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11 de maio de 2026

Business

Pesquisa no campo prova que solo arenoso em Mato Grosso pode produzir mais

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produzir em solo arenoso sempre esteve entre os principais desafios da agricultura em Mato Grosso. Em Campo Novo do Parecis, pesquisas realizadas diretamente no campo vêm mostrando que, com manejo adequado, essas áreas podem alcançar estabilidade produtiva e gerar renda ao produtor.

O trabalho é desenvolvido no Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis (CTECNO Parecis), criado pela Aprosoja Mato Grosso, onde há dez anos são conduzidos experimentos voltados à realidade das lavouras, com foco em manejo do solo, fertilidade, formação de palhada, rotação de culturas e sustentabilidade econômica.

Os testes são acompanhados de perto por produtores e técnicos, que comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades, especialmente em áreas com solos de baixa retenção de água e nutrientes.

Pesquisa aplicada e rentabilidade no campo

Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, o diferencial do centro está no equilíbrio entre produtividade, viabilidade econômica e sustentabilidade. “A pesquisa é para rentabilidade e viabilidade econômica, aqui você consegue justamente esse equilíbrio, não cometer exageros de uso de insumos, e nem deixar de usar aquilo que é necessário”, afirmou durante visita técnica em comemoração aos 10 anos de pesquisa no local, realizado no último dia 15.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Segundo ele, os números evoluíram ao longo dos anos, com pesquisas replicadas continuamente para validar resultados. Parte dos erros, conforme explica, acontece de forma proposital. “O erro ocorre aqui dentro muitas vezes é proposital para se obter o resultado que precisa da pesquisa, e o produtor consegue direcionar na lavoura já de forma muito mais rápida e assertiva”, disse.

Os experimentos são conduzidos em solos com teores de argila que variam de 9% a 35%, comuns em diversas regiões produtoras de Mato Grosso. No local, agricultores acompanham os testes, comparam diferentes manejos e utilizam as informações observadas em campo para aplicar diretamente em suas propriedades.

O impacto dessa mudança é sentido por quem vive a realidade do campo. “Nós tínhamos muitas terras abandonadas, terras com pouco investimento, essas terras arenosas ficavam sempre meio de lado, e com a vinda do CTECNO para cá começou a mostrar para o produtor que era viável investir em solos arenosos”, relatou Antônio César Brólio, presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis.

Já para o presidente do Sindicato Rural de Diamantino, Altemar Kroling, a participação constante nas atividades do centro tem reflexo direto nas decisões dentro da porteira. “Depois que começamos a participar e ver a pesquisa aqui todo ano, a gente está levando alguma coisa para dentro da propriedade. O produtor tem que procurar caminhos todo ano, um desafio diferente, são novas pragas, novas doenças diferentes que aparecem”, contou ao Canal Rural Mato Grosso.

Manejo, produtividade e sustentabilidade

Em campo, cada estação tecnológica apresenta um conjunto de práticas que, segundo a pesquisa, geram impactos diretos na produtividade e na estabilidade das lavouras, especialmente na cultura da soja.

De acordo com o pesquisador Leandro Zancanaro, o trabalho contínuo mostra que a agricultura, quando bem manejada, melhora o ambiente ao longo do tempo. “Todo ano entregando um solo melhor do que o ano anterior. A agricultura não degrada, ela melhora o ambiente ela melhora o solo”, explicou.

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Ele destaca que a diferença de produtividade está diretamente ligada às escolhas agronômicas. “O segredo é como agregar todos esses conhecimentos e acreditar, aplicar e persistir”, salientou. Nos melhores tratamentos, a produtividade chegou a 90 sacas por hectare em anos favoráveis, enquanto em períodos de estiagem ficou em torno de 50 sacas. Já em manejos inadequados, a produção caiu para 25 sacas em anos ruins, mostrando variações de até 30 sacas apenas pela sequência de plantas ao longo do tempo.

Para o agricultor Gilson Provence, os resultados obtidos no CTECNO Parecis ultrapassam as fronteiras do Estado. “A pesquisa em solos arenosos que é feita aqui espelha não só o Mato Grosso, outros estados como Rondônia, como a Bahia e nós também usamos muito a tecnologia aplicada aqui”, pontuou.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Conhecimento que vai além da lavoura

A programação comemorativa dos 10 anos do CTECNO Parecis, realizada no último dia 15 de janeiro, também contou com duas palestras especiais: uma com o produtor rural e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, e outra com o biólogo Richard Rasmussen. Ao todo, mais de 400 participantes, entre agricultores, técnicos e lideranças políticas, acompanharam o evento.

