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Excesso de chuva ameaça produtividade do milho em Paranatinga

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O excesso de chuva em Paranatinga já compromete o avanço do milho segunda safra e preocupa produtores quanto ao potencial produtivo das lavouras. O plantio, que começou dentro da janela considerada ideal, agora enfrenta solo encharcado, atraso nas operações e incertezas sobre o desempenho da cultura nesta temporada.

A chuva que garantiu o desenvolvimento da soja passou a dificultar a colheita e, consequentemente, o plantio do milho. Com o calendário apertado, produtores enfrentam dificuldades para avançar com as máquinas e manter o planejamento inicial, o que aumenta o risco de redução na área cultivada e na produtividade.

Na propriedade do agricultor Gustavo Trainotti Calgaro, o plantio começou no dia 29 de janeiro, dentro da janela considerada ideal e com expectativa positiva diante do investimento realizado. No entanto, o excesso de chuva desacelerou os trabalhos e mudou o cenário da lavoura. “Até então estava tudo dentro de uma janela perfeita. Por ter um alto investimento e estar dentro de uma janela muito boa, a gente estava muito confiante, mas agora foi por água abaixo”, afirma ao projeto Mais Milho.

Segundo ele, a sequência de dias chuvosos deixou as áreas alagadas e impediu o avanço da cultura. “Por seis dias não parou de chover. É complicado até dizer que foi plantado, nem parece. O milho não saiu, o milho não desenvolveu. É um pouco assustador esse cenário”, relata.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O produtor diz que o impacto é visível e traz frustração após meses de trabalho e planejamento. “É uma tristeza passar na frente da fazenda e ver tudo por baixo d’água, toda luta, todo o esforço que a gente vem realizando desde setembro, mas é bem desafiador, bem desanimador”, diz.

Mesmo diante das dificuldades, ele destaca a importância da cultura para o sistema produtivo da propriedade. “Nunca tinha visto nada igual. Fevereiro nunca foi de cair tanta água igual esse ano, mas é aceitar as consequências, para nós é muito importante pela questão da produtividade que o milho pode entregar e pela matéria orgânica que ele pode deixar no solo para a próxima safra de soja”, completa.

Área menor e atraso no desenvolvimento

O planejamento inicial da propriedade previa o cultivo entre 300 e 320 hectares de milho segunda safra. Porém, os primeiros 80 hectares plantados já indicam dificuldades, com excesso de umidade no solo e atraso nas aplicações necessárias para o desenvolvimento da cultura.

Conforme Gustavo, parte da área já saiu da janela considerada ideal, o que deve resultar em redução na área e no potencial produtivo. Ele explica que as condições do solo e o excesso de chuva impedem o avanço das operações. “Já saiu fora da janela, a área vai ser reduzida e a produção vai ser menor”, afirma.

O agricultor também relata ao Canal Rural Mato Grosso que já há dificuldades no manejo da lavoura neste momento. “O milho não gosta de muita água, ainda mais no nosso solo. O solo de Paranatinga é muito siltoso. Para o milho é um solo muito difícil”, diz.

Sem conseguir entrar na área, as aplicações necessárias seguem suspensas. “Não conseguimos fazer a primeira aplicação de ureia ainda. Está tudo parado esperando o clima abrir. É desafiador para a soja, desafiador para o milho e todas as expectativas vão se reduzindo”, relata à reportagem.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Em uma propriedade vizinha, o cenário também é de apreensão. Cerca de 30% da área de soja já está pronta para colheita, etapa essencial para liberar espaço ao milho segunda safra. O agricultor Fernando Petri Valdameri afirma que o volume de chuva recente surpreendeu. “Faltou chuva no começo e agora virou só água. Está com uma acumulação de 1.800 milímetros”.

O excesso de precipitação, pontua Fernando, ocorre justamente no momento decisivo da colheita da soja. “Já tem mais de 20 dias que não para de chover, e agora a soja está chegando. Tem em torno de 250 hectares pronto para começar a colher”, diz.

Preocupação atinge todo o município

A situação não é isolada e atinge diversas propriedades de Paranatinga, com reflexos diretos no calendário agrícola e no potencial produtivo da segunda safra. O atraso na colheita da soja impede o avanço do plantio do milho, considerado a principal cultura deste período.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga, Carlinhos Rodrigues, o início da safra indicava boas perspectivas, mas o excesso de chuva interrompeu o ritmo das atividades no campo. “Começamos com uma lavoura muito bonita, chegando ao ponto de colheita com a aparência muito boa, esperando boas produtividades que é o que todo mundo trabalhou para isso, e infelizmente a chuva veio e veio com força”.

