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3 de agosto de 2026

Sustentabilidade

Mercado de trigo inicia ano com fluidez reduzida e transição gradual de fundamentos – MAIS SOJA

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O mercado brasileiro de trigo foi caracterizado por um ritmo lento e uma transição gradual de fundamentos durante janeiro, operando com baixa fluidez e negociações pontuais que refletiram a cautela dos compradores e a postura defensiva dos vendedores. De acordo com o analista e consultor de Safras & Mercado, Elcio Bento, os moinhos iniciaram o período bem abastecidos, mantendo-se focados apenas em negócios de oportunidade, o que resultou em um ambiente de baixa liquidez, especialmente no Paraná, onde as referências para novos negócios foram escassas no início do mês.

Ao longo do mês, conforme Bento, o Rio Grande do Sul teve uma perda de tração na demanda e o esgotamento da competitividade das exportações, com preços portuários ao redor de R$ 1.130,00 por tonelada que deixaram de ser atrativos frente ao mercado externo pressionado.

“Esse patamar de preço já não remunera adequadamente a operação exportadora, fazendo com que esse canal deixe de funcionar como válvula de escape para o excedente interno, algo particularmente sensível em anos de maior oferta regional”, explicou o analista..

De acordo com Bento, a paridade de importação consolidou-se como o principal balizador para a formação de preços domésticos, funcionando como um teto para as cotações, uma vez que o trigo nacional se mantinha competitivo. Porém, limitado pela ampla disponibilidade no mercado internacional.

No interior do Paraná, as negociações orbitaram os R$ 1.200/t, enquanto no Rio Grande do Sul as indicações variaram entre R$ 1.050 e R$ 1.100/t FOB, patamares que Bento associou à necessidade de os preços buscarem as linhas de paridade com o produto estrangeiro. O analista observou que, mesmo com a redução da produção nacional em relação a ciclos recordes, a dependência externa segue elevada.

No cenário externo, a safra recorde da Argentina teve papel central na formação de preços, mas com uma característica que tem alterado a dinâmica do mercado. Segundo o analista, o clima chuvoso reduziu o teor de proteína do trigo argentino, com registros entre 8% e 9% em algumas regiões.

“Essa oferta volumosa de trigo de baixa proteína elevou os prêmios para lotes com qualidade industrial superior e obrigou os moinhos brasileiros a acompanhar de perto os spreads de qualidade e a buscar trigos melhoradores em outras origens”, afirmou.

No fim de janeiro, as indicações argentinas para embarques futuros permaneciam altamente competitivas, com trigo de 11,5% de proteína cotado entre US$ 212 e US$ 220 por tonelada FOB para os meses seguintes.

De acordo com Bento, janeiro foi marcado por um ambiente de acomodação e maior seletividade nas compras. O mês teve volatilidade limitada pela ausência de urgência da indústria e por estoques confortáveis.

“O mercado brasileiro deve atravessar o ano sob um regime de transição gradual de fundamentos, no qual o primeiro semestre ainda será amplamente influenciado pelos vetores da temporada 2025/26, enquanto o segundo semestre passará a precificar, de forma crescente, os riscos e expectativas associados à safra 2026/27, tanto no Brasil quanto no mercado internacional.”, avaliou.

Para o analista, os preços domésticos encerraram o período próximos a um patamar de suporte, mas eventuais altas mais consistentes dependerão de uma reação da moagem ou de fatores externos que devolvam competitividade às exportações.

Importação brasileira

Os line-ups de importação de trigo com desembarque nos portos brasileiros somam 2,778 milhões de toneladas na safra 2025/26, considerando volumes realizados e/ou programados entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. No mesmo período da safra 2024/25, o volume registrado era de 2,913 milhões de toneladas. Os dados partem do levantamento de Safras & Mercado.

São Paulo lidera os desembarques, com 594,7 mil toneladas, o equivalente a 21,4% do total. Em seguida aparecem Ceará, com 569,5 mil toneladas (20,5%), Pernambuco, com 347,0 mil toneladas (12,5%), e Bahia, com 340,1 mil toneladas (12,2%). Também têm participação relevante Rio de Janeiro (230,4 mil t; 8,3%), Paraná (161,4 mil t; 5,8%) e Rio Grande do Sul (159,5 mil t; 5,7%).

Entre janeiro e fevereiro de 2026, os volumes já desembarcados ou previstos totalizam 436,3 mil toneladas, com 59,7% de origem na Argentina, 2,8% na Rússia e 3,4% provenientes do Rio Grande do Sul via cabotagem. Os demais 34,1% ainda têm origem indefinida e, diante das dificuldades relacionadas ao teor de proteína do trigo argentino, há expectativa de participação adicional de cargas da Rússia e possivelmente dos Estados Unidos.

Bento ressaltou que o trigo desembarcado em determinado estado nem sempre é destinado ao consumo local, e que o trigo paraguaio, por ingressar por via terrestre, não é contabilizado nos line-ups dos portos brasileiros.

Fonte: Agência Safras



 

FONTE

Autor:Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

Site: Agência Safras

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Sustentabilidade

SOJA/CEPEA: Cotações recuam no fim de julho; médias são as maiores de 2026 – MAIS SOJA

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Após fortes altas registradas ao longo de julho, os preços da soja voltaram a cair no encerramento do mês. Segundo pesquisadores do Cepea, a redução das cotas disponíveis nos principais portos brasileiros para embarques em agosto elevou a oferta no mercado spot nacional e pressionou as cotações.

Além disso, de acordo com o Centro de Pesquisas, muitos consumidores haviam antecipado as aquisições nas semanas anteriores e se mantiveram afastados de negociações envolvendo grandes volumes. A melhora das perspectivas para a safra norte-americana, devido ao clima mais favorável, e a desvalorização do petróleo reforçaram a queda das cotações.

