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Pimenta-do-reino do Espírito Santo entra no radar da guerra

A pimenta-do-reino é uma das culturas que ajudam a explicar a força do agronegócio capixaba no mercado internacional. Com forte presença nas exportações brasileiras, o Espírito Santo construiu ao longo dos anos uma relação direta com mercados estratégicos — especialmente no Golfo Pérsico, região que agora está no centro das atenções por causa da escalada de tensão no Oriente Médio.
O conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que já se estende por semanas, começa a impactar a dinâmica global de transporte e comércio. E, no caso da pimenta capixaba, isso significa mais custo, mais risco e menos previsibilidade.
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“O mercado do Golfo Pérsico é extremamente importante. Só essa região representa 16% das exportações da pimenta capixaba”, destaca o Secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo, Enio Bergoli.
Com a guerra, rotas marítimas estão sendo redesenhadas, o frete praticamente dobrou e o seguro das cargas disparou. O impacto não é apenas logístico — ele atinge diretamente a competitividade do produto brasileiro lá fora.
É nesse cenário que entra a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), uma das maiores cooperativas do país no setor agropecuário e referência nacional na produção e comercialização de café conilon. Com a recente incorporação da Cooperativa Agropecuária da Bacia do Cricaré (Coopbac) — cooperativa especializada na produção de pimenta-do-reino — a cultura passou a ter ainda mais relevância dentro da estrutura da organização, ampliando sua presença no mercado internacional de especiarias.
Na prática, isso significa que qualquer oscilação no comércio exterior impacta diretamente a estratégia da cooperativa e dos produtores associados.
O superintendente-geral da Cooabriel, Carlos Augusto Pandolfi, explicou que os efeitos da guerra ainda não aparecem de forma imediata nas operações: “Para nós ainda não teve impacto direto, porque os acordos são fechados muito antes. A gente acaba entregando depois de formalizar o negócio”.
Mas o alerta já está aceso dentro da cooperativa. “O preço da logística aumentou bastante. Combustível e tudo mais que envolve transporte será afetado, então a exportação vai ficar mais cara”, afirma Pandolfi.
Outro ponto que amplia a preocupação é a dificuldade de reposicionar a produção. Parte da pimenta capixaba é destinada a mercados menos exigentes em qualidade — justamente como os países do Golfo. Em momentos de crise, esse perfil limita alternativas comerciais.
“Esse mercado é menos exigente em qualidade. E isso é importante porque parte da nossa produção precisa desse tipo de mercado. Não conseguimos redirecionar facilmente para
destinos mais exigentes, como Estados Unidos e Europa”, afirma Bergoli.
No campo, o reflexo já é sentido como um sinal de alerta. A guerra, que parece distante no mapa, passa a interferir diretamente no custo, na logística e nas decisões de comercialização da pimenta produzida no Espírito Santo.
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Safra 2026/27 caminha para ter a pior margem da soja em 10 anos

Acostumado a crescer fora da zona de conforto. É assim que o pesquisador do Cepea, Mauro Osaki, classifica o comportamento do produtor brasileiro. “Essa é a razão para a nossa produção crescer tanto. Nós nunca estivemos confortáveis”, diz. Nesse contexto, o setor já enfrentou estiagens, enchentes e reflexos de conflitos geopolíticos, entre outros.
A avaliação do especialista ocorre em mais um momento delicado para o agronegócio. A guerra no Irã, iniciada por Estados Unidos e Israel, já passa de dois meses — com impactos no preço de fertilizantes e combustíveis. Essenciais para o setor, o encarecimento desses itens deve pesar na próxima safra.
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“A gente já sabe que a safra 26/27 vai custar mais caro em termos de gasto com fertilizantes, defensivos, diesel. Esse impacto vai proporcionar uma elevação nos nossos custos”, reforça. Segundo Osaki, a variação do custo operacional efetivo (COF) deve ficar em torno de 6% a 7% em comparação com a estimativa feita para a temporada atual.
Soja: pior rentabilidade em uma década
A alta real nos custos de produção, sem uma reação na mesma magnitude por parte dos preços das commodities, deve resultar em um cenário severo de esmagamento de rentabilidade. Para a soja, a projeção já desenha um dos piores cenários da história recente.
“A soja está caminhando para isso. Se a produtividade se mantiver e o grão ficar na casa dos R$ 100 no ano que vem, nós estamos chegando próximo da menor margem dos últimos 15 anos. Nos últimos 10 anos é certeza”, alerta o pesquisador.
De acordo com ele, o único precedente de margem negativa tão expressiva foi registrado na safra 2005/06, período que culminou no histórico movimento do “tratoraço”.
O peso do Estreito de Ormuz no bolso do produtor
Desta vez, o gatilho da crise é majoritariamente externo. O conflito no Golfo, especialmente na região do Estreito de Ormuz, comprometeu o abastecimento global de gás natural e enxofre — matérias-primas essenciais para a fabricação de nitrogenados e fosfatados. O Brasil, por características naturais, acaba sendo o elo mais vulnerável dessa engrenagem global.
“Dentre os principais produtores de soja no mundo, o Brasil é o que mais sofre porque tem o solo mais ácido e mais pobre comparado com a Argentina e os Estados Unidos. Como precisamos aplicar mais adubo por hectare, vamos perder competitividade diante desses dois players internacionais”, explica Osaki.
Custo Brasil e o alerta climático do El Niño
Se o cenário global e o solo desafiam o agricultor, o ambiente doméstico também não dá trégua. Na avaliação do especialista, a atuação do governo pesa. “Vários setores produtivos estão no limite sendo asfixiados com a ânsia do governo de querer taxar todo mundo para tentar recobrir a gastança, seu comportamento perdulário”, diz.
Entre as principais preocupações estão alterações tributárias recentes, que devem elevar os custos com insumos. “Isso é uma consequência que o setor produtivo acaba subsidiando. Esse tipo de desastre administrativo traz consequências”, complementa.
Como se não bastasse o aperto financeiro, o fantasma climático volta a rondar com a proximidade do El Niño no segundo semestre. Para estados como o Rio Grande do Sul, que ainda tentam se reorganizar financeiramente após quebras sequenciais, o alerta é máximo.
“É o estado onde temos a situação mais grave de todas. Lá, a pergunta do produtor vai ser: ‘vou perder menos de quanto?’”, lamenta o especialista. A única certeza, como bem define Osaki, é que o agronegócio nacional precisará, mais uma vez, provar sua força longe de qualquer zona de conforto.
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