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Dólar a R$ 5? Entenda os pontos de atenção para o agronegócio

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Foto: Pixabay

Depois de acumular uma queda de aproximadamente 10% em 2025, o dólar pode se desvalorizar ainda mais em 2026. Na avaliação de Carlos Cogo, consultor em agronegócios, o cenário atual deve ser visto com cautela pelos produtores rurais. Isso porque a oscilação abre espaço para impactos diretos nas margens de commodities como soja, milho, algodão e café.

“Como os produtores realizaram um baixo volume de vendas antecipadas a taxas de câmbio mais próximas de R$ 5,50, agora estão expostos a um dólar desvalorizado e terão suas margens de lucratividade reduzidas”, explica.

Apesar disso, o especialista aponta um ponto positivo em meio às incertezas relacionadas ao câmbio neste momento.

“Esse recuo do dólar reduz o custo final de grande parte dos insumos para a próxima temporada 2026/2027”, afirma. No Brasil, 85% dos fertilizantes e 70% dos defensivos são importados e, nesse contexto, teriam valores reduzidos com a desvalorização do dólar.

Dólar pode ‘testar’ novas baixas

Na terça-feira (27), a moeda norte-americana fechou no menor patamar desde maio de 2024, e chegou a ser negociada abaixo de R$ 5,16 na manhã seguinte. Nas projeções do Banco Central, por meio do Boletim Focus, a expectativa é que o dólar encerre o ano em R$ 5,51.

Olhando para o curto prazo, porém, novas baixas não estão descartadas. “Não há, neste momento, nenhum gatilho capaz de mudar drasticamente essa dinâmica”, avalia Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. Segundo ele, existe a possibilidade de que o câmbio chegue a R$ 5,10, podendo atingir até o patamar de R$ 5.

Entre os principais fatores para a queda do dólar, Campos cita ações e sinalizações por parte do governo dos Estados Unidos. Um desses “ruídos” é sobre a independência do Federal Reserve, o banco central norte-americano. Prevista para maio, a eleição vai escolher o sucessor de Jerome Powell, atual presidente da autarquia monetária e alvo constante de críticas de Donald Trump.

“Existem muitas dúvidas sobre o grau de pressão que o novo presidente pode sofrer, e tudo isso tem desencadeado o chamado movimento de sell America, ou seja, a venda de ativos norte-americanos”, diz o especialista.

Embora o atual cenário demande atenção, a desvalorização do dólar não é uma preocupação para o líder da maior economia do planeta. Questionado sobre o assunto por jornalistas esta semana, Trump disse que a moeda “está indo muito bem”.

Pontos de atenção para o agro

Em relação aos impactos do recuo do dólar no bolso do produtor, Campos reforça a análise feita por Carlos Cogo. Ele também ressalta a preocupação com as compras feitas quando a moeda estava mais valorizada.

“Para quem não fez hedge ou algum tipo de proteção cambial, esse cenário segue como um ponto de risco e merece atenção”, diz o economista. Ele explica que, para os exportadores, o efeito é imediato e que é preciso haver um descasamento entre a compra de insumos.

Além de todas as questões envolvendo os Estados Unidos, Campos destaca que o cenário interno também preocupa, uma vez que o Banco Central tem mantido uma postura firme na condução da política monetária. Se por um lado o Focus indica uma queda da taxa básica de juros, a Selic, neste ano, encerrando o período a 12,25%, ainda existem dúvidas se os cortes devem começar em breve.

Na análise de Campos, contudo, os posicionamentos do Banco Central têm ajudado a fortalecer a moeda brasileira. “Resta observar se, no comunicado do Copom, haverá algum sinal de abertura de margem para queda em março”, finaliza.

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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

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Foto: Reprodução

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes. 

Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.

O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM. 

Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.

“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.

No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.

“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.

Alíquota

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.

“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.

Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

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Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

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Reprodução Canal Rural

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.

De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.

No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.

O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.

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