Apesar do recuo no fim de julho, os preços domésticos acumularam ganhos expressivos no mês, com as médias mensais dos Indicadores CEPEA/ESALQ – Paranaguá e CEPEA/ESALQ – Paraná atingindo os maiores patamares de 2026, em termos reais.

Fonte: Cepea



FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Agro Mato Grosso

Syngenta promove profissionais à gerência de marketing

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Júlia Loss Ribas e Bruno Provedel Fernandes assumem funções de Marketing Execução no Paraná e em Mato Grosso

A Syngenta realizou mudanças na área de marketing. Júlia Loss Ribas recebeu promoção para o cargo de gerente de Marketing Execução em Londrina, Paraná. Bruno Provedel Fernandes assumiu a mesma função em Primavera do Leste, Mato Grosso.

Júlia ingressou na Syngenta em junho de 2022 como assistente técnica de vendas, por meio da Unicampo, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Em agosto de 2023, passou a atuar em Field Marketing Agrícola, em Londrina. Permaneceu na posição até agosto de 2026.

Antes da Syngenta, trabalhou como agente geradora de demanda na ICL América do Sul. Também realizou estágio na Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial.

Júlia possui formação em Agronomia pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, campus Sertão.

Fernandes atua na Syngenta desde 2016. Iniciou a trajetória como estagiário de Inteligência de Mercado em Londrina. Depois, ocupou posições na área de Acesso ao Mercado, entre elas analista júnior, analista sênior, coordenador e coordenador sênior para o Brasil.

Antes da nova função, trabalhou como coordenador sênior de Acesso ao Mercado Brasil entre fevereiro de 2024 e agosto de 2026. Fernandes possui graduação em Economia pela Universidade Estadual de Londrina e pós-graduação em Negócios e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing.

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Sustentabilidade

Recuperação judicial não é a doença, mas a defesa do produtor

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Imagem gerada por IA

O Congresso Nacional retoma suas atividades após o recesso em um momento decisivo para o país. A pauta é extensa, reúne medidas provisórias, vetos presidenciais, questões fiscais e temas ligados ao crescimento da economia.

Mas, para quem vive e trabalha no campo, existe uma urgência que dificilmente pode esperar: a deterioração das condições financeiras de milhares de produtores rurais.

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A realidade chegou às porteiras

Nos últimos meses, cresceu de forma expressiva o número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio. À primeira vista, esse movimento pode transmitir a ideia de desorganização financeira ou de incapacidade de gestão. Na prática, porém, revela um cenário muito mais complexo.

Em grande parte dos casos, a recuperação judicial não significa a intenção de deixar de pagar dívidas. Ela representa a tentativa de preservar a atividade, reorganizar compromissos financeiros, manter empregos e impedir que um patrimônio construído ao longo de décadas seja perdido por causa de uma conjuntura econômica extremamente adversa.

Nenhum produtor entra em recuperação judicial por conveniência. Essa costuma ser a decisão tomada quando praticamente todas as alternativas já foram esgotadas.

A conta deixou de fechar

O produtor rural administra uma atividade em que os principais fatores de risco escapam ao seu controle.

O clima continua imprevisível. Os custos de produção permanecem elevados. O crédito ficou mais caro. As taxas de juros seguem em níveis que comprimem a capacidade de investimento. Em muitos casos, os preços das commodities perderam força justamente quando o custo financeiro aumentou.

O resultado é conhecido: a margem desaparece.

Quando a renda diminui e o custo do dinheiro sobe, sobra pouco espaço para honrar financiamentos, investir na próxima safra e manter a atividade em condições sustentáveis.

O Congresso tem uma oportunidade

Com o retorno dos parlamentares aos trabalhos, seria importante que parte desse esforço estivesse voltada para medidas que fortaleçam a produção, ampliem o acesso ao crédito, aperfeiçoem os mecanismos de renegociação de dívidas e ofereçam maior segurança jurídica ao setor.

O agronegócio não pede privilégios. Pede condições para continuar produzindo, investindo, gerando empregos e sustentando uma parcela significativa da economia brasileira.

A recuperação judicial não pode ser analisada apenas sob o aspecto jurídico. Ela é consequência de um ambiente econômico que se tornou cada vez mais difícil para quem produz.

É preciso tratar a causa, não apenas o efeito

É natural que bancos, cooperativas, fornecedores e demais credores acompanhem com preocupação o aumento das recuperações judiciais. Todos fazem parte da mesma cadeia produtiva e todos sofrem os impactos dessa realidade.

Mas limitar o debate ao crescimento desses processos é olhar apenas para a consequência.

A pergunta que o país precisa responder é outra: por que um número cada vez maior de produtores chegou ao ponto de recorrer à recuperação judicial para continuar trabalhando?

Enquanto essa resposta não orientar as decisões econômicas, continuaremos discutindo os efeitos sem enfrentar as verdadeiras causas.

O Brasil precisa de um ambiente que estimule a produção, reduza o custo do capital, fortaleça a segurança jurídica e permita ao produtor atravessar períodos de adversidade sem comprometer a continuidade do seu negócio.

A recuperação judicial não é a doença do agronegócio brasileiro.

Ela é, cada vez mais, o último instrumento de defesa de quem deseja continuar produzindo, honrar seus compromissos e preservar uma atividade que responde por parcela expressiva da geração de riqueza, das exportações e da segurança alimentar do país.

Se o Congresso Nacional pretende, de fato, contribuir para o crescimento do Brasil, precisa compreender que preservar a capacidade produtiva do campo não interessa apenas ao produtor. É uma decisão estratégica para toda a economia brasileira.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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