Cabrera destacou a força do agronegócio brasileiro mesmo diante de um cenário global desafiador. “Em 2025 o agronegócio brasileiro tem 40 tipos de recordes, recordes em produção, recordes em volume, isso é um negócio inacreditável”, afirmou. Para ele, os resultados estão diretamente ligados à ciência e à inovação. “Quanto maior a inovação do agronegócio menor a dependência do clima, porque estamos falando de uma fábrica a céu aberto”, ressaltou.

Já Richard Rasmussen chamou atenção para o papel do centro na redução de riscos ao produtor. “O CTECNO ajuda o produtor a não errar, especialmente em um solo complexo como o arenoso. Aqui é maravilhoso, o que os caras estão fazendo aqui, estão transformando deserto em Oásis”, disse.


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Agro Mato Grosso

Valtra aposta nos motores biometano com economia de até 40% no agro

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Em meio a uma guerra no Oriente Médio que elevou o preço dos combustíveis fósseis e aumentou ainda mais a pressão sobre a rentabilidade do produtor rural brasileiro, as grandes indústrias de máquinas agrícolas trouxeram para a Agrishow, maior feira agrícola de tecnologia da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), uma alternativa comum de descarbonização: os motores a etanol. A escolha do combustível se deve à vocação natural do país e aos aumentos de produção a partir do milho.

A tecnologia para mover os tratores e outrasmáquinas agrícolascom o etanol, no entanto, ainda está em testes, fase que antecede a validação. A Valtra é a única que faz uma estimativa de lançamento comercial do motor.

“As máquinas já completaram mais de 10 mil horas de testes em fazendas de cana de parceiros. Estamos agora na fase de pequenos ajustes, como a curva de potência, mas estamos maduros para entrar firme no mercado em 2027”, diz Cláudio Esteves, diretor de vendas da empresa do grupo AGCO.

A Fendt aposta no motor elétrico, que já está sendo comercializado na Europa e Estados Unidos. Mas também está testando outras opções de combustível. Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt e Valtra na América do Sul, diz que o motor elétrico pode vir para as máquinas da marca no Brasil, mas isso ainda não está decidido.

“Já temos a solução elétrica pronta, mas sabemos da dificuldade de recarga. Estamos trabalhando para trazer a melhor solução e superar as dificuldades, visando redução de consumo de combustível e utilização correta de todos os insumos.”

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Torsten Dehner, vice-presidente global da Fendt, diz que o trator elétrico desenvolvido na Alemanha promete uma economia de até 20% em combustível nas operações no campo. A marca premium da AGCO trabalha o desenvolvimento de um trator híbrido.

“O ponto central é que não existe uma solução única. A transição energética no agro será híbrida e complementar: eletrificação, biometano, etanol e biodiesel atendem a diferentes perfis de operação, regiões e realidades produtivas.”

“O etanol do milho vai mudar a pressão sobre o uso desse combustível. A grande questão a ser respondida ainda é o poder calorífico do motor porque a máquina exige um torque maior.”

 

Biometano

 

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Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Trator a biometano da Valtra — Foto: Eliane Silva/Globo Rural

Além do etanol, a Valtra aposta no biometano, combustível produzido com o passivo ambiental das propriedades, como os dejetos da suinocultura, criando um modelo de economia circular.

Nesse caso, os testes já somaram 20 mil horas e o lançamento está previsto para 2028. Segundo Esteves, atualmente as máquinas das marcas do grupo AGCO equipadas com a transmissão CVT entregam uma economia de 15% de diesel.

“Assumimos o compromisso em 2017 de explorar no Brasil o trator movido a biometano. As vendas vão se consolidando. Temos a ferramenta pronta para uso em várias culturas, como café e suinocultura, mas é na cana que a tecnologia tem sido mais adotada”, diz o diretor, que não revela o total de unidades vendidas desde o lançamento. Só diz que está na casa de dezenas.

Segundo as informações os tratores a biometano oferece a mesma potência do diesel, com uma economia de até 40%.

