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Capim adaptado ao calor extremo vira aliado da pecuária no semiárido

No semiárido brasileiro, produtores têm adotado novas tecnologias para enfrentar os efeitos da seca e manter a produtividade no campo. No Ceará, o uso de pastagens plantadas por mudas clonadas tem se destacado como alternativa eficiente para melhorar a alimentação do rebanho e ampliar a produção de carne e leite.
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Apesar do avanço da agropecuária na região, o clima ainda é um dos principais desafios. A estiagem prolongada compromete a qualidade e a disponibilidade de pasto, impactando diretamente o desempenho dos animais.
Para driblar esse cenário, produtores têm investido em capins melhorados geneticamente, mais adaptados às condições do semiárido. Um dos destaques é o capim tifton 85, desenvolvido a partir do cruzamento de espécies forrageiras, com alta tolerância a temperaturas elevadas.
“O tifton 85, tem uma alta adaptação ao clima semiárido, ao clima do Nordeste. Porque está na sua genética. Foi feito o tipo 85 a partir de uma forragem, a partir de uma graminha da África com uma graminha do sul dos Estados Unidos. A partir do seu cruzamento chega-se no tifton 85 com alta capacidade de tolerância climática de altas temperaturas”, explica o zootecnista e e fundador da Amazon Mudas, Oswaldo Stival Neto.
Segundo Neto, a planta possui rizomas (caules que funcionam como reserva de energia), o que garante maior resistência durante períodos de seca e contribui para a manutenção da qualidade da forragem.
Com mais que o dobro de proteína em relação a outras forrageiras tropicais, esse capim permite reduzir o volume de alimento e, ao mesmo tempo, aumentar a lotação de animais por hectare. Além da produtividade, a tecnologia também contribui para a conservação do solo e garante melhor desempenho do rebanho mesmo em períodos de estiagem.
De acordo com Neto, a cobertura do solo proporcionada pela pastagem ajuda a reter a umidade, reduz o escoamento da água da chuva e evita a perda de matéria orgânica. Com isso, há melhora gradual na qualidade do solo.
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Agro enfrenta pressão financeira e limitações no crédito, afirma Tirso Meirelles

O comentarista do Canal Rural, Tirso Meirelles, afirmou, nesta quarta-feira (25), em Brasília, que o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário crítico, marcado por endividamento elevado, problemas climáticos e aumento dos custos de produção.
Segundo ele, representantes do setor estão mobilizados junto ao Instituto Pensar Agro e à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, além de parlamentares, para discutir soluções estruturais. “Estamos aqui para pensar esse problema do endividamento do produtor rural, que hoje é um dos grandes gargalos do setor, impactando a manutenção da atividade, a segurança alimentar e as exportações”, destacou.
Meirelles ressaltou que o Projeto de Lei 5122, já aprovado na Câmara e em análise no Senado, é uma das alternativas em debate para viabilizar recursos ao produtor. “O produtor está muito endividado, enfrentando seca, excesso de chuva, geadas e incêndios. O Plano Safra atual não tem recursos suficientes para atender essa demanda”, afirmou.
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Outro ponto de preocupação é a baixa cobertura de seguro rural no Brasil. “Enquanto os Estados Unidos têm cerca de 97% da produção segurada, aqui estamos entre 5% e 7%. Como falar de novo Plano Safra sem resolver o endividamento e ampliar o seguro?”, questionou.
Ele também alertou para os impactos do cenário internacional, especialmente os conflitos no Oriente Médio. “Cerca de 90% dos fertilizantes que usamos vêm de fora, muitos passando por regiões em conflito. Isso pressiona os custos e acaba chegando ao consumidor”, disse.
Além disso, Meirelles destacou que o aumento do preço do petróleo e dos insumos pode afetar diretamente a produção, especialmente com o avanço da safrinha de milho. “Estamos com cerca de 30% a 40% da safra de soja ainda em andamento e já iniciando o milho, com custos elevados. Precisamos resolver isso pensando no Plano Safra 2026/27”, pontuou.
Já o comentarista Miguel Daoud destacou que o cenário fiscal também limita a capacidade de apoio ao setor. Segundo ele, regras de controle de gastos restringem o volume de recursos disponíveis, afetando investimentos e programas como o seguro rural.
“O governo tem limites para gastar e, muitas vezes, precisa contingenciar recursos. Isso reduz a capacidade de investimento e dificulta ampliar o apoio ao agro”, explicou.
Daoud também comentou os impactos do cenário externo sobre commodities. Em relação ao café, ele avalia que há projeções de queda nos preços, mas pondera que fatores climáticos ainda podem sustentar alguma recuperação.
Sobre a soja, destacou que o mercado internacional segue influenciado pelas relações entre Estados Unidos e China, principais players do comércio global. Segundo ele, possíveis acordos entre os países podem direcionar a demanda chinesa para a soja americana, pressionando as cotações em Chicago.
Por fim, Daoud ressaltou que discussões sobre limitação de juros e renegociação de dívidas também estão no radar, mas avalia que mudanças estruturais mais profundas ainda enfrentam dificuldades para avançar no curto prazo.
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Alta do boi gordo ganha força com oferta restrita e demanda externa aquecida