Ele explica que, em algumas regiões, as máquinas estão paradas há mais de 20 dias, o que compromete tanto a colheita quanto o plantio. “Praticamente todas as lavouras estão atrasadas com a colheita e o plantio”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

Segundo ele, o atraso interfere diretamente na implantação do milho segunda safra. “Nós já teríamos que estar com a maior parte das lavouras de milho implantadas, que é a principal cultura de segunda safra, e isso infelizmente não aconteceu”.

Diante do cenário, a expectativa é de perdas e impacto financeiro ao produtor. “A realidade para o município, para a segunda safra é bem problemática. Acredita-se na implantação já com grandes perdas. Mais um ano que vem testar o coração do produtor e infelizmente mexendo no bolso”, pontua o presidente do Sindicato Rural de Paranatinga.

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Safra brasileira de noz-pecã pode chegar a 7 mil toneladas em 2026

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Foto: Public Domain Pictures

A produção brasileira de noz-pecã na safra 2026 deve ficar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, indicando recuperação em relação aos últimos ciclos. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), divulgada por meio de assessoria de imprensa.

Segundo a entidade, o volume esperado supera o da safra 2025, considerada intermediária após os impactos das enchentes de 2024, e se aproxima do patamar registrado em 2023.

Mercado e exportações

O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, afirma que a safra deve alcançar volume semelhante ao de 2023, com possibilidade de crescimento. Ele avalia que a demanda externa pode ajudar a sustentar os preços mesmo com maior oferta.

“Nos últimos três anos, empresas e novos investidores passaram a observar com mais atenção as possibilidades de exportação, porque o preço de referência, que é o da noz norte-americana, está em um patamar interessante”, afirma.

De forma indireta, Wallauer explica que Estados Unidos e México não formaram estoques relevantes, o que mantém o mercado aquecido e reduz a volatilidade de preços no Brasil. Segundo ele, a abertura de novos canais de exportação pode funcionar como um mecanismo de proteção para produtores e investidores.

Clima e sanidade dos pomares

O coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros, destaca que a safra se desenvolve sob volumes de chuva acima da média desde a primavera. Em dezembro, o acumulado médio foi de cerca de 240 milímetros, enquanto janeiro registrou 236 milímetros.

“Essas chuvas com temperaturas elevadas têm causado uma pressão muito grande no caso das doenças”, afirma.

De acordo com Barros, já há registros de antracnose em algumas áreas, com queda de frutos. Ele também menciona desafios operacionais relacionados à pulverização fitossanitária, já que o crescimento das árvores exige equipamentos mais potentes para garantir cobertura adequada.

Manejo e colheita

A previsão indica continuidade de chuvas acima da média nos próximos meses, o que exige atenção ao manejo da irrigação.

“Quando as chuvas ficam entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomar rapidamente para que o enchimento dos frutos ocorra de forma adequada”, explica Barros.

Outro ponto de atenção é a disponibilidade de mão de obra para a colheita. Segundo o coordenador técnico, a operação precisa ser rápida para evitar perdas de qualidade.

“É fundamental que a colheita seja realizada rapidamente, evitando que os frutos permaneçam no solo”, diz.

Apesar das preocupações fitossanitárias, Barros afirma que o desempenho produtivo dos pomares tem sido positivo, com carga elevada de frutos e entrada de novas áreas em produção.

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Chega de diagnósticos sobre o consumo de Feijão — queremos ações

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Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

No World Pulses Day, em 10 de fevereiro, o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) — que comemora, em português, o Dia Mundial dos Feijões — reuniu entidades em São Paulo, no Transamerica Executive Faria Lima, para assumir um ponto que o Brasil não pode mais tratar como “ruído”: a queda do consumo de Feijão é uma crise real — e crise real pede execução.

O próprio calendário global liderado pela FAO existe para recolocar os pulses no centro das dietas saudáveis e dos sistemas alimentares. O resultado foi a disposição de representantes de inúmeras entidades dos produtores e do setor de arroz, Feijão, supermercados, vegetarianos, academia e imprensa, que formaram um comitê para alinhar esforços.

O que ficou muito claro ali é que o prato feito não é nostalgia: é tecnologia social. Arroz, Feijão, proteína e salada formam um padrão simples de comida de verdade, repetível e acessível. E isso não é opinião solta: os maiores especialistas do mundo reconhecem que arroz e Feijão se complementam nutricionalmente e são base ideal de alimentação adequada e saudável.

O diagnóstico por trás da urgência é direto: quando o Feijão sai da rotina, nunca entra algo melhor. A substituição mais comum empurra o consumo para ultraprocessados — e isso cobra um preço em vidas. Há estimativas de aproximadamente 57 mil mortes prematuras, segundo um estudo da USP, associadas ao consumo de ultraprocessados no Brasil.

Se, no capitalismo, o choque das perdas humanas não for argumento suficiente, há ainda o impacto financeiro — e aqui está a frase que deveria orientar políticas públicas e decisões privadas: está na hora de gastar pesado na prevenção. A International Diabetes Federation coloca o Brasil entre os países com maior gasto total em saúde devido ao diabetes, com US$ 42,9 bilhões. Se o país aceita pagar esses bilhões no tratamento, não faz sentido hesitar no investimento em hábitos que reduzem risco.

Por isso, no encontro, a decisão foi sair do discurso genérico e ir para as duas frentes que mudam hábitos de verdade: escolas e influenciadores. A escola é onde o hábito nasce (ou morre), e o prato feito precisa voltar a ser rotina, não evento. As redes sociais viraram campo real de saúde pública: nutricionistas, médicos, educadores, chefs e criadores precisam ser convocados para sustentar a mensagem simples e correta — Feijão é pilar do prato feito, não coadjuvante.

Entrou na pauta também o ponto que o consumidor repete com razão: “falta praticidade”. Se a barreira é tempo, a resposta não pode ser moralismo; tem que ser solução. Está na hora de trazer para a mesa todas as indústrias capazes de colocar o Feijão pronto que o consumidor mais do que quer — precisa.

Aqui está o alinhamento que precisa ser público e objetivo: Feijão pronto sem conservantes é cesta básica também. Não é “nicho”, não é “gourmet”. É ponte de acesso para manter o prato feito na vida real de quem trabalha, pega trânsito e não tem tempo para o ideal. Se o Feijão pronto fica caro e escondido, vira exceção. Se ganha preço, presença e visibilidade de básico, vira hábito — e hábito vira prevenção.

O World Pulses Day deixou um recado claro: o Ibrafe vai formar uma frente para tratar o Feijão como parte central de uma estratégia nacional de prevenção. Não é contra a indústria, mas a favor da comida de verdade alinhada com a saúde pública. E é a favor do que sempre funcionou no Brasil: prato feito com arroz e Feijão como padrão diário.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Projeto incentiva cultivo de café sombreado em Santa Catarina

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Foto: Freepik

O governo de Santa Catarina lançou o Projeto Café Sombreado Catarinense para incentivar o cultivo de café arábica em sistema consorciado no estado.

O objetivo é fortalecer e ampliar a produção em sistema sombreado, especialmente nas regiões do Litoral e do Vale do Itajaí. O cultivo é feito em consórcio com bananeiras, palmeiras e espécies arbóreas nativas.

De acordo com a secretaria, a iniciativa atende demandas de associações de produtores, entidades da agricultura familiar e pequenas torrefações, que veem no café uma alternativa de diversificação produtiva e geração de renda.

Mesmo com poucas áreas comerciais em implantação, o sistema sombreado segue presente em propriedades familiares. Segundo o gerente de projetos da secretaria e especialista em cafeicultura, Thiago Leal, o modelo favorece plantas mais vigorosas e longevas.

“No sistema sombreado, o fruto tem maturação mais lenta, o que gera maior uniformidade dos grãos”, afirma. Ele acrescenta que a combinação entre sistema de cultivo, clima, solo e influência marítima das regiões pode resultar em cafés com perfil sensorial diferenciado, voltados ao mercado de especiais.

Apoio financeiro

O financiamento será feito por meio do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). Agricultores interessados devem procurar os escritórios da Epagri.

Podem acessar o recurso produtores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo e aptos ao cultivo de café. O valor pode chegar a R$ 50 mil por família em projetos individuais e até R$ 120 mil em projetos coletivos, com pelo menos três famílias.

O pagamento poderá ser feito em cinco parcelas anuais, sem juros, com três anos de carência. Produtores que mantiverem as parcelas em dia terão desconto de 30%. A carência depende de laudo técnico da Epagri que comprove a implantação da lavoura.

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