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3 de agosto de 2026

Business

Rentabilidade da soja preocupa produtores do oeste de Mato Grosso com queda nos preços e custos altos

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

As colheitadeiras já roncam no oeste de Mato Grosso, mas o clima de otimismo com a produtividade no campo não se reflete nas planilhas financeiras dos agricultores. Embora as áreas precoces em municípios como Campos de Júlio e Sapezal apresentem números satisfatórios de colheita, a conta da safra não fecha. O motivo é uma combinação perigosa para o caixa das propriedades: o preço pago pela soja caiu, enquanto o custo para produzir o grão permanece em patamares elevados.

O descompasso financeiro é reflexo de um ciclo que começou com insumos caros. Muitos produtores travaram seus custos de produção em momentos de alta no mercado e, agora, precisam de muito mais sacas de soja para quitar as mesmas dívidas. O cenário gera apreensão não apenas dentro das fazendas, mas em toda a cadeia de fornecedores e revendas da região.

Segundo Rodrigo Cassol, presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio, a realidade do mercado atual está distante do ponto de equilíbrio necessário para o agricultor. “A soja nossa tinha que estar aqui no nosso município em torno de R$ 130. Hoje estamos falando em R$ 105, R$ 104”, alerta.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custo por hectare exige alta produtividade

Para conseguir honrar os compromissos e obter alguma margem de lucro, a eficiência produtiva precisa ser quase impecável. Com custos de produção estimados em cerca de R$ 5 mil por hectare, o produtor se vê obrigado a atingir médias de produtividade que fiquem bem acima da média histórica do estado apenas para “pagar o investimento”.

Cassol detalha que a valorização do grão não acompanhou o peso das dívidas contraídas anteriormente. “Um dos maiores problemas foram os investimentos na época e que hoje está se gastando mais sacas para pagar esses investimentos e o preço do grão defasado não está condizente com a realidade. Hoje podemos falar em torno de R$ 5 mil por hectare mais ou menos o custo, teria que colher uma média de 70 sacas para ter uma rentabilidade boa para pagar todos os investimentos e o que tem em dívidas”, explica o presidente do sindicato ao Canal Rural Mato Grosso.

A pressa em tirar o grão do campo também esbarra na necessidade de viabilizar a segunda safra, como forma de tentar diluir os custos fixos da propriedade. No Grupo Bom Jesus, que nesta temporada cultivou 4.226 hectares de soja em Campos de Júlio, o gerente de produção Joelson Francisco da Silva explica que a agilidade operacional é a estratégia para aproveitar a janela climática.

“Estamos colhendo esses quinhentos e pouco, e já estamos dissecando mais 1,2 mil hectares e assim vai indo na sequência. A expectativa é de fazer os dois serviços ao mesmo tempo tirar o produto do campo e já agregar algodão no sistema dentro de uma janela boa. Agora não para mais. É colhendo e plantando”, destaca Joelson.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão e tecnologia para salvar a margem

Diante da pressão econômica, a saída encontrada pelos produtores tem sido o controle rígido de cada centavo gasto na operação. Na Fazenda Agrícola Zanella, que nesta safra semeou 18,3 mil hectares de soja entre Campos de Júlio e Comodoro, a estratégia é usar a telemetria para monitorar o consumo de diesel e a performance das máquinas em tempo real, evitando qualquer desperdício que possa corroer ainda mais a rentabilidade.

Para o engenheiro agrônomo Alfeu Volf Júnior, a margem de erro nesta safra é inexistente. “Não pode errar nesses momentos, são momentos cruciais da lavoura. Se você não tem esse controle você acaba gastando mais do que você realmente planejou, então a gente tem que fazer de tudo para tentar tirar essa soja em tempo hábil para não estragar o grão”, afirma ao Canal Rural Mato Grosso.

O sentimento de insegurança financeira ecoa por todo o setor. Diego Dalmaso, presidente do Sindicato Rural de Sapezal, relata que a angústia é generalizada. “A gente sente uma preocupação por parte dos fornecedores e por parte dos produtores. O preço não está condizente com os custos”, define.


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Business

Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

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Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro Mato Grosso

Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta e exige planejamento para safra 2026/27

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Informação, monitoramento e antecipação são ferramentas para o produtor enfrentar desafios climáticos com segurança, eficiência e previsibilidade

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Agro Mato Grosso

Colheita do milho entra na reta final e já alcança 96,8% da área em MT

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Trabalhos avançam acima do ritmo da safra passada; produção deve atingir recorde de 57 milhões de toneladas, impulsionada por produtividade histórica

A colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso entrou na reta final e já alcança 96,77% da área cultivada, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na última semana de julho, os trabalhos avançaram 6,11 pontos percentuais, mantendo o Estado ligeiramente à frente do ritmo registrado no mesmo período da safra anterior.

Com praticamente todas as regiões em fase de conclusão da colheita, apenas o Sudeste mato-grossense ainda concentra áreas mais expressivas por colher. Segundo a analista do Imea, Milena Bezerra, o encerramento dos trabalhos deve ocorrer nas próximas semanas.

“A colheita do milho de segunda safra já caminha para a reta final aqui em Mato Grosso, com cerca de 97% da área total colhida. De forma geral, os trabalhos seguem ligeiramente acima do observado no mesmo período da safra 2024/25”, afirma.

As regiões Médio-Norte e Norte praticamente concluíram a retirada dos grãos do campo. Já o Sudeste apresenta 85,61% da área colhida, sendo a região que registrou o maior avanço semanal, de 18,02 pontos percentuais, resultado da intensificação das operações em lavouras que atingiram o ponto ideal para a colheita.

Umidade reduz ritmo final – Embora a colheita esteja próxima do fim, a tendência é de redução no ritmo das operações.

De acordo com Milena Bezerra, grande parte das áreas remanescentes está dispersa e muitos produtores preferem aguardar a diminuição da umidade dos grãos antes de concluir a retirada da produção.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do Estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, explica.

Mesmo com essa desaceleração prevista, Mato Grosso mantém vantagem de 0,39 ponto percentual em relação ao desempenho registrado no mesmo período da safra 2024/25.

Safra histórica – Além do avanço da colheita, o Imea mantém a projeção de uma safra recorde em Mato Grosso.

As mais de 800 avaliações de campo realizadas em 82 municípios apontaram produtividade média de 128,64 sacas por hectare, o maior rendimento já registrado no Estado.

O desempenho, aliado à expansão da área cultivada, deverá resultar em uma produção estimada em 57,06 milhões de toneladas, volume 2,92% superior ao da safra anterior.

Segundo o instituto, o resultado é consequência das condições climáticas favoráveis durante praticamente todo o ciclo da cultura, garantindo elevado potencial produtivo nas principais regiões agrícolas.

Liderança nacional – Maior produtor de milho do Brasil, Mato Grosso consolida mais uma vez sua posição de liderança nacional.

A expectativa é que, com a conclusão da colheita nas próximas semanas, o Estado confirme uma das maiores safras de sua história, reforçando sua importância para o abastecimento interno, as exportações e a cadeia de proteína animal, que utiliza o milho como principal insumo para a produção de rações.

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