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Business

Imea estima 48,8 mi/t de soja na safra 26/27; milho é a maior preocupação

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A safra 2026/27 de soja em Mato Grosso deve registrar uma produção de 48,882 milhões de toneladas. É o que estima a primeira projeção para o ciclo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A cautela na oleaginosa aponta um volume 5,19% menor que o colhido no ciclo 2025/26, influenciada pelas incertezas climáticas e, principalmente, com os custos operacionais diante dos preços dos insumos, visto as tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz. Fatores, inclusive, que preocupam em relação ao milho segunda safra, segundo o setor produtivo.

De acordo com o Imea, a área da safra futura deve crescer 0,25% e ficar em 13,046 milhões de hectares, “configurando como o possível menor crescimento dos últimos anos”, o que reflete um ambiente mais desafiador para o produtor rural.

Em relação a produtividade, a projeção aponta 62,44 sacas por hectare, decréscimo de quatro sacas por hectare em comparação às últimas duas safras, que registraram patamares recordes próximos a 66 sacas por hectare. O Instituto explica que a “redução está associada, principalmente, à mudança no padrão climático, com a transição de um cenário de La Niña, que favoreceu o desempenho recente das lavouras, para um ambiente com maior influência de El Niño, historicamente relacionado à impactos negativos no desenvolvimento da soja no estado”.

Milho é a maior preocupação

A perspectiva anunciada pelo Imea, na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, “é um número mais realistas” para o momento vivido. Conforme ele, além da questão do diesel, os fosfatados também passam pela região do Estreito de Ormuz.

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Beber afirma que são grandes as preocupações dos produtores rurais mato-grossenses com o ciclo 2026/27 diante das tensões geopolíticas, em especial com o milho.

“Nós temos uma forte preocupação, já que o milho tem segurado um pouco da rentabilidade do produtor rural. Nós já temos o conflito da Rússia com a Ucrânia e temos agora esse conflito no Irã, que é um grande fornecedor de nitrogenados aqui para o país e um grande importador de milho”, pontua em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O presidente da Aprosoja-MT frisa que a tendência para o próximo ciclo é uma redução de investimento em tecnologia, visando uma diminuição dos custos para que o produtor rural “consiga ter uma rentabilidade razoável”.


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Pesquisadores defendem bioinsumos e controle biológico diante de riscos climáticos no campo

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O avanço das mudanças climáticas tem ampliado a pressão sobre os sistemas produtivos, com aumento de temperatura, secas mais prolongadas e eventos extremos. Durante o BioSummit 2026, realizado entre terça-feira (6) e quarta-feira (7), em Campinas (SP), pesquisadores defenderam o uso de bioinsumos e do controle biológico como ferramentas para elevar a resiliência da agricultura e reduzir a dependência de insumos químicos.

Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio Ambiente (Embrapa Meio Ambiente), Wagner Bettiol afirmou que a preservação da biodiversidade microbiana é parte central desse processo. Segundo ele, microrganismos benéficos contribuem para o equilíbrio dos sistemas agrícolas, melhoram o aproveitamento de água pelas plantas e reduzem impactos ambientais.

Bettiol também destacou que o aquecimento global pode intensificar doenças causadas por vírus e molicutes transmitidos por vetores. De acordo com o pesquisador, temperaturas mais altas tendem a encurtar o ciclo de vida desses organismos, elevar sua atividade e aumentar a disseminação de patógenos, como já observado em casos de enfezamento do milho.

No aspecto ambiental, o pesquisador apresentou uma comparação entre insumos. Segundo ele, a produção de 1 quilo de defensivo químico pode emitir de 20 a 25 quilos de CO2 equivalente, enquanto 1 quilo de bioinsumo gera de 3 a 5 quilos de CO2 equivalente. Bettiol acrescentou que o Brasil tem 277 produtos biológicos registrados com uso de apenas duas cepas de microrganismos, o que, segundo ele, indica espaço para ampliar o uso da biodiversidade microbiana nacional.

Professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Carlos Alexandre Cruciol afirmou que agentes de biocontrole atuam além do combate a doenças. Segundo ele, bactérias como Bacillus ajudam plantas a enfrentar estresses abióticos, enquanto fungos do gênero Trichoderma apresentam melhor resposta em condições de déficit hírico.

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No evento, a jornalista especializada em agro Renata Maron informou que a área potencial tratada com bioinsumos no Brasil alcançou cerca de 194 milhões de hectares em 2025. No mesmo período, a taxa de adoção passou de 22% para 47% em cinco anos.

Fonte: embrapa.br

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