O mercado físico do boi gordo voltou a registrar elevação nos preços ao longo da semana, sustentado principalmente pela oferta restrita de animais terminados. Com menos disponibilidade, as escalas de abate seguem encurtadas, o que mantém o poder de barganha nas mãos dos pecuaristas.
Outro fator determinante para o movimento de alta está no ritmo acelerado das exportações de carne bovina, com forte atuação de compradores da China. Importadores chineses e exportadores brasileiros têm intensificado os embarques para garantir maior participação dentro da cota estabelecida pelo país asiático no início do ano.
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No atual ritmo, a expectativa é de que essa cota destinada ao Brasil seja totalmente utilizada entre maio e julho. Caso isso se confirme, as exportações no terceiro trimestre podem perder força, impactando o fluxo de embarques.
Na B3, o pregão da última quarta-feira também refletiu esse cenário, com alta relevante nos principais contratos futuros. O movimento acompanha a valorização no mercado físico, onde já há registros de negociações próximas a R$ 360 por arroba à vista.
A forte demanda internacional, especialmente chinesa, segue como principal motor dessa valorização. Diante da possibilidade de esgotamento da cota, cresce entre os agentes a estratégia de travamento de preços, como forma de garantir margens em meio à volatilidade do mercado.
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Soja tem negócios pontuais no Brasil e ganhos limitados por custos logísticos

O mercado brasileiro de soja apresentou pequenos movimentos ao longo desta quarta-feira (25), com oportunidades pontuais nos portos, mas ainda limitado pelos custos logísticos elevados. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Rafael Silveira, a Bolsa de Chicago registrou alta mais consistente apenas no final das negociações, enquanto o dólar recuou e os prêmios tiveram pouca variação.
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No mercado interno, o cenário foi de poucas mudanças, com cotações entre estáveis e levemente mais altas. O produtor segue cadenciando as vendas, o que reduz a fluidez dos negócios neste momento.
- Passo Fundo (RS): manteve em R$ 125,00
- Santa Rosa (RS): manteve em R$ 126,00
- Cascavel (PR): manteve em R$ 120,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 109,00
- Dourados (MS): subiu de R$ 111,00 para R$ 113,00
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 110,00 para R$ 110,50
- Paranaguá (PR): manteve em R$ 131,00
- Rio Grande (RS): seguiu em R$ 131,00
Contratos futuros de soja
No cenário externo, os contratos futuros da soja fecharam com bons ganhos na Bolsa de Chicago, impulsionados por fatores técnicos e compras por barganha. O ambiente global apresentou menor aversão ao risco, após os Estados Unidos enviarem uma proposta de cessar-fogo ao Irã.
EUA-China
Além disso, a Casa Branca informou que o presidente Donald Trump viajará a Pequim nos dias 14 e 15 de maio para se reunir com o presidente Xi Jinping. O mercado volta a especular sobre um possível acordo comercial entre as duas potências, incluindo compras chinesas de soja americana.
Outro ponto de atenção é o encarecimento dos fertilizantes, que pode impactar o plantio da safra nos Estados Unidos. A expectativa agora se volta para o relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para o dia 31.
Entre os subprodutos, o farelo recuou, enquanto o óleo de soja avançou, sustentado pela expectativa de medidas do governo americano para incentivar a produção de biocombustíveis.
Câmbio
No câmbio, o dólar comercial fechou em baixa de 0,66%, cotado a R$ 5,2193 para venda, após oscilar ao longo do dia.
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