os anos durante a estiagem e transforma o visual de águas cristalinas conhecido pelos turistas, mas não impede totalmente a visitação.

A cada temporada, o cânion recebe cerca de 7 mil a 8 mil visitantes. Durante a seca, as visitas ocorrem normalmente pelas formações rochosas, que permitem conhecer o ponto turístico sem as tradicionais piscinas geradas no período chuvoso.

O guia de turismo Victor Couto destacou que as visitas ao Cânion do Jatobá não são comprometidas pela transformação na paisagem e disse que há visitantes que vão ao local justamente para conhecer o cânion seco.

“Eles ficam muito impressionados com a rapidez com que ele seca. Tem muita gente que fica curiosa e aí vem só para conhecer ele pessoalmente”, relatou.

O Cânion do Jatobá é um dos últimos atrativos da região a perder a água. No entanto, Victor acrescentou que quando o processo inicia, a mudança pode ocorrer rapidamente.

“A partir de maio, os atrativos começam a secar, e o Cânion é o que demora mais para começar a perder água. Às vezes, ele consegue ficar com água até agosto. Só que, quando começa a secar, o processo é muito rápido. Você vai em um dia e ele está com água; dois ou três dias depois, volta e ele já está totalmente seco”, detalhou.

O “sumiço” da água na superfície do cânion é um evento anual. O Cânion do Jatobá é alimentado pela Cachoeira do Jatobá e, durante a estiagem, o fluxo de água deixa de correr pela superfície e passa a seguir inteiramente por baixo das rochas.

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Ao contrário do que se possa imaginar, a redução do volume de água durante a seca também pode favorecer a visitação. Para Alcindo Chaves, outro guia de turismo da região, a vazão temporária no cânion permite a exploração turística do local, já que, durante as cheias, o grande volume de água dificulta o acesso e a visitação com segurança.

“Eu acho que, para nós aqui, [a seca] também favorece, né? E eu falo isso porque o turismo aqui em Vila Bela funciona o ano todo. Porque, se a água corresse só por cima [das pedras], durante a cheia a gente não teria condições de fazer a visitação”, concluiu.

 

🌊 Para onde vai a água?

 

O professor de geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, explicou que o cânion está associado a um tipo de aquífero, formado por rochas subterrâneas capazes de armazenar e transmitir água. Segundo ele, esse aquífero tem menor capacidade de armazenamento do que outros, como o Aquífero Guarani, presente em outras partes do estado.

“Não é um aquífero com uma capacidade tão boa quanto a de outros locais, como na região de Chapada dos Guimarães e no Vale do Rio Claro, onde os cursos d’água vêm do Aquífero Guarani. Quando há uma estiagem mais forte, o curso de água pode chegar a secar, situação que se agrava quando temos vários anos seguidos com chuvas abaixo da média”, destacou.

 

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Segundo ele, o processo do cânion secar e encher todos os anos é natural e está associado às estações climáticas.

“Esse processo é normal e se relaciona com as estações do ano. As rochas daquela região não permitem ter uma armazenagem de grandes quantidades de água. […] Então, quando se tem uma estação de seca um pouco mais forte, esse aquífero é mais afetado e pode levar a secar completamente o curso de água”, esclareceu.

O professor ainda alertou que, embora seja comum que o cânion fique seco todos os anos, as mudanças climáticas podem intensificar o processo. Para ele, a ação humana também pode contribuir para o agravamento desses períodos.

“As mudanças climáticas podem fazer com que tenhamos secas mais severas ou, em outras regiões, chuvas mais intensas, com eventos extremos que impactam o ciclo hídrico de uma região. Então, mesmo sendo um fenômeno que, de certa forma, é natural, ele pode ser agravado pelas mudanças climáticas que tem uma influência humana”, completou.

 

🌄O Cânion

 

O Cânion do Jatobá foi moldado ao longo de milhões de anos pela força das águas da Cachoeira do Jatobá, localizada na Serra de Ricardo Franco. O percurso da trilha tem cerca de 5 km no total e é considerado de nível fácil.

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O local é conhecido por ter mais de 8 metros de profundidade e formar piscinas de água cristalina que variam entre tons de azul e verde, permitindo a observação de alguns peixes, segundo Victor.

“Com a água cristalina, conforme o sol bate, a água fica azul, dependendo da época. Quando chove, por exemplo, a água fica verde. E, por volta da segunda metade de novembro, ele já costuma estar cheio”, disse.

 

🛣️ Turismo em Vila Bela

Para quem desejar visitar Vila Bela da Santíssima Trindade, a região também reúne diversos outros pontos turísticos, como a Cachoeira do Capivari, a Trilha do Cipó e passeios de barco pelo Rio Guaporé. Alcindo ressaltou que há também um período de alta temporada, que pode favorecer a visita aos atrativos naturais.

“A nossa alta temporada inicia a partir de novembro e vai até o final de junho. Eu sempre falo que o melhor período para visitar Vila Bela é na alta temporada, porque você vai pegar as cachoeiras com volume de água intenso”, afirmou.

A Secretaria de Turismo de Vila Bela da Santíssima Trindade oferece um tour virtual pelas principais atrações turísticas do município. A iniciativa permite conhecer os locais gratuitamente pela internet e apresentar as belezas naturais da região ao público.

*Sob supervisão de Jardes Johnson.

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