Sustentabilidade
Soja/RS: Segundo Emater/RS produtividade, deverá ser impactada negativamente pelas condições climáticas – MAIS SOJA

A cultura da soja está principalmente em fases reprodutivas (42% em florescimento e 39% em enchimento de grãos). Na maior parte do período, as condições climáticas foram desfavoráveis, caracterizadas por déficit hídrico, temperaturas elevadas (atingindo 40 °C na
Região das Missões), alta demanda evaporativa da atmosfera e baixa umidade relativa do ar.
Esse conjunto de fatores provocou estresse hídrico em parte das áreas com sintomas fisiológicos, como murchamento, senescência foliar precoce, abortamento de flores e vagens, redução e queda da área foliar, comprometendo o potencial produtivo em diversas regiões.
A heterogeneidade na abrangência e no volume das precipitações ocorridas após a entrada de frente fria em 07/02 elevou a variabilidade entre as lavouras, com perdas já consolidadas em áreas com restrição hídrica durante o período crítico de definição de rendimento. Onde ocorreram precipitações ou em lavouras localizadas em solos com maior capacidade de retenção de água, como várzeas e áreas com boa cobertura de palhada, o desempenho da cultura está menos afetado em função desses fatores terem mitigado os impactos da restrição hídrica.
A semeadura tardia e a implantação de soja em sucessão ao milho ocorreram de forma irregular, causando dificuldades de emergência e estabelecimento em áreas sem irrigação, o que agravou a desuniformidade de estandes e o risco de replantio e de perdas adicionais.
Algumas áreas inicialmente projetadas tendem a não ser implantadas. O manejo fitossanitário foi parcialmente restrito pelas condições climáticas. Houve redução de doenças fúngicas devido ao tempo seco, mas aumentou a incidência de pragas associadas à estiagem, como ácaros e tripes, o que exige monitoramento e controles pontuais.
Para a Safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul, a projeção da Emater/RS-Ascar indica área cultivada de 6.742.236 hectares. A produtividade projetada antes do início do plantio, deverá ser impactada negativamente pelas condições climáticas. A Instituição realizará levantamento de campo na segunda quinzena de fevereiro para a atualização das estimativas de produtividade e produção.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a restrição hídrica se intensificou, e os danos se acentuaram. Em Santana do Livramento, nos 73.500 hectares cultivados, 50% estão em florescimento, apresentando elevadas perdas por abortamento floral. Em Manoel Viana, registram-se perdas de produtividade de até 60% nas áreas mais afetadas, e a estimativa de redução média municipal é de 25% em relação ao potencial produtivo inicial. Em São Borja, estimam-se perdas de 20%, e em São Gabriel de 5%.
Na de Caxias do Sul, as chuvas foram irregulares e insuficientes para o adequado desenvolvimento das plantas. Nos Campos de Cima da Serra, os volumes foram muito baixos, e as lavouras apresentam murchamento foliar, sobretudo nos períodos de maior temperatura.
Na de Erechim, as lavouras se encontram em floração e enchimento de grãos. Em solos rasos, haverá perdas potenciais, caso não ocorram precipitações de maior volume. Mantémse a expectativa média de produtividade de 3.600 kg/ha, condicionada à ocorrência de chuvas nos próximos dias.
Na de Frederico Westphalen, 10% da área está em fase vegetativa, 45% em florescimento e 45% em enchimento de grãos. O déficit hídrico, associado a altas temperaturas e baixa umidade do ar durante a semana, resultou em perda expressiva de área foliar, senescência precoce e abortamento de flores e vagens. Há perspectiva de redução média de produtividade em 30%, podendo atingir até 50% em áreas mais críticas. A implantação de soja segunda safra está prejudicada pela baixa umidade do solo, e há falhas de estabelecimento nas áreas semeadas.
Na de Ijuí, nas lavouras semeadas no final de outubro e início de novembro, há perdas consolidadas em áreas associadas ao déficit hídrico durante a fase reprodutiva. Há sintomas de murchamento, exposição da face abaxial das folhas e queda foliar em áreas mais restritivas.
Nos sistemas irrigados, a situação está mais próxima à normalidade. A soja tardia semeada em sucessão ao milho apresenta dificuldades de emergência e desenvolvimento inicial em áreas sem irrigação, e ocorre murcha foliar sob altas temperaturas. O controle fitossanitário permanece de forma preventiva, com baixa incidência de pragas e doenças.
Na de Passo Fundo, aproximadamente 50% das lavouras estão em floração e 50% em formação de vagens. A escassez de chuvas já prejudica a manutenção do potencial produtivo, e há risco de redução significativa, caso a restrição hídrica persista.
Na de Pelotas, as lavouras apresentam sinais de estresse hídrico e térmico, e ocorre murchamento durante períodos de alta radiação solar. A distribuição fenológica é de 24% em desenvolvimento vegetativo; 53% em floração; 23% em enchimento de grãos. Temperaturas superiores a 35° C têm provocado abortamento floral e paralisação do crescimento. As produtividades esperadas já indicam frustração em relação às estimativas iniciais.
Na de Santa Maria, aproximadamente 80% das lavouras se encontram em fase reprodutiva, e o déficit hídrico já compromete o potencial produtivo. Tem se tornado difícil atingir a produtividade inicialmente estimada em 3.059 kg/ha diante da irregularidade das precipitações e da intensificação do estresse hídrico.
Na de Santa Rosa, estão 33% em fase vegetativa, 46% em floração e 21% em enchimento de grãos. Há perdas consolidadas em áreas em granação e risco de agravamento nas áreas em floração bem como problemas de desuniformidade de estande em áreas implantadas sob déficit hídrico. Há casos de ferrugem-asiática, e são realizadas aplicações calendarizadas de fungicidas, além de controles pontuais de ácaros, tripes e percevejos.
Na de Soledade, 15% da cultura está em fase vegetativa, 45% em florescimento e 40% em enchimento de grãos. Há estresse hídrico severo, especialmente no Alto da Serra do Botucaraí, Centro Serra e Baixo Vale do Rio Pardo. As precipitações recentes aliviaram parcialmente a estiagem, mas perdas já foram registradas em função da sensibilidade da fase reprodutiva. A pressão de doenças está baixa, e é efetuado monitoramento de tripes e ácaros, os quais têm sido favorecidos pelo período seco.
Comercialização (saca de 60 quilos) O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,20 %, quando comparado à semana anterior, passando de R$ 118,23 para R$ 117,99.
Fonte: Emater/RS
Sustentabilidade
Ceema: Trigo sobe em Chicago e atinge maior valor desde novembro – MAIS SOJA

Comentários referentes ao período entre 19/12/2025 e 12/02/2026
Em Chicago, as cotações do trigo subiram no período dos últimos dois meses. O primeiro mês cotado saiu de US$ 5,07/bushel no dia 18/12 para US$ 5,36 no início da segunda semana de janeiro. Posteriormente, a mesma voltou a recuar, voltando aos US$ 5,07 no dia 21/01. Desta data em diante a mesma subiu para níveis de US$ 5,30 a US$ 5,40, sendo que o fechamento desta quinta-feira (12/02) avançou mais, ficando em US$ 5,52/bushel, o valor mais alto desde o dia 05 de novembro passado.
O relatório do USDA, deste dia 10/02, pouco trouxe de novidades para o ano 2025/26. O mesmo apontou uma safra mundial de 841,8 milhões de toneladas e estoques finais globais em 277,5 milhões, neste caso com recuo de cerca de 700.000 toneladas sobre janeiro. A produção e os estoques finais estadunidenses permaneceram em 54 e 25,3 milhões de toneladas respectivamente. A produção brasileira seria de 8 milhões de toneladas e a da Argentina um recorde de 27,8 milhões. Enquanto os argentinos exportariam 18 milhões de toneladas, o Brasil importará 7,3 milhões.
Dito isso, no Brasil os preços se mantiveram relativamente estáveis nestes dois meses. No Rio Grande do Sul as principais praças permaneceram em R$ 55,00/saco, enquanto no Paraná elas recuaram um pouco, ficando agora entre R$ 61,00 e R$ 65,00/saco. Isso tudo para o produto de qualidade superior.
A forte desvalorização do Real deixa o trigo importado mais barato, segurando os preços internos. Pelo lado das exportações, segundo a Secex, o Brasil exportou, em janeiro/26, um total de 370.600 toneladas, com trigo praticamente todo gaúcho. Em 12 meses, os embarques somam 2,1 milhões de toneladas, contra 2,45 milhões entre fevereiro/24 e janeiro/25. Por sua vez, o país importou, em janeiro, um total de 504.200 toneladas de trigo. Em 12 meses (fev/25-jan/26) o total importado chegou a 6,68 milhões de toneladas, contra 6,75 milhões importadas no ano anterior.
Já a produção final brasileira de trigo teria ficado em 7,87 milhões de toneladas em 2025, sendo, deste total, 3,58 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul e 2,77 milhões no Paraná.
Enfim, de forma geral, as negociações estão lentas, diante da pouca demanda interna. No Rio Grande do Sul, as negociações seguem travadas, com os vendedores pedindo em torno de R$ 1.100,00/tonelada no interior, enquanto os compradores buscam negócios para entregas em março, com pagamento em abril, entre R$ 1.050,00 e R$ 1.070,00/tonelada. A concorrência do trigo paraguaio e uruguaio é forte, com o paraguaio mostrando-se mais competitivo no noroeste gaúcho (com diferença próxima de R$ 120,00/tonelada em relação ao produto argentino). Por outro lado, em Santa Catarina, o trigo oriundo do Rio Grande do Sul chega aos moinhos do Leste do estado com valores entre R$ 1.230,00 e R$ 1.250,00/tonelada CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250,00 a R$ 1.300,00/tonelada FOB.
E no Paraná, os moinhos estão abastecidos até fins de fevereiro e demonstram interesse apenas em entregas para março, com pagamento em abril. Os preços ficam entre R$ 1.200,00 e R$ 1.280,00/tonelada CIF, dependendo da região. O trigo gaúcho e o paraguaio continuam sendo opções competitivas (cf. TF Agronômica).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
El Niño vem aí? Fenômeno pode trazer ondas de calor intensas e irregularidade nas chuvas

A previsão climática para as áreas produtoras de soja indica uma mudança importante no padrão atmosférico. De acordo com o boletim mais recente da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), as condições de La Niña no Pacífico Equatorial devem se encerrar até meados de março. Em abril, o sistema entra em neutralidade. Na prática, isso significa que o regime de chuvas atual não deve se estender por muito tempo neste ano.
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O resfriamento das águas do Pacífico Equatorial perde força e, nas próximas semanas, deve dar lugar a um cenário de neutralidade climática. Na sequência, o aquecimento gradual do oceano aumenta a probabilidade de formação do El Niño no fim do inverno e início da primavera.
Caso o fenômeno se confirme, o Brasil pode enfrentar ondas de calor mais intensas e maior irregularidade nas chuvas, especialmente durante a implantação da safra 2026/27. Com os oceanos globalmente aquecidos, o risco de extremos climáticos se torna mais elevado, exigindo atenção redobrada no planejamento da próxima semeadura.
No curto prazo, há uma janela estratégica de tempo firme nos próximos cinco a sete dias no Sudeste, Centro-Oeste e Bahia, favorecendo o avanço da colheita e demais operações no campo. Porém, a partir de 19 de fevereiro, a chuva retorna com força ao Centro-Oeste, Minas Gerais e boa parte do Matopiba, podendo ultrapassar 200 milímetros em cerca de 20 dias. Entre 24 e 28 de fevereiro, os acumulados podem superar 100 milímetros em apenas uma semana.
Esse padrão de chuva volumosa deve se manter ao longo de março e até a primeira quinzena de abril, com volumes entre 150 e 180 milímetros. Já no fim de abril e início de maio, a tendência é de redução gradual das precipitações no Brasil Central, dentro do comportamento sazonal. A umidade acumulada até lá será importante para sustentar o desenvolvimento do milho safrinha.
Nos próximos cinco dias, Sudeste, Centro-Oeste e Bahia terão uma janela estratégica de tempo mais firme, favorecendo o avanço dos trabalhos em campo diante da ausência de chuva volumosa.
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Sustentabilidade
MT supera 51% de área colhida e puxa avanço da soja no Brasil, aponta Imea

A colheita da safra 2025/26 de soja no Mato Grosso chegou a 51,01% da área plantada até 13 de fevereiro, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O ritmo está levemente acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos alcançavam 50,08%. Na semana anterior, o índice era de 39,61%, mostrando forte avanço nos últimos dias.
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Colheita de soja no Brasil
No cenário nacional, a colheita de soja atingiu 17,4% da área cultivada, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana passada, o índice era de 11,2%, o que representa um crescimento de 55,4% no ritmo dos trabalhos em apenas sete dias.
Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a colheita estava em 14,8%, o avanço é de aproximadamente 17,6%. No levantamento da Companhia, o estado de MT lidera o ranking, com 46,8% de semeadura completa.
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