Sustentabilidade
Estradas não pavimentadas ampliam gargalos logísticos e elevam custos para produtores de Mato Grosso – MAIS SOJA

A falta de pavimentação em trechos estratégicos de rodovias estaduais e federais segue como um dos principais entraves ao escoamento da safra em Mato Grosso. Produtores relatam que as limitações de acesso prolongam o tempo de transporte, elevam o custo operacional e reduzem a eficiência da colheita, fatores que, ao longo da cadeia, também influenciam o padrão de qualidade do produto entregue ao mercado.
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), os relatos reforçam que os gargalos logísticos decorrentes da falta de pavimentação deixaram de ser apenas um desafio operacional e passaram a representar um fator estrutural de custo para o agronegócio mato-grossense.
“O produtor paga o FETHAB com a expectativa de ver esse recurso aplicado na melhoria da logística e das estradas, mas infelizmente isso não está chegando na ponta como deveria. Reconhecemos os avanços da atual gestão do governo do estado, porém, em anos de margem apertada, o FETHAB precisa ser reconsiderado. O produtor não pode continuar pagando uma conta sem ver o retorno efetivo na infraestrutura que é essencial para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.
No noroeste do estado, a situação da MT-183, corredor que conecta áreas produtivas à rede de armazenagem e comercialização, ilustra o impacto estrutural da falta de infraestrutura. O produtor da região de Aripuanã, Sami Dubena, relata que a logística da propriedade passou a ser organizada em função das limitações da estrada. “A situação da MT-183 é gravíssima. São mais de 200 quilômetros de estrada de terra que fica um caos nessa época de chuva e extremamente perigosa na época de estiagem, pois levanta muita poeira e não conseguimos enxergar nada”, afirma.
Sami Dubena também enfatiza que a falta de estrutura logística afeta diretamente o ritmo de colheita, momento decisivo para a safra. “A distância até o armazém pode se tornar duas ou três vezes maior em tempo de viagem. O caminhão sai carregado, e muitas vezes a colheitadeira precisa parar esperando o retorno para descarregar e continuar o trabalho. Isso reduz o ritmo da colheita justamente no período mais sensível da safra”, relata.
O efeito prático aparece tanto na produtividade quanto na classificação do produto. “Sem janela adequada para colher, parte da produção chega com umidade mais elevada ou com avarias, o que gera descontos e reduz o valor final recebido.” O produtor Izidoro Dubena destaca que as limitações de acesso afetam diretamente o fluxo da cadeia e a qualidade do grão ao longo do transporte. “Quando o deslocamento se torna imprevisível, todo o planejamento operacional é comprometido. O produto permanece mais tempo em trânsito e isso altera o padrão de entrega, além de gerar prejuízos para todos os elos envolvidos”, afirma.
Segundo ele, a escolha de rotas mais longas por parte dos transportadores, em busca de melhores condições de tráfego, aumenta o custo logístico e reduz a competitividade regional. Na região de Paranatinga, a realidade é semelhante. O produtor Fernando Petri relata que falhas recorrentes de manutenção na MT-499 têm provocado atrasos frequentes na retirada da safra e elevado o custo do transporte.
“Quando chove por alguns dias, surgem pontos críticos que impedem a passagem de veículos e travam toda a logística. O produtor fica sem conseguir escoar a produção, os prazos se acumulam e o prejuízo aparece na ponta”, afirma. Ele destaca que, mesmo em trechos próximos à cidade, a limitação de tráfego compromete o planejamento da safra e reduz a previsibilidade econômica da atividade.
A Aprosoja MT avalia que a previsibilidade no escoamento é condição essencial para preservar a qualidade da produção, reduzir perdas e manter a competitividade do estado nos mercados nacional e internacional. Em regiões com alto potencial produtivo, a limitação de acesso viário continua restringindo a expansão das áreas cultivadas e elevando o custo por tonelada transportada.
Para os produtores, a melhoria da infraestrutura logística permanece como medida estratégica para garantir eficiência produtiva, estabilidade econômica e maior valor agregado à produção de Mato Grosso. Além dos investimentos em rodovias, a implementação de políticas públicas voltadas ao fomento da armazenagem rural também se apresenta como medida complementar para mitigar esse gargalo.
Ao ampliar a capacidade de armazenagem nas propriedades, o produtor passa a ter condições de realizar a pré-limpeza e a secagem dos grãos na própria fazenda, possibilitando um escoamento mais planejado e escalonado da safra. Essa estratégia reduz a concentração do transporte no período imediato pós-colheita, momento em que a demanda por frete se intensifica, os custos sobem e a necessidade de escoamento rápido pressiona significativamente as estradas. Com maior capacidade de retenção da produção na origem, há ganhos logísticos, econômicos e estruturais para toda a cadeia.
Fonte: Aprosoja/MT
Sustentabilidade
Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.
Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.
Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).
Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.
Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).
Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.
Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.

Referências:
DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.
ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.
SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

Sustentabilidade
ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.
Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.
Fonte: Cepea
Autor:Cepea
Site: Cepea
Sustentabilidade
Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.
O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.
Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.
O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.
Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
Cuiabá
Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.
O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.
Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).
Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.
CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa
Agro Mato Grosso1 hora agoCaminhoneiro é preso com documento falso para carregar soja em MT
Sustentabilidade9 horas agoProdução de soja e milho muda perfil da mão de obra no campo em Mato Grosso do Sul – MAIS SOJA
Sustentabilidade8 horas agoA importância do trigo tropical e os desafios do manejo da brusone – MAIS SOJA
Sustentabilidade14 horas agoHerbicida não cria resistência: genética das plantas daninhas ajuda a explicar avanço do problema no campo – MAIS SOJA
Featured14 horas agoGuarda Municipal conduz duas adolescentes após ameaças contra familiares em Várzea Grande
Business5 horas agoConab fará leilões para comprar até 224 mil toneladas de milho
Sustentabilidade12 horas agoMilho dos EUA tem nova redução de produção e aumenta atenção sobre a colheita – MAIS SOJA
Agro Mato Grosso10 horas agoSemente Forte orienta produtores sobre cuidados para garantir boa implantação da